domingo, 15 de janeiro de 2017

MALALA – PRÊMIO NOBEL DA PAZ – 2014

Francisco Miguel de Moura*
(Autor)

A pessoa que recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2014, da Organização das Nações Unidas (ONU), com sede em Nova York, Estados Unidos, tinha apenas 16 anos. Tinha o nome de Malala, nascera em 12/7/1997, no Paquistão, precisamente no Vale do Swat, era filha de pais pobres. Como vemos, ainda quase uma menina. Hoje, já quase moça. Depois de recuperada dos danos que um tiro lhe causara na cabeça continua uma estudante extraordinária, uma personalidade tão forte e de caráter tão marcante aplicado à luta pela independência das mulheres, dando-lhes as mesmas condições que aos homens, especialmente no que tange à educação.

Malala Yousafzai, seu nome, é filha de um professor e fundador de escolas, onde teimava – contra o regime do país e da região, na época – a lutar para que as meninas tivessem o mesmo tratamento que aos meninos, e por isto pai e filha eram perseguidos. Ele amava e admirava a filha Malala, dando-lhe incentivo e apoio irrestrito. E os dois conseguiram milagres. Mas, contra a estupidez dos Talibãs, que tinham tomado conta do país, era preciso ser forte e não ter medo nem de morrer pela justa causa.

A história dessa menina está toda no livro “Eu Sou Malala”, famoso já em todo o mundo. Feito a quatro mãos: as da autora e personagem com sua história e as da jornalista Christina Lamb, com a sua pena, já então famosa, formada em Oxford e Harvard correspondente para o Paquistão e Afeganistão desde 1987. Com grande empenho e sabedoria construíram a obra. É uma reportagem jornalística que se lê com gosto de romance. E olhe que gosto! Sugiro a quem ainda não o leu que vá correndo a uma livraria, compre-o e o leia imediatamente. Quem não o fizer não sabe o que está perdendo. Leia antes de morrer, e não se arrependerá. O estilo corre como água clara dos riachos cristalinos no despenhadeiro. Além das autoras, consumiu o trabalho de quatro tradutoras.

Malala não queria tornar-se famosa, ela gostava de estudar, estudava muito. E quando qualquer empecilho se punha a sua frente, lutava para vencê-lo. Sabia que sozinha não teria forças para vencer os Talibãs. Assim é contada a história: Naquela ocasião, o país, com governos fracos e até aliados à raça de Talibãs, inimigos crueis da humanidade, da vida e da civilização, escondidos atrás do Islã, para fazer o mal. O Islamismo, em virtude de sua amplitude territorial, divide-se em várias seitas, conforme a interpretação de cabeças nem sempre progressistas e que cada vez mais se afastam de Deus.

Não pude interromper a leitura de “Eu sou Malala”. É um livro de sabedoria, um livro de formação. Conhecemos uma civilização do Oriente tão diferente de nós pelos costumes, línguas e história política, onde se fundem tantas culturas, formando um povo de bom coração, cheio de humanismo, superando a violência sofrida, primeiro da Índia, depois dos Talibãs descidos do Afeganistão. A hospitalidade, a generosidade para com os vizinhos e parentes são qualidades tão arraigadas na alma dos paquistaneses que faz a admiração até de outros países vizinhos. Somando-se a isto a beleza da paisagem, dos vales, das serras, dos rios e águas, qual um paraíso dos deuses para os turistas. São favores que compensam a violência, principalmente originada em grupos que mal interpretam as leis do Alcorão e os ensinamentos do profeta Maomé.

Mas isto a gente vê de relance. A história do romance “Eu sou Malala” é realmente comovente. O ensino de seu pai, sábio professor, fizeram dela a criatura privilegiada por Deus para um destino semelhante ao de uma santa. Mas não era isto que ela queria, nunca quis ser mártir, quis batalhar por seu povo cheio de bons costumes, mas ainda tão atrasado quanto a desvalorização da mulher, e dentro desse preconceito, a desvalorização da escola, do livro, do estudo, enfim do progresso.

Malala falando, podemos avaliar melhor: “No dia em que nasci (12-7-1997), as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe, e ninguém deu os parabéns a meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga. Nós, ‘pachtuns’, consideramos este um sinal auspicioso. Meu pai não tinha dinheiro para o hospital ou para uma parteira; então uma vizinha ajudou minha mãe. O primeiro bebê de meus pais foi natimorto, mas eu vim ao mundo chorando e dando pontapés. Nasci menina num lugar onde rifles são disparados em comemoração a um filho, ao passo que as filhas são escondidas atrás de cortinas, sendo o seu papel na vida apenas fazer comida e procriar”.

Acima está a transcrição do primeiro parágrafo, do primeiro capítulo do livro, basta abrir a pág. 21.

