terça-feira, 20 de junho de 2017

O AMOR É DOCE ENQUANTO DOCE

Francisco Miguel de Moura* 


Sim, certamente, o amor é doce no princípio. Mas depois de algum tempo pode ficar azedo e até amargo como qualquer prato. E amor, no sentido em que nossa sociedade toma hoje é uma comida, uma saída, um jantar e talvez até um motel. É triste para quem vem como eu de um tempo em que o namoro era tão diferente que até pegar na mão do outro não era fácil, era como um compromisso. Abraçar, beijar, não se pensasse nisto. A vitória era quando o rapaz recebia a resposta da moça de que aceitava namorar com ele.

Naquela forma o amor era mais bem conservado, ao invés de comida era uma joia de alto valor, ouro de lei, não mareava. Salvo em casos muito especiais. A santa lei de Deus era cumprida rigorosamente. Se algum dos dois desconfiasse disto, começavam os ciúmes, os arrependimentos, a novas juras, e tudo continuava como antes. Filhos nascendo, filhos crescendo,filhos sendo educados.
Mas para que falar assim na semana dos namorados – o dia é o 12 de junho. O dia, a noite, tudo. Porque logo que amanhece já estamos em 13 de junho, dia de Santo Antônio, o santo casamenteiro.

Julgo que neste momