terça-feira, 22 de maio de 2018

HERCULANO MORAES DA SILVA FILHO - CRÔNICA


            

Francisco Miguel de Moura * 
Membro da Academia Piauiense de Letras
           
       Não sei como começar esta pequena crônica sobre o amigo e confrade da Academia Piauiense de Letras, Herculano Moraes, falecido à tardinha do 17 de maio de 2018, em Teresina - PI, com 75 anos de idade, vítima de um câncer do pulmão.  Ainda com um peso no coração, sinto-me atarantado em escrever sobre o querido amigo de muitas batalhas literárias:  A primeira, na fundação e existência curta do CLIP-Circulo Literário Piauiense, de cuja entidade vieram para a APL, em ordem de entrada, ele, Herculano Moraes, Hardi Filho e eu. A segunda foi sua surpreendente entrada na Academia Piauiense de Letras, por ser ainda muito jovem e não ser aquele o costume do sodalício. A terceira foi quando ele concorreu à presidência da Academia Piauiense de Letras, onde ocupava a cadeira nº 18, patroneada pelo Marquês de Paranaguá e ocupada anteriormente por José Félix Alves Pacheco e José Burlamáqui Auto de Abreu. Tinha as qualidades necessárias para ganhar e não ganhou. Mesmo assim continuou com sempre, com urbanidade e laboriosamente ajudando nos trabalhos da “Casa de Lucídio Freitas”, que tanto amava, onde atualmente era o Secretário Geral.
          Dizemos que Herculano era ainda relativamente jovem, a guiar-nos pela média de vida dos 74,9 anos – taxa do IBGE – para a longevidade média do brasileiro. E ainda mais porque, nos tempos modernos, graças aos avanços da Medicina e de outas ciências congêneres, a média já deve andar por mais primaveras. Por meu estado de saúde, tomando medicamentos controlados para dormir, não pude ir velar seu corpo, por isto pedimos perdão a sua atual esposa, agora viúva, professora Maria Nilza Moraes.  E, ainda assim, aconteceu que, nas duas noites seguidas a sua morte, quase não dormia, dormi mal. Porém, imediatamente ao saber de seu falecimento, eu e minha esposa, D. Maria Mécia Morais Moura, rezamos a Deus pela sua alma para que lhe conceda a paz e a felicidade da vida eterna, destinada aos eleitos para o Reino dos Céus.
          Herculano era um tipo calmo, amigo, sem apego aos bens da terra, exceto, as artes e a literatura, lutando pela liberdade de palavra e opinião:  quer como jornalista, quer como poeta, dedilhando seus versos simples, mas sinceros e bens cuidados ou contando a história dos escritores piauienses vivos e mortos.   Nesse trabalho, abraçou tantas causas boas, entre elas, a da implantação da literatura piauiense, como matéria obrigatória, nas escolas de todos níveis, inclusive nas universidades. Esta era uma das suas notórias discussões. No CLIP – Circulo Literário Piauiense – foi o seu presidente. Como jornalista o divulgou o quanto pode. Ninguém no Piauí fez tantos movimentos literários a favor da literatura, da poesia e dos poetas, também dos artistas de outras áreas artísticas de modo geral. Andamos por este Piauí, de norte a sul, de São Raimundo Nonato a Parnaíba, de Barras a Luzilândia, Picos, Valença e Amarante, por exemplo, em caravanas ou em grupos pequenos, fazendo festivas, recitais, palestras, simpósios. Fundador de diversas Academias regionais, entre elas citemos a Academia de Letras do Vale do Longá e a Academia de Letras do Médio Parnaíba.
          No meu livro “Literatura do Piauí”, 2ª edição, em 2013, editado pela Universidade Federal do Piauí, destinei um capítulo para divulgar a “Geração do Novo Milênio”. O nome é criação do próprio Herculano Moraes. Contando com a participação de dezenas de integrantes da mais nova geração lítero-cultural e representantes da geração anterior, na “Conferência das Gerações”, Herculano Moraes presidiu o encontro que reunia dezenas de intelectuais, no próprio auditória da APL, para o debate do que significa ser escritor, no novo milênio, século XXI.  Teve uma vida toda dedicada à literatura. Sem esperar muito para si: não era egoísta como outros. Era um líder, falando à juventude dos seus sonhos e das lutas pela liberdade e justiça. Não acredito que tenha deixado inimigos, mesmo campo literário, onde surgem os inimigos gratuitos. Menino do interior, aqui se fez com muita luta, estudando e trabalhando, escrevendo, falando e lendo os melhores autores. Redator desinibido, de linguagem simples, seus artigos e crônicas pelo jornal eram lidos com alegria e simpatia, pois que os destinava ao povo. Tudo isto sem descer à linguagem chula dos que querem ser popular imitando os erros e cacoetes do populacho. Seus poemas são de uma clareza meridiana, mas sempre com o toque de quem trabalha a palavra e sabe bem que só o amor e as amizades convêm ser divulgados e elogiados. Como político, foi um líder, primeiramente estudantil, na luta por seus direitos e no sagrado dever de estimulá-los ao estudo, fazendo com que as vidas mais duras progredissem até o alcance dos grandes sonhos. Depois foi vereador e Secretário de Estado, levando seus dotes de jornalista a mais outros cargos, que os executava a contento.  Quis o bem, fez o bem, viveu pobre, mas rico de poesia e de sonhos, e graças aos seus sonhos muito realizou. E poderia ter feito mais. Porém Deus o chamou, deixando-nos imorredoura saudade.
_______________ 
* Francisco Miguel de Moura, poeta e ficcionista do Piauí, mora em Teresina - PI e é membro da Academia Piauiense de Letras (APL), cadeira nº. 8, patroneada pelo poeta J. Coriolano (José Coriolano de Sousa Lima. 

segunda-feira, 14 de maio de 2018

DOIS EPITÁFIOS



        1

Morri todos os dias
vivendo a bebida,
a comida, 
 a festa,
a lascívia...

