terça-feira, 13 de novembro de 2018

ALGUNS POEMAS DE ELMAR CARVALHO (II)


Elmar Carvalho*


MULHER NA LAGOA DO PORTINHO

Na tarde antiga
de sol e bruma
de luz e penumbra
as dunas mudaram
de cores e formas.

Os belos olhos esplendentes –
pálidas cálidas opalas ou
esmeradas esmeriladas esmeraldas –
da mulher bonita
de sinuosas dunas e viagens
furta-cores furtaram
outros tons e sobretons.

Ainda guardo a memória viva
daquela tarde morna e morta
e ainda vejo aqueles olhos vivos
furtando furtivos cores e atenção.


E os olhos e as formas curvilíneas
permanecem intactos no tempo
que em mim não passou.

E a mulher, acaso passou,
nos escombros das formas
transitórias da beleza?...


ENCONTRO

Em teus olhos mergulhei
para rever
          reviver o já vivido.
Neles me embebi
                embevecido
ao arrebatar do inesquecido
“o que não foi
e que poderia ter sido”.
Colhi nas minhas
o perfume de tuas narinas.
A essência de tuas crinas e resinas
às minhas misturei.
Com os meus, colhi-te
os lábios, entreabertos
em suave espera e ânsia.
Beijei-te os olhos
– fechados para que visses e sentisses
plenamente a magia do momento –
e deles vertias o céu e o mel. 

AUTOBIOGRAFIA ZODIACAL

Sou do signo de
        Carneiro
mas meu coração é um
Touro indomável.
No meu sangue
corre a fúria de
         Leão.
Entre uma Virgem e duas
          Gêmeas meu coração/bala
          Balança.
Sou um Câncer
nos chifres de
            Capricórnio.
Sou Peixes libertário
sem o cárcere de um
            Aquário.
Sou Sagitário
        a
           r
             m
                 a
                  arco e flecha
                  d
                o
              d
            e
(A flecha é uma cauda de Escorpião.) 


PERDIÇÃO 

Por mares de sargaços e enganos
perdi-me na rota
de estranhos portulanos
feitos por arcanos d’antanho.
Por causa de lábios
que falavam de amor
seguindo incertos astrolábios
soçobrei nas tormentas
de algum cabo Bojador.
Egresso de Sagres
dancei a Dança dos Sabres
no mapa de meu destino.
Nas garras da ventania
joguei um jogo de morte
em que tudo se perdia.
No derradeiro naufrágio
encontrei enigmas e presságios
nos búzios que no abismo havia.
E tudo se findou
num veleiro encalhado
em mar de absoluta calmaria. 





PAISAGEM MARINHA 

        Fecho os olhos
e encosto a concha do búzio
        na concha de minha orelha
e escuto o ritmo frenético
         do mar
ou lhe ouço o rouco ronco rolado
         de ondas paradas.
Fecho os olhos e escuto
         a voz do búzio
e de dentro de sua concha
de cornucópia surgem
ondas, espumas e areias
peixes, corais e caracóis
alados cavalos-marinhos
e estrelas-do-mar e do ar
em galáxias de a(r)mar.
        (Meu coração
marinho sonha com sereias,
ilhas, coqueiros e veleiros.)
         De dentro
da concha do búzio
         sai um vento
recendente de maresia
         que me
leva/lava/lavra
como se eu fora um
         fruto do mar. 

ELEGIA DO AMOR FINAL 

Teus braços
que poderiam
tudo me dar
num simples abraço
se fecharam para sempre
para mim.
E teus seios perfumados
teus lindos seios sedosos
não mais me abrigarão
e neles não mais porei
minha boca sequiosa.
E teus olhos que
poderiam devassar e possuir
meu ser interior
mesmo que me fitassem
não mais me veriam porque
para mim para sempre
se fecharam com suas longas
pálpebras de sonho e de medo.
E tuas belas mãos
tuas delicadas mãos para mim
se fecharam e me esmurraram.
E teus lábios
teus lindos lábios
emudeceram e se fecharam
num longo beijo sempre negado.
E teu sexo me foi sempre uma
concha eternamente fechada.
E teus cabelos
à brisa eram lenço
acenando em despedida.  

SEX-APPEAL 

Movo até o teu
meu amoroso coração
 - ânfora de lágrimas e solidão.

