quinta-feira, 11 de junho de 2026

 


CONVERSA DE POETA  (Consigo mesmo)       

                                  Francisco Miguel de Moura*

 

Vim do século passado e aprecio o presente

Cheio de invalidade. E as dúvidas,  semeio.

Sem nada ao nascer... Perguntam-me a que veio?

E eu  respondo: A tudo além do que a alma sente.

 

Para ser um bom poeta, além do que é servido

A uma jóia de Deus, clamando peio amor.

Tenho horror ao frio e o frio é meu pavor.

Guardo minha letra  bem dentro em meu ouvido.

 

Sofrer, todos sofremos: A marca do Criador!

Para viver  sorrindo, invento o meu calor.

Que mais quero de Deus, se ainda sou feliz?

 

Nada de hipocrisia...  Quem não gostar de mim,

Longe de mim eu vejo o ontem, o hoje, até o fim,

Pois sendo igual a mim, ninguém é meu juiz.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

 


DECLARAÇÕES

         (Para Maria Mécia, minha esposa)

Hoje, Dia dos seus anos,

Tenho pouco a oferecer

Mas atesto humildemente,

Contigo quero viver,

Não só hoje, porém sempre,

Meu amor para você

É tão doce como a flor

E tão forte como a pedra.

Que nos guarda ao morrer.

Quero, sim, o teu amor

Forte e vivo, quero ter

Para sempre junto a mim.

Por isto, então, no seu Dia

Quero abraçar-te, meu bem.

Para a  vida, juntos, termos.

Este pequeno poema,

Vai sempre, por ser eterno,

Enquanto a vida nos leva

Para o eterno vivermos.

                         The. 10-04-2026

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Francisco Miguel de Moura, poeta.

sábado, 4 de abril de 2026

 FOI ASSIM...

               Francisco Miguel de Moura*



Vejo-me ainda aquele bom rapaz, 

Condutor de um sorriso tão feliz

E tu, uma mocinha tão capaz

De alguém amar, e estava por um tris.


E eu saindo do bar ali da esquina,

Vi-te sentada e só, naquela praça,

Vinhas da Igreja, assim com tanta graça,

E eu, de triste, sorri... - Moça ou menina?


A hora era chagada e então, num voo

Corri em tempo... E te encontrei quieta.

Da luz do amor, fingir não se imagina.


Meu sorriso nervoso, então falou:

Nascera num segundo a voz completa:

Do amor que, de tão forte, é luz divina.

___________

*Francisco Miguel de Moura, para minha amada 

Mécia, lembrando um pouco do nosso começo.


sexta-feira, 3 de abril de 2026


  •  

EU SOU, TU ÉS...

             *Francisco Miguel de Moura, autor.

 

Eu sou, tu és... Nós somos mais felizes

Do que outrora, com aquele amor carnal,

Mas, pela mão de Deus, o amor legal

Levemente chegou, como tu dizes.

 

Na vida prosseguimos com matizes

De flores das mais ricas primaveras.

O tempo a nos mostrar novas esferas...

- Sabes, por quê? – Para fundar raízes...

 

E sempre as que jamais se desvanecem,

Nem ficam velhas, pra suportar crises,

Nas horas misteriosas que nos descem...

 

Adentrando o canal do eterno amor,

Onde o que sempre dói, nem sempre é dor...

Eu sou , tu és, nós somos mais felizes!

___________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

quinta-feira, 26 de março de 2026


 

A TRISTEZA

      (“Purificou a tristeza da terra,

       quem deixou sobre a terra uma

       lágrima e um verso”)

                Olavo Bilac

                   Francisco Miguel de Moura*

 

Todo mundo algum dia esteve triste,

com vergonha de ser, de se mostrar,

sem querer aceitar o quanto existe:

o “eu”, o outro, o céu, a terra e o ar.

 

Por ter doenças difíceis de curar,

só pensando um futuro aterrador...

Seu mal, de qualquer forma, foi o amor

que lhe faltou. Por quê? Não soube amar.

 

Também sofri por isto e, sem receio.

Com risos que não tenho – meus inventos –

vou castigando o monstro-orgulho feio.

 

E aprendi a lavrar meus sentimentos,

guardando todos junto aos pensamentos

num cofre de saudade e de amor cheio.   

