sábado, 13 de outubro de 2018

A SOBERBA DA IGNORÂNCIA É IGUALAR HADDAD A BOLSONARO


Caio Terceiro Neto Parente*


Durante este período eleitoral, observei várias postagens fazendo alusão a Hitler, comparando-o com o candidato Jair Bolsonaro.

Reputo-as mais fruto de desconhecimento histórico-filosófico do que, propriamente, má-fé.

Inicio, portanto, o cotejo entre as duas figuras públicas:

1. Filiação ao PT

  Hitler era integrante e um dos líderes proeminentes do PARTIDO DOS TRABALHADORES Alemães (DAP - Deutsche Arbeiterpartei), cuja denominação foi, posteriormente, transformada em Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP - Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei ou, simplesmente, NAZI).

   Não é Jair Bolsonaro quem é filiado ao PT - Partido dos Trabalhadores...

2. Ligação com Ditadores

Hitler mantinha estreita relação com líderes ditatoriais, tendo inclusive, antes do início da Segunda Guerra Mundial, firmado com os soviéticos, então sob o comando de Stalin (ídolo da esquerda brasileira), o Pacto de Não-Agressão Germano-Soviético (em 23 de agosto de 1939), conhecido, também, como Pacto Molotov–Ribbentrop, dividindo o território da Polônia, ficando ela sob o controle Nazista e Soviético.

Jamais vi Jair Bolsonaro bajulando Hugo Chávez, Maduro, Fidel Castro, Evo Morales ou quaisquer outros autocratas.

3. Controle dos meios de comunicação

Após a ascensão de Hitler ao poder, "os meios de comunicação foram tomados pelas agências do Ministério da Propaganda de Joseph Goebbels".

Foi Haddad, não Jair Bolsonaro, quem prometeu, em seu Plano de Governo, fazer um "novo marco regulatório da comunicação social eletrônica".

É de bom alvitre lembrar que, em agosto/2017, em evento realizado na UFRJ, Lula vaticinou: ‘vou ganhar e fazer a regulação da imprensa’. Isso foi ratificado, no twitter, em dezembro/2017.

Está consignado no Plano de Governo de Jair Bolsonaro ser ele "contra qualquer regulação ou controle social da mídia".

4. Propriedades Privadas

Sob a égide do Nazismo, propriedades privadas e diversas empresas, pertencentes aos seus adversários políticos e aos judeus, foram invadidas e expropriadas, levando-se a cabo uma odienta política ideológica dita "superior".

É Fernando Haddad, e não Jair Bolsonaro, quem apoia as abjetas, desprezíveis e repugnantes invasões de terra, capitaneadas por excrementos paramilitares, como o MST, Sem-teto e outros congêneres, defendendo, em seu plano de governo, "democratizar a propriedade da terra com políticas de reforma agrária" e  enfrentar a "a criminalização dos movimentos sociais".

De forma antagônica, consta do Plano de Governo de Jair Bolsonaro que seus bens "são sagrados e não podem ser roubados, invadidos ou expropriados!".

5. Assassinatos de "Aliados"

Hitler assassinou vários de seus "aliados", dentre os quais figura Ernst Röhm, líder das Tropas de Assalto (SA - Sturmabteilung).

Não foi Jair Bolsonaro quem matou Celso Daniel e Toninho do PT.

6. Desarmamento Civil

É fato incontroverso: todo regime totalitário pressupõe o desarmamento da população civil. Essa medida, faz-se mister ressaltar, foi adotada por Hitler, Stalin, Mao Tse-tung, Fidel Castro e Hugo Chávez.

O PT, favorável à proibição da venda de armas, mesmo perdendo o Referendo de 2005, nunca se resignou com a derrota. Fernando Haddad, em seu plano de governo, propugna que "a política de controle de armas e munições deve ser aprimorada".

Jair Bolsonaro, de modo completamente divergente, sustenta a reformulação do "Estatuto do Desarmamento para garantir o direito do cidadão à LEGÍTIMA DEFESA".

Assim, vê-se que Fernando Haddad é quem subscreve as idéias do regime nazista.

7. Coletivismo

No campo sociológico, Hitler adotou o coletivismo, corrente ideológica retratada, de forma sintética, como a homogeneidade social, estruturada de forma unificada, sem divisão de classes, em que há a supressão da individualidade em benefício de um suposto "bem comum". N'outras palavras, o indivíduo se torna um meio para os fins do Estado; os seus interesses particulares só são legítimos se estiverem em consonância com os "desígnios da comunidade".

