quinta-feira, 17 de agosto de 2017

HOMERO: IMAGEM DO SOL POENTE

       Francisco Miguel de Moura*  

N                         Não vou escrever aqui uma crítica ao livro “Imagem do Sol Poente”, de Homero Castelo Branco, nem uma biografia do autor. Conheço Homero desde o tempo em que eu e o O. G. Rego de Carvalho morávamos na Rua 13 de Maio, no quarteirão correspondente ao Colégio Estadual do Piauí (mais conhecido por Liceu Piauiense), enquanto ele frequentava a casa de seu tio Geraldo Castelo Branco, conhecido por Geraldão, o dono da Loteria Estadual, cuja residência era vizinha à minha. Aliás, o próprio Homero escreveu que chegou em Teresina, em janeiro de 1968.
Depois no período de 1975 a 1979, elegeu-se Deputado Federal. Do fim do séc. XX ao começo do novo século – 1996 a 2007 novamente voltar a ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa. Teve uma atuação política tranquila, de acordo com a sua personalidade de homem que sempre positivamente vê a vida, os parentes, amigos e conhecidos. De família tradicional, muitos já ocuparam uma cadeira na Academia de Letras, ele ia devagar e sempre escrevendo seus artigos e publicando livro sobre a história da vida e das pessoas de Amarante, PI, onde nasceu aos 3 de abril de 1944. Estudou e formou-se em Economia pela Universidade Federal do Ceará. Escreveu outros livros, entre os quais “O Escritor”, uma espécie de romance bem diferente, mas no mesmo estilo memorialístico
Mas Homero Castelo Branco nunca quis fazer praça de escritor, o que fez são memórias ou quase memórias, como este que estamos registrando, muito gostoso de ler. Dizer gostoso é pouco: muito bem escrito e apoiado na memória de sua vida – a maior parte nesta “Cidade Verde”, que acaba de completar 165 anos. Ele, o acadêmico e escritor, preparou o livro, entre outras coisas importantes como a festa para reunir a família, os parentes e os amigos, em chegando os 72 anos, uma idade ainda viva para escrever e oferecer tão bem. É preciso que se veja a forma e o conteúdo, donde se tira a sinceridade, de como ele oferece o livro, avaliando pelo exemplar que me enviou em nome dele e de sua mulher, Dona Hilma Castelo Branco: “Amigos Mécia e Chico Miguel, com carinho e admiração” - oferta escrita à mão, ao alto de uma declaração que é um exemplo de cortesia e bondade e finesse: Há pessoa que coleciona carro antigo, livro, caneta, relógio, vinho, obra de arte… Eu coleciono amigo e quero que você faça parte desta minha seleta coleção. Afetuoso abraço – Homero Castelo Branco. Out. 2016”.
Dá gosto ler “Imagem do sol poente”. Notei que a leitura desse livro é um exercício muito bom para o coração, para a saúde tanto de quem escreveu quanto dos seus leitores. Não serão muitos, por enquanto, pois como ele confessa não é escritor profissional e o fez foi para oferecer aos amigos, que por serem tantos, torna-se muito difícil distribuí-lo sem uma ajuda da mídia – coisa que ele não fez e tudo indica que não vai fazer.
No livro não há página melhor, todos os capítulos são ótimos, cheios de ensinamentos filosóficos sobre a vida humana especialmente da fase da madureza para a velhice. Ensinamentos sobre a vida de quem está vivendo, de quem viveu e de quem espera viver muito mais, pois é uma obra positiva, quer no conjunto, quer nas partes, quer no conteúdo quer no estilo. É realmente a maturidade do intelectual Homero Ferreira Castelo Branco Neto, que não é só autor de bons livros, mas também de dono de conversa agradável, cheia de casos e pessoas diferentes e por isto interessantes. Homero nunca está triste, pelo menos nunca o vi assim.
Aqui, de raspão, só para não ficar nas minhas palavras, depois de dizer que eu chamo de imagens, logo no plural, que é mais do está no título, porque eu senti uma cachoeira despencando-se aos meus olhos, enquanto lia, e meu pensamento de vez quando parava e imaginava como pôde em apenas 298 páginas colocar tanto, de forma tão clara e tão suave para ler-se, embora nem sempre trate de suavidades. Trata da vida, positivamente, como já disse. E assim cada dia é um novo dia a ser explorado e recriado pelas almas em conflito, mas confiantes no bem, no amor e no próximo.
Algumas frases dele que sublinhei e trago para meus leitores:
“Não quero mais convencer ninguém a nada. Quero aprender, cada vez mais, a escutar melhor as pessoas e ter tempo para cantar a família, os amigos, ficar em casa lendo e anotando. Está aí o prêmio que me dou por não jogar fora bem tão precioso: o tempo...
“Pelo amor viveremos, mesmo depois de morto... Cada texto literário é um pedido de hipoteca de um pedaço do tempo e do amor de seus possíveis leitores… Até parece que em minha juventude as árvores e as flores tinham mais perfume do que hoje… É incrível, precisa -se ficar idoso e cansado para obter esse privilégio… A idade traz benefício e liberdade. Às vezes tocamos o contrário. Descobrimos que absolutamente nada é definitivo, inclusive a vida. Compreendemos a inutilidade do orgulho, a tolice da disputa, a estupidez da ganância e a inconveniência de tolas mágoas.”
Mas nem só de frases e pensamentos é feito o “IMAGEM DO SOL POENTE”, de Homero Castelo Branco Neto. O livro pede que seja lido integralmente. E até relido, com prazer e alegria. Não é só romance, não são só crônicas nem memórias: E tudo isto e mais: é a vida.
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*Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

O MENINO QUASE PERDIDO, DE FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

Rosidelma Fraga e José Fortes 
Poetas, críticos literários e blogueiros brasileiros