Teu olhar me revida
com uma impressentida carícia
referta de promessas e delícia.

Teus olhos escorregam macios
das penumbras dos cílios armados em cios
e afagam minha pele
eriçada em arrepios.
Meus anseios
desvelam tuas vestes
e revelam os empinados penedos
sedosos de teus seios,
sem medos
e sem receios,
e devassam em
tênues e tímidos acessos
os teus mais secretos
úmidos e diletos recessos.

E eu te desejo mais que tudo
mas me contenho e me abstenho
e me deixo ficar inerte e mudo...
______________________________
* José Elmar de Melo Carvalho, poeta piauiense e membro da Academia Piauiense de Letras.  N. B, - Esta segunda série é o complemento da primeira, publicado no blog Revista Cirandinha, de Francisco Miguel de Moura, ambas com autorização do Autor.

domingo, 28 de outubro de 2018

O BRASIL IMPÉRIO - Dom Pedro II (1840-1889


   Humberto Pinheiro da Silva 
      (recebido por e-mail)*             


            Quando D. Pedro II do Brasil subiu ao trono, em 1840, 92% da população brasileira era analfabeta. Em seu último ano de reinado, em 1889, essa percentagem era de 56%, devido ao seu grande incentivo a educação, a construção de faculdades e, principalmente, de inúmeras escolas que tinham como modelo o excelente Colégio Pedro II.
            A Imperatriz Teresa Cristina cozinhava as próprias refeições diárias da família imperial apenas com a ajuda de uma empregada (paga com o salário de Pedro II).
            (1880) O Brasil era a 4º economia do Mundo e o 9º maior Império da história.
            (1860-1889) A média do crescimento econômico foi de 8,81% ao ano.
            (1880) Eram 14 impostos, atualmente são 98.
            (1850-1889) A média da inflação foi de 1,08% ao ano.
            (1880) A moeda brasileira tinha o mesmo valor do dólar e da libra esterlina.
            (1880) O Brasil tinha a segunda maior e melhor marinha do Mundo, perdendo apenas para a da Inglaterra.
            (1860-1889) O Brasil foi o primeiro país da América Latina e o segundo no Mundo a ter ensino especial para deficientes auditivos e deficientes visuais.
            (1880) O Brasil foi o maior construtor de estradas de ferro do Mundo, com mais de 26 mil km.
            A imprensa era livre tanto para pregar o ideal republicano quanto para falar mal do nosso Imperador.
            "Diplomatas europeus e outros observadores estranhavam a liberdade dos jornais brasileiros" conta o historiador José Murilo de Carvalho. Mesmo diante desses ataques, D. Pedro II se colocava contra a censura. "Imprensa se combate com imprensa", dizia.
            O Maestro e Compositor Carlos Gomes, de “O Guarani” foi sustentado por Pedro II até atingir grande sucesso mundial.
            Pedro II mandou acabar com a guarda chamada Dragões da Independência por achar desperdício de dinheiro público. Com a república a guarda voltou a existir.
            Em 1887, Pedro II recebeu os diplomas honorários de Botânica e Astronomia pela Universidade de Cambridge.
            D. Pedro II falava 23 idiomas, sendo que 17 era fluente.
            A primeira tradução do clássico árabe “Mil e uma noites” foi feita por D. Pedro II, do árabe arcaico para o português do Brasil.
            D. Pedro II doava 50% de sua dotação anual para instituições de caridade e incentivos para educação com ênfase nas ciências e artes.
            Pedro II fez um empréstimo pessoal a um banco europeu para comprar a fazenda que abrange hoje o Parque Nacional da Tijuca. Em uma época que ninguém pensava em ecologia ou desmatamento, Pedro II mandou reflorestar toda a grande fazenda de café com mata atlântica nativa.
            A mídia ridicularizava a figura de Pedro II por usar roupas extremamente simples, e o descaso no cuidado e manutenção dos palácios da Quinta da Boa Vista e Petrópolis. Pedro II não admitia tirar dinheiro do governo para tais futilidades. Alvo de charges quase diárias nos jornais, mantinha a total liberdade de expressão e nenhuma censura.
            D. Pedro II andava pelas ruas de Paris em seu exílio sempre com um saco de veludo ao bolso com um pouco de areia da praia de Copacabana. Foi enter
 ____________
 Fonte:Biblioteca Nacional RJ, IMS RJ, Diário de Dom Pedro II - Acervo Museu Imperial de Petrópolis RJ, IHGV, FCV, Museu Nacional RJ, Biblioteca de José Murilo de Carvalho.
Artigo Publicado com a autorização do Autor. 
FMM