O pai de Malala lhe dedicava um amor extremado, não obstante depois dela ter nascido um menino na família, seu irmãozinho. Incentivava e ajudava-a. Jamais Malala pensou vir a ser uma personalidade importante no mundo. A parte do romance que se ocupa com Malala desde o dia que foi baleada gravemente por um Talibã, no ônibus em que ia para a escola, até a cura total dos danos causados pela bala – tratamento em parte feito no Paquistão e parte (maior e mais delicada) num hospital da Inglaterra é a parte central. E é o que há de mais comovente e convincente na obra. Depois de tudo, vai à ONU, onde discursou sem papel, fato que já acontecia na escola de seu pai, onde estudou, sendo a primeira aluna em notas, sempre, acompanhada de boas amigas, que iam no ônibus, no mesmo dia, havendo as demais escapado ilesas. Ela, àquela altura, já era uma líder. É sempre os líderes que os Talibãs atacavam, em primeiro lugar. Ela estava marcada para morrer. E se não morreu foi porque Deusa sabia que o mundo precisava dela.


_______________
*Francisco Miguel de Moura -Membro da Academia Piauiense de Letras, mora em Teresina - Piauí - Brasil


domingo, 8 de janeiro de 2017

ESTAMOS FICANDO CADA VEZ MAIS DESUMANOS

Francisco Miguel de Moura
Academia Piauiense de Letras

Dia 3 do corrente mês e ano, tremi e não por causa do tremor de terra que sacudiu Teresina, vindo do Maranhão. Foi por causa de uma notícia do Jornal Nacional: – “Em 2017 vamos ter, no Brasil, mais fins de semana prolongados do que em 2016, pois quase todos os feriados vão cair em dias de terças e quintas feiras”. Portanto, um chama para os ditos “feriados prolongados”. Não ficam na Capital nem os médicos, restaurantes se fecham, supermercados, tudo. Todo mundo nas praias.

Meu Deus! Tanto que eu pedi um 2017 melhor que o 2016, e vem isto aí! Qual é o aposentado, idoso, que pode sair? Ficam todos em suas casas. No dia primeiro do ano de 2017, mesmo sendo um domingo e também o feriado da Fraternidade Universal, fiz minha caminhada. Escolhi uma rua diferente. Há muito tempo não passava ali de pé. Vi coisas impressionantes, não as mudanças no comércio, não os pontos fechados por causa da crise. Vi piores. Ninguém dá bom dia a ninguém, imagine-se um sonoro “Feliz Ano Novo!” Só se via caras amarradas, ainda bem que poucas. Pelo menos para mim e minha mulher (nós sempre caminhamos juntos), ninguém abriu os lábios, salvo quando chegamos a uma banca de revista, na ponta linha, para pegar o jornal. O dono da banca quase não levanta a cabeça para atender. Por sorte, encontramos o Dr. Itamar Costa, médico e cronista que mora ali por perto, e tivemos sorrisos largos e abraços calorosos. Que homem educado, hem?

- Ele devia estar na Academia Piauiense de Letras. Por que não vai? - Mécia pergunta.
- Ele vai entrar, é que ainda não chegou a hora, eu disse. Talvez seja o próximo. Só não desejo que seja na minha vaga, pois quero votar nele, lembrando da mesma frase que me dissera o poeta Vidal de Freitas, grande benemérito de Picos, onde foi Juiz de Direito, por muito tempo, ali criando o curso ginasial, que Picos ainda não tinha. Ele foi o mentor do Colégio que depois foi denominado “Marcos Parente”.

E seguimos os nossos passos de volta pra casa, ou melhor, nosso apartamento: - Ela rezando suas rezas e eu imaginando como escrever esta crônica. Será medo que essa gente tem da gente? Será pensando que todos são ladrões, malfazejos? Era esta a primeira pergunta que vinha à minha cabeça. Ou então é indiferença pela vida, pelo tempo. Se não tiver cuidado, eles tropeçam em você. Não tire os olhos dos poucos que vão e vêm. Tudo tão diferente de uns quinze anos atrás! Hoje, os governos são desumanos, fazem leis que dizem proteger uns, mas desprotegem outros, em maior número de pessoas. Leis desumanas. Os homens das leis, fazem-nas para si, em causa próprio, leis casuísticas. Quem sobrar que se dane. Quem andar pelas ruas de Teresina vai vendo como rola a desumanidade nas pessoas. Mesmo pela manhã, quando o tráfego está manso, ralo, quase nenhum carro nas ruas e avenidas, e se é domingo ou feriado prolongado, menos ainda. Os dirigentes de tais veículos não têm a menor atenção aos pobres idosos que estão fazendo suas caminhadas nesse horário: das 7 às 9 h da manhã. Com relação a eles mesmos, os que dirigem veículos, há uma espécie de competição para ver quem chega primeiro. Pois os pedestres, já sabemos, nada merecem a não ser atropelamentos ou carreiras, com a grande probabilidade de queda, muitas vezes irrecuperáveis. Os pobres ciclistas sofrem quando vem um carro, e neste seu desespero de chegar à obra se é dia de trabalho, ou em casa, se trabalha na noite, vigias, garçons, etc., vão na mesma pisada, correndo sem parar. Só observam os carros para não serem pisados. Em resumo, o desrespeito é assim: carro grande é grande, tem todos os direitos; carro menor vem depois, mesmo que sejam camionetas. E os carrinhos, novos ou velhos, que se cuidem, pois há uma chusma atrás deles. Não falemos nos motoqueiros. Estes andam numa disparada, parece que o mundo vai acabar-se. Ou são eles que vão morrer?

Pedestres? Entre eles pode haver ladrões, assaltantes disfarçados de pedintes, esmoleres, pessoas que pedem informação de ruas, hospitais etc., mas o que querem mesmo é nossa bolsa, nossos documentos, nosso celular, hem? Ninguém, em Teresina, respeita as leis do trânsito. De mil tem um que anda com luz acesa, que faz o sinal na lanterninha mostrando para onde vai, que pára dando lugar a outro passar, mesmo que seja sua vez, por gentileza. Não falei nem vou falar nos terríveis carros de som que infernizam os nossos ouvidos durante a noite e vão até de manhã. Há mais rapazes (e até moças) da alta burguesia que dormem o dia todo, de noite vão pra festa e se embriagam e saem por aí fazendo “cavalos de pau”, para morrer ou matar, morrer e matar. Os jovens de hoje não têm sonho. Morrem logo. De desastre de carro, de bebida e outras drogas, de nada – simplesmente se suicidam. A desumanidade ocorre não apenas no trânsito: jogam lixo, pedras, paus, galhos de árvores, tudo no passeio e no leito das ruas. Eles não sabem que o passeio (calçada), é do pedestre. Como é que pode? Plantam plantas onde não devem e deixam morrer de sede as que dão sombra.

Na volta, quando chegamos à pracinha que há no cruzamento das Avenidas Homero Castelo Branco e Dom Severino, vimos uma mulherzinha bem magra, distante, do outro lado da praça. Pareceu-me que estava doente ou com forme. E um homem, parado do lado de cá, brigava com ela, querendo que fosse, rapidamente, sentar-se num banco perto dele. Ela foi apressando… Não digo chorando porque não lhe vi as lágrimas, era distante. Fiquei parado, observando.

Afinal de contas, quem são? O que ele quer dela? O homem a maltrata. A moça, de tão magra, caminha devagarinho.
_________________
Francisco Miguel de Moura, escritor piauiense, da APL e de outras instituições culturais, e-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

domingo, 1 de janeiro de 2017

ANO NOVO? TEMPO E ETERNIDADE

Francisco Miguel de Moura* 


Entramos no ano 2017, da era Cristã. Ano Novo? Ou ilusão?

Do tempo julgamos saber muito, pelo menos do tempo em que vivemos entre o nascimento e a morte. E o antes? E o depois? Do passado, somente através da história. E do futuro pelas premonições, profecias, etc. Aliás tem um ditado que proclama que “o futuro a Deus pertence”. Eu digo, sem nenhuma intenção de fazer trocadilho: “Se soubéssemos do nosso futuro, então o futuro não teria futuro nenhum”.

Do tempo em que vivemos é que deveríamos saber mais. Mas como, se a maioria da população, do mundo não sabe nada, ou quase nada? Quando você nasceu? Meus pais me disseram e me registraram como sendo em tal data, mês e ano. E eis que chega alguém e pergunta, de chofre, a você: quantos são hoje, qual o mês, qual o ano? Normalmente olha-se no calendário, para ter certeza. E quem fez o relógio? E o calendário? Por que foi feito? Para que o homem não se perdesse no tempo, que para a vida de cada um é limitado, e assim pudesse realizar alguma coisa. Observando o sol, a lua, as estrelas, daí nasceram todas as marcações do tempo que julgamos conhecer, pois há o tempo psicológico, o tempo interno da alma humano, do ego – este muito mais difícil de medir (impossível até), de perceber, de dominar.

Na minha filosofia de poeta, o homem (e a mulher também, é claro) é aquilo que faz. Se nada faz não é nada, se não faz nada não tem nada, não tem história pra contar, perde-se no tempo. É isto ou estou falando besteira?

Neste caso, os maiores homens seriam os poetas porque “poesia”, na sua origem grega, significa fazimento, ação criação. Ou seja, o homem primeiro fez sua casa, sua poesia, seja a caverna de ontem, seja o palácio de hoje. Nós humanos fizemos, no tempo, a língua, as línguas. O poeta usa a língua para fazer poesia. Os homens, em geral, usam a língua para se comunicarem e, assim, vencer a solidão e agarrar o seu tempo, entretendo-se, trabalhando ou pensando. O pensamento sem a palavra física (ouvida, falada, escrita) certamente fica limitado, por mais que os outros órgãos do sentido ajudem.

Entretanto, o homem ganhou consciência do tempo, após o fim do crescimento do cérebro e, através da linguagem e vivência, aprendeu que seu tempo é limitado. Vem a morte, é preciso fazer alguma coisa e deixar aos outros sua memória. Toda a civilização cresceu assim, fez-se dessa forma, em atos comezinhos para nós, hoje.

A marcação do que foi feito sobre o movimento dos astros é prática necessária. Resta saber do tempo da terra, dos planetas, do universo. Lá pelos confins o tempo se acaba, os planetas morrem e começa a eternidade. Como, sem o tempo?

A eternidade é o tempo sem fim. Será mais do que isto?

Aí vem as religiões. E proclamam que há eternidade, quando o homem falece. Mas, se os planetas, as estrelas, o universo se consomem e quando se consomem, para onde vamos nós? Ou a lei de Lavoisier está correta: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. O universo é só natureza ou é mais do que isto?
Se tudo se transforma, então o tempo se transforma, porque ele nada mais é do que a relação entre a matéria e o movimento. Então, a realidade existente se encerra em duas coisas: matéria e movimento. O tempo comum é ficção do cérebro humano, os cientistas sabem disto. Aliás, numa frase irônica, o sábio Albert Einstein, cientista que descobriu a lei da relatividade, encarregou-se de matar a eternidade. A frase é a seguinte:

“Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto à primeira”.

Bem, creio nem devíamos mais seguir buscando o que é a eternidade, de Einstein. Mas, como sou estúpido, penso que a eternidade se resumo no tempo que gastamos, que também é velocidade, também é nossa relação com nosso corpo e todo o universo, que por sua vez não é eterno. Socialmente, o tempo são as nossas relações com os outros, todos diferentes de nós. Fazemos rotação em torno deles, mas não os invadimos – e quando invadimos é pecado, é crime.

Agora, meu leitor me acorda e cita Dostoiévski: “Deus existe, porque, se ele não existisse tudo seria permitido”.

A eternidade está em Deus, aquele Deus que não conhecemos porque “somos uma parte infinitamente pequena dele, e a parte jamais conhecerá o todo”. Aqui tento concordar com outro filósofo: Spinoza, - se não me engano, pelo pensamento central de sua obra filosófica.

De forma que o saber vem a ser a acumulação dos conhecimentos da história, do passado no presente, e a eternidade – se é que ela existe mesmo – está onde não estamos e nem sabemos onde ela fica. Se é noutro universo, precisamos descobrir. A ciência não cessa de procurar, mas essa descoberta não vai ser para a gente saber tão cedo, nesta vida.

E há outras vidas? Ou apenas esta? Se somos carne (matéria) e (espírito), para onde vai este último, depois da morte que, como acreditamos, é a separação dos dois?

Não acredito que meus leitores tenham ficado satisfeitos com minha peroração filosófica. Mas, afinal, foi o que pude trazer. Espero continuar estudando o assunto, conhecendo mais, acreditando um pouco e duvidando outro tanto. Também receber as sugestões.

Será que os termos de que tratamos aqui são todos ficção e somente a vida é o que existe? A vida animal? A vida vegetal? E a vida mineral?


E a vida espiritual?   

______________
* Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

sábado, 24 de dezembro de 2016

O NATAL E O PAPAI NOEL, O QUE SÃO EM VERDADE?

Francisco Miguel de Moura
cirandinhapiaui.blogspot.com

Há muito tempo que não escrevo uma crônica do Natal. Volto hoje a este assunto sem outra pretensão, salvo a de que muito mais possamos conhecer sobre o que é realmente o Natal e como está sendo deturpado, pelo consumismo hedonista da era moderna, brilhante mas sem alma.

O Natal é a festa do nascimento de Jesus Cristo, que acontece no dia 25 de dezembro de cada ano, todos nós sabemos. O nascimento de Jesus é que marca o ano 1 do século I, da Era Cristã. É o calendário do mundo ocidental – esse que adotamos. No Oriente, sabe-se que há outros calendários. É bem diferente. Conhece-se, já um pouco do chinês, em virtude da importância desse povo de cultura tão antiga.

Mas o Natal já era comemorado na antiguidade, em diversas datas. Não se sabia o dia e ano em que Cristo nasceu. Somente a partir do século IV depois de Cristo é que começou a ser comemorado na data em que hoje comemoramos: 25 de dezembro. Em Roma, quando era o centro do mundo ocidental, o 25 de dezembro, por ser a data em que seus habitantes comemoravam o início do inverno, nasceu a comemoração cristã.

Naquele tempo, as festas natalinas duravam 7 dias, o tempo consumido pelos três Reis Magos para chegarem a Belém, na Judéia, aonde iam levar presentes ao menino Jesus. A notícia de que viria o Filho de Deus para salvar o mundo, já corria.

A estrela que apareceu aos Reis, lhes iluminando o caminho, seria um sinal do próprio Jesus, que já existia, apenas não se havia encarnado como homem. Os sábios o reconheceram: o filho de Deus, que vinha para salvar o mundo, o pobre filho de um carpinteiro, que morava em Nazaré.

Já o Papai Noel é tradição que vem da Turquia, Rússia e dos países nórdicos, coincidindo com o inverno, naqueles países, não propriamente o começo, pelo que me parece, mas também por outras coincidências.

O Papai Noel aparece na tradição como “o bom Velhinho”. Esta tradição se baseia na bondade um bispo de nome Nicolau, na Turquia, a partir do ano 280 depois de Cristo. Esse bispo gostava de ajudar os necessitados. Deixava saquinhos de moedas junto à chaminé das casas dos pobres. Quando ele faleceu, as pessoas que o conheceram, lá onde vivia, começaram a apontar milagres que teria feito. Era um bispo virtuoso. A Igreja Católica elevou-a à condição de santo: São Nicolau. Ele é o Papai Noel que aparece nas festas populares natalinas. A coincidência faz com que muitos pensem que o Papai Noel é Cristo, ou Deus, e as crianças de hoje acreditam que é ele quem atende os seus pedidos.
Roma, como centro do mundo, ajudada pela tradição dos egípcios, gregos e judeus, mandou que a Bíblia original, escrita em aramaico, fosse traduzida para o grego e para o latim. Os países modernos e de outras línguas traduziram-na da versão grega. Hoje é o livro mais lido no mundo. Os Evangelhos, que estão na Bíblia, contam a história de Jesus.

O Natal é a festa da cristandade, comemora o nascimento de Jesus Cristo, como foi dito. A confusão dos calendários romanos e outros adotados nos primeiros anos de Roma pagã à Roma cristã fizeram confusão, de forma que ninguém sabe exatamente se Cristo nasceu no dia 25 de dezembro. Acredita-se que há uma diferença de até 5 dias, para mais ou para menos, de forma que pode ter sido antes ou depois de 25 de dezembro. De qualquer forma, a vida exemplar de Jesus, suas pregações, assim como seu nascimento, contados por seus apóstolos, favoreceu o crescimento da cristandade, partindo dos pobres da Judéia e de Roma, pobres e perseguidos, e tomou conta do mundo.

Natal é a festa de Deus menino, do nascimento da cristandade, da beleza e irretorquível grandeza dos ensinamentos, durante os três anos de sua vida pública.

Para Dr. Augusto Cury, psicólogo, psiquiatra, professor e escritor: “Muitos homens brilharam ao longo da história, na arte de pensar. Sócrates foi um questionador do mundo. Platão foi um pesquisador das relações sociopolíticas. Hipócrates, o pai da medicina, um investigado do corpo humano. Confúcio foi um filósofo da brandura. Sidarta Gautama, o fundador do budismo, um pensador da harmonia interior. Moisés foi o grande mediador do processo de libertação do povo de Israel, dirigindo-o em busca da terra de Canaã”. Esse estudioso da vida de Jesus continua citando outras sumidades, agora no campo da ciência, tais como Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Spinoza, Kant, Descartes, Galileu, Voltaire, Rousseau, Shakespeare, Hegel, Newton, Gandhi, Einstein e tantos outros homens de sabedoria de antes e de depois de Cristo, mas conclui:

“Houve um homem cujas idéias não apenas influenciaram gerações, mas causaram a maior revolução da história. O seu nascimento dividiu a história. Ele é o mais lido do mundo, embora não tenha escrito nenhuma palavra. Ele é o mais estudado da atualidade, embora seja o mais cercado de mistérios, e o menos conhecido. Ele foi o mais excelente mestre da emoção”.

Estes textos fazem parte de um tratado de Cury sobre a emoção, concluindo como todos nós concluiríamos: Ele virou o mundo de pernas para o ar. Trouxe o mandamento do AMOR. Foi o homem mais sábio do mundo.

Comemorando o nascimento peregrino desse homem tão excelso e santo, fiquei estatelado diante da humildade, pobreza, dignidade e sabedoria de uma “lapinha”, cito na Igreja de São Cristóvão, do pároco Pe. Evandro, templo todo reformado recentemente, para a alegre de seus frequentadores. Àquela lampinha, pequeno santuário do nascimento de Cristo, só faltaram as pastorinhas da nossa tradição. Por que não ressuscitá-las?

 Papai Noel nem suas festas não me atraem. O Deus menino é mais encantador.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ABANDONADO

Francisco Miguel de Moura - poeta
franciscomigueldemoura.blogspot.com


Pela rua dos viralatas,
o tempo não te ganha,
ó menino sem camisa
e só um trapo que engana.

Quem és tu? Quem és?
Ou, por que não és tu?
Pé no chão, corpo sujo,
olhos fundos sem lágrima...