O menino quase perdido (2009), trigésima obra de Francisco Miguel de Moura, divide-se em trinta e cinco narrativas que podem ser lidas separadamente como é o caso de Vidas secas, de Graciliano Ramos, cujos contos foram escritos fora de ordem para depois juntar o embrião com o corpo maior que é o romance. O narrador de Miguel de Moura, em terceira pessoa, vale-se de estratégias de concatenação de memórias de um sujeito que se vê como duplo na busca interior e na procura do outro. A esse respeito asseverou sua leitora assídua Teresinha de Queiroz (2009, p. 11): ?retomar o tempo é igualmente buscar as memórias e as lembranças dos outros, no desejo e no desespero de dar significado e carnação aos sonhos fugidios que ameaçam sempre nos escapar nessa busca que é a procura de si?. A sensação que o leitor tem é a de que a narrativa onisciente pareça ter sido realizada em primeira pessoa, causando uma quebra de conceitos da própria narratologia nas mãos de um narrador idôneo que conhece bem o caminho para construir o inverso sem usar necessariamente a primeira pessoa. Trata-se de uma história introspectiva, não obstante escrita na terceira pessoa do singular. E essa marca é uma das possibilidades para que O menino quase perdido seja ímpar, pois há uma busca de si no outro e vice-versa.
O menino da narrativa de Moura parece mergulhar nesta busca de si e não se perde nas analepses, no sentido genettiano do termo, uma vez que há um projeto de texto baseado nas elucidações de Paul Ricouer (2007) no que tange à ars memoriae (memorial ou arte da memória). A narrativa de O menino quase perdido está centrada no método seletivo como bem degustamos em Ricouer, ao defender que toda narrativa é seletiva e não existe memória sem história e esquecimento.
As primeiras páginas da obra passam pelo crivo existencialista do ponto de vista da história construída por um sujeito humano. O leitor pode encontrar, em muitas partes das ?crônicas?, alguns subsídios que permitem categorizar a escritura como uma autobiografia que não quer perder a feição memorialística da infância. Uma delas é a narrativa de ?As marcas da areia? que oscila entre a memória, a história e o esquecimento:
?Quem não tem história, não tem vida feliz, plena, no sentido humano. A história completa o espírito de cada homem, esse animal social, político e, dizem, religioso. O menino quase perdido, como não tem história, continua a fazer pegadas na areia...? (MOURA, 2009, p.25).
A partir deste instante, o leitor começa a indagar: Quem é o menino quase perdido na fala do narrador? As duas possibilidades de leituras são textuais e intratextuais. A história construída pelo autor e não pelo narrador permite discordar do próprio narrador. O menino sem história revive, em seu memorial, as pegadas de areia não unicamente daquele instante sui generis da infância, como também da própria história do autor. Essa leitura pode ser feita se o leitor associar o paratexto ?As marcas da areia? com o título de Areias (1966), o primeiro livro de poesias, de Francisco Miguel de Moura. Perseguimos tal leitura, defendendo que o menino quase perdido (personagem) se assemelha igualmente ao autor empírico. A escritura da obra existe para comprovação. E como as narrativas não são interdependentes, elegemos algumas partes para que a leitura seja tão real quanto à ?narrativa autobiográfica?. Quando afirmamos que as histórias são interdependentes, queremos chegar, por exemplo, ao memorial ?A fábula do preguiçoso?, configurando-se como um dos textos que pode ser lido separadamente sem perder o ritmo e o sentido.
Da mesma forma é a história ?Saudade e dor?. Nela encontramos algumas pegadas de Areias no reviver da infância. Os últimos versos daquela primeira obra casam-se perfeitamente com o poemeto do menino Xico, nas páginas de O menino quase perdido. Colocamos os dois excertos lado a lado: Não deixes que a areia/branca da infância /enferruge e coma/ tua coragem./Como a aranha tece,/ tece a tua teia” (MIGUEL DE MOURA, 1966, grifos nossos)O menino quase perdido”, como não tem história, continua a fazer pegadas na areia. (MOURA, 2009, p.25 (grifos nossos).
Tecer a teia pode ter a mesma equivalência de tecer memórias para guardar a lembrança viva da infância e não ?enferrujar o tempo?, ainda que o passado pareça perdido nos momentos de dor e melancolia ou ?medo e esperança?, título da vigésima nona narrativa.
O leitor também parece ser o seu objeto nas voltas e cortes reflexivos da vida e da infância, em virtude da fruição e identificação com o texto, quando lê os trechos do poemeto da vida do menino Xico e sente-se tomado pela nostalgia que parece divergir do sentimento da saudade, pois aquela parece ser mais eterna, contida e retida no desejo da memória /Ah se eu pudesse guardar /sem virar/ sem pensar,/ as cinzas da infância”.(MOURA, 2009, p.89 (grifos nossos).
Recordar é guardar e reter o tempo com a sensibilidade da alma para que o passado se torne um agora na memória eterna, quase lírica, rompendo-se com o esquecimento. E o menino da história consegue resgatar a volta ao tempo [quase] perdido nos achados de sua memória, porque ele soube preservar a ?sensibilidade em toda a parte, nos interstícios do corpo e da alma, na profundidade do seu estar-no-mundo?. (MOURA, 2009, p.93).
Junto ao estar no mundo desse menino, não faltaram as lembranças da passagem da infância/adolescência para a fase adulta. Em ?O fim da infância?, podemos dizer que os traços desses momentos são aflorados na vida do menino Xico no povoado de Picos, sertão piauiense, onde se comprova a linha memorialística de arquétipo autobiográfico. O menino revive os momentos prazerosos da adolescência frente ao pedido de namoro de uma mulher e as despedidas em lágrimas numa manhã. No entanto, o leitor percebe que essa imagem de amores mistura-se à metáfora implícita do vínculo amoroso do autor com sua terra quando lemos o fragmento, a saber:
Eu me vou... Mas prometo que quando tiver lua nova venho cá, beijar este chão e visitar a casinha onde dormimos a noite. Mesmo que você não esteja mais neste lugar? (MOURA, 2009, 171 (grifos nossos).
As memórias são alicerçadas na lembrança que oscila entre a paixão adolescente e a paixão pelo lugar paradisíaco na mente do narrador que fala de Xico. A presença da casa em Picos sugere que o lugar seja tão importante para o personagem quanto à figura da mulher que, por um instante, amou. E mesmo que ela não esteja mais na "terrinha prometida", é para lá que o menino Xico sempre voltará. Neste emaranhado de recordações, temos um narrador consciente e onisciente para assegurar ao leitor que somente ele pode ser, concomitantemente, uma testemunha, uma vez que presenciou cada instante narrado:
“Ali terminava um namoro de dois meses, tão sofridos quanto gozados, porque se despedia da infância agora perdida; ficava-lhe apenas aquela lembrança, sua memória. De concreto, somente o último beijo e o único adeus... Sem testemunhas?” (MOURA, 2009, 171, grifos nossos).
De “o fim da infância” “ao momento de”… “Naquela tarde de abril”, o leitor pode visualizar uma longa passagem do tempo, já que o narrador não estará a contar sobre o menino e suas infâncias, mas sobre um menino-velho tentando recuperar os laços ou os fios do tempo, a fim de narrar a paixão platônica por Ruth. Talvez esta última memória seja a mais esperada pelo leitor como se a recordação amorosa transformasse em pegadas de areia, cujas águas do tempo não conseguiram apagar. Neste final, o narrador utiliza-se de recursos imagéticos próximos a Homero para vir à tona a memória que reterá o esquecimento, uma vez que a mesma sensação de reconhecimento da cicatriz de Ulisses, de Odisséia, está presente em Miguel de Moura. Tal exegese é válida se observarmos o momento em que o menino-velho revê a paixão da adolescência, num tempo transcorrido extensamente como a colcha de Penélope, e chega ao reconhecimento da ferida, nas marcas do tempo presente. Segue o trecho:
“Aos olhos do menino, era linda, da cor do leite das vacas de seu pai. Da primeira vez que a viu, tinha uma pequena ferida na perna que era um charme!” (MOURA, 2009, p.173 (grifos nossos).
Posto isto, o narrador mostra-nos que o tempo e a distância entre uma recordação e outra faz do instante perdido o momento recuperado no memorial existencialista. Em toda e qualquer mente humana é presumível que pelo menos duas lembranças permaneçam inabaláveis: a infância e a adolescência, sobretudo quando chegamos ao momento da mais alta experiência humana:
O mundo dá muitas voltas e é preciso que a gente não reaja contra os ventos da sorte [...]. Embebidos um no olhar do outro, procurando captar, no que ainda restara: - a face do que foram e já se havia esfarinhado no tempo. Tantos anos!” (MOURA, 2009, p.173-175, grifos nossos).
O sentimento dessas memórias não pôde ser fotografado pelo narrador, todavia a mão que narrou soube reter a imagem fotográfica de cada instante passado, trazendo à baila um memorial da escrita de si e das escritas do outro que há em nós. Para ultimar essas fotografias do passado, o narrador assegurou que a palavra não dá conta de expressar a emoção, mormente num gênero que não seja lírico. Entretanto, leitor, Francisco Miguel de Moura, não mais o narrador, com a sua sensibilidade de poeta, pintou o som das reminiscências com as mais belas imagens, eternizando-se como uma música de Mozart? ou um quadro feito por Leonardo da Vinci? (MOURA, 2009, p.175) na vida de “O menino quase perdido”. 

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Referências bibliográficas:MOURA, Francisco Miguel de. O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, 182 p.; QUEIROZ, Teresinha. A vida começa num sonho. Prefácio. In: MOURA, Francisco Miguel de; O menino quase perdido. Ilustração de Franklin Moura. Teresina, 2009, p.11-15.; RICOUER, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Tradução: Alain François. Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 2007.




sexta-feira, 21 de julho de 2017

ESCOLAS DE HOJE – ESCOLAS DE ONTEM

Francisco Miguel de Moura
Escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras


O sistema escolar de hoje, pelo menos o que foi instalado na última década e na que transcorre, só tem uma semelhança histórica com a Torre de Babel. O povo (ou eram só os chefes do povo?) revoltado com o que havia antes passou construir um torre para ir ao céu, contra Deus e contra todos, era um desafio contra o paraíso terreno que tinham: queriam outro maior. Esse povo, segundo a Bíblia, foi castigado, a torre em construção caiu e eles se confundiram todos, cuja confusão transformou-se em várias línguas e pensamentos vários.

O sistema escolar de hoje cresce apenas no sentido de espalhar uma tal de educação dos gêneros, entre outras idéias e ideologias. E a família, que era o núcleo educacional, esfarinha-se… São preocupações que nada têm a ver com o aprendizado do que é importante para a vida e o progresso da civilização.

Outro dia, ouvi uma senhora mãe de família falando, alto e bom som, em um vídeo de Rede Social (não memorizei o nome do vídeo nem o da Rede Social, infelizmente). Dizia que não tinha filhos para serem educados como estão: em ideologias estranhas como a dos gêneros. Irritada, declara: “Mando meus filhos para a escola, para aprenderem a ler e escrever, para aprenderem a língua e a matemática, as ciências provadas e sérias e a história, a geografia do nosso planeta naufragado em poluição e ignorada da população. Dou a educação de meus filhos em casa, no recesso doméstico, não preciso que vão lhes dizer que devem ter outros gêneros e mais gêneros, nem como fazer sexo na escola, à vista de todos os seus colegas. A educação de meus filhos, digo, é para que respeitem o preto, o branco, o amarelo, o índio, os pobres e os ricos, os feios e os belos, pois todos são iguais e merecem respeito, e para terem tal respeito é preciso que respeitem a todos”.