sábado, 13 de outubro de 2018

A SOBERBA DA IGNORÂNCIA É IGUALAR HADDAD A BOLSONARO


Caio Terceiro Neto Parente*


Durante este período eleitoral, observei várias postagens fazendo alusão a Hitler, comparando-o com o candidato Jair Bolsonaro.

Reputo-as mais fruto de desconhecimento histórico-filosófico do que, propriamente, má-fé.

Inicio, portanto, o cotejo entre as duas figuras públicas:

1. Filiação ao PT
  Hitler era integrante e um dos líderes proeminentes do PARTIDO DOS TRABALHADORES Alemães (DAP - Deutsche Arbeiterpartei), cuja denominação foi, posteriormente, transformada em Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP - Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ou, simplesmente, NAZI).

   Não é Jair Bolsonaro quem é filiado ao PT - Partido dos Trabalhadores...

2. Ligação com Ditadores

Hitler mantinha estreita relação com líderes ditatoriais, tendo inclusive, antes do início da Segunda Guerra Mundial, firmado com os soviéticos, então sob o comando de Stalin (ídolo da esquerda brasileira), o Pacto de Não-Agressão Germano-Soviético (em 23 de agosto de 1939), conhecido, também, como Pacto Molotov–Ribbentrop, dividindo o território da Polônia, ficando ela sob o controle Nazista e Soviético.

Jamais vi Jair Bolsonaro bajulando Hugo Chávez, Maduro, Fidel Castro, Evo Morales ou quaisquer outros autocratas.

3. Controle dos meios de comunicação

Após a ascensão de Hitler ao poder, "os meios de comunicação foram tomados pelas agências do Ministério da Propaganda de Joseph Goebbels".

Foi Haddad, não Jair Bolsonaro, quem prometeu, em seu Plano de Governo, fazer um "novo marco regulatório da comunicação social eletrônica".

É de bom alvitre lembrar que, em agosto/2017, em evento realizado na UFRJ, Lula vaticinou: ‘vou ganhar e fazer a regulação da imprensa’. Isso foi ratificado, no twitter, em dezembro/2017.

Está consignado no Plano de Governo de Jair Bolsonaro ser ele "contra qualquer regulação ou controle social da mídia".

4. Propriedades Privadas

Sob a égide do Nazismo, propriedades privadas e diversas empresas, pertencentes aos seus adversários políticos e aos judeus, foram invadidas e expropriadas, levando-se a cabo uma odienta política ideológica dita "superior".

É Fernando Haddad, e não Jair Bolsonaro, quem apoia as abjetas, desprezíveis e repugnantes invasões de terra, capitaneadas por excrementos paramilitares, como o MST, Sem-teto e outros congêneres, defendendo, em seu plano de governo, "democratizar a propriedade da terra com políticas de reforma agrária" e  enfrentar a "a criminalização dos movimentos sociais".

De forma antagônica, consta do Plano de Governo de Jair Bolsonaro que seus bens "são sagrados e não podem ser roubados, invadidos ou expropriados!".

5. Assassinatos de "Aliados"

Hitler assassinou vários de seus "aliados", dentre os quais figura Ernst Röhm, líder das Tropas de Assalto (SA - Sturmabteilung).

Não foi Jair Bolsonaro quem matou Celso Daniel e Toninho do PT.

6. Desarmamento Civil

É fato incontroverso: todo regime totalitário pressupõe o desarmamento da população civil. Essa medida, faz-se mister ressaltar, foi adotada por Hitler, Stalin, Mao Tse-tung, Fidel Castro e Hugo Chávez.

O PT, favorável à proibição da venda de armas, mesmo perdendo o Referendo de 2005, nunca se resignou com a derrota. Fernando Haddad, em seu plano de governo, propugna que "a política de controle de armas e munições deve ser aprimorada".

Jair Bolsonaro, de modo completamente divergente, sustenta a reformulação do "Estatuto do Desarmamento para garantir o direito do cidadão à LEGÍTIMA DEFESA".

