terça-feira, 12 de dezembro de 2017

A FLOR, AS FLORES

Francisco Miguel de Moura*

Face em ângulos e triângulos,
ocultas, não cansa de mostrar-se,
encantada em curvas de espírito e luz.

Por que, enfim, nasceu pétalas,
entrâncias e reentrâncias,
lagos, luas, protuberâncias,
se o futuro está distante?

Sóis iluminam suas formas:
pistilos, talos e raízes.
Cada raio de sol dá força
tão estranha e incomum!
Dia avante, passo-mágico,
mais estrelas para a noite
vertical. Vem plácido o dia.

Cabelos d’ouro ou de carmim,
do preto até um branco sem fim.
Perfume abelhudo, vôo-borboleta,
tudo esplende entre você e mim.
Uma cicia a outra, conversando:
Você já sentiu alguma dor?
Jamais! Nem quando nasci.

Ai, dores dos mortais de carne e osso,
areia e pedra e vento e ar! Nada podemos
do presente, só olhar. O futuro está em nós.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

DESTEORIA DO POEMA

Francisco Miguel de Moura*


                    Objeto, clareza, autobiografia?
                    Jogue fora, é matéria sem graça...
Comece pelo começo ou pelo meio:
Luz sem espaço, a massa do vento...
Adjetivos, um-por-um, risque-os,
Cale a musa ante a feira-beleza.

Se conseguir um verso na linha dois,
Ainda não é o poema, é um dueto
Donde seres desprendem pensamentos,
Pano sem fundos, cheio de remendos...

Se da linha do lápis ressurge um borrão!
Heureca! O borrão pode ser o começo.
Vomite suas palavras sobre feridas
Triturando-as, antes, uma-por-uma,
Num pilão-fundo com moscas e areia,
Dê uma volta com o “feito” na mão.
Quem for passando dirá: “É um doido”!
E seja um doido, porém de palavras.

Mas se lhe descer a bruxa-inspiração,
Desista. Vista uma calça ou bermudão
E vá pescar num rio sem água,
Com tarrafa sem linha e anzol sem pontas,
Do pingo do sol do meio-dia à noite.
Se voltar, mais um dia você merece:
Vai ser citado num verso pelo avesso
Até o próximo dia, com sal a gosto.

Eis a dificuldade de fechar o poema,
Como acontece com o fim da vida:
Tudo o que era seu ficou decomposto.

                                                 (Do livro inédito "Poemas imperfeitos"
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Francisco Miguel de Moura, brasileiro, poeta e prosador, não cansa nem descansa, é um velho-novo poeta.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O COMUNISTA ESTÁ NU

Para eles, é preciso neutralizar o que veem trincheiras burguesas: Judiciário, Forças Armadas, Igreja e, não menos importante, a família”.
Flávio Rocha*