O mundo, travessura e graça,
passei-o.
Quem não passará, então?

       2

Nasci do mistério do amor
amaro.

Vivi em grandes guerras.

Agora, a dois passos da verdade,
deixam-me no etéreo
deste chão?

Isto não é sério!

________
 *Autor: Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina – Piauí, estado desconhecido mas muito importante para sustentar a empáfia de outros, inclusive do Nordeste, que só servem para destratá-lo. Por isto foi que o Governador Alberto Silva, de saudosa memória, remendou a frase “Visite o Piauí antes que ele se acabe” para esta, que é mais verdadeira: “VISITE O PIAUÍ ANTES QUE VOCÊ SE ACABE”.

sábado, 28 de abril de 2018

O MEU ROMANCEIRO * OLHAI

Jose Augusto de Carvalho*

Olhai as minhas mãos vazias e enrugadas
que já perderam tudo.

Não mais as infantis manhãs alvoroçadas

do mais estreme ludo…


 Não mais as trovas de alma e coração rendido
no ardor primaveril em asas de andorinha

ousando amor além do régio permitido

na bela que depois de morta foi rainha…

Não mais a sedução de longes e sereias
nas minhas mãos abertas,
gretadas pela flor de sal das marés cheias
de arrojo e descobertas…

Olhai agora e vede as minhas mãos tão frias,
num desespero de ais,
enquanto enfrentam já sem força as agonias
do nosso amado cais.

Olhai que não vos peço esmola ou pia prece.
Sem nada, tudo tive!
De nada mais careço aqui onde se tece
a vida de quem vive.
_____________________________
*José-Augusto de Carvalho - Poeta Português
Alentejo, 16 de Abril de 2018.
____________________________________________

terça-feira, 17 de abril de 2018

IMPORTÂNCIA DA POESIA NA FORMAÇÃO DA JUVENTUDE (Ontem e hoje)