Assim, vê-se que Fernando Haddad é quem subscreve as idéias do regime nazista.

7. Coletivismo

No campo sociológico, Hitler adotou o coletivismo, corrente ideológica retratada, de forma sintética, como a homogeneidade social, estruturada de forma unificada, sem divisão de classes, em que há a supressão da individualidade em benefício de um suposto "bem comum". N'outras palavras, o indivíduo se torna um meio para os fins do Estado; os seus interesses particulares só são legítimos se estiverem em consonância com os "desígnios da comunidade".

No plano de governo de Jair Bolsonaro,  a individualidade, a liberdade e a propriedade são valores que ganharam relevância. Ele prega "liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais".

Não há, portanto, similitude sociológica alguma entre Jair Bolsonaro e Hitler.

8. Fusão das Instituições

Hitler fundiu as instituições do Estado com as estruturas do partido, tendo, em março/1933, substituído a bandeira da Alemanha pela suástica nazista, símbolo do NAZI.

É Jair Bolsonaro o candidato que prega que a nossa bandeira seja vermelha?

9. Prisão

Antes de ser "o Führer", Hitler foi preso, pelo incidente do Putsch da Cervejaria, realizado em 08 de novembro de 1923.

Não é Jair Bolsonaro quem está preso em Curitiba!

10. Conclusão

Críticas, todos podem fazê-las. Façam-nas, todavia, com verdade filosófica e fundamento histórico. Não sejam, portanto, disseminadores do analfabetismo político, da ignorância factual e da puberdade intelectual.

Bibliografia:

1. Hitler e o Nazismo - Dick Geary, Editora Paz e Terra

2. A Segunda Guerra Mundial - Os 2.174 dias que mudaram o Mundo - Martin Gilbert, Ed. Casa da Palavra

3. Como ser um conservador - Roger Scruton, Ed. Record

4. A Política da Prudência - Russell Kirk, Realizações Editora

5. Hitler - Ian Kershaw, Companhia das Letras

6. Plano de Governo do PT (http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2018/08/plano-de-governo_haddad-13_capas-1.pdf)
Plano de Governo HADDAD 13 - pt.org.br
www.pt.org.br
3 4.2.1 Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial – PDRT 38 4.2.2 Emprego, ocupação e renda para todos 39 4.2.3 Planejamento, coordenação e financiamento do investimento público 40

7. Plano de Governo de Jair Bolsonaro, em 2018 (http://politicaedireito.org/br/wp//org/br/wp conttent/
uploads/2018/PLANO DE GOVERNO JAIR BOLSONARO 2018.pdf)

 8. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,vou-ganhar-e-fazer-a-regulacao-da-imprensa-diz-lula-em-evento-na-ufrj,70001933851

9. https://www.institutoliberal.org.br/blog/licoes-dos-nazistas-sobre-o-controle-de-armas/
________________
*Francisco Miguel de Moura: Conteúdo integral do e-mail do autor, que recebi hoje (13-10-2018), agora transcrito, pois que achei muito esclarecedor: os leitores verão onde está a verdade e a mentira das várias postagens que estão recebendo neste segundo turna da campanha para Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA - ENTREVISTADO PELO JORNALISTA LUCRÉCIO