A Revolução Bolchevique, às vésperas de seu centenário, pôs em prática pela primeira vez um método direto e efetivo de tomada de poder pelos comunistas. Em 1917, uma elite dirigente foi a ponta de lança de um movimento que, usando primeiro a força e mais tarde o terror, ditou os rumos da antiga Rússia pelas décadas seguintes, até o regime desmoronar, no início dos anos 90, sob o peso da sua ineficiência, injustiça e isolamento.
Os comunistas aprenderam, com o fracasso da primeira experiência real de socialismo, a como não fazer uma revolução. Hoje em dia está ultrapassado o conceito de uma vanguarda partidária que age em nome do povo.
Em seu lugar, o movimento comunista vem construindo um caminho que, embora sinuoso, leva ao mesmo destino: a ditadura do proletariado exaltada pelo marxismo. Ao contrário dos bolcheviques, que enfrentavam inimigos de peito aberto, os comunistas autuais são sibilinos e ardilosos. Aprenderam com o filósofo italiano italiano Antônio Gramsci (1891 – 1937) a combater o capitalismo pelos flancos mais sensíveis.
Para eles, os valores do regime são protegidos em trincheiras burguesas. A mais visadas são Judiciário, Forças Armadas, partidos ditos conservadores, aparelho policial, Igreja e, por último mas não menos importante, a família.
Nas últimas semanas assistimos mais um capítulo dessa revolução tão dissimulada e subliminar quanto insidiosa. Duas exposições de arte estiveram no centro das atenções da mídia ao promoverem o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu, tudo inadequado para a faixa etária.
Não me interessa aqui discutir eventuais méritos artísticos. Não vou também fazer a crítica moralmente conservadora. Meu respeito pela diversidade não se resume a palavras: a Riachuelo é a empresa que, proporcionalmente, mais emprega transgêneros no país e a primeira a permitir que as pessoas sejam identificadas, no crachá, pelo nome social que escolheram.
A questão não é essa. Se venho a público, expondo à patrulha ideológica infiltrada nos meios de comunicação, é para denunciar tais iniciativas como parte de um plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo – ameaça que, não se enganem, é tão mais real quanto elusivas. Exposições são só um exemplo. Há muitos outros: associação de capitalismo e picaretagem na dramaturgia da TV: glorificação da bandidagem glamorosa, vitimização lúmpen descamisado das cracolândias: certo discurso politicamente correto nas escolas. São todos tópicos da mesma cartilha, que visa à hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo. Ante tal estratégia, Lênin e companhia parecem um tanto ingênuos. À imensa maioria dos brasileiros que não compactua com ditaduras de qualquer cor, resta zelar pelo valores de nossa sociedade.
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* FLÁVIO ROCHA é presidente da Riachuelo e vice-presidente do IDV (Instituto para o Desenvolvimento do Varejo)

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

IDEOLOGIA DE GÊNEROS, O QUE É ISTO?

Francisco Miguel de Moura, escritor e poeta. 
Membro da Academia Piauiense de Letras