No plano de governo de Jair Bolsonaro,  a individualidade, a liberdade e a propriedade são valores que ganharam relevância. Ele prega "liberdade para as pessoas, individualmente, poderem fazer suas escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais".

Não há, portanto, similitude sociológica alguma entre Jair Bolsonaro e Hitler.

8. Fusão das Instituições

Hitler fundiu as instituições do Estado com as estruturas do partido, tendo, em março/1933, substituído a bandeira da Alemanha pela suástica nazista, símbolo do NAZI.

É Jair Bolsonaro o candidato que prega que a nossa bandeira seja vermelha?

9. Prisão

Antes de ser "o Führer", Hitler foi preso, pelo incidente do Putsch da Cervejaria, realizado em 08 de novembro de 1923.

Não é Jair Bolsonaro quem está preso em Curitiba!

10. Conclusão

Críticas, todos podem fazê-las. Façam-nas, todavia, com verdade filosófica e fundamento histórico. Não sejam, portanto, disseminadores do analfabetismo político, da ignorância factual e da puberdade intelectual.

Bibliografia:

1. Hitler e o Nazismo - Dick Geary, Editora Paz e Terra

2. A Segunda Guerra Mundial - Os 2.174 dias que mudaram o Mundo - Martin Gilbert, Ed. Casa da Palavra

3. Como ser um conservador - Roger Scruton, Ed. Record

4. A Política da Prudência - Russell Kirk, Realizações Editora

5. Hitler - Ian Kershaw, Companhia das Letras

6. Plano de Governo do PT (http://www.pt.org.br/wp-content/uploads/2018/08/plano-de-governo_haddad-13_capas-1.pdf)
Plano de Governo HADDAD 13 - pt.org.br
www.pt.org.br
3 4.2.1 Política Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial – PDRT 38 4.2.2 Emprego, ocupação e renda para todos 39 4.2.3 Planejamento, coordenação e financiamento do investimento público 40

7. Plano de Governo de Jair Bolsonaro, em 2018 (http://politicaedireito.org/br/wp//org/br/wp conttent/
uploads/2018/PLANO DE GOVERNO JAIR BOLSONARO 2018.pdf)

 8. https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,vou-ganhar-e-fazer-a-regulacao-da-imprensa-diz-lula-em-evento-na-ufrj,70001933851

9. https://www.institutoliberal.org.br/blog/licoes-dos-nazistas-sobre-o-controle-de-armas/
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*Francisco Miguel de Moura: Conteúdo integral do e-mail do autor, que recebi hoje (13-10-2018), agora transcrito, pois que achei muito esclarecedor: os leitores verão onde está a verdade e a mentira das várias postagens que estão recebendo neste segundo turna da campanha para Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil.


terça-feira, 2 de outubro de 2018

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA - ENTREVISTADO PELO JORNALISTA LUCRÉCIO