Francisco Miguel de Moura - Marca de Excelência na Literatura Piauiense
Escritor brinda carreira brilhante e reconhecida internacionalmente
*Lucrécio Arrais
com
**Francisco Miguel de Moura
Em Foco - Francisco Miguel de Moura é um dos mais importantes escritores da história piauiense. Com 42 livros publicados, 1 (um) por lançar e mais de 10 (dez) títulos inéditos nos arquivos da rica biblioteca do apartamento onde mora, o escritor, nascido em Picos, no Povoado Jenipapeiro, mostra que entende de todas as letras e em vários idiomas.
Nascido no dia 16 de junho de 1933, são décadas dedicadas à produção textual. Seja em prosa ou poesia; Francisco Miguel de Moura tem uma bagagem cultural extensa, rica, em conteúdo esplendoroso e vasto. Ao lado de O. G. Rego de Carvalho, Fontes Ibiapina, Assis Brasil e tantos outros grandes nomes contemporâneos, Francisco Miguel alcançou o mais alto grau da Literatura Nacional.
Sempre atento às novidades, Francisco Miguel de Moura tem uma rotina de escrita, leitura e pesquisa diária, além da prática de exercícios físicos para “escrever livros na cabeça”, como ele mesmo define. É dono de um tino criativo e expressivo, no auge dos 85 anos, e também de uma lucidez que faz inveja a qualquer moço.
Ligado ao mundo digital, Francisco Miguel de Moura publica em blogs, acompanha as redes sociais e ainda tem tempo para ler os lançamentos dos colegas. Dentre as obras mais importantes, o primeiro título, “Areias” (1966), volumes como “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho” (1972) e “Universo das Águas” (1979). Este último recebeu boas críticas de, nada mais nada menos, Carlos Drummond de Andrade.
Aventurando a imprensa, também publicou 10 números da Revista Cirandinha, sobre literatura e crítica política. O romance “Laços de Poder” (1991) foi premiado e recebeu boas críticas do famoso romancista João Felício dos Santos. Já “Vira@gens” (2001) foi editado no Rio de Janeiro e lançado durante uma das bienais daquele Estado. Além destes, os títulos “Fortuna Crítica de Francisco Miguel de Moura" (2008), “Minha História de Picos” (2018), “Poesia (In) Completa” (2016), “Literatura do Piauí” (2013), “Dom Xicote” (2010) e “O Menino Quase Perdido” (2009) também encabeçam os destaques mais recentes do autor.
Em Foco: - São muitos títulos para citar, pois como já escrevemos, são 42 livros lançados de 1966 para cá.
Francisco Miguel de Moura: - São 42 livros, em 52 anos de carreira, o que, se bem contados, dá mais de um livro por ano, incluindo os grandes e pequenos volumes.
EF: - Quanta disposição, não é mesmo? Você sempre quis ser escritor?
FMM: Desde quando eu lia o livro “Coração de Criança”, adotado no primário, por meu pai, Miguel Guarani. Eu via aquelas estorinhas e pensava que ia fazer estórias como aquelas. Isso em 1945 ou 1946. Então, a resposta é sim.
EF: Mas, na prática, o que colocou você nos caminhos da literatura?
FMM: Na prática mesmo foi quando publiquei meu primeiro poema, em um jornal da época. Era um jornal da cidade de Picos, o "Flâmula", jornal dos estudantes. Foi o início de minha literatura.
EF: Você tem uma obra muito vasta, tanto em poesia como em prosa. Em qual formato você acredita que mais se encaixa? Qual é o mais prazeroso?
FMM: Eu tenho prazer em fazer todos, mas a poesia, claro, em primeiro lugar. Depois a crítica. Foram justamente meus dois primeiros livros: o primeiro, “Areias” (poemas) e o segundo, “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego” (ensaios).
EF: Você contou que trabalha 24 horas por dia, na literatura. Você não cansa?
FMM: Antigamente eu escrevia em qualquer hora: de dia, de noite, nas férias, nos fins de semana. Mas hoje tenho horário. Escrevo duas horas pela manhã e duas horas à tarde, uma média de quatro horas de trabalho por dia. Além disto, minha mulher, Dona Maria Mécia Morais Moura, organiza minha agenda telefônica e outras.
EF: Onde buscar inspiração?
FMM: Faço caminhada todos os dias. Durante a caminhada eu escrevo livros de cabeça, pensando... Não uso um gravador porque dá mais trabalho. Tenho uma boa memória. Publico muitos textos para jornal, assim, enquanto penso nas caminhadas. Escrevia muito para o "Diário do Povo" e depois para "O Dia". Mas já escrevi para todos.
EF: Você conviveu com autores ilustres?