Quando li a machete no jornal, fiquei assustado: ‘O xente!’ Ideologia de gênios? Mas gênios não têm ideologias. A ideologia de gênios está somente na observação seja da natureza, seja do já criado pelo homem, para daí descobrir coisas novas e interessantes para o homem na terra e a prosperidade da sociedade que compartilha.
Mas, não! Havia me enganado. Perdão, leitores! O que estava escrito era “IDEOLOGIA DE GÊNEROS”, uma tal de modernidade que não tem valor científico nenhum. Não serve à humanidade. Trata-se de ensinar na escola pública (e se puder também estender para a particular) a ideia estúpida de que não nascemos menino ou menina, nascemos como se não houvesse sexo, o que não é verdadeiro nem científico: é uma criação maléfica, nua e crua. Dizer que é uma estupidez de quem prega isto e ainda estende para a sociedade, o estado, é mais do que absurdo: é uma aberração.
A “feminista” Glória Steinem queixa-se da “falsa divisão da natureza humana em feminino e masculino”(sic). E a escritora francesa Simone de Beauvoir pensou a gravidez como “limitadora da autonomia feminina, porque, alegadamente, a gravidez cria laços biológicos entre a mulher e as crianças e por isso, cria o papel de gênero”. Mas esse pensamento já deriva do anterior, de seu (marido?), o filósofo Jean-Paul Sartre, que pregava, diferente dos filósofos da época, mesmo os existencialistas Albert Camus e o próprio criador inconsciente do existencialismo, Dostoiévsky, o grande romancista russo, inigualável até agora, no mundo. Para fim de conversa, o filósofo atual, Augusto Cury, de todos nós conhecidos, contesta a filosofia de Sartre, pois acha “ingênua e romântica”.
Agora ouçamos a socióloga alemã Gabriele Kuby, sobre a Ideologia de Gênero: “É a mais radical rebelião contra Deus que é possível. O ser humano não aceita que é criado homem e mulher, por isto a tal ideologia é a mais radical contra a Natureza, contra a Razão, contra a Ciência! É a perversão final do individualismo: rouba ao ser humano o que lhe resta da sua identidade, ou seja, o de ser homem ou mulher, depois de se ter perdido a fé, a família e a nação”. (..) É uma ideologia diabólica: embora toda a gente tenha uma noção intuitiva de que se trata de uma mentira, a Ideologia de Gênero pode capturar o senso-comum e tornar-se uma ideologia dominante no nosso tempo”. Que Deus nos livre a todos!
Todas essas ideologiazinhas que são importadas pelos países colonizados e pobres como o Brasil, os quais não conseguem sair do populismo e – que dá no anarquismo e socialismo et caterva, quando não num comunismo de pobres como o dos países africanos, asiáticos e americanos – vide Cuba – de onde há muito tempo já desapareceram porque eram falsas, criadas por gente que sofrera numa guerra ou noutra, num deportação ou noutra – e, por acaso, foram tornando-se escritores e filósofos. Todos e todas – aqui, sim, vale o pleonasmo – já desapareceram no mapa do saber contemporâneo, todo baseado na pesquisa e na observação, do mundo e dos mundos.
A dita ideologia de gêneros, ao que parece, foi trazida por anarquistas e comunistas de países que progrediram para a democracia, e já não suportam mais tanta idiotice, como França, Alemanha, Inglaterra, Suécia, entre outros. Também, ao que me parece não existe no Japão e na China, que já consideramos o espelho de desenvolvimento e capacidade de progredir sem agredir nem vizinhos, nem sua própria sociedade. É um desejo desses maus ideólogos para acomodar aqueles que não são regulamente nem machos nem fêmeas, formando assim um treceiro sexo. A ciência até hoje não conseguiu uma explicação genética para esses transtornos sexuais, como para muitos outros de outra natureza. Porque, por mais que se queira dizer diferente – sexo vem da cabeça, assim quaisquer manifestações do corpo humano. Então o que se pode dizer é que nada que for ideado por ideologias será verdadeiro, se não for aprovado pela ciência. Vivemos a era das ciências. As ideologias passaram.
Alguém pode levantar-se e dizer que já na Grécia e em Roma existia um terceiro sexo. Mas é fato que aquelas civilizações faleceram, caíram de podres pela decomposição moral dos seus dirigentes e da plebe – que não tinha outro caminho.
Se temos que acreditar em mais alguma coisa – e temos certamente – apelamos para a história, quanto mais antiga melhor. A principal é a da criação do mundo, descrito por Moisés, nos seus sonhos reunidos em cinco livros da Bíblia – o Pentateuco. Segundo essa história sagrada, jamais contestada totalmente, Deus resolveu criar o Homem como “sua imagem e semelhança”. E o fez. Depois, sentindo que ele estava só e triste, criou a mulher, Eva, entregando ao casal o Éden, o paraíso aqui na terra. E disse que tomassem conta e produzissem filhos e filhas. Não consta que dessa família tenha saído algum anômalo sexualmente, ou seja, diferente dos demais.
Em Dezembro de 2012, o Papa Bento VI referiu, num discurso à Cúria Romana, que o uso do termo “gênero” pressupõe, o seguinte: “As pessoas que promovem essa ideologia de gênero colocam em causa a ideia segundo a qual têm uma natureza que lhe é dada pela identidade corporal que serve como elemento definidor do ser humano. Elas negam a sua natureza e decidem que não é algo que lhes foi previamente dado, mas antes que é algo que eles próprios podem construir (…) A Ideologia de Gênero é uma moda muito negativa para a Humanidade, embora se disfarce com bons sentimentos e em nome de um alegado progresso, alegados direitos, ou em um alegado humanismo”. Mas a Igreja Católica reafirma a sua concordância em relação à dignidade e à beleza do casamento como uma expressão da aliança fiel e generosa entre uma mulher e um homem: “RECUSA E REFUTA AS FILOSOFIAS DE GÊNERO, PORQUE A RECIPROCIDADE ENTRE O HOMEM E A MULHER É A EXPRESSÃO DA BELEZA DA NATUREZA PRETENDIDA PELO CRIADOR”.
 Na nossa humildade, acreditamos que tal ideologia, enfraquece a mulher. Em suma, lembrando o que já diziam os antigos: Quando o homem quiser saber mais do que Deus, o mundo deve estar no fim. É o Apocalipse.

domingo, 8 de outubro de 2017

MEUS SONHOS DE AMOR


Francisco Miguel de Moura*


Os meus sonhos de amor são todos meus:
Loucuras que vivi na juventude.
Se me embalo na rede quando deito, 
Sinto o sabor daqueles doces frutos.

Ventos varendo as ruas...Musicais
Folhas beijavam as portas e janelas.
Som de passos… E os toques na portada,
Mesmo de olhos fechados, vejo a tela,

Da paisagem, as quedas e as cachoeiras
onde banhos frequentes nos cobriam
de água fresca em musical sem eiras

Nem beiras, salvo em nossos corpos lisos.
A fogueira do amor bordando as águas,
Que hoje são águas turvas, pesadelos!...

____________
*Francisco Miguel de Moura, escritor e poeta brasileiro, autor deste poema. Mora no Piauí-BR
                                                         The. Out/2017         

terça-feira, 3 de outubro de 2017

COM AMOR, A VIDA VALE A PENA

Francisco Miguel de Moura*

O homem se preocupa mais com as vaidades, as ninharias, as coisas vãs do que com o essencial. Principalmente a população de hoje. Comecemos pelos poderosos, os governos do mundo. Não, não estão nem um pouco interessados se o mundo vai ficar insuportável para seus filhos e netos, para toda a população no globo, em breve futuro. Fazem conferências em torno do assunto “diminuir a poluição na Terra, mas, no fundo estão pensando é em quanto iriam perder se fossem gastar com o problema o quanto vão deixar de ganhar se não ficarem quietos. As conferências, os acordos, os tratados que fiquem no papel. Depois voltarão a eles, quem sabe, quado já não houver mais condição de superar o mal que estão fazendo a todos os homens.

Donald Trump de um lado, nos Estados, e aquele ditador amarelo da Coreia do Norte dia a dia medem forças com armas de imensa destruição.

A Igreja Católica prega o amor, o Papa Francisco tem sido uma fortaleza, uma resistência incrível com relação a necessidade de pregar o amor e a paz entre os homens. Outras religiões fazem o mesmo, enquanto os terroristas do Irã, da Síria e de muitos outros países do Oriente, especialmente aqueles que pregam a religião de Moamé, de forma totalmente retorcida, distanciada do que está no Al Corão e do que Moamé ensinou. Eles desprezam a vida na terra, deles e dos demais seres humanos, querem acabar com tudo quanto existe, para recomeçar como?
Não há recomeço sem o amor fraterno, todas as formas de amor ao bem e à justiça e à paz, como Moisés deixou, a mando de Jeová, escrito nas Tábuas da Lei: São apenas dois mandamentos: 1) Amar a Deus sobre todas as coisas; 2) Amar o próximo como a si mesmo. É pronto.

Partindo daí, qualquer violência que se cometa sobre as coisas, sobre os outros, sobre os objetos, sobre o essencial e não essência (as vaidades) é pecado, é erro. Nada deve ser permitido pela lei dos homens que contrarie essas regras maiores, divinas. Há um versículo na Bíblia que reza: “Ó poderosos, até quando tereis o coração endurecido, no amor das vaidades e na busca da mentira?”(Salmo de David, Cap.4, versículo 3).
Estamos nas generalidades, mas podemos descer à vida comum: Quantos sertanejos morrerm e deixam sua propriedade e suas plantações torrarem ao sol da seca? Todos os dias vemos pela internet, mas ninguém se escandaliza, parece coisa comum. Quantos não assistem horrizados com os ventos, os furações e movimentos da terra e da água, acabando com tudo quanto encontram pela frente?

Os cientistas dizem que o nosso planeta a cada ano fica mais quente. Mas vêm outros do contra e informam que são medições erradas, que não é nada disto. Querem porque querem iludir a população com a peça. Há mesmo um dito que aponta: “Quem me avisa, meu amigo é”.

Noutros setores como a família, a escola, a saúde e a segurança, já virou uma bagunça geral no mundo inteiro. Não pensemos que é só no Brasil. Esgotos, fogueiras, poluição pelas máquinas e automóveis etc. E ninguém se preocupa, ao contrário querem gozar a vida estupidamente, com mil e umas estrovengas dizendo que são invenções que vão melhorar o mundo e tá, tá,tá... Sabemos que já existem maneiras de captar energia limpa do sol e dos ventos, sabemos que já há como produzir transportes movidos à eletricidade. Sabemos que não há necessidade de usinas nem bombas atômicas ou outras superiores. Mas, em que pensam os políticos?

Bem, é um parágrafo longo. Só pensam em poder e riqueza, e a riqueza mais fácil é a que não custa o seu próprio esforço: basta apoderar-se do poder (deixo assim mesmo com o pleonasmo para que fique mais evidente). A riqueza que seria do povo, pois o povo é quem paga para ter seus governos gerindo a coisa pública. Mas eles, governantes, políticos, potentados, empresários de alto porte, na sua ânsia tornam-se ditadores, valendo-se de doutrinas e filosofias das mais estranhas. A gente pensa que os ditadores só florescem nos países mais pobres. Não é não. Muitas vezes onde a imprensa e a mídia nos dizem que a Rússia, a China e outros são democracias. Mentem, enganam. Noutros mais civilizados, onde o parlamentarismo faz suas manobras, aparecem de democratas, mas não fazem nada. Os horrores que estão acontecendo na França, Inglaterra, Alemanha, Itália são provas de que os democratas não estão preocupados com o essencial que é a segurança do povo, mas aparecem de bonzinhos aos olhos do bons e dos maus governantes de outros países. Isto pode ser deduzido quando se toma conhecimento de uma Síria em guerra com eles mesmos ( guerra civil) e com as grandes potências que sustentam aquela guerra.

Qual é a falta maior do mundo?

São muitas, mas o amor é a principal. O amor vence tudo. A falta de amor derrota o mundo e os seus habitantes em desalinho com ele.

A ciência soberba dos que pesquisam o espaço exterior da terra, os planetas e demais astros, acredita (ou diz acreditar) que há outros Édens por aí distantes, e que não é impossível chegar lá: com água e alimento para uma nova civilização, e que começará quando a Terra estiver totalmente destruída.

Duvido muito dessas afirmações mirabolantes sobre outros paraísos com as mesmas características da Terra. Não os há. Mesmo que houvesse algum, seria impossível nos transportarmos para lá e lá nos adaptarmos. O amor deve ser praticado aqui na Terra. Tudo mais são vaidades: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”! Enquanto o Éden que Deus nos deu é destruído paulatimente, sofremos.

Deus não seria justo com tantos que estão a morrer de fome, doença, praga, poluição, câncer, depressão, sede, suicídio, enquanto aqueles aquinhoados com o sonho de novo Éden ganhariam toda a glória dos maiorais do Universo.

Maioral do Universo é Deus, o céu é um lugar para os bons. E o resto é o resto. Não estou julgando, apenas proclamando minha fé.
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*Francisco Miguel de Moura, poeta, escritor, membro da Academia Piauiense de Letras - Teresina - PI

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

OBRA IMPORTANTE: TESE DA PROFESSORA CRISTIANE PINHEIRO

Francisco Miguel de Moura*. 

Há alguns meses recebi um volumoso livro, ainda apenas digitado, mas já no ponto de ser editado. Trata-se de uma obra do maior interesse para o Piauí. É a tese da Professora. Cristiane Feitosa Pinheiro, Professora Titular no Campus da Universidade Federal de Picos. Título de sua tese de doutorado, prestada oralmente aqui em Teresina, diante do corpo de professores da Reitoria da Universidade Federal do Piauí, doutores daqui e de outros Estados. Nome da tese que doutorou a Professora. Cristiano Feitosa Pinheiro: “ENTRE O GIZ E A VIOLA: PRÁTICAS EDUCATIVAS DO MESTRE-ESCOLA MIGUEL GUARANI NO VALE DO RIO GUARIBAS(1938-1971)”.

Esta, sim, é uma obra de peso e medida. A Universidade já deveria estar se preparando, se é que não começou, a publicá-la para, inclusive, melhorar suas publicações de teses, às vezes sem muito conteúdo,outras enviesadas para o lado de teorias e dogmatismos estranhos e desnecessários ao nosso meio.
Mas o que acontece com a tese de doutorado da Professora. Cristiane Pinheiro é bem diferente: Trata do problema educacional no Piauí exatamente com foi no interior do Estado e como, certamente, ainda continua problemática, quando miseravelmente pouco atacado pelas autoridades e quando assim, de forma distorcida, sem observar o passado.

O passado nos ensina.

Um simples mestre-escola do interior de Picos, mais precisamente do Vale do Guaribas e de seu afluente, o Riachão, trouxe à baila seu grande trabalho em favor das populações daquele interior esquecido, depois desassistido. Miguel Borges de Moura (Guarani) na verdade era bastante conhecido em todo aquele interiorizarão, pois era como que um faz de tudo, desde que para servir os seus conterrâneos e os seus filhos, livrando-os do analfabetismo e indo muito além, pois lecionava o que seria equivalente ao Exame de Admissão ao Ginásio (que ainda não existia no grande burgo – a cidade de Picos). Matéria que ensinava: Português, Aritmética, Geografia, História Geral e do Brasil, além de rudimentos de Ciências.

Quando, no final do século XIX, iniciei a pesquisa sobre Mestre Miguel Guarani, meu pai, ele já não era vivo (faleceu em 07-08-1971). Mas trabalhou incansavelmente até o falecimento, ensinando às crianças, adolescentes e adultos, aquelas matérias e mais: as regras do bem viver, como se chamava a moral e a conduta das pessoas na sociedade, pois ele lecionava também religião. Minha pesquisa durou desde o tempo do seu falecimento até o finalzinho daquele século. Somente em 2005 foi possível publicar o livro de minhas pesquisas e memórias sobre ele, com o título nada pomposo – apenas explicativo: “Miguel Guarani – Mestre e Violeiro”.

Não falei ainda da aquisição desse saber de Mestre Miguel sobre a poesia popular e as cantorias tão comuns no Nordeste. No começo fazia cantorias somente acompanhado, ou melhor, combatendo outro cantador, em versos excelentes perfeitamente improvisados. Foi nessa época que impressionado com o que meu pai fazia, da forma como fazia e gradeza dos seus gestos como Mestre. Ouvindo sua primeira cantoria (depois ouvi muitas), tornei-me realmente seu fã mais do que já era e comecei a entender quão grande era sua inteligência e generosidade, pois não trabalhava por dinheiro,o que ganhava era suficiente (para ser otimista), suficiente para sustentar a família em suas necessidades essenciais. E o que ganhava um Mestre Escola? Melhor nem falar e sentir como o professor nunca foi aquinhoado como devia pelo seu duro trabalho. Professor é um abnegado, que se sacrifica sem saber porquê. Ou melhor, sabe? É bem bem da comunidade sem esperar recompensa.

Poderia falar muito mais do que está no livro que escrevi e mencionei acima, mas acho desnecessário, visto que a Professora Cristiane Pinheiro fez uma pesquisa das mais profundas sobre o assunto, que colocou na tese, entrevistando pessoas que hoje estudam, trabalham ou são professores da Universidade.