Francisco Miguel de Moura - Marca de Excelência na Literatura Piauiense
Escritor brinda carreira brilhante e reconhecida internacionalmente
*Lucrécio Arrais
com
**Francisco Miguel de Moura
Em Foco - Francisco Miguel de Moura é um dos mais importantes escritores da história piauiense. Com 42 livros publicados, 1 (um) por lançar e mais de 10 (dez) títulos inéditos nos arquivos da rica biblioteca do apartamento onde mora, o escritor, nascido em Picos, no Povoado Jenipapeiro, mostra que entende de todas as letras e em vários idiomas.
Nascido no dia 16 de junho de 1933, são décadas dedicadas à produção textual. Seja em prosa ou poesia; Francisco Miguel de Moura tem uma bagagem cultural extensa, rica, em conteúdo esplendoroso e vasto. Ao lado de O. G. Rego de Carvalho, Fontes Ibiapina, Assis Brasil e tantos outros grandes nomes contemporâneos, Francisco Miguel alcançou o mais alto grau da Literatura Nacional.
Sempre atento às novidades, Francisco Miguel de Moura tem uma rotina de escrita, leitura e pesquisa diária, além da prática de exercícios físicos para “escrever livros na cabeça”, como ele mesmo define. É dono de um tino criativo e expressivo, no auge dos 85 anos, e também de uma lucidez que faz inveja a qualquer moço.
Ligado ao mundo digital, Francisco Miguel de Moura publica em blogs, acompanha as redes sociais e ainda tem tempo para ler os lançamentos dos colegas. Dentre as obras mais importantes, o primeiro título, “Areias” (1966), volumes como “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho” (1972) e “Universo das Águas” (1979). Este último recebeu boas críticas de, nada mais nada menos, Carlos Drummond de Andrade.
Aventurando a imprensa, também publicou 10 números da Revista Cirandinha, sobre literatura e crítica política. O romance “Laços de Poder” (1991) foi premiado e recebeu boas críticas do famoso romancista João Felício dos Santos. Já “Vira@gens” (2001) foi editado no Rio de Janeiro e lançado durante uma das bienais daquele Estado. Além destes, os títulos “Fortuna Crítica de Francisco Miguel de Moura" (2008), “Minha História de Picos” (2018), “Poesia (In) Completa” (2016), “Literatura do Piauí” (2013), “Dom Xicote” (2010) e “O Menino Quase Perdido” (2009) também encabeçam os destaques mais recentes do autor.
Em Foco: - São muitos títulos para citar, pois como já escrevemos, são 42 livros lançados de 1966 para cá.
Francisco Miguel de Moura: - São 42 livros, em 52 anos de carreira, o que, se bem contados, dá mais de um livro por ano, incluindo os grandes e pequenos volumes.
EF: - Quanta disposição, não é mesmo? Você sempre quis ser escritor?
FMM: Desde quando eu lia o livro “Coração de Criança”, adotado no primário, por meu pai, Miguel Guarani. Eu via aquelas estorinhas e pensava que ia fazer estórias como aquelas. Isso em 1945 ou 1946. Então, a resposta é sim.
EF: Mas, na prática, o que colocou você nos caminhos da literatura?
FMM: Na prática mesmo foi quando publiquei meu primeiro poema, em um jornal da época. Era um jornal da cidade de Picos, o "Flâmula", jornal dos estudantes. Foi o início de minha literatura.
EF: Você tem uma obra muito vasta, tanto em poesia como em prosa. Em qual formato você acredita que mais se encaixa? Qual é o mais prazeroso?
FMM: Eu tenho prazer em fazer todos, mas a poesia, claro, em primeiro lugar. Depois a crítica. Foram justamente meus dois primeiros livros: o primeiro, “Areias” (poemas) e o segundo, “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego” (ensaios).
EF: Você contou que trabalha 24 horas por dia, na literatura. Você não cansa?
FMM: Antigamente eu escrevia em qualquer hora: de dia, de noite, nas férias, nos fins de semana. Mas hoje tenho horário. Escrevo duas horas pela manhã e duas horas à tarde, uma média de quatro horas de trabalho por dia. Além disto, minha mulher, Dona Maria Mécia Morais Moura, organiza minha agenda telefônica e outras.
EF: Onde buscar inspiração?
FMM: Faço caminhada todos os dias. Durante a caminhada eu escrevo livros de cabeça, pensando... Não uso um gravador porque dá mais trabalho. Tenho uma boa memória. Publico muitos textos para jornal, assim, enquanto penso nas caminhadas. Escrevia muito para o "Diário do Povo" e depois para "O Dia". Mas já escrevi para todos.
EF: Você conviveu com autores ilustres?