FMM: Eu já tinha contato com Carlos Drummond de Andrade, Fontes Ibiapina, O. G. Rego de Carvalho e Montezuma de Carvalho, este último lá de Portugal, Lisboa. Nossa amizade, minha e de Montezuma, permaneceu por muito tempo, tanto que publiquei vários artigos em jornais portugueses, durante anos. Não nos jornais de Lisboa, porque era muito difícil. Mas em publicações da cidade do Porto e nas ilhas lusófonas (Açores), com muita prosa e poesia. Saí em uma Antologia da Língua Portuguesa, de poesias, com vários autores, inclusive brasileiros, mas a maioria de portugueses. Isso me deu visibilidade. Mantenho contato com poetas da Espanha, pois traduzo do espanhol muito bem. Da França, que também traduzo um pouco. Da Itália, dos Estados Unidos…
EF: Você também trabalha como tradutor?
FMM: Sim! Continuo fazendo tradução do inglês e do espanhol. Do francês menos, mas também faço.
EF: A leitura é importante? O brasileiro tem lido cada vez menos…
FMM: Certamente. Mas a leitura é fundamental e depois disso, escrevo e reescrevo.
EF: Você tem uma carreira consolidada. Qual a dica para os novos escritores que pretendem lançar novas publicações?
FMM: É preciso acreditar no que você faz. É preciso ter paciência e fazer. E ser um divulgador de si mesmo. O. G. Rego era um divulgador dele mesmo. Aprendi muito isso com ele. Aprendi muito com ele e com o Fontes Ibiapina, que ainda era meu parente.
EF: Como foi seu convívio com O. G. Rego de Carvalho e Fontes Ibiapina?
FMM: Eu vim do interior da Bahia, como funcionário do Banco do Brasil. Hoje estou aposentado. Nessa época fui nomeado para ser Chefe da Carteira Agrícola e Industrial, que tinha crédito para agricultores e produtores. Tive contato com os baianos. Então, quando cheguei aqui, em 1964, ano da Revolução dos militares, assumi meu trabalho na Agência do Banco do Brasil, em Teresina. Pouco depois O. G. Rego chegaria, vindo do Rio de Janeiro. Éramos colegas de trabalho e vizinhos, na Rua 13 de Maio. Eu morava em frente a ele. O Fontes era mais distante, porque era juiz. Mas quando nos encontrávamos o papo era sempre bom.
EF: Falando em ditadura militar, um período tão sofrido para artistas e escritores… Você chegou a sofrer algum tipo de censura?
FMM: Fui chamado duas vezes ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) para dar depoimentos. Eu era estudante e era contra a ditadura, apesar de ser moderado, por ser profissional do Banco do Brasil. Alguns colegas foram presos e me chamaram para saber o que eu sabia. Mas aquela época não era muito boa para escritores e artistas. Hoje, distante, como historiador, imagino que a revolução tenha sido um péssimo remédio.  
EF: Você falou que o autor precisa se divulgar. Como captar novos leitores nesse mundo repleto de novas tecnologias?
FMM: Temos as redes sociais. No computador mesmo tenho três blogs. Meu e-mail é cheio. As pessoas me mandam muitas matérias, fico bem antenado. E sempre divulgo minhas coisas através da internet.
EF: Você tem 42 livros e certamente já prepara um novo. Como está esse processo?
FMM: Meu novo volume é sobre poesia, uma antologia com vários poetas de todos os tempos, além biografias e explicações sobre o que é um poema, o que é ser poeta. De antes de Camões até agora. Além disso, tenho mais de 10 volumes inéditos, prontos para publicação.
EF: Como escritor, certamente você lê muito. O que está na sua cabeceira?
FMM: Atualmente estou lendo, quando posso, livros editados pela Academia Piauiense de Letras, principalmente. Estou lendo também "Anatomia do Ócio", de R. Leontino Filho. Ele é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E uma seleção de contos do José Ribamar Garcia, muito bom. Este último mora no Rio de Janeiro.
____________________
*Lucrécio Arrais é jornalista, mora em Teresina, trabalha para a Revista "Em Foco".
** Francisco Miguel de Moura é poeta e prosador. Ambos moram em Teresina - Piauí-Brasil.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sem medo de ser Infeliz - Fernando Rizzolo

Fernando Rizzolo*
    Jornalista


Não há quem não tenha ficado chocado com a agressão sofrida pelo candidato da direita, Jair Bolsonaro, praticada por um esquerdista que dizem ser um “lobo solitário”. Bem, não desejo aqui entrar no mérito dessa questão, até porque cabe à Polícia Federal e aos órgãos competentes fazer a devida investigação. Mas é necessário focarmos na questão política envolvida, nos efeitos que esse ato perverso provocou em nossa democracia.
O ato, algo agressivo em si, nos traz à tona uma linguagem que antes era desconhecida no Brasil e que está contida em inúmeras formas de nuances esquerdistas que formatam um enorme elenco de pensamentos e atitudes de que tínhamos ideias apenas perfunctórias, pois, além dos já famosos mantras, como ideologia de gênero, imposição aos negros de atitudes compactas em relação ao pensamento esquerdista, desejando doutriná-los pela cartilha marxista para não serem chamados de traidores, introdução de ideias esquerdistas nas escolas e tantos outros comportamentos, podemos também constatar, no mundo da esquerda, uma agressividade latente vermelha.