Francisco Miguel de Moura*
         
Que belo e importante tema!  O poeta e cantor-compositor José Solon de Sousa, dono desta festa, me põe de “saia justa”! Não me considero exemplo pra ninguém, se é que fui em outros tempos e lugares. Mas, “lato sensu”, todos nós somos exemplos, mesmo porque somos o que os outros fazem de nós, num sentido saudável da socialidade. E, não sendo orador, a aproveito-me do meu conhecimento de vida e poesia, de letras e artes, desde minha formação, para tecer essas palavras de apoio à juventude de hoje, na experiência de minha juventude de antes. Mas coloco uma coisa que não deve existir:  separação entre jovens e velhos, visto que certamente ambos se aproveitam dessa convivência e ambos aprendem muito com ela.
          Quando era jovem (criança e adolescente, e até depois), gostava de conversar com as pessoas mais velhas, porque elas são sábias, embora não de uma sabedoria atualizada, mas de um saber guardado pelas gerações. Dessas pessoas aprendi a respeitar todos com a mesma urbanidade e gostar das crianças e de jovens, escolhendo como amigos aqueles que mais me pareciam no caminho do bem, não aquele bem quieto, mas aquele tipo que procura manter-se atualizado e fazer suas opções mais corretas na vida. Me dei bem. Em Picos, aonde passei parte de minha juventude, alicercei meus caminhos para a vida. Não me recordo de que houvesse alguma pessoa (nem jovens, nem velhos) naquela época, que não me quisesse bem e me apontasse o melhor caminho. Chegado em Picos, eu já trazia o cabedal da minha educação doméstica como a educação escolar, pois que meu pai era professor e foi quem primeiro me guiou no caminho da minha formação. Nem todos têm como eu tive, esta fortuna: educação no lar juntamente com o aprendizado da escola. Nem todas as crianças e jovens tiveram a minha. E por aí que eu pego: Os professores devem ser respeitados como os pais. Sem a devida educação doméstica ninguém irá muito longe. Infelizmente, o que observamos atualmente é este divórcio entre a educação doméstica e a escola: Os pais, cuidando só do seu umbigo, deixam os filhos ao desdará.  Ou seja, diante de uma tevê, com um celular na mão, sem ter quem lhes prepare sequer um “dever de casa” – tudo ficando por conta de uma serviçal - pessoa que, pelo comum, não tem instrução e nem a necessária educação doméstica, pois que nem casa nem família possui, a coitada. São problemas  originários das revoluções sociais lá de fora (lembremos a França de 1948) e o próprio Brasil da Ditadura Militar, lá por outros problemas, cujos disparates exportam (o caso mais explícito é a imitação aos americanos em tudo de pior que têm), da cozinha à escola, do trabalho às diversões (música, cinema, tevê, etc.).  Esta última influência é recebida pela “mídia” que, na maioria das vezes, nos leva a enganoso entendimento do mundo.  Ignorando-se o conhecimento do passado pela história, cujo início começa em casa e vai para a escola, com o professor e os livros, deu no modo como vivemos hoje. E, assim, temos que enfrentar esses problemas.
          “Voltando à vaca fria”, expressão dos antigos, antes de eu haver chegado à cidade de Picos, já havia recebido minha educação fundamental. Agora enfrentaria a sociedade, os problemas financeiros e a continuação do estudo. Foi, então, quando tracei o novo roteiro que teria de seguir: Viver respeitando professores e colegas na sala de aula e lá fora, ensinar aos que não sabiam tanto quanto eu, tolerar algumas chateações que, sem dúvida, acontecem entre colegas, lembrava do Hino do Brasil, cantado diante da escola, em grupo, antes de adentrar a sala de aula, no tempo vivido no interior. Em dentro da escola, respeitar os superiores e colegas. Do “bulling” de hoje sempre houve ameaças, mas os culpados eram castigados severamente. Com já havia aprendido a ler e escrever, lia muito, passava noites à dentro lendo livros emprestados, quando também escrevia os primeiros poemas. Lembrava sempre de recitar nas sabatinas, quando para isto era designado, ou mesmo na praça e até nos bares, como muitas vezes fiz em Jenipapeiro/Angico Branco/Santo Antônio e em outras localidades por onde passei. Foi em Aroeiras que aprendi um belo poema de autoria de Olavo Bilac, que ainda conservo na memória. Vale bem recitá-lo, neste dia festivo, tão importante para a comunidade de Jaicós quanto para o médico-poeta Dr. José Solon de Sousa, fundador desta Casa de Cultura cujo nome é homenagem a sua genitora:  - “O’ mamãe, quando dormimos / Todos, num sono profundo? / Há mesmo almas do outro mundo / Que aos meninos aparecem? // - Não creia nisto, é tolice, Fantasmas são invenções / Para dar medo aos poltrões.../ Não houve ninguém que os visse. // Não há gigantes nem fadas, / Nem gênios perseguidores, / Nem monstros aterradores, / Nem princesas encantadas. // As almas dos que morreram / Não voltam à terra mais, / Pois vão descansar em paz / Do que na terra sofreram. //Dorme com tranquilidade, / Nada receia meu filho / Quem não se afasta do trilho / Da justiça e da bondade”.
          Este é um exemplo edificante, sem dúvida. Na juventude é que se aprende as primeiras lições da vida, repito. Os jovens são tão importes na edificação da vida futura, principalmente quando se apoiam nos que já viveram e sabem quanto custa o mundo. Todos nós, jovens e idosos, somos construtores do futuro, uns pelo que estão aprendendo, outros pelo que  ensinam e pelo modo de viver e  comunicar-se.  O ensino, sem os exemplos, de nada se aproveita. Respeitemos os jovens com os exemplos diários e teremos uma juventude sadia e forte.
          Mas, hoje, parece haver uma contradição entre jovens e velhos. Somente parece. Quem não se orgulha dos seus pais, dos seus avós quando alcançam? Quem não se orgulha da terra que lhe deu o berço? Apenas com o exercício da lógica, chega-se à aproximação e à distância entre as duas idades. Assim foi que Rui Barbosa, a “Águia de Haia”, num dos seus famosos discursos, assegurou-nos que “na terra em que os meninos campeiam de doutores, os doutores não passarão de meninos”. Precisamos meditar sobre isto.
          Hoje, os meninos querem saber bem manejar os instrumentos que a técnica e a eletrônica lhes oferecem, e o fazem com muita rapidez, por isto costumam menosprezar os mais velhos, os idosos, palavra usada normalmente com certo desdém pela mocidade. Não digo todos, há sempre exceções que não fazem a regra. Generalizar é o maior defeito de quem escreve ou fala. A frase vem muito a propósito do que pretendemos dissertar: A educação na juventude, através da escola, da arte especialmente da poesia e da música. Vemos, hoje, muitas coisas que afastam os jovens dos velhos, que iludem os jovens para caminhos que são mais que descaminhos.  O bom caminho fica somente para poucos. Exclui aqueles que caem na vida das drogas e dos seus aproveitadores – chefões e vilões do narcotráfico - que, mesmo presos, enchem a “burra” dos políticos sem escrúpulos e sem nenhum caráter, para fazer suas campanhas eleitoreiras e gerar a enorme corrupção que vemos e vivemos. 
          Depois dessa peroração, enumero, no meu entendimento, as principais coisas que afastam a juventude do bom caminho:
          1 – A “mídia”, que, se por um lado traz o benefício das comunicações mais rápidas através da internet e por meio de celulares e outras “estrovengas, afastando os jovens da boa literatura, da melhor escola, do lirismo e simbolismo da poesia e da música, enfim de todas artes, eis que caem na anti-arte, a“art-pope”. Não há art-pope, o que há é massificação, emburrecimento do espirito. Está provado que a boa música e a melhor poesia (e não o rock e outras que tais) são verdadeiros elementos que retardam o envelhecimento e curam muitas doenças: depressão, mal de Alzheim e câncer, as mais conhecidas e sofridas pela população mundial.  Mas, não somente os jovens e os medianos: Os velhos sem noção, querendo ser menino, embarcam numa canoa furada. Pelo amor de Deus não acreditem em tudo da mídia... A mentira é mais sedutora do que a verdade e anda mais rapidamente.
          2) - A fraqueza dos pais, porque dão toda a liberdade às crianças e principalmente aos adolescentes, querendo, assim, libertar-se dos seus compromissos com a sociedade e com a Divina Majestade, o Criador. Eles entregam seus filhos ao mundo, sem aqueles princípios morais e éticos, os quais só se aprendem com o exemplo. Se os pais não dão o exemplo, quem vai dar? O mundo, a mídia? Assim, a juventude de hoje, possuidora de um mundo moderno de tantas maravilhas, foge pela tangente das farras, das bebedeiras, para as facilidades e a corrupção que lhes estragam vida, para toda a vida. E muitos mais vão morrer de um “tiro perdido”, porque devem um naco de droga, porque adquirem-na ao distribuidor e não lhes pagam, dos que enfim, não acreditam na vida e terminam assassinados pela polícia ou por algum dos seus comparsas. Não esquecer que a estatística de suicídio, por parte dos jovens das grandes cidades, é alarmante. Uma geração inteira está sendo esvaziada por causa desses males do mundo social e sociável.
          Mas nem tudo está perdido. Há muito a aproveitar do mundo moderno. Com parcimônia os velhos vão-se adaptando às modernidades e as escolas, desde a fundamental até a universidade, estão cheias, mesmo que, muitas vezes, as condições ambientais e a dos mestres não sejam bem melhores como se deseja. Particularmente, eu digo que estudar, ler poesias, decorar poesias, ouvir música muito me ajudou a chegar aos 85 anos. Conclamo a todos os idosos que, como eu, façam estes exercícios diariamente, e terão uma vida mais longa e mais saudável. Também, mais paciência e condição de aprender com os jovens e ensiná-los a vida, a história, a família, a paz, o respeito humano, patrioticamente votando nos melhores homens para dirigir nosso Brasil verde-amarelo-e-azul, com ordem e progresso sempre.
          Para finalizar, recito um soneto denominado “A Escola”, autoria do professor e historiador Basílio de Magalhães (1874-1957) – uma lição de amor, paz, trabalho e gratificação aos mestres e alunos:

         “A Escola é o foco de onde a luz radia, / A luz que aclara o tempo e as nações: / Ora é luz que descanta, é cotovia; / Ora é centelha de revoluções! // Por onde é que o soldado balbucia / O nome Pátria, que enche os corações? /Onde é que nasce o Amor? Onde a Poesia? / Onde a mais santa das aspirações? //Na Escola irrompe, em solidário afeto, / O altruístico e elevado sentimento, /Graça ao fogo da paixão repleto, // Das lavas do vulcão do entendimento: //- “É que há mais luz nas letras do alfabeto // Que nas constelações do firmamento”.

______________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta, cronista, contista, romancista e crítico de literatura e de artes, reside em Teresina, Capital do Piauí. End. eletônico: franciscomigueldemoura@gmail.com

domingo, 8 de abril de 2018

AMO E ODEIO

Francisco Miguel de Moura*



A manhã é meu espelho:
- Odeio as coisas feitas,
quero-as todas por fazer.
Odeio o que é eleito,
quero é constrangê-lo.
Odeio o preço de mercado,
quero a liberdade sem recado.
Perfeição, repetição, alienação...
Odeio o único e o todo,
amo apenas o singular
entre tantos e outros.
Quase morro de tédio
por ter criado objetos, abjetos
porque não tinham arte.

Amo ser pleno e livre,
com uma felicidade sem remédio.

Ou o dia que não se repete.

          
-----------------------------------------
                          Observação.: Este poema está traduzido em italiano e inglês.

                                                           ***********************
*Francisco Miguel de Moura, poeta, tradutor, cronista, contista, romancista e crítico da literatura. O poema acima faz do livro "Novos Poemas", inéditos. Membro da Academia Piauiense de Letras, da União Brasileira de Escritores e de outras instituições culturais brasileiras e no exterior. Já publicou mais de 40 livros.