FMM: Eu já tinha contato com Carlos Drummond de Andrade, Fontes Ibiapina, O. G. Rego de Carvalho e Montezuma de Carvalho, este último lá de Portugal, Lisboa. Nossa amizade, minha e de Montezuma, permaneceu por muito tempo, tanto que publiquei vários artigos em jornais portugueses, durante anos. Não nos jornais de Lisboa, porque era muito difícil. Mas em publicações da cidade do Porto e nas ilhas lusófonas (Açores), com muita prosa e poesia. Saí em uma Antologia da Língua Portuguesa, de poesias, com vários autores, inclusive brasileiros, mas a maioria de portugueses. Isso me deu visibilidade. Mantenho contato com poetas da Espanha, pois traduzo do espanhol muito bem. Da França, que também traduzo um pouco. Da Itália, dos Estados Unidos…
EF: Você também trabalha como tradutor?
FMM: Sim! Continuo fazendo tradução do inglês e do espanhol. Do francês menos, mas também faço.
EF: A leitura é importante? O brasileiro tem lido cada vez menos…
FMM: Certamente. Mas a leitura é fundamental e depois disso, escrevo e reescrevo.
EF: Você tem uma carreira consolidada. Qual a dica para os novos escritores que pretendem lançar novas publicações?
FMM: É preciso acreditar no que você faz. É preciso ter paciência e fazer. E ser um divulgador de si mesmo. O. G. Rego era um divulgador dele mesmo. Aprendi muito isso com ele. Aprendi muito com ele e com o Fontes Ibiapina, que ainda era meu parente.
EF: Como foi seu convívio com O. G. Rego de Carvalho e Fontes Ibiapina?
FMM: Eu vim do interior da Bahia, como funcionário do Banco do Brasil. Hoje estou aposentado. Nessa época fui nomeado para ser Chefe da Carteira Agrícola e Industrial, que tinha crédito para agricultores e produtores. Tive contato com os baianos. Então, quando cheguei aqui, em 1964, ano da Revolução dos militares, assumi meu trabalho na Agência do Banco do Brasil, em Teresina. Pouco depois O. G. Rego chegaria, vindo do Rio de Janeiro. Éramos colegas de trabalho e vizinhos, na Rua 13 de Maio. Eu morava em frente a ele. O Fontes era mais distante, porque era juiz. Mas quando nos encontrávamos o papo era sempre bom.
EF: Falando em ditadura militar, um período tão sofrido para artistas e escritores… Você chegou a sofrer algum tipo de censura?
FMM: Fui chamado duas vezes ao DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) para dar depoimentos. Eu era estudante e era contra a ditadura, apesar de ser moderado, por ser profissional do Banco do Brasil. Alguns colegas foram presos e me chamaram para saber o que eu sabia. Mas aquela época não era muito boa para escritores e artistas. Hoje, distante, como historiador, imagino que a revolução tenha sido um péssimo remédio.  
EF: Você falou que o autor precisa se divulgar. Como captar novos leitores nesse mundo repleto de novas tecnologias?
FMM: Temos as redes sociais. No computador mesmo tenho três blogs. Meu e-mail é cheio. As pessoas me mandam muitas matérias, fico bem antenado. E sempre divulgo minhas coisas através da internet.
EF: Você tem 42 livros e certamente já prepara um novo. Como está esse processo?
FMM: Meu novo volume é sobre poesia, uma antologia com vários poetas de todos os tempos, além biografias e explicações sobre o que é um poema, o que é ser poeta. De antes de Camões até agora. Além disso, tenho mais de 10 volumes inéditos, prontos para publicação.
EF: Como escritor, certamente você lê muito. O que está na sua cabeceira?
FMM: Atualmente estou lendo, quando posso, livros editados pela Academia Piauiense de Letras, principalmente. Estou lendo também "Anatomia do Ócio", de R. Leontino Filho. Ele é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. E uma seleção de contos do José Ribamar Garcia, muito bom. Este último mora no Rio de Janeiro.
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*Lucrécio Arrais é jornalista, mora em Teresina, trabalha para a Revista "Em Foco".
** Francisco Miguel de Moura é poeta e prosador. Ambos moram em Teresina - Piauí-Brasil.

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Sem medo de ser Infeliz - Fernando Rizzolo

Fernando Rizzolo*
    Jornalista


Não há quem não tenha ficado chocado com a agressão sofrida pelo candidato da direita, Jair Bolsonaro, praticada por um esquerdista que dizem ser um “lobo solitário”. Bem, não desejo aqui entrar no mérito dessa questão, até porque cabe à Polícia Federal e aos órgãos competentes fazer a devida investigação. Mas é necessário focarmos na questão política envolvida, nos efeitos que esse ato perverso provocou em nossa democracia.
O ato, algo agressivo em si, nos traz à tona uma linguagem que antes era desconhecida no Brasil e que está contida em inúmeras formas de nuances esquerdistas que formatam um enorme elenco de pensamentos e atitudes de que tínhamos ideias apenas perfunctórias, pois, além dos já famosos mantras, como ideologia de gênero, imposição aos negros de atitudes compactas em relação ao pensamento esquerdista, desejando doutriná-los pela cartilha marxista para não serem chamados de traidores, introdução de ideias esquerdistas nas escolas e tantos outros comportamentos, podemos também constatar, no mundo da esquerda, uma agressividade latente vermelha.