Observem que não estou aqui defendendo a direita com suas propostas conservadoras, liberais, mas simplesmente me atendo ao escopo comportamental político que realmente nos assusta.
A democracia deve ser pluralista, de acordo com os princípios fundamentais da nossa Carta Magna, mas o grande problema do Brasil é que, durante mais de trinta anos de exercício democrático, nós só exercitamos nossa mente a enxergar do ponto de vista da esquerda, o que não é culpa do povo brasileiro, e sim de uma falha democrática de conteúdo técnico. Deveríamos ter, desde o início da abertura política, um verdadeiro partido de direita, algo que nunca houve em nosso país, a não ser agora. Sim, pela primeira vez a timidez conservadora saiu do armário, e deu no que deu.
Logo, tudo que era contra o nosso pensamento, condensado durante todo esse período na elaboração partidária por membros advindos da anistia política, muitos dos quais terroristas, mas que viraram donos de partido, no amplo espectro viralizante do pensamento da Escola de Frankfurt e outras correntes, sempre embasadas no esquerdismo do pesado ao light, traduzia-se em ideologias para todos os gostos. A profanação do regime militar feita de forma uníssona por eles e sem um líder direitista bem rotulado desde o início da abertura política, para contrabalançar o eixo populista marxista, foi o que levantou a faca ao primeiro líder realmente de direita neste país.
É claro que tudo isso ocorre num plano do inconsciente coletivo, como assim denominava Jung. Contudo, quando se tem enraizada durante anos uma mentalidade formatada progressista, se é que podemos usar esse termo, ela se choca, como num acidente brutal, de frente com o Conservadorismo, que latente estava sem um líder sequer. A corrupção e a descoberta de que a maioria dos partidos têm o pano de fundo esquerdista, useira e vezeira das táticas que se tornaram inaceitáveis, não são muitas vezes tão convincentes de que a direita seria a melhor opção, pois o vício mental está presente.
Um antigo slogan do PT dizia: “Sem medo de ser feliz”, e pregava que a esquerda era boa para os pobres. Agora que descobrimos a verdade, só podemos dizer aos que não se descolam da mentalidade da desilusão que, se não se livrarem do passado, resta à direita dizer: “Sem medo de ser infeliz”.
Portanto, ou experimentam a linhagem política que ficou no armário, o Conservadorismo, e ninguém precisará levar facadas por ser o primeiro a sair do armário em direção à moralidade e à boa intenção em colocar o Brasil em ordem, ou escolhem o caminho que já demonstrou dar errado. Vamos em frente. “Sem medo de sermos infelizes"..
____________
*Fernando Rizzolo é Advogado, Jornalista, Mestre em Direitos Fundamentais, Professor de Direito. Publicação autorizada pelo jornalista mencionado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA: LIVROS PUBLICADOS E INÉDITOS