domingo, 25 de março de 2018

O MENINO QUASE PERDIDO OU AS ASTÚCIAS DA AUTOBIOGRAFIA


 Rosidelma Fraga*

     O menino quase perdido (2009),trigésima obra de Francisco Miguel de Moura, divide-se em trinta e cinco narrativas que podem ser lidas separadamente como é o caso de Vidas secas, de Graciliano Ramos, cujos contos foram escritos fora de ordem para depois juntar o embrião com o corpo maior que é o romance. O narrador de Miguel de Moura, em terceira pessoa, vale-se de estratégias de concatenação de memórias de um sujeito que se vê como duplo na busca interior e na procura do outro. A esse respeito asseverou sua leitora assídua Teresinha de Queiroz (2009, p. 11): “retomar o tempo é igualmente buscar as memórias e as lembranças dos outros, no desejo e no desespero de dar significado e carnação aos sonhos fugidios que ameaçam sempre nos escapar nessa busca que é a procura de si”. A sensação que o leitor tem é a de que a narrativa onisciente pareça ter sido realizada em primeira pessoa, causando uma quebra de conceitos da própria narratologia nas mãos de um narrador idôneo que conhece bem o caminho para construir o inverso sem usar necessariamente a primeira pessoa. Trata-se de uma história introspectiva, não obstante escrita na terceira pessoa do singular. E essa marca é uma das possibilidades para que O menino quase perdido seja ímpar, pois há uma busca de si no outro e vice-versa.
O menino da narrativa de Moura parece mergulhar nesta busca de si e não se perde nas analepses, no sentido genettiano do termo, uma vez que há um projeto de texto baseado nas elucidações de Paul Ricouer (2007) no que tange à ars memoriae (memorial ou arte da memória). A narrativa de O menino quase perdido está centrada no método seletivo como bem degustamos em Ricouer, ao defender que toda narrativa é seletiva e não existe memória sem história e esquecimento.
As primeiras páginas da obra passa pelo crivo existencialista do ponto de vista da história construída por um sujeito humano. O leitor pode encontrar, em muitas partes das “crônicas”, alguns subsídios que permitem categorizar a escritura como uma autobiografia que não quer perder a feição memorialística da infância. Uma delas é a narrativa de “As marcas da areia” que oscila entre a memória, a história e o esquecimento:
     “Quem não tem história, não tem vida feliz, plena, no sentido humano. A história completa o espírito de cada homem, esse animal social, político e, dizem, religioso. O menino quase perdido, como não tem história, continua a fazer pegadas na areia...” (MOURA, 2009, p.25).
      A partir deste instante, o leitor começa a indagar: Quem é o menino quase perdido na fala do narrador? As duas possibilidades de leituras são textuais e intratextuais. A história construída pelo autor e não pelo narrador permite discordar do próprio narrador. O menino sem história revive, em seu memorial, as pegadas de areia não unicamente daquele instante sui generis da infância, como também da própria história do autor. Essa leitura pode ser feita se o leitor associar o paratexto “As marcas da areia” com o título de Areias (1966), o primeiro livro de poesias, de Francisco Miguel de Moura. Perseguimos tal leitura, defendendo que o menino quase perdido (personagem) se assemelha igualmente ao autor empírico. A escritura da obra existe para comprovação. E como as narrativas não são interdependentes, elegemos algumas partes para que a leitura seja tão real quanto à “narrativa autobiográfica”. Quando afirmamos que as histórias são interdependentes, queremos chegar, por exemplo, ao memorial “A fábula do preguiçoso”, configurando-se como um dos textos que pode ser lido separadamente sem perder o ritmo e o sentido.
Da mesma forma é a história “Saudade e dor”. Nela encontramos algumas pegadas de Areias no reviver da infância. Os últimos versos daquela primeira obra casam-se perfeitamente com o poemeto do menino Xico, nas páginas de O menino quase perdido.           Colocamos os dois excertos lado a lado:

Não deixes que a areia
branca da infância
enferruge e coma
tua coragem.
 Como a aranha tece,
tece a tua teia.
(MIGUEL DE MOURA, 1966, grifos nossos).

O menino quase perdido,
como não tem história,
continua a fazer
pegadas na areia.
(MOURA, 2009, p.25, grifos nossos).