As palavras acima não são copiadas ipsis-literis, mas juro que são o sumo do que ele falava, gritava, vociferava em seu vídeo. E ela tem razão. Por que ocupar o tempo precioso da criança com bobagens de ideologias de sexo, socialistas, comunistas e outras? Até contra as religiões? Por quê?
Há um propósito por trás de tudo isto. A família é a primeira e grande célula da sociedade. Se ela é destruída, estará destruído o edifício social. E a primeira coisa que pode gerar é o anarquismo. Infelizmente, até uma organização outrora tão respeitável, a ONU (Organização das Nações Unidas), está comprometida com a espalhafatosa teoria dos gêneros. Daí há uma geração de internacionalistas, entre os quais aqueles que também desejam desconstruir ou acabar com as nações, o sentimento patriótico outrora tão valioso para o soerguimento dos países em desenvolvimento.

Criança hoje não tem pátria. Não se sabe mais quais são os símbolos da sua terra, do berço onde nasceu, onde se fazem as lei e onde se lhe vão cobrar os impostos, sempre, sempre. É difícil compreender tudo isto. Meu pai era professor e, a bem dizer, eu nasci numa escola. Quando os alunos chegavam em frente do prédio escolar, o professor os esperava, mandava se formarem com reverência, respeito e cantar o Hino Nacional. Nalgumas datas diferentes, por exemplo em novembro, aproximando-se o dia da Proclamação da República, cantava-se também o Hino à Bandeira. A cerimônia vocal, era feito diante da bandeira brasileira hasteada ao alto da porta de entrada do colégio.

Naquela tempo o professor era uma figura respeitada na escola e na sociedade. Ganhava pouco, mas nisto não houve nenhuma melhora até chegarmos à escola de hoje. Naquele tempo havia uma figura importante que, de vez em quando, aparecia quase que como de repente (só o professor sabia que ele vinha em tal dia). O mestre – o professor era assim chamado – avisava à turma: Hoje o inspetor vem visitar nossa escola, recebam com o maior respeito. Quando ele chegar, entrar, todos se levantem e esperem que ele acene para todos voltarem a sentar. Assim também quando um pai de família visitava a escola, naturalmente já era um senhor de idade, todos os alunos tinham que receber com o mesmo respeito. E nesses dias de visitas todos deveria estar bem vestidos(fardas limpas, cabelos e unhas cortadas, etc.)

Hoje, as escolas são os piores prédios da cidade, sem pintura, as portas muitas vezes não trancam, os muros derrubados e pintados com riscos horrorosos feitos pelos moleques noites a dentro, inclusive com palavras indecentes e críticas infundadas e terríveis. Esse trabalho dos pichadores mostra a ignorância daquela molecada que devia estar na escola aprendendo a escrever, ler e contar. Na verdade, hoje poucas pessoas em idade madura lêem normalmente.

Diga-se que aqueles meninos de rua, se praticam algum crime, não são tratadas como criminosos nem levados para uma escola, nem para uma obra, nada vão aprender da vida senão os vícios, as maldades, os crimes. Que história de lei é esta de que criança não deve trabalhar? Eu sempre trabalhei desde pequeno e apendi muito mais, não adoeci por isto e aqui estou sem outra marca que não as da vida produtiva. Viver sem fazer, produzir, aprender o bem, é vida inútil. Que leis são estas que acabam com a autoridade da família? Lei de proibição de chinelinhas ou palmadinhas na criança desobediente, ai Deus! O mundo está revirado, a sociedade brasileira está sendo destruída. Assim não há esperanças de que o homem se torne mais homem ( a palavra homem aqui significa espécia e não gênero), a desumanidade rola em catadupa.

Para voltar um pouco mais à escola, à educação, cito um trecho importante de Olavo de Carvalho, a cabeça pensante mais vigorosa deste século até agora: “A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de países bem mais pobres; num país onde se aceita como Ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra cabeçalho, porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada das partes anatômicas envolvidas…”

O autor cita mais, numa série, oito outras aberrações como estas, para concluir assim: “Enquanto o povo não perder o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil”.


sábado, 15 de julho de 2017

DIFERENÇAS NA VIDA SOCIAL: A BONDADE E A MALDADE

  
Francisco Miguel de Moura*

As diferenças na vida social, em qualquer país ou região, são grandes. Isso, falando-se a respeito da condição econômica e de projeção na sociedade. Não vamos dissecar sobre elas, nem condições temos, numa artigo como este, entre a bondade e a maldade.

A bondade dos bons, como eu dissera certa vez, não teria limites. É necessário uma explicação, visto que a situação era outra. Não sei se consigo fazê-la. Por isto recorro ao hoje Papa Francisco (Jorge Bergoglio) justamente quando explanou sobre o céu e a terra, juntamente com o Rabino Abraham Skorka, numa espécie de entrevista ou conversa a dois, em livro que o editor deu o nome de Sobre o céu e a terra”, publicado em espanhol e depois traduzido para a língua portuguesa por Sandra Martha Dolisnsky, para a Editora Schwarck, 20117 – São Paulo.

A primeira autoridade religiosa acima mencionada diz:
- “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é a forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”, frases que estão contidas num longo artigo do livro.

Parecem ter sido dito no Brasil dos dias de hoje(vide Lula e Dilma, Michel Temer nem tanto). Mas vêm de um tempo parecido. Tempo de Perón, quando o atual Papa já era grande – ele nasceu na época Perón, na Argentina, e a família de Bergoglio era muito radical, sofria, é claro, naquela imensa ditadura, cujas mazelas não adianta repetir nem um pouco em palavras.
Mas vamos adiante. A segunda autoridade religiosa citada, o Rabino Skorka, acrescentou sobre o assunto:

- “Há um jogo duplo entre os políticos, que, por um lado pedem que a religião não dê opinião, mas na campanha querem a bênção dos ministros religiosos”.

Mas, ser bom não é apoiar ou desapoiar políticas e políticos, isto tanto nas religiões quanto na vida civil. Ser bom é fazer o bem, sempre e em qualquer lugar. Ser bom é ter caráter. E caráter não se pode dar, vender, oferecer, nem há escolas do mundo que ensinem a pessoa a ter caráter: ela já nasce com tendência e essa tendência será acentuada através várias circunstâncias. Quem é bom faz sempre o bem, não é preciso ser um santo – Deus é misericordioso e perdoa os pecados que não foram praticados, como mamãe dizia, “de caso pensado”, propositalmente.

Os maus têm mau caráter. Não adianta fazer uma coisa boa para “aparecer”, por vaidade, como alguns políticos (ou vários) e continuar seguindo afogado na corrupção. Corrupção é um dos pecados maiores que existem na vida pública. O corrupto concorre para a pobreza, sujeição e humilhação dos pobres, embora pareça que está fazendo o bem. A corrupção pode acabar com um país, uma nação. Corrupção é tão pecado como os que matam na guerra, na guerrilha, no terrorismo.
Agora tenho que recorrer ao escritor e filósofo Olavo de Carvalho, que não suportando mais a sujeira das pessoas e instituições do seu país, nosso Brasil, e quase sem condição de aqui trabalhar, foi embora para os Estados Unidos da América. Tenho que recorrer a ele, com suas próprias palavras escritas no livro mais importante editado no Brasil, no gênero de divulgação da filosofia social de hoje, baseado em grandes leituras e estudos. Ou, para não cansar, interpretando as sua lições do livro “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016 (refiro-me à 20a. Edição).  “ E o pecado (…) , em todos os casos possíveis e imagináveis, só pode ser reprimido, punido ou combatido na pessoa do pecador, não em si mesmo, abstratamente. Discursar genericamente contra o pecado, sem nada fazer com o agente que o pratica, é transformar a moral numa questão de mera teoria, sem alcance prático”.

Olavo de Carvalho critica com base em dados científicos os que o criticam por combater os gayzistas, abortistas e feministas e outras deturpações sociais que se tornam cada vez mais em políticas ou rebanhos e pretendem transformar o homem naquilo que eles próprios dizem e proclamam que são. O escritor declara a falta de caráter deles e dos religiosos de diversos credos que os apoiam, qualificando-os de maus leitores da Bíblia. “É possível reprimir o pecado sem magoar o pecador”? Deus é misericordioso, diz o Papa Francisco, mas também é justo: quem faz paga. Por outro lado, finalmente, o escritor Olavo de Carvalho explica: “Homossexualismo é uma coisa, movimento gay é outra. O primeiro é um pecado da carne, o segundo é o acinte organizado, politicamente armado, feroz e sistemático, à dignidade da Igreja e do próprio Deus”.

Sim, ia esquecendo: - Foi o próprio Papa Francisco, perguntado se condenava “os gays” e ele respondeu que não era Deus, não foi ele quem os fez assim. Nem os outros pecados: adultério, mentiras, roubos, assassinatos etc. Sim, condena o próprio pecado, mas não o pecador. Todos os pecados para a Igreja são perdoáveis, desde que o pecador reconheça e confesse à sua própria consciência e, moto contínuo, a Deus.

Logo, nem a bondade dos bons é infinita, nem a maldade dos maus também o é. Os maus podem arrepender-se, reeducar-se. Pena de morte, Deus nos livre. O que importa é o caráter, a consciência e o encontro com o infinito, que é Deus. O resto é balela.

Quanto aos movimentos sociais que impliquem, com violência, num querer transformar quem é de esquerda ou de direita, naquilo que esses movimentos querem, eu digo: Ninguém obriga ninguém a nada. A disposição da criatura de manter incólume tanto o seu corpo quanto a sua alma é quase infinita. Para os santos e anjos, é, sim, infinita.
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Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras -APL

sábado, 8 de julho de 2017

CADA QUAL COM SEU IGUAL

 Francisco Miguel de Moura
Escritor 

Seria um bom título popular para uma crônica, se não fosse uma mentira, se avaliado cientificamente. Não confiemos muito nos ditos populares, eles precisam de interpretação e, às vezes, têm vários sentidos.

Um dia, faz algum tempo, conversando com meu amigo Deusdeth Nunes (Garrincha), quando falei que “todos são iguais perante a lei”, segundo nossa Constituição vigente, ele logo replicou, contrapondo:

- Aí é onde começa a desigualdade.

Os humoristas tiram lições da coisas verdadeiras, para fazer gracinha e trocadilhos, mas eles têm uma sabedoria filosófica que nem imaginamos.
Acontece o seguinte, não há nenhuma pessoa humana igual. Assim Deus nos criou, assim são as coisas que fazemos. Peço para prestarmos bem atenção ao modo como uma pessoa em casa arruma as coisas e vem outra da mesma família e muda, pode ser um filha ou marido. A empregada quando arruma tudo do mesmo jeito que a patroa manda, é por falta de liberdade, mesmo assim de vez em quando falha.
Dessas pequenas coisas nascem as grandes.

Mas mudando um pouco ou mesmo sem mudar, nunca deixo de exemplificar os regimes sociais de governo e produção: comunismo, capitalismo, socialismo. Há outros? Há as nações governadas pelas infames formas de opressão: as ditaduras.

Diga-se de passagem que o comunismo aboliu todos os partidos e criou o Partido Comunista, que manda no governo e no povo, na produção e falta de produção. No regime comunista todos são funcionários do mesmo patrão, o governo, que representa o Partido. E ai! de quem desobedece o Partido e as ordens dos maiorais do Partido. Isto é DITADURA ou não é? Vai terminar nos calabouços, escondidos, onde os jornalista e a imprensa de modo geral não tem permissão para entrar. Mas dizem e contradizem: É uma UMA DITADURA DO POVO. Que povo?