Observem que não estou aqui defendendo a direita com suas propostas conservadoras, liberais, mas simplesmente me atendo ao escopo comportamental político que realmente nos assusta.
A democracia deve ser pluralista, de acordo com os princípios fundamentais da nossa Carta Magna, mas o grande problema do Brasil é que, durante mais de trinta anos de exercício democrático, nós só exercitamos nossa mente a enxergar do ponto de vista da esquerda, o que não é culpa do povo brasileiro, e sim de uma falha democrática de conteúdo técnico. Deveríamos ter, desde o início da abertura política, um verdadeiro partido de direita, algo que nunca houve em nosso país, a não ser agora. Sim, pela primeira vez a timidez conservadora saiu do armário, e deu no que deu.
Logo, tudo que era contra o nosso pensamento, condensado durante todo esse período na elaboração partidária por membros advindos da anistia política, muitos dos quais terroristas, mas que viraram donos de partido, no amplo espectro viralizante do pensamento da Escola de Frankfurt e outras correntes, sempre embasadas no esquerdismo do pesado ao light, traduzia-se em ideologias para todos os gostos. A profanação do regime militar feita de forma uníssona por eles e sem um líder direitista bem rotulado desde o início da abertura política, para contrabalançar o eixo populista marxista, foi o que levantou a faca ao primeiro líder realmente de direita neste país.
É claro que tudo isso ocorre num plano do inconsciente coletivo, como assim denominava Jung. Contudo, quando se tem enraizada durante anos uma mentalidade formatada progressista, se é que podemos usar esse termo, ela se choca, como num acidente brutal, de frente com o Conservadorismo, que latente estava sem um líder sequer. A corrupção e a descoberta de que a maioria dos partidos têm o pano de fundo esquerdista, useira e vezeira das táticas que se tornaram inaceitáveis, não são muitas vezes tão convincentes de que a direita seria a melhor opção, pois o vício mental está presente.
Um antigo slogan do PT dizia: “Sem medo de ser feliz”, e pregava que a esquerda era boa para os pobres. Agora que descobrimos a verdade, só podemos dizer aos que não se descolam da mentalidade da desilusão que, se não se livrarem do passado, resta à direita dizer: “Sem medo de ser infeliz”.
Portanto, ou experimentam a linhagem política que ficou no armário, o Conservadorismo, e ninguém precisará levar facadas por ser o primeiro a sair do armário em direção à moralidade e à boa intenção em colocar o Brasil em ordem, ou escolhem o caminho que já demonstrou dar errado. Vamos em frente. “Sem medo de sermos infelizes"..
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*Fernando Rizzolo é Advogado, Jornalista, Mestre em Direitos Fundamentais, Professor de Direito. Publicação autorizada pelo jornalista mencionado.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA: LIVROS PUBLICADOS E INÉDITOS

                      
Francisco Miguel de Moura*
 

PUBLICADOS:                               
A graça de cada dia, Ed. SIEC, Teresina, - 2009
A poesia social de Castro Alves, Ed. Revista, São Paulo,1979
Antologia, Ed. Cirandinha, Teresina-PI, 2006
Areias – Ed. Correio de Timon Ltda. Timon - MA, 1966
A(r)fogo, Paco Editorial, Vianelo-Jundiaí (SP), 2010
Assis Brasil – (colaboração c/Edmilson Caminha), Projeto PP, Teresina, 1989.
Bar Carnaúba, Universidade Federal do Piauí,1983
Castro Alves e a poesia dramática, ensaio, Academia Piauiense de Letras,1998
Chico Miguel na Academia, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1993
Cinquenta sonetos, Ed. Guararapes, Recife – PE, 2011
Cinquenta poemas escolhidos pelo autor, Ed. Galo Branco, Rio-RJ, 2013
Dom Xicote – 1ª ed. Fundação Cultural do Piauí, Teresina – PI, 2005
Dom Xicote – 2ªed. Ed. Saramandaia, Belo Horizonte - MG, 2010
E a vida se fez crônica, Editora Júnior, Teresina-PI, 1996
Eu e meu amigo Charles Brown, Projeto Petrônio Portela, Teresina-PI, 1986
Francisco Miguel de Moura, 16 Sonetos – Ed. Guararapes-EGC, Recife - PE, /data
Laços de poder, Projeto Petrônio Portela, Teresina-PI, 1991
Linguagem e comunicação em O.G. Rego de Carvalho, Artenova, Rio-RJ,1972
Lingaugem e comunicação em O.G. Rego de Carvalho, FUFPI,
Literatura do Piauí – APL/UFPI – Teresina-PI, 2001/2003
Miguel Guarani, Mestre e Violeiro, biografia, 2005
Moura Lima, do romance ao conto, Universidade Federal do Tocantins, 2002
Minha história de Picos,  Ed. Universidade Federal do Piauí, (FUFPI),  2017
O menino quase perdido, Fundação Mons. Chaves, Teresina, 2009,
Os estigmas, romance, Ed. do Escritor, São Paulo (SP), 1984 – 1ª e 2ª edições
Os estigmas, romance, Edições Cirandinha, 2004 – 3ª edição
Pedra em sobressalto, Editora Pongetti, Rio (RJ), 1974
Piauí: terra, história e literatura, Ed.do Escritor, São Paulo -SP, 1980
Posfácio à Literatura de João Pinheiro, Academia Piauiense de Letras, 2014
Poesia (in) completa, Fundação Mons. Chaves/UFPI, 1998/20013
Poemas ou/tonais, Gráfica Ed. Júnior, Teresina-PI, 1991
Poemas traduzidos, Gráfica e Editora Jr. Teresina, PI, 1993
Porta-folio, 40 sonetos, Ed. Guararapes – EGM, Recife-PE, 2003
Porque Petrônio não ganhou o céu, contos, COMEPI, Teresina-PI, 1999
Piauí, terra, história e literatura, crítica e antologia, Ed. Escritor, S. Paulo (SP), 1980
Quinteto em (mi)m, poesia, Ed. do Escritor, São Paulo-SP, 1986
Rebelião das almas, Academia Piauiense de Letras, Teresina-PI, 2001
Simbologia e sentido do efêmero, em Raimundo Correia, Ed. Grifo, Rio, 1974
Sonetos da paixão, Ed. Cirandinha, Teresin-PI,1988
Sonetos escolhidos, 2003
Tempo contra tempo (coedição com Hardi Filho), Ed. Cirandinha, 2007
Ternura, Ed. da Universidade Federal do Piauí, Teresina, 1993 – 1ª edição
Ternura, Editora Livro Pronto -São Paulo-SP, 2011
Um depoimento pós-moderno, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1989
Universo das águas, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 1979
Vir@gens, Edições Galo Branco, Rio-RJ, 2001
    