     Tecer a teia pode ter a mesma equivalência de tecer memórias para guardar a lembrança viva da infância e não “enferrujar o tempo”, ainda que o passado pareça perdido nos momentos de dor e melancolia ou “medo e esperança”, título da vigésima nona narrativa.
O leitor também parece ser o seu objeto nas voltas e cortes reflexivos da vida e da infância, em virtude da fruição e identificação com o texto, quando lê os trechos do poemeto da vida do menino Xico e sente-se tomado pela nostalgia que parece divergir do sentimento da saudade, pois aquela parece ser mais eterna, contida e retida no desejo da memória:
Ah se eu pudesse guardar
sem virar
sem pensar,
as cinzas da infância.
(MOURA, 2009, p.89, grifos nossos).
     Recordar é guardar e reter o tempo com a sensibilidade da alma para que o passado se torne um agora na memória eterna, quase lírica, rompendo-se com o esquecimento. E o menino da história consegue resgatar a volta ao tempo [quase] perdido nos achados de sua memória, porque ele soube preservar a “sensibilidade em toda a parte, nos interstícios do corpo e da alma, na profundidade do seu estar-no-mundo”. (MOURA, 2009, p.93).
     Junto ao estar no mundo desse menino, não faltaram as lembranças da passagem da infância/adolescência para a fase adulta. Em “O fim da infância”, podemos dizer que os traços desses momentos são aflorados na vida do menino Xico no povoado de Picos, sertão piauiense, onde se comprova a linha memorialística de arquétipo autobiográfico. O menino revive os momentos prazerosos da adolescência frente ao pedido de namoro de uma mulher e as despedidas em lágrimas numa manhã. No entanto, o leitor percebe que essa imagem de amores mistura-se à metáfora implícita do vínculo amoroso do autor com sua terra quando lemos o fragmento, a saber:
    “Eu me vou... Mas prometo que quando tiver lua nova venho cá, beijar este chão e visitar a casinha onde dormimos a noite. Mesmo que você não esteja mais neste lugar” (MOURA, 2009, 171, grifos nossos).
     As memórias são alicerçadas na lembrança que oscila entre a paixão adolescente e a paixão pelo lugar paradisíaco na mente do narrador que fala de Xico. A presença da casa em Picos sugere que o lugar seja tão importante para o personagem quanto à figura da mulher que, por um instante, amou. E mesmo que ela não esteja mais na "terrinha prometida", é para lá que o menino Xico sempre voltará. Neste emaranhado de recordações, temos um narrador consciente e onisciente para assegurar ao leitor que somente ele pode ser, concomitantemente, uma testemunha, uma vez que presenciou cada instante narrado:
     “Ali terminava um namoro de dois meses, tão sofridos quanto gozados, porque se despedia da infância agora perdida; ficava-lhe apenas aquela lembrança, sua memória. De concreto, somente o último beijo e o único adeus... Sem testemunhas”. (MOURA, 2009, 171, grifos nossos).
     De “O fim da infância” ao momento de “Naquela tarde de abril”, o leitor pode visualizar uma longa passagem do tempo, já que o narrador não estará a contar sobre o menino e suas infâncias, mas sobre um menino-velho tentando recuperar os laços ou os fios do tempo, a fim de narrar a paixão platônica por Ruth. Talvez esta última memória seja a mais esperada pelo leitor como se a recordação amorosa transformasse em pegadas de areia, cujas águas do tempo não conseguiram apagar. Neste final, o narrador utiliza-se de recursos imagéticos próximos a Homero para vir à tona a memória que reterá o esquecimento, uma vez que a mesma sensação de reconhecimento da cicatriz de Ulisses, de Odisséia, está presente em Miguel de Moura. Tal exegese é válida se observarmos o momento em que o menino-velho revê a paixão da adolescência, num tempo transcorrido extensamente como a colcha de Penélope, e chega ao reconhecimento da ferida, nas marcas do tempo presente. Segue o trecho:
     “Aos olhos do menino, era linda, da cor do leite das vacas de seu pai. Da primeira vez que a viu, tinha uma pequena ferida na perna que era um charme” (MOURA, 2009, p.173, grifos nossos).
     Posto isto, o narrador mostra-nos que o tempo e a distância entre uma recordação e outra faz do instante perdido o momento recuperado no memorial existencialista. Em toda e qualquer mente humana é presumível que pelo menos duas lembranças permaneçam inabaláveis: a infância e a adolescência, sobretudo quando chegamos ao momento da mais alta experiência humana:
      “O mundo dá muitas voltas e é preciso que a gente não reaja contra os ventos da sorte [...]. Embebidos um no olhar do outro, procurando captar, no que ainda restara: - a face do que foram e já se havia esfarinhado no tempo. Tantos anos!” (MOURA, 2009, p.173-175, grifos nossos).
     O sentimento dessas memórias não pôde ser fotografado pelo narrador, todavia a mão que narrou soube reter a imagem fotográfica de cada instante passado, trazendo à baila um memorial da escrita de si e das escritas do outro que há em nós. Para ultimar essas fotografias do passado, o narrador assegurou que a palavra não dá conta de expressar a emoção, mormente num gênero que não seja lírico. Entretanto, leitor, Francisco Miguel de Moura, não mais o narrador, com a sua sensibilidade de poeta, pintou o som das reminiscências com as mais belas imagens, eternizando-se como uma “música de Mozart” ou um “quadro feito por Leonardo da Vinci” (MOURA, 2009, p.175) na vida de O menino quase perdido.
                                                  ******

Referências bibliográficas
MOURA, Francisco Miguel de. O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, 182 p.

QUEIROZ, Teresinha. A vida começa num sonho. Prefácio. In: _____ MOURA, Francisco Miguel de. O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, p.11-15.

RICOUER, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução: Alain François. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2007. 

PS. Este estudo da escritora Rosildema Fraga publicado por Dilson Lages, no seu já famoso site, de quem obtivemos a licença para transcrevê-lo aqui.
____________________
[* Mestre e Doutoranda em Estudos Literários, na Universidade Federal de Goiás. Blog: http://rosidelmapoeta.blogspot.com] 

terça-feira, 13 de março de 2018

CORRUPÇÃO INTERMINÁVEL E MALDITA


 ANTONIO PAIVA RODRIGUES*



“Deixa que o teu coração voe, além do horizonte, nas asas da música sublime que verte do Céu a Terra, a fim de conduzir-nos da Terra ao Céu. Ouve-lhe os poemas de eterna beleza, em cuja exaltação da harmonia tudo é gloriosa ascensão. Nesse arrebatamento às Esferas do Sem Fim, o silêncio será criação excelsa em tua alma, a lágrima ser-te-á alegria e a dor teu Cântico. Escuta e segue na flama do pensamento que transpõe a rota dos mundos, associando tuas preces de jubilosa esperança às cintilações das estrelas!” (Emmanuel).