Seco, coração seco,
mais seco ainda o bucho,
mais seca a cor da pele
ao sol, ao frio, à chuva?

A rua onde não te perdes
foi quem te perdeu.
Nela és tu tudo. E eu?
Droga! O mundo fendeu-se.

Nós outros não te achamos
Mesmo irmãos, criaturas,
entre um pedaço de pão
seco e uma palavra dura.


sábado, 17 de dezembro de 2016

PALAVRAS DE ORDEM, O QUE É ISTO?

Francisco Miguel de Moura, escritor, 
membro da Academia Piauiense de Letras

As palavras de ordem podem transformar-se em imensa bactéria social, dependendo do contexto, especialmente essas mais agressivas como “abaixo o presidente”, “abaixo a revolução”, “morte à burguesia”, “é proibido proibir” e “Brasil, ame-o ou deixe”.

Há outras que, como exceção, tornaram-se parte da sociedade como um todo, tais como “ordem e progresso” e “quem for brasileiro me siga”, inscrevendo-se na nossa história. Entranharam-se no inconsciente coletivo ao correr do tempo, sem contestação.

As palavras de ordem que emburrecem a consciência individual normalmente são fabricadas por partidos políticos, sindicatos, fações sociais segregadas, falsos líderes que são dotados de palavras bonitas, mas vazias de conteúdo, com intenções do poder em determinados campos ou em toda uma nação, região ou todos, como os ditadores.

Até mesmo aquelas que hoje fazem parte da nossa história como “independência ou morte”, trazem um germe de agressividade, mas sem intenções tão malignas quanto possam parecer. Algumas têm o poder da metáfora: “independência ou morte” significa a morte da pátria como entidade política que já existe, em vista de leis de outros países, sejam colonizadores ou não. A morte significaria muito, para muitos, mas não exatamente a sangria, a guerra intestina ou civil.

As passeatas, os movimentos de rua têm levado milhares e milhares de pessoas a protestarem ao fazem moção de apoio a algum acontecimento, fato ou pessoa, normalmente levando os jovens a abraçarem essas “ideias” ou “sentimentos” coletivos prefabricados. Na maioria são criações interesseiras de grupos que não querem deixar de aninhar-se no poder ou a ele querem subir, mas sem nenhum programa. Os programas que acomodam as palavras de ordem são mentirosos, fofos e falsos. Ou jamais trarão consequências permanentes e serão capazes de formar um verdadeiro cidadão, aquele que entende perfeitamente os direitos humanos, sabendo que cada direito exige um dever.

Lembro de uma frase de ordem do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958) assim expressa: “morrer sim, matar nunca”, quando desbrava as matas de dentro (Amazonas, Acre e Mato Grosso), traçando os limites do país e pacificando os índios, para depois trazê-los à civilização. Um conteúdo humanitário.

Mas, como se vê, há palavras de ordem para todo movimento coletivo sem conteúdo humanitário. Escritas nos muros e nas casas chamadas da “burguesia” como sinônimo dos ricos, pregando que o mundo pode ser igual economicamente para todos. Como? Se as pessoas são todas desiguais? Palavras de ordem religiosas. As religiões, quase sempre, são criadoras de mitos, como a imprensa (a grande mídia), como os artistas que não conseguem satisfazer seus instintos senão ferindo, matando, e se matando na droga e nas festas sem fim.

Já que falamos de palavras de ordem, alinhamos mais outras: “o povo acordou” (povo é uma palavra amorfa, como classe, como partido).“Vem contra o aumento” “vem pelo reajuste”… “Vem pra rua…” “Que coincidência, não tem polícia, não tem violência”. Ai que mentira boa, tão bom se fosse verdade, afirmaria a respeito desta última. Há países, se não me engano a Suécia e outros escandinavos. São assim. Dignos de elogios por causa da democracia e da paz, do mínimo de violência.

Acontecem algumas saudáveis como “saia do sofá, venha protestar sem vandalismo”, “olha que legal, o Brasil parou e nem é Carnaval”. E mais e mais: “Fora Sarney”, fora todos os políticos corruptos. Mas o que quer dizer corruptos? Muitos e muitos dos que participam, jovens estudantes ou não, não sabem, não entendem, são ignorantes. São milhares e milhares. A contagem da Polícia: mais de 250.000 participaram da manifestação numa noite em São Paulo, daqueles que acontecem no Rio, em Belo Horizonte, em todas as capitais do Brasil, inclusive nas grandes cidades do interior. Às vezes há manifestações a favor e contra. Todas com palavras de ordem. É o bem contra o mal ou vice-versa?
De cá, dizem os políticos: “É a voz das ruas”. Sim, mas nem tanto. E os que não vão a manifestações? Cabe lembrar sempre as palavras de Rui Barbosa de Oliveira (1849-1923): “Na terra onde os meninos bancam de doutores, os doutores não passarão de meninos”.