                      
Francisco Miguel de Moura*
 

PUBLICADOS:                               
A graça de cada dia, Ed. SIEC, Teresina, - 2009
A poesia social de Castro Alves, Ed. Revista, São Paulo,1979
Antologia, Ed. Cirandinha, Teresina-PI, 2006
Areias – Ed. Correio de Timon Ltda. Timon - MA, 1966
A(r)fogo, Paco Editorial, Vianelo-Jundiaí (SP), 2010
Assis Brasil – (colaboração c/Edmilson Caminha), Projeto PP, Teresina, 1989.
Bar Carnaúba, Universidade Federal do Piauí,1983
Castro Alves e a poesia dramática, ensaio, Academia Piauiense de Letras,1998
Chico Miguel na Academia, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1993
Cinquenta sonetos, Ed. Guararapes, Recife – PE, 2011
Cinquenta poemas escolhidos pelo autor, Ed. Galo Branco, Rio-RJ, 2013
Dom Xicote – 1ª ed. Fundação Cultural do Piauí, Teresina – PI, 2005
Dom Xicote – 2ªed. Ed. Saramandaia, Belo Horizonte - MG, 2010
E a vida se fez crônica, Editora Júnior, Teresina-PI, 1996
Eu e meu amigo Charles Brown, Projeto Petrônio Portela, Teresina-PI, 1986
Francisco Miguel de Moura, 16 Sonetos – Ed. Guararapes-EGC, Recife - PE, /data
Laços de poder, Projeto Petrônio Portela, Teresina-PI, 1991
Linguagem e comunicação em O.G. Rego de Carvalho, Artenova, Rio-RJ,1972
Lingaugem e comunicação em O.G. Rego de Carvalho, FUFPI,
Literatura do Piauí – APL/UFPI – Teresina-PI, 2001/2003
Miguel Guarani, Mestre e Violeiro, biografia, 2005
Moura Lima, do romance ao conto, Universidade Federal do Tocantins, 2002
Minha história de Picos,  Ed. Universidade Federal do Piauí, (FUFPI),  2017
O menino quase perdido, Fundação Mons. Chaves, Teresina, 2009,
Os estigmas, romance, Ed. do Escritor, São Paulo (SP), 1984 – 1ª e 2ª edições
Os estigmas, romance, Edições Cirandinha, 2004 – 3ª edição
Pedra em sobressalto, Editora Pongetti, Rio (RJ), 1974
Piauí: terra, história e literatura, Ed.do Escritor, São Paulo -SP, 1980
Posfácio à Literatura de João Pinheiro, Academia Piauiense de Letras, 2014
Poesia (in) completa, Fundação Mons. Chaves/UFPI, 1998/20013
Poemas ou/tonais, Gráfica Ed. Júnior, Teresina-PI, 1991
Poemas traduzidos, Gráfica e Editora Jr. Teresina, PI, 1993
Porta-folio, 40 sonetos, Ed. Guararapes – EGM, Recife-PE, 2003
Porque Petrônio não ganhou o céu, contos, COMEPI, Teresina-PI, 1999
Piauí, terra, história e literatura, crítica e antologia, Ed. Escritor, S. Paulo (SP), 1980
Quinteto em (mi)m, poesia, Ed. do Escritor, São Paulo-SP, 1986
Rebelião das almas, Academia Piauiense de Letras, Teresina-PI, 2001
Simbologia e sentido do efêmero, em Raimundo Correia, Ed. Grifo, Rio, 1974
Sonetos da paixão, Ed. Cirandinha, Teresin-PI,1988
Sonetos escolhidos, 2003
Tempo contra tempo (coedição com Hardi Filho), Ed. Cirandinha, 2007
Ternura, Ed. da Universidade Federal do Piauí, Teresina, 1993 – 1ª edição
Ternura, Editora Livro Pronto -São Paulo-SP, 2011
Um depoimento pós-moderno, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1989
Universo das águas, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1979
Vir@gens, Edições Galo Branco, Rio-RJ, 2001
    
LIVROS SOBRE O AUTOR:
Fortuna crítica de Francisco Miguel de Moura, 2008
Um canto de amor à terra e ao homem, Univ. Estadual do Piauí, 2000 -1ª ed.
Um canto de amor à terra e ao homem, Univ. Federal do Piauí, 2007 – 2ª ed.
Um rio em Chico Miguel, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 2006

INÉDITOS:
A casa e o poeta, 2007
A joia rara, ainda sem data.
As cores, a cor..., 2007
À sombra do silêncio, 2010
Itinerário de passar a tarde, 2003
Lindes do caminho, 2009
Novos poemas, 2011
Monólogo de Acrísio – teatro, 1992
O coração do instante, 2004
O crime perfeito, romance em construção
Poemas de Cirandinha, 1977/1984
Poemas concretos, 1986-1997
Poemas imperfeitos, ainda em construção
Poemas e poetas mais amados, ainda em construção
Primeiros poemas, 1952/1964
Testemunho – versões e traduções, 2009

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Teresina (PI), Brasil, em 06 de setembro de 2018.
*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina, Pi, membro da UBE-SP, da IWA (Estados Unidos da América) e Academia Piauiense de Letras - Teresina-PI.
                        


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