Colocando aqui um trecho de sua dissertação, acho que não cometo nenhum pecado, mesmo sem a permissão dela, a autora, grande autora, grande criadora, grande mestra:

“Mestre Miguel de Moura adquiriu na experiência da sala de aula – casas, fazendas, povoados- as estratégias necessárias para exercer o ofício de mestre, fortalecer as raízes da profissão docente em Picos e adquirir respeito na sociedade em que estava inserido.

Diante de todo o cenário apresentado, resta perguntar: Como se deu o processo de formação e atuação do meste-escola Miguel Borges de Moura, nas comunidades rurais picoenses, através das veias líquidas do Guaribas?”

A resposta que faz, como estratégia, está toda, e com minudências, no livro tese da Professora Cristiane Feitosa Pinheiro, de 281 páginas. Quando iremos lê-lo em todo o seu teor, em livro publicado pela Universidade Federal do Piauí? Ela, a Universidade, tem o dever de tornar esta tese pública, não apenas pela internet, mas também como livro de papel, para servir de modelo à demais que então se fazem. Sim servir de modelo, sem nenhum desdouro.

Quanto a mim, cabe agradecer penhoradamente o presente que ela me fez e à Educação Piauiense/Picoense, louvando-se, em grande parte, nas obras “Miguel Guarani, Mestre e Violeiro” e “O Menino quase Perdido”, ambos de minha autoria. Mais no primeiro que no segundo, que é apenas um complemento do que eu havia começado a pesquisar e contar.

É claro que a Professora Cristiane Pinheiro presta um inestimável serviço à História da Educação do Piauí, quiçá do Brasil, pois ambas se confundem no que denominada História. Só o futuro reconhecerá.

Não importa. Importante é fazer o que se tem de fazer e fazê-lo bem-feito, para o conhecimento das futuras gerações de estudantes e professores. É isto que acabamos de pincelar sobre o trabalho da Professora Cristiane Pinheiro, da Universidade Federal do Piauí, servindo no Campus de Picos.
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*Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, membro da Academia Piauiense de Letras (APL) e da Academia de Letras da Região de Picos (ALERP)