Mas não é o único pensamento que queremos apresentar como final de nossa peroração. É do filósofo Olavo de Carvalho, tido como defensor da direita, conservador. Ainda existem esquerda x direita, a não ser nos quarteis, quando os recrutas fazem marcha? Quem efetivamente é conservador ou liberal? E a palavra revolucionário como é que se situaria?

O jornalista, escritor e filósofo Olavo de Carvalho publicou um livro muito instigante, de nome “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record , Rio, 2016, já em 20a. Edição, onde começa assim: 

“Já acreditei em muitas mentiras, mas há uma à qual sempre fui imune: aquela que celebra a juventude como uma época de rebeldia, de independência, de amor à liberdade. Não dei crédito a esta patacoada nem mesmo quando jovem, eu próprio, ela me lisonjeava. Bem ao contrário, desde cedo me impressionaram muito fundo, na conduta de meus companheiros de geração, o espírito de rebano, o temor do isolamento, a subserviência à voz corrente, a ânsia de sentir-se iguais e aceitos pela maioria cínica e autoritária, à disposição de tudo ceder, de tudo prostituir em troca de uma vaguinha de neófito no grupo dos sujeitos bacanas”.

       Se alguém quiser contestar, que o faça. Eu prefiro pensar.


sábado, 10 de dezembro de 2016

REVOLUCIONÁRIO OU CONSERVADOR?

Francisco Miguel de Moura, 
escritor 
e membro da Academia Piauiense de Letras


Politicamente incorretos sãos os termos que inscrevo neste arquivo, ditos por pessoas que estão acostumadas a pensar apenas dialeticamente. Seria melhor que o fizessem pela dialógica. Não pelo lugar comum. Segundo Leibniz, “é grande sinal de mediocridade elogiar sempre moderadamente”.
Eu dissera em certo lugar que sou um conservador, querendo, em desabafo, que um site de minha responsabilidade na internet permanecesse sempre daquele jeito, pedindo que não propusessem outro, nem mudassem qualquer palavra do cadastro que eu havia feito. Muito bem. Eu disse ser um conservador.
Mas o que é mesmo ser conservador?
Qual é o contrário de conservador? Liberal ou revolucionário?
Ser conservador, para mim, é conservar-me íntegro, inteiro, não me deixar levar pela propagando da mídia ou outras. Sou conservador na vida, tenho 83 anos e quero ter a vida que me for permitida por Deus, o nosso Criador. Peço a ele que me deixe morrer escrevendo e lendo, além de fazendo minhas caminhadas diárias, para alegrar meu coração. Logo, preciso de minhas pernas, meus olhos, meus pés, e sobretudo de minha consciência e memória para continuar assim. Sou conservador, sim, se isto é ser conservador. Se saber aproveitar meu tempo que dizer isto.
Mas, na arte – todos sabem que sou poeta e também prosador – na arte sou revolucionário desde o meu primeiro livro, “Areias”, que neste ano de 2016 completa 50 anos de existência. Posso ser e ter sido um revolucionário na escrita e na poesia, embora escreva também sonetos. O sonete é uma forma tradicional. Isto é ser conservador? Desde Camões a Fernando Pessoa e Drummond, por exemplos, todos escreveram belíssimos sonetos revolucionários. Eu também sigo a trilha que eles abriram, para o bem dos leitores novos e velhos na idade. Poeta que nunca produziu um soneto ainda não se matriculou na arte da poesia perfeitamente. Soneto é uma arte difícil. Os novos, alguns, não conseguem. Depois ficam falando que é velharia. Perguntem aos grandes poetas e eles dirão: Você já escreveu um soneto? Não? Então volte, vá aprender a ser moderno, revolucionário e ao mesmo tempo conservador.
Na arte é assim.
Na vida não muda muito. Conservador é quem vive sempre do lado do governo? Ou aquele que vota com consciência e sabedoria, mantém-se sempre vigilante contra os males do mundo, males que são chamados propriamente de falta de moral, ética e consciência do bem e do mal. Revolucionário é quem vive fazendo baderna, não respeita o próximo, não estuda, faz trapaça, rouba, mata, mente e escapa da cadeia?
Mas é bom não generalizar. Esse é o mal. O bom poeta não é apenas porque diz que é conservador do que é melhor, embora faça poemas curtos, longos, livres, etc. Sobre temas os mais variados, alcançando a alma dos leitores e críticos.
Não é um sindicato ou uma revolução que faz um poeta revolucionário. O poeta nasce, o poeta revolucionário ou conservador nasce e ambos coexistem. A crítica e a história são quem os levará para a glória da vã eternidade terrena. Prêmio Nobel ou não, os bons são bons, os ruins serão sempre ruins.
Esclarecendo mais um pouco sobre o tema revolucionário X conservador, direi que os moços, poetas ou não, sempre são românticos – não em essência, mas pela idade. Os velhos, como eu, são conservadores, não em essência, mas pela idade. A arte é outra coisa: trabalho e persistência, mesmo sabendo que não vão ganhar nada. Trabalham para reformar-se e reformar o mundo à sua compreensão.
Enfim, é grande tolice xingar fulano de conservador e elogiar beltrano de revolucionário, termos tão imbecis que são usados na política. E a política, nós sabemos, como é volúvel! E em muitos países, inclusive no nosso Brasil.
Houve tempos em que ser comunista era bonito, era o máximo. Os jovens brasileiros que foram comunistas hoje se dizem socialistas, revolucionários. Há quanto tempo o comunismo acabou porque não deu certo? Há tempo existe o socialismo em diversos países, cada um a sua maneira, dando certo em apenas aqueles que usam as nomas e princípios democráticos.
Quem pensa não se serve da idiotice das palavras tão comuns e tão mal ditas e mal interpretadas se contrapostas, como CONSERVADOR x REVOLUCIONÁRIO, entre tantas outras politicamente incorretas e conscientemente ilógicas ou mesmo balofas tipo “isopor”. Completamente foras de lugar.
É UM GRANDE SINAL DE MEDIOCRIDADE CONDENAR ALGUÉM QUE TANTO FEZ DE HUMANO E CONSCIENTE, COM APENAS UMA PALAVRA ISOLADA. Eis o meu pensamento, por outras palavras endossando o do filósofo Leibniz, ao nosso mundo de hoje, benditamente tão plural.