Política é a arte ou ciência de governar. Arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; ciência política. A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “pólis”, nome do qual se derivam palavras como “politikê” (política em geral) e “politikôs” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que estenderam-se ao latim “politicus” e chegaram às línguas europeias modernas através do francês “politique” que, em 1205 já era definida nesse idioma como “ciência dos Estados”. O termo política é derivado do grego antigo (politeia), que indicava todos os procedimentos relativo a polis, ou cidade-Estado.

Por extensão, poderá significar tanto cidade-Estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana. O livro de Platão traduzido como “A República” é, no original intitulado Politeia. No caminho da evolução, desse modo, a teoria igualitária absoluta é invariável utopia que nenhum sistema político poderá materializar. A experiência e o esforço pessoal são as duas alavancas da diferenciação a cuja influência decisiva não conseguiremos fugir. As promessas mirabolantes ficam muito bem às comédias da leviandade, mas, nunca nos que compreendem sinceramente o que seja esforço, trabalho e realização. Essas promessas normalmente são usadas como armas poderosas pelos políticos para conseguirem se eleger ou reeleger.

Normalmente os eleitores são iludidos e as promessas nunca são cumpridas, pois quase todo político é sagaz e tira do pobre e dos mais necessitados uma parcela dos que eles ganham, através, dos miseráveis e destruidores impostos. Nós brasileiros estamos com os corações nas mãos e, precisando iluminar as nossas mentes, trabalhando sempre. Essa é a fórmula ideal de ascensão para os cimos da vida. Não nos esqueçamos de que temos sabedoria, sabemos analisar o mundo, no entanto, devemos julgar a política empreendida em nosso País, pois estamos sendo sacrificados todos os dias. O governo brasileiro colocou uma cruz muito pesada para o povo carregar e tem gente que não aguenta mais. Governo que planeja artimanhas para não ser alcançado pela força da lei, não merece nenhum crédito dos brasileiros.

A corrupção é interminável e maldita. Trajetória de Maluf inclui disputas ao Planalto e prisão por 40 dias. Deputado chegou à sede da Polícia Federal (PF) por volta das 9h, um dia depois de o ministro Edson Fachin determinar o início do cumprimento de pena por lavagem de dinheiro. Paulo Maluf (PP-SP), 86, dia 20 à Superintendência da PF de São Paulo é o mais recente episódio na vida de um importante personagem da política brasileira desde os anos 1960. Deve ter acumulado muita grana fruto da corrupção maldita que assola o Brasil. O deputado foi condenado em maio há sete anos, nove meses e dez dias de prisão em regime fechado. O primeiro posto de destaque na carreira pública do engenheiro Paulo Salim Maluf foi à presidência da Caixa econômica Federal em 1967, durante a ditadura militar, indicado por Delfim Netto, então ministro da Fazenda do governo Costa e Silva.

Em 1969, é nomeado prefeito de São Paulo pelo então governador paulista Abreu Sodré. Em sua gestão construiu o polêmico elevado Costa e Silva (hoje João Goulart), conhecido como o minhocão, obra que liga as regiões leste e oeste da cidade e que Maluf sempre cita como uma de suas maiores realizações. Como governador de São Paulo, entre 1979 e 1982, Maluf tentou transferir a capital para o interior. Criou a Paulipetro, que gastou US$500 milhões na perfuração de petróleo, mas só achou água e gás. Comprou a Light e fez a rodovia Ayrton Senna. Quando do fim do governo dos militares, Maluf foi escolhido candidato a presidente pelo PDS, partido que sucedeu a antiga Arena. Sua candidatura, no entanto, desagradou a Frente Liberal, que deixou o PDS para apoiar Tancredo Neves, candidato do PMDB, que foi eleito presidente, com José Sarney como vice.

Candidatou-se a presidente em 1989, ocasião em que foi derrotado por Fernando Collor de Mello. O Ministério Público responsabilizou Maluf por desvios de mais de US$ 172 milhões, mas parte dos crimes já foi prescrita. Fachin considerou apenas desvios na ordem de US$ 15 milhões. E assim caminha a trágica política brasilis. Estamos sendo governados por um presidente impopular e corrupto como afirma a oposição. O governo Temer tem 74% de desaprovação e apenas 6% de aprovação. O. Governo de o presidente Michel Temer foi considerado ruim ou péssimo por 74% da população, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope. Já 6% consideram ótimo ou bom, 19% regular e 2% não sabem ou não responderam.

O levantamento foi divulgado nesta quarta (20) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). As informações são da Agência Brasil. O levantamento também mostra o grau de confiança no presidente Michel Temer e a aprovação do governo em nove áreas de atuação, entre elas, saúde, educação, segurança pública e combate a fome e ao desemprego. A margem de erro é de 2% para mais ou para menos e o nível de confiança utilizado é de 95%. Um percentual mínimo de aprovação para um presidente que afirma em depoimentos que o Brasil já saiu da crise. Pode Freud? Dodge vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) para impedir que Temer gaste R$ 99 mi em campanha. Para a procuradora é inconstitucional usar o valor para propaganda governamental “com feição de campanha estratégica de convencimento público”.