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

À MODERNIDADE, TUDO


Francisco Miguel de Moura  

O poeta Manuel Bandeira acabara de preparar o seu café, e assim terminava o belo poema que fez concomitantemente com a refeição matinal: “Pensando na vida e nas mulheres que amei” Vejam que não quis começar com o dito “Viver é lutar”, que há séculos que se disse e que continuamos dizendo. Mas é sabido: trata-se de um verso de lindo, forte e rico de um poema de Gonçalves Dias, poeta que nasceu em águas maranhense e morreu também em águas maranhenses (quem já leu sua biografia, sabe disto. Quem não leu, que a procure). Nascido aqui bem perto de nós: Caxias – MA, cidade que hoje, segundo a nomenclatura moderna, faz parte da grande Teresina. Que eu saiba, não há nenhuma imagem material em homenagem ao grande poeta. Dificilmente se fará de hoje em diante, com essa monstruosa modernidade.
Em matéria deste jornal “O Dia”, li ontem a divisão das gerações da sociedade na era biotecnológica. No fundo, o mundo não existia antes do computador e do celular, antes das inúmeras estrovengas da nossa era. De forma que quem já tem 70, 80 anos, está por fora de tudo. Mas não é assim que me parece. Tem muitos velhinhos e velhinhas que adoram computador e celular e estão integrados às novas gerações, talvez até, de certa forma, competindo com elas.
Mas o que digo é enfático em relação ao modo de vida das pessoas, deixemos os tropeços e avanços da informática, tá, tá, tá, etc… Não sobra tempo aos jovens para aprender o que foi a nossa cultura, a nossa civilização dos séculos XVIII e XIX, e até no século XX, pelo menos no início. Aos jovens, menos velhos que nós, com quem convivemos mais de perto – exemplos são nossos filhos e nossos netos—não fica tempo para tantas coisas boas. Ou melhor, têm medo de ler, pensar, descansar, deixarem-se fluir, apaixonadamente, em leituras em voz alta ou silenciosa, tempo de ouvir música clássica ou mesmo popular de outras épocas que não a sua. Nem falar em ler, um bom livro de crônicas, poemas ou romances.
Isto tudo dá um resultado muito ruim. Segundo Dr. Augusto Cury, o cientista, médico, pesquisador da psicologia e prático da psiquiatria modernas, autor de vários livros importantes, palestrante em todo o mundo (inclusive e principalmente nos Estados Unidos) sobre esses problemas sociais, educacionais e “modus-vivendi” da sociedade de hoje, suas afirmações são intrigantes. Esta de que “A cada hora, algumas pessoas se suicidam na terra”, por exemplo.
Você ou vocês, quem me lê ou quem não me leu, mas saiba por outras bocas tão solitárias tais como a dos e-mails, dos face-books, dos zapp-zapps da vida e da tecnologia, fiquem sabendo: poderão ter milhões de amigos (entre aspas), mas a comunicação é fria, pois procuramos os gestos e só encontramos os RRSS e OKS ou os dedinhos para cima ou para baixo. Nenhuma conversa telefônica ou de qualquer espécie da monstruosidade das “redes de comunicação” modernas atendem à necessidade que a criatura humana tem da palavra “vis-a-vis”, olho a olho e sons e gestos, olhando o outro ser humano e trocando informações, sentimentos, dores, alegrias, amor etc.
Se não fosse a escola mesmo ruim que temos, e sem os professores e educadores, nossos oceanos emocionais não teriam porto, nossas primaveras sociais não teriam flores e nossas aeronaves mentais não teriam plano de vôo, eis o que ele afirma com outras e suas sábias palavras.
Dr. Augusto Cury confessa, por outro lado que: “A melhor maneira de tratar o nosso orgulho não é tentar ser humilde, mas descobrir nossa ignorância. A humildade só é consistente com o reconhecimento concreto de nossa pequenez”.
Com base nesses pensamentos de Cury, depois de ler alguns dos seus livros, até mesmo os que alguns desavisados tacham de “autoajuda”, digo-vos, meus leitores (não importa que sejam 10 ou 1): Parece que há mais sabedoria nos velhos que buscam os conhecimentos modernos e modernosos do jovens, e são muitos, do que esses mesmos jovens que pensam que nunca ficarão velhos. Na verdade, há uma estatística mais ou menos confiável de que, os jovens atuais não dão valor à vida, morrem cedo, na folia dos roques e de outas festas quase diárias, encharcados de álcool, quando não de mil tipos de drogas. Há imenso registo de jovens que morrem de males que outrora eram evitados, e entre eles os que se suicidam. Assim vivem os jovens na roleta dos dias!
Já os velhos, chamados de “senhores e senhoras de terceira e quarta idades”, vão vivendo mais e mais, a troco de remédios e de divertimentos mais saudáveis, de leituras, orações e rezas, essas coisas que fazem medo à juventude de hoje. Esses velhinhos vivem de novelas, leituras de jornais, escolhendo melhor alimentação, produzindo poucos conselhos (quem os quer ouvi-los?). E escrevem livros de poemas e de versos, pintam quadros interessantes para serem apreciados pela própria família, fazem ou cantam músicas como antigamente, para alegrar os ouvidos dos companheiros. A vida é tão boa que cada minuto, cada hora, cada dia deve ser poupada, vivida, comida, dormida (sonhada). E depois contando os sonhos como se fossem verdades.
Minha mãe dizia: “A pior sorte do mundo é melhor do que morrer”. Eu direi, por outra forma: “A vida é um sonho, mas que sonho gostoso que é!”. A vida compensa as dores a que está sujeita. Que a vida seja sempre um longo sonho para todos os filhos de Deus, que perderam as vantagens do Éden e ganharam a força para lutar e reconquistar esse paraíso. A vida não é apenas matéria: é um fluido do céu.

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Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras, mora em Teresina, Piaui.
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