E voltamos à questão inicial: nos regimes comunistas todos são iguais perante a Ditadura. E cada um com sua liberdade de viver, criar, trabalha ou simplesmente ser malandro, onde fica? O povo traduz-se, em qualquer parte do mundo, pelo diversificação das pessoas, nunca pelo seu simples ajuntamento.
Diz sabiamente o filósofo Olavo de Carvalho que “o comunismo é apenas uma construção hipotética destituída de materialidade, um nome sem coisa nenhuma dentro, um formalismo universal abstrato que não escapa ileso à navalha de Ockham, frade cientista inglês William Ockham (1288-1347). Não existiu nem existirá jamais uma economia comunista, é apenas uma economia capitalista camuflada ou pervertida, boa somente para sustentar uma gangue de sanguessugas politicamente lindinhos”.

Se pensarmos nos regimes da China e da Rússia, o que são: simplesmente tem governos de Partido único, mas com a economia é capitalista. No frigir do ovos são ditaduras. Deixemos os nanicos Cuba e Coreia do Norte, porque, além de não possuírem a densidade de grandes economias, estão patinando na mentira dos que criam a doutrina materialmente falsa, embora que idealmente (se pudesse existir). Seria como se transportassem o céu para a terra.

Quanto ao socialismo é o mesmo, o filósofo Osvaldo de Carvalho disse que é um nome falso do comunismo para encobrir ditaduras nos países pobres e enganar o povo.
O único regime político que existe, e é “do povo, pelo povo e para o povo”, chama-se democracia. Ela resiste desde os gregos e, em alguns países, tem se aperfeiçoado, criando a fórmula parlamentarista. Neste particular, cite-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os primeiros e mais aperfeiçoados. Nesses países há liberdades especificadas em leis, assim como a fiscalização do cumprimento de tais leis. E essas leis são feitas para o povo, em sua liberdade de ir e vir, falar e calar, onde a defesa da vida e da economia são tratadas com cuidado e ciência. Nesses países há povo, aqui (Brasil) somos um arremedo disto. Errou D. Pedro II, quando disse: “Grande povo, grande povo!”

Voltando ao social não político, é costume dizer-se hoje que os namorados, os casais que mais se parecem física e psicologicamente se dão bem no casamento. Não há nenhuma estatística nem comprovação disto. Da mesmo forma eu poderia dizer que os que menos são iguais têm maior possibilidade de um casamento duradouro. Mas nada disto está provado. Provado está que não ninguém é igual, justamente por isto é que somos chamados de indivíduos e depois de educados, pessoas. As pessoas aprendem a conviver em sociedade, os indivíduos são sempre desajustados e se dão ao crime e a outras coisas não aceitas pela maioria.

“Cada qual com seu igual” é coisa para as espécies. A espécie homem com a espécie homem; a espécie lobo com a espécie lobo. E mesmo assim conta-se como verdade a história das crianças criadas por lobas e, assim, andavam de quatro e não sabiam falar.
Cada qual com seu igual é uma das frases que não levarão a erros, quando tomadas como verdade absoluta.

E por falar em “absoluta”: Será que existem verdades absolutas?

Para o poeta Manuel Bandeira, que escreveu: “A vida é um milagre / Bendita a morte, que é o fim de todos os milagres”, então seria a morte a verdade absoluta. Bem, os poetas dizem coisas que até Deus duvida. Mas eu, que também sou poeta, e hoje não estou poetando, acredito que Deus é o absoluto. Porém, querido leitor, esta seria matéria para outro e outros artigos, que não sei se vou ter condições de desenvolver. Mas o assunto e o problema estão postos para a capacidade dos filósofos. Aguardemos. Talvez o Papa Francisco já tenha versado sobre isto, que infelizmente não ouvi nem li. Li muitas outras coisas importantíssimas de suas pregações. Minha dica é que nele vamos encontrar a solução do assunto proposto, pois melhor sábio não há na terra, nos dias de hoje.
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Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras, mora em Teresina - PI ( "A Cidade Verde" - apelidada pelo escritor Coelho Neto, quando nos visitou.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

PRECISAMOS CONVERSAR PARA NÃO ADOECER

Francisco Miguel de Moura
         (Autor)

“Nenhum homem é um ilha”...

Começo citando uma frase famosa, que já nem se precisaria declinar o nome do autor. Se o nosso povo fosse leitor dos clássicos!... Mas, foi através do filósofo francês Jacques Mauritain(1882-1973) que ela nos chegou. É possível que seja originária de outro filosofo, Thomas Merton, por exemplo. Como o brasileiro não lê e quando vai ler escolhe o pior, nem perco o tempo citando os grandes "bestsellers" que existem expostos em todas as poucas livrarias das cidades grandes. Livros se tornaram filmes. Às vezes a pessoa diz que leu livro tal tendo assistido apenas ao filme, o que não é a mesma coisa. A arte das letras, a literatura, é uma arte da palavra escrita, ou melhor do jogo da palavra com seus infinitos sentidos, enquanto o cinema e as demais artes cinéticas exploram as imagens físicas, pouco do psicológico humano. Precisamos conversar. Mas conversar com quem? Conversar em casa, na família; conversar na rua com as pessoas que temos algumas relações, mesmo que apenas de troca, mercado, compra e venda; e precisamos conversar com os amigos.

Mas onde estão os amigos? Na minha própria percepção de psicólogo prático desta vida, penso que os homens são criaturas bem diferentes uns dos outros, umas das outras, se queremos enfatizar o sexo. As mulheres são mais “dadas”, como se dizia antigamente, são mais amigueiras do que os homens. Os homens só se juntam, na bebida, no futebol e falando das mesmas profissões que tenham – que todos conhecemos por colegas. Homens e mulheres normalmente não são amigos e amigas quando são jovens ainda, tudo corre mais para o lado do sexo, nem sempre fazem uma amizade desinteressada.
O homem é uma espécie esquisita. Não há uma pessoa igual, homem, mulher, menino,menina, adolescente, etc. Todos têm seus gostos, seus gestos, suas maneiras, suas qualidade e defeitos. Encontrarem-se uns com outros somente através de um objeto fora deles: - a festa por exemplo, a dança, a balada, o carnaval, e hoje a extensão do grande público para assistirem um ou outro artista (cantor), nas noitadas, quando rolam bebida, droga, cigarro e sexo, no meio de toda essa confusão de saltos e danças individuais. Nos intervalos, conversas há de todo tipo. Está visto que não é um lugar muito apropriado para arranjar-se amizades duradouras.