sábado, 3 de dezembro de 2016

POESIA (IN)COMPLETA DE FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

Celso Barros Coelho
Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:




Sou poeta. (Cecília Meireles).

A Academia Piauiense de Letras, em sessão solene no dia 12 de Novembro de 2016, lançou mais um livro da Coleção Centenário, livro que merece uma atenção especial, dado o valor que encerra e pela projeção de um poeta que consagrou sua vida às letras em suas várias modalidades. Trata-se de Francisco Miguel de Moura e de Poesia (IN)Completa. Uma observação preliminar: Os que leem o jornal O Dia, encontrarão, em cada sábado, um artigo de sua autoria. Aí revela-se um consagrado cronista.
Quem abrir as páginas da história da literatura piauiense, à qual tem dado excelente contribuição, nelas encontrará o historiador fiel à sua vocação. Quem vai às fontes de sua produção poética colhe o que de melhor foi produzido nessa área. O romance também é um campo de sua predileção, onde descobre a riqueza do diálogo de suas personagens e a espontaneidade de suas ações. Toda essa variada produção nos leva a dizer dele a frase de Assis Brasil: “Está pronto para a posteridade”. Podemos completar: a posteridade já o acolheu.
No conjunto de sua obra, mostra-se dono de um estilo muito pessoal, indicador do equilíbrio com que manifesta e expõe suas ideias. Tem o domínio da palavra, do verbo, com os quais aquece a inspiração e renova o pensamento. Vê as coisas na sua múltipla dimensão, pois só com essa visão é possível exercer o poder criador.
Voltando ao livro inicialmente referido, defrontamo-nos com a essência de sua poesia, ao mesmo tempo fluente e sedutora. Ao lado dos livros, lendo os poetas e entrando na segura companhia dos grandes mestres do pensamento, está preparado para o seu oficio. Tem a preocupação de variar os temas e aperfeiçoar, em cada verso, a técnica da composição.
Olhando o mundo sob o prisma da confiança e da simplicidade, não se perturba com as suas incertezas e muito menos com a sua transitoriedade.
A interioridade do homem, as suas esperanças, a sua crença no invisível, o despertar de suas energias vitais explicam a harmonia que embala os voos de sua poesia, para torná-la presente na riqueza do seu simbolismo. O poeta de que tratamos não é uma figura esquecida ou posta à margem do seu tempo. Basta ler o que vem escrito por dezenas de admiradores, num livro editado no ano de 2008. Quero referir-me à Fortuna Crítica de Francisco Miguel de Moura. São depoimentos, opiniões, reflexões e louvação em torno de sua pessoa e de sua obra. Aí se realça a figura do homem de letras, do escritor, do poeta, do cronista, do crítico literário, do romancista, do historiador, enfim, do homem que traz no coração o belo sentimento da vida, do sonho e do amor.
A sua narrativa e composição se desdobram em calculada combinação de cores e de ritmos. Todas essas manifestações estão desenhadas nas várias opiniões que, em livros, em jornais e em revistas são publicadas.
Expresso, aqui, o desejo de figurar entre aqueles que reconhecem e proclamam o valor de sua produção literária, e se sentem enriquecidos com a sua leitura.
_________________


Celso Barros Coelho – é acadêmico da Academia Piauiense de Letras, do Instituto dos advogados brasileiros e professor universitário. 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...