 

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* Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

 Mora em Teresina-PI

 

 

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

 


POEMA DA INQUIETUDE

 

                  Francisco Miguel de Moura*

 

Ai, que vontade de jogar ao mar

os suspiros presos no ventre,

as dores caladas,

as palavras interditas

e aquelas que não foram ouvidas,

e as trevas que se acenderam

no espírito,

numa estação de raiva e desespero!

 

Que fossem para o fundo profundo

da purificação,

e meu amor nascesse novo,

vindo ninguém sabe donde,                          

de há trilhões de anos.

E a bondade cobrisse

as faces da terra.

Iluminassem o sol e a lua

eclipsando todas as maldades,

ao encontro da verdade do universo...

 

Assim teria um Deus

com quem andar conversas

e arrebanhar presentes

para os futuros homens inquietos.

_____________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro

sábado, 17 de janeiro de 2026

 


DOR SEM NOME

            Francisco Miguel de Moura*

 

Minha dor é bem maior

Que a dor do mundo inteiro:

- Uma dor muda.

Minha dor é só minha, não posso reparti-la.

Quem pode me ajudar, quem pode ouvi-la?

Minha dor não brilha, é só fumaça.

Minha dor dói mais, que me ensurdece.

Dor que vem da alma e parte o coração,

Depois se volta para dentro a passos.

Minha dor sou eu, castigo sem pecado,

Me mói, me seca, me mutila.

Dor inominada que vive, revive, e nunca morre

viva, que morre e remorre e nunca morta nasce.

_____________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Tapete Mágico do Vovô Chico

De Professor Franklin Moura

Em uma casinha onde o cheiro de café fresco sempre pairava no ar, vivia o Vovô Chico. Ele tinha um segredo guardado em suas mãos calejadas: o poder de viajar sem sair do lugar. Todos os dias, ele se sentava em sua poltrona de veludo, esperando o momento em que o silêncio viraria aventura.

O pequeno Bento era o primeiro a chegar. Ele corria pela sala com seus pés descalços, ansioso para saber qual seria o destino do dia. "Para onde vamos hoje, Vovô Chico?", perguntava ele, sentando-se no tapete fofinho, com os olhos brilhando como duas jabuticabas.

Logo depois, Malu aparecia silenciosa como um gato, trazendo sua imaginação. Ela sabia que, quando o Vovô Chico abria aquelas páginas, as paredes da sala começavam a sussurrar histórias e o teto parecia se abrir para o céu estrelado.

Vovô Chico pigarreou e abriu o livro. No mesmo instante, um brilho dourado escapou de entre as folhas. Não eram apenas palavras impressas; eram sementes

Bento apontou para o horizonte que surgia atrás da parede. Um rio de tinta azul corria calmamente, e Vovô Chico, com um gesto lúdico, convidou o menino para embarcar em um barquinho feito de dobradura que flutuava ali perto de sua imaginação.

Eles navegaram por selvas onde as árvores tinham folhas de alfabeto e os animais falavam em rimas. Bento e Malu riram alto quando um tigre de listras laranjas lhes contou uma piada sobre uma vírgula que queria ser um ponto final.

"A leitura nos dá asas", disse Vovô Chico enquanto a história os levava para o topo de uma montanha   de nuvens de algodão. Malu sentiu que podia tocar a lua, que tinha a textura suave de uma pérola, enquanto o vovô segurava sua mão com firmeza e carinho.

Lentamente, a voz do Vovô Chico foi ficando mais baixa, trazendo- os de volta para a sala quentinha. Bento bocejou, sentindo-se de mundos inteiros esperando para brotar na imaginação  de  quem como se tivesse viajado por mil quilômetros, estivesse disposto a ouvir.

"Era uma vez...", começou ele, e sua voz era como música. De repente, o tapete da sala se transformou em grama macia e Malu sentiu o perfume de flores que só existiam nos sonhos. Borboletas feitas de papel picado começaram a voar ao redor de suas cabeças. embora estivesse exatamente no mesmo lugar. O livro se fechou com um som suave.

Malu abraçou a perna do Vovô Chico antes de ir embora. Ela sabia que, graças àquelas leituras, ela nunca estaria sozinha. Cada livro era uma porta, e o Vovô Chico era o mestre das chaves. "Até amanhã, Vovô", sussurrou ela, levando um mundo inteiro dentro do peito. 

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