Mas precisamos conversar, se não falamos, cria-se como que um vazio que será preenchido por pensamentos de todos os tipos. Quem descreve bem o que são os nossos pensamentos é o médico, escritor e psicólogo Augusto Cury. Fica claro, nas suas lições, que não há paradas psicológicas em nosso cérebro, pois está trabalhando sempre. E se não temos amigos, se não vamos a festas, se não nos encontramos com pessoas, se não convivemos diariamente com os “semelhantes”, as doenças aparecem, normalmente o chamado “mal do século”, a depressão. E que mal terrível! Faz com que a pessoa viva sem vontade, sofra sem ninguém saber, um inferno. A solidão leva, algumas vezes ao suicídio, por falta do gosto de sentir, do gosto de viver.
Vivemos e precisamos continuar vivendo, mas ter uma vida agradável é o que de melhor podemos alcançar. Assim, dentro de todo esse pandemônio de mundo é que – por uma força natural e pela força psicológica – o amor, o sexo, o casamento aparecem em nossas vidas. E é bom, pois está provado que os solteiros vivem menos, principalmente se do sexo masculino. Falo do casamento homem x mulher, porque dos demais nada conheço e acho que muito pouca gente sabe como será. Melhor, pior?
Precisamos conversar, e muito. E chegamos num ponto que explica, em parte, porque as mulheres vivem mais do que os homens. As mulheres falam mais. Precisam conversar. O homem também, mas pela sua própria natureza nem sempre está disposto a fazê-lo como devia.

Um pequeno esclarecimento: Esse tal de relacionamento “online”, através das redes de comunicação por internet e/ou celular, não é um relacionamento inteiramente humano. É feito por gente, mas o meio dificulta muito a comparação com o relacionamento vis-a-vis. Não satisfaz. Ter milhares de amigos pelo “face-book” ou por outras redes semelhantes, até mesmo por e-mail, não satisfazem em nada a necessidade de comunicação, a necessidade de falar e ser ouvido e, respectivamente, ser ouvido e falar. Essa troca, sim, é rica, riquíssima. Só que está cada vez mais difícil de acontecer entre as pessoas devido a chamada “vida moderna”. Então, hoje, os amigos de verdade são poucos, poucos mesmo. Mas os amigos são praticamente nossa riqueza. Amigo vale. Portanto, quem tiver amigo/os trate-o/os bem deles, pois uma amizade quebrada não volta e quando volta já é sem a mesma confiança de antes. Amigo é sempre uma pessoa que nos ouve, nos estima, na presença e na ausência, não deixando que ninguém fale mal dele. O amigo é sempre capaz de avalizar a ação do outro. Não é necessário que se tenha a mesma opinião. Às vezes temos pensamentos e opiniões muito diferentes. Os amigos são para ouvir os amigos em dificuldade, quando há problemas de qualquer ordem, de qualquer natureza. Os amigos sempre são amigos da família, formam uma comunidade. Não falo naqueles amigos de bar, falo nos amigos que conhecemos ou fomos apresentados em lugar que frequentamos como clubes ou igrejas, escola ou oficina de trabalho.

Lembro o poeta Francisco Hardi Filho. Que grande amigo eu perdi com o seu falecimento! Assim aconteceu também com o romancista O.G.Rêgo de Carvalho, outro que faleceu recentemente. Cito os dois casos por serem bem específicos. Do Hardi Filho, tomei conhecimento através da poesia e da apresentação de Tarciso Prado, no Banco do Brasil, sabendo que era funcionário público federal (IBAMA). Orlando Geraldo Rego de Carvalho conheci no mesmo Banco do Brasil, eu e ele empregados daquela outrora grande casa bancária. Lembro a frase do Hardi Filho a meu respeito: - “Somos tão diferentes em tudo e no entanto somos grandes amigos”. E essa frase pode ser aplicada aos dois, sem dúvida nenhuma. No entanto, fomos amigos na literatura e amigos na vida. Certamente, lá no céu nos encontraremos para as nossas boas conversas, amigáveis e cheias de amabilidades, outrora discordantes como se para apimentar a amizade, que era cimentada pela confiança.

Por minha parte, confesso: O. G. Rego de Carvalho, eu já o conhecia através da leitura de seu livro “Ulisses entre o amor e a morte”. Quanto a Hardi Filho vim conhecer sua poesia posteriormente, mas não muito posteriormente, através da leitura do livro “Cinzas e Orvalhos”. Que belas amizades!
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Francisco Miguel de Moura – escritor brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras

terça-feira, 20 de junho de 2017

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura* 


Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.
Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra “negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: 
“Eis a negra batendo à minha porta.. .
Saí pensando que o Correio fosse. 
 - Passa-me, por favor, teu passaporte, 
 Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

(Este artigo-crônica foi publicado no jornal  "O Dia", de Teresina, PI, em 24 e 25 de junho de 2017)
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Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí,Teresina-PI;

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O VALOR DE TUDO E O VALOR DE NADA: BRASIL

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro.
Membro da Academia Piauiense de Letras.