Vejam as aberrações do ministro Gilmar Mendes: Gilmar manda soltar Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral. O mesmo ministro suspende ação contra Richa, governador do Paraná. Em sessão esvaziada, STF rejeita denúncias contra quatro parlamentares. Com dois ministros a menos, Segunda Turma da Corte arquiva acusações da Procuradoria-Geral da República contra três deputados e um senador. O ministro Jose Antonio Dias Toffoli, que votou contra a aceitação das denúncias (STF/Divulgação). Com apenas três de seus cinco componentes, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu rejeitar as denúncias contra os deputados federais Arthur Lira (PP-AL), Eduardo da Fonte (PP-PE) e José Guimarães (PT-CE) e contra o senador Benedito de Lira (PP-AL) – eram três processos diferentes, sendo um para os Liras (pai e filho) e outro para cada um dos demais deputados.

Os três processos foram arquivados por decisão dos ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli em placares de 2 a 1. Os outros dois ministros que votariam nos casos, mas estavam ausentes, eram Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. No caso de Eduardo da Fonte, o voto vencido foi do falecido ministro Teori Zavascki, em sessão que começou em novembro de 2016 – ele morreu em acidente aéreo em janeiro deste ano. Sucessor de Teori na relatoria dos processos, Edson Fachin votou nos outros casos para que as acusações fossem recebidas. O deputado de Pernambuco era acusado de corrupção passiva a partir das delações premiadas do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Fernando Baiano e era um dos primeiros parlamentares envolvidos nos processos da Operação Lava Jato.

Ele é acusado de intermediar negociações do senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), já falecido, que teria pedido 10 milhões de reais para dificultar os trabalhos da CPI da Petrobras. Dias Toffoli, que retomou a votação, argumentou que as acusações contra Eduardo da Fonte eram baseadas apenas em delações, sem documentos que as corroborassem e foi acompanhado por Gilmar Mendes. Senhores estamos relatando algumas nuances da política brasileira que denota um desinteresse do STF em punir políticos corruptos. Acreditávamos piamente no Supremo, mas pelo andar da carruagem estamos em dúvidas quanto aos resultados dos julgamentos realizados por aquela corte. Estamos quase chegando à conclusão de que no governo brasileiro a política foi execrada, dando lugar a velha e surrada politicagem. O termo politicagem possui significado pejorativo, depreciativo, desagradável. Refere-se à política de interesses pessoais, de troca de favores, ou de realizações insignificantes

Designa também o conjunto dos políticos que se dedicam a tal prática. Pode-se dizer, em uma linguagem popular, que a politicagem está ligada a política suja, que inclui a compra de votos, os esquemas de corrupção entre políticos, os desvios financeiros para beneficiamento próprio, as falsas promessas ao povo. É uma política reles e mesquinha, movida pelo desejo do poder e enriquecimento ilícito e fácil e com certeza para não perder o cargo de presidente Michel Temer abusou da politicagem. Tudo muda no mundo. As coisas e as pessoas são mutáveis. Nada permanece igual, e nem poderia. É por isso que precisamos guardar no coração, para sempre, os bons momentos. Resolva não ter mais medo dos obstáculos, das dificuldades e sofrimentos, e os transforme em degraus para alcançar um patamar mais alto. Vamos à luta. Pense nisso!
_______________________
*ANTONIO PAIVA RODRIGUES-JORNALISTA- RADIALISTA-MEMBRO DA ACI- DA ACE- DA UBT- DO PORTAL CEN (LUSO-BRASILEIRO)- DO PARA LER E PENSAR- DO RECANTO DAS LETRAS- DA ALOMERCE. Publicado com a licença do autor e site a seguir mencionado:
Copiado deste sitehttp://www.paralerepensar.com.br/recomendar.gif 


domingo, 21 de janeiro de 2018

BALADA DO ESQUECIMENTO


Francisco Miguel de Moura*
                 
       
Esquece, por enquanto o mundo não te conhece,
Não há razões para abraçá-lo com tanta força.

Esquece que nasceste como milhões por dia,
Esquece quem te amou perdidamente um instante,
Pra depois esquecer-te e dizer: “para sempre”.

Esquece que te quero, mas não sei até quando,
Esquece tudo que cantaste e que o outro chorou:
Lágrimas não valem nada, nem o rosto que molha.

Senta-te no batente de tua casa e vê nascer o sol,
Quando levanta quente e forte, com força e luz.

Senta-te à tarde e vê que ele se põe no horizonte
E, ao contrário da vinda, nem te viu... Ofuscou.

Mas não te esqueças da lua quando vem cheia
Apaga tua sonolência e depois enche-te os olhos...
Com a madrugada fria, quando pela primeira vez
Bebeste um gole de tristeza, de saudade e dor,
Por aquela que te disse: “Amo-te eternamente”!...
E depois desapareceu... Morta ou viva, que importa?

Não importa: O tempo não corroe, o tempo corre
E é sempre o mesmo que te assanha a cabeleira
E sibila ao teu ouvido: - “Esquece, esquece tudo,
             Que eu não volto mais”!...

______________
*francisco miguel de moura é poeta e prosador brasileiro, mora em teresina, mas, por via de estudo ou trabalho, já  morou no rio de janeiro, em salvador, itambé e picos.  atualmente mora na capital do piauí - teresina.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...