LIVROS SOBRE O AUTOR:
Fortuna crítica de Francisco Miguel de Moura, 2008
Um canto de amor à terra e ao homem, Univ. Estadual do Piauí, 2000 -1ª ed.
Um canto de amor à terra e ao homem, Univ. Federal do Piauí, 2007 – 2ª ed.
Um rio em Chico Miguel, Edições Cirandinha, Teresina-PI, 2006

INÉDITOS:
A casa e o poeta, 2007
A joia rara, ainda sem data.
As cores, a cor..., 2007
À sombra do silêncio, 2010
Itinerário de passar a tarde, 2003
Lindes do caminho, 2009
Novos poemas, 2011
Monólogo de Acrísio – teatro, 1992
O coração do instante, 2004
O crime perfeito, romance em construção
Poemas de Cirandinha, 1977/1984
Poemas concretos, 1986-1997
Poemas imperfeitos, ainda em construção
Poemas e poetas mais amados, ainda em construção
Primeiros poemas, 1952/1964
Testemunho – versões e traduções, 2009

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Teresina (PI), Brasil, em 06 de setembro de 2018.
*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em Teresina, Pi, membro da UBE-SP, da IWA (Estados Unidos da América) e Academia Piauiense de Letras - Teresina-PI.
                        


quinta-feira, 30 de agosto de 2018

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA – PAI E ESCRITOR*


 Fritz Miguel Morais Moura**


                  

             Apresentação do livro – “Minha História de Picos”
                                                                                
            Prezados senhores, senhoras e senhoritas (e outros que não se sintam cumprimentados).  Bom dia! Nesta linda manhã de Sábado estamos aqui reunidos para receber das mãos do escritor, e meu pai, Francisco Miguel de Moura sua obra de pesquisa e resgate da memória do município de Picos, onde nasceu e viveu, tendo suas raízes bem firmadas e nunca esquecidas, mesmo depois de haver ganhado o mundo com sua literatura.
            Falar de “Chico Miguel” (como prefere ser chamado) deveria ser fácil, pois o conheço a 50 anos, como filho, tenho muitas histórias não contadas sobre nossa convivência familiar. É escritor completo, entende do assunto, como se diz no popular, escreve de tudo, desde cartas, postagens em sites e blogs, matérias de jornais e muitas outras faces da arte de escrever. Além de crítico de literário é especialista em crítica de arte. É grande a minha responsabilidade, aqui hoje, apresentar nesta solenidade este Imortal da Academia Piauiense de Letras.
            E afirmo a todos, não há como separar o homem, pai de família, trabalhador e o escritor. Escreveu de várias e diferentes formas suas histórias, seus sentimentos, sua vida vivida. Sempre foi, para mim, um homem que admiro na sua dimensão de pai, mas também como exemplo de vida e de profissionalismo, aprendi com ele valores como ética, caráter e dignidade. Um homem que vai muito além de um escritor reconhecido internacionalmente.
            O Poeta (como sempre se definiu) é um escritor completo, escreve poesias, contos, crônicas, romances e crítica literária, que pode ser acompanhada pela leitura de dezenas de suas obras publicadas. Já fez muito pela literatura do Piauí e ainda tem muito mais a fazer. Escreveu, e escreve ainda hoje, em jornais e revistas, em algumas foi editor, além de escritor, como a “Revista Cirandinha” (de 1977 a 1984). Por um tempo ficou responsável pela “Revista Cadernos de Teresina” (depois de 1984), da “Fundação Cultural Monsenhor Chaves”.
            Tive a honra de participar, em minha mocidade, de diversas de suas obras, como ilustrador ou fazendo as capas de suas publicações. Fiz capas e ilustrações das revistas “Cirandinha” e “Cadernos de Teresina”, as capas dos livros: “Por que Petrônio não ganhou o céu”, “Rebelião das Almas”, “Ternura” (em sua primeira edição); e o inédito “Itinerário para passar a tarde”. Também produzi diversas ilustrações em seu livro em homenagem ao meu avô “Miguel Guarani, mestre e violeiro”.
            Ativista cultural e literato, criou juntamente com Herculano Morais e Hardi Filho o CLIP – Circulo Literário Piauiense e a União Brasileira de Escritores no Piauí juntamente com Magalhães da Costa, Fontes Ibiapina, Tarciso Prado e O. G. Rego de Carvalho. Foi radialista com o programa “Panorama Cultural” na Rádio Clube, de divulgação da música popular brasileira e da poesia. Lembro-me de ter recitado, aos nove anos de idade, uma poesia, no programa.
            Sobre estes gigantes da cultura e da literatura piauiense, que eu considerava muitos deles como se fossem meus tios, pela proximidade que tinham com nossa família, temos algumas histórias não contadas. Por exemplo, o teatrólogo Tarciso Prado ficava muito preocupado quando o papai me levava para o “Teatro 4 de Setembro”, enquanto eles dirigiam ensaios ou simplesmente conversavam sobre poesia e outros assuntos afins, eu corria e brincava pelo teatro, entrando em todos os seus cantos e recantos, às vezes me arriscando em peraltices. Histórias nunca esquecidas.
            Inovador, trouxe para o Piauí a Poesia Concreta, menina dos olhos da moderna poesia brasileira do final do século. Crítico literário, escreveu diversos livros sobre as obras de outros escritores, a mais famosa delas – “Linguagem e Comunicação em O. G. Rego de Carvalho”, apresentado pelo amigo e escritor, Dr. Celso Barros, na noite do lançamento, na Faculdade Católica de Filosofia do Piauí (FAFI). Foi reverenciado por diversos escritores de renome nacional e internacional, entre os quais citamos, aqui, o poeta Carlos Drummond de Andrade, que fez a apreciação através de cartas do próprio punho enviadas e publicadas no livro “Fortuna Crítica de Francisco Miguel de Moura”, - publicação que reúne as principais críticas de outros autores sobre sua obra.
            Na “Livraria do Nobre”, meu pai reunia-se com os mais diversos escritores do Piauí, sempre nas manhãs de sábado, mas também em edições especiais nos fins de tarde, e conversavam sobre literatura. O escritor Cineas Santos apelidou esses encontros de “Clube do Silêncio”. Vários escritores o procuravam para ouvir seus conselhos e orientação. Daquela época, se me lembro bem, todos os já citados e outros como Rubervam du Nascimento e Elmar Carvalho povoaram a minha existência, na infância e adolescência.
            Nascido no interior de Picos - povoado Jenipapeiro, hoje município de Francisco Santos - onde trabalhava no comércio até transferir-se para Picos, com o fim de fazer o curso ginasial.  Estava nos seus 18 anos. Em Picos, sem emprego, foi morar na casa do parente, o Sr. Abrão Conrado, até então um desconhecido que passou a conhecer através do amigo Sebastião Nobre Guimarães. Este amigo foi responsável pela sua primeira publicação – O poema “Teu Valor”, publicado no jornal “Flâmula”, dos estudantes do ginásio.  Começa aí as suas andanças deste escrevinhador, o Sr. Abrão arrumou para Chico Miguel, o emprego de Escrivão de Polícia. Assim, estudava e trabalhava até que passou no concurso público para o Banco do Brasil, em 1957 (ia fazer 24 anos). A partir de então morou no “Picos Hotel” até casar-se com Dona Mécia (minha mãe), companheira de caminhadas e aventuras desta vida, até hoje.
            Agora lança este livro, mais uma de suas facetas, a de historiador. Esta é uma obra de pesquisa e resgate da memória do município de Picos, onde nasceu e viveu, misturando histórias contadas, pesquisadas e vivenciadas. Vai na contramão da crença popular de que quando aumenta nossa idade, diminui nossas lembranças; ele está provando que têm mais memória são aqueles que viveram mais, aqueles que tem histórias vividas para contar.             
                 Segue alguns pensamentos do nosso querido Chico Miguel, ainda inéditos:
             “Tudo é provisório, mas Deus permanece coerente e contraditório”.
        “Uma prova da indiferença nossa é que, apesar de tantas revoluções, o homem continua o mesmo”.
           “Jesus fez o milagre da multiplicação. Quando os homens foram dividir o milagre, então houve guerra”.
             “Livro inédito não tem nome. O batismo é a letra de forma”.
            “Quem tem boca, vai a Roma, e arruma”.
        “Existem dois mundos: o escrito e o não escrito, segundo Ítalo Calvino: Eu pertenço ao primeiro mundo, onde me sinto bem longe dos analfabetos”.
                                        _______________________________
*Discurso pronunciado no Auditório da Academia Piauiense de Letras, Teresina, Piauí, em 25-8-2018.
**Fritz Miguel Morais Moura, filho caçula do escritor Francisco Miguel, é Professor Universitário com formação em Administração, Economia, Arquitetura e Urbanismo.
                   