Meus poucos leitores vão perguntar-se: - Nosso escritor deu o doido, escrever sobre o TUDO e o NADA é impossível. Nem Deus. E eles estão certos. Mas sou sempre provocador e a situação do Brasil atual é igual a de uma alma “apenada”, que não sabe onde, quando e como vai ficar. Se no Céu, no Purgatório ou no Inferno. No inferno estamos os brasileiros, por conta dos Deuses do Poder, que não são deuses nenhum. Mas têm se mostrado corruptos e corruptores.
Como será a alma de um corrupto? Leia o filósofo Olavo de Carvalho. Como será a alma de um corruptor? Leia o filoósofo Olavo de Carvalho, no final.
Almas de criminosos, dignos da condenação ao inferno. E como se poderia mandar tanta gente pra lá, se, quem sabe, há alguma recuperável?
O poeta Fernando Pessoa há algum tempo sentenciou: “Tudo vale a pena, se alma não é pequena”.
É verdade, se a alma do brasileiro não é pequena, jamais votará em partido tão degenerado. Aquele que no início trouxe (ou dizia trazer) uma nova forma de governar. E deu no que deu. E se a alma do povo brasileiro não é pequena, esse sofrimento por que passamos agora – a maior crise da história do Brasil que já vivi, e olhem que tenho 84 anos (vou completar em 16 de junho de 2017) – jamais acontecerá. E aí, depois de tudo, um Brasil novo pode começar.
Penso que a Reforma Política deveria ser a primeira, assim como a Reforma Tributária, ambas à capricho, de forma a que o cidadão, pagador de impostos e votante em eleições, não ponha defeitos.
Como temos, queiramos ou não, um presidente constitucional (o Vice Michel Temer), que substituiu legalmente a agora ex- Presidenta, abatida por um impeachment, com uma maioria mais ou menos estável nas duas casas do Congresso, poderia ele (ou quem o substituí-lo, nunca se sabe) pensar em, depois de aprovadas as reformas do Trabalho e da Previdência, em fazer a Reforma Política, sim. E os sábios membros do do Supremo Tribunal Federal, superintenderiam a iniciativa, porque tudo depende da Constituição e demais leis.
Tenho alguns pontos de vista que não preciso apresentar, pois o país está tão inseguro, tão embolado, que ninguém sabe “o que é gato, nem o que é sapato”. Uma Reforma Tributária daria uma alavancada à economia do País. Assim como a Reforma Política – liquidando com os partidos que mais fizeram mal à República Brasileira recentemente: PT, PMDB e PSDB, além dos filhotes do PT, que são muitos (sugestão) acabaria com o saco de “gatos” e “ratos” no país, onde afinal estamos também colocados, infelizmente.
Como se faria isto? O primeiro ponto é fácil, mas dentro da Reforma Política seria assentado que todos os membros do Supremo Tribunal Federal se aposentariam junto com o mandato de Temer e a assunção do novo Presidente eleito – claro que iria haver uma eleição geral comandada por quem estivesse no Poder Executivo – e esse mesmo Presidente e esse mesmo Congresso nomeariam, de acordo com os preceitos constitucionais, levando-se conta que a Constituição Cidadã continuaria de pé. Afinal, ela é que manda em quem está mandando. Parto desses pontos apresentados, mesmo pensando que já estou a andar no terreno incerto da futurologia. E como não sou nenhum futurólogo nem muito menos jurista, por aqui fico.
Volto ao poeta Fernando Pessoa, onde começamos: a) “tudo vale a pena”; b) “se a alma não é pequena”. Concordo com a premissa, porque não há meio de fugir-me dela. Se tudo que está aí vale a pena, vamos saber depois. Depois de quê? Quando soubermos que a alma não é pequena. A alma desses políticos pode ser até de muito valor, mas da safadeza, da gula, da avareza e quase todos os vícios que o Papa Francisco condena, disto que eles estão impregnados. Se ainda se recuperariam, não sei. Possivelmente a maior parte, não.
E, agora, mesmo que me pareça, tonto, espedaçado, neste artigo crônica, volto-me ao cidadão brasileiro, o trabalhador brasileiro, o artista brasileiro, o estudante brasileiro, o professor brasileiro, enfim a todos os homens e mulheres de todas as profissões e até aos que não tem nenhum emprego porque a crise os derrubaram na miséria, ou quase na miséria. Volto-me a nós todos, filhos desta terra generosa que é o Brasil, desta nação que sempre se disse que seria “o país do futuro”. Seremos ainda? A nossa alma também não estará machada pelo mau exemplo desses homens do alto, que têm nos comandado até agora? No passado há alguma exceção. Mas não vamos ao passado.
Acredito ainda que a nossa alma não é pequena: há grandes exemplos de pessoas generosas, amorosas, daqueles que dão a vida pelo próprio filho, pela mulher, por um irmão ou parente, seja numa doença, seja numa refrega de rua entre grupos de
desordeiros e terroristas. A corrupção não é uma doença, é apenas um escorregão da consciência de algum cidadão que pensa que ser rico, ser poderoso é ser importante. “Importante todos nós, quando nascemos, já somos”, creio que li no filósofo Augusto Cury. O que precisamos é ter uma alma de caráter, ser íntegro no exterior e no interior de nós mesmos. Vários países, um dos mais lembrados é a Itália, sofreram por parte de uma classe política de homens mal formados, sem caráter, com muitas armas na mão e pensando que “o tudo era aquilo”. Repito, me explicando: O tudo só é tudo quando a alma comanda todas as funções do copo dos cidadãos, e dentro da sociedade há leis e éticas para serem cumpridas. E não só: Há o castigo, a punição. Acredito que o mundo, embora com tanta guerra, tanto rebulício, tando tiroteio, tanto terrorismo, tantas armas de todos os tipos, inclusive as atômicas e superatômicas, acredito que o mundo não vai se acabar agora. Nem o Brasil. Alguns ou muitos não escaparão. Mas a história sempre foi assim.
Finalizando, vale citar o nosso grande filósofo Olavo de Carvalho, um parágrafo tirado do seu famoso livro “O mínimo que se precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016, pg.286:
“O primeiro passo para a institucionalização do gangsterismo estatal neste país foi a destruição da moral tradicional e sua substituição pelo aglomerado turvo de slogans e casuísmos politicamente corretos que, por vazios e amoldáveis às conveniências táticas do momento, só servem mesmo é para concentrar o poder nas mãos dos mais cínicos e despudorados.”


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