terça-feira, 17 de julho de 2018

SENSUAL ALICE e RESPOSTA DE ALICE


1.
 Francisco Miguel de Moura*

Foi na queda da minha meninice,
desaguando na minha juventude,
que me veio à cabeça esta virtude
de te gravar no coração, Alice.

Tu brincavas na praia, ondas salgadas
vinham quebrar-se nos teus pés, sem pejo.
Aproveitar meu prematuro ensejo
seria um céu. Perdi nossas pegadas.

Sonho as curvas da praia, as curvas tuas,
como o seio nascente que guardavas.
De tanta coisa, desejei só duas.

Na noite, as mãos levíssimas de sondas...
E entre séria e risonha te afastavas,
levada docemente pelas ondas.                  
                             The /Dez. 1966




2.
  Francisco Miguel de Moura*

Altas ondas do mar... Tu me encantaste
Mirando o verde-azul dos sonhos teus.
E eu que pensei ser ordem de meu Deus,
Me deixei ser a flor presa a tua haste.

Mas foi triste a ilusão! Eu, noutro plano,
Jamais despertaria os sonhos teus.
Se nos amamos tanto em tal engano,
Continuaste, enfim, sem meu adeus.

E assim, no longe e perto, e separados,
Não sou flor, nem o fruto que sonhamos:
Sou a linda sereia destas águas.

Nossos rastos são rastos apagados
Pelo tempo e a forma do que amamos:
Nossas saudades não se tornem mágoas.

                                    The/Jun./2018
______________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina< PI,
publicou em 1966, o soneto inicial, sua estreia com o livro "Areias" e recentemente resolver fazer a "Resposta de Alice", para completar o quadro poético. Se gostarem, por favor, escrevam para o meu e-mail:
franciscomigueldemoura@gmail.com


segunda-feira, 16 de julho de 2018

BRINCANDO DE COMETA

Francisco Miguel de Moura*


Um poema sem meta
Para quem não me quis,
Mesmo que esse alguém
Que a gente quis e não nos quis
Seja apenas um malmequer
Em forma de mulher
Que a gente desfolha
(Ou descarta?)
Pelo prazer do jogo
Com quem às vezes se tem
E mil vezes passa e não vem.

É que só assim desfolhando,
Deflorando
Devorando
Sua alma sem palma como veio
Talvez se pudesse extrair
Uma luz da escuridão-cometa
E veria como se ama até uma coisa torta,
Suja e morta, em pedaços:
Uma folha de papel em pedra
que aparece apenas uma só vez.

_____________________________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina, Piauí, seu e-mail:franciscomigueldemoura@gmail.com

sexta-feira, 13 de julho de 2018

NÓS - SONETO CÉLEBRE DE GUILHERME DE ALMEIDA


NÓS

           Guilherme de Almeida (1890 - 1969)*              

Fico – deixas-me velho. Moça e bela,
partes. Estes gerânios encarnados,
que na janela vivem debruçados,
vão morrer debruçados na janela.

E o piano, o teu canário tagarela,
a lâmpada, o divã, os cortinados:
- “Que é feito dela?” – indagarão - coitados?
E os amigos dirão: - “Que é feito dela?”

Parte! E se olhando atrás, da extrema curva
da estrada, vires, esbatida e turva,
tremer a alvura dos cabelos meus;

irás pensando, pelo teu caminho,
que essa pobre cabeça de velhinho
é um lenço branco que te diz adeus!
______________
*Guilherme de Almeida  é o 4º Príncipe dos Poetas Brasileiros, eleito em 1959, de pois de Aldemar Tavares. Grande lírico paulista. Membro da Academia Brasileira de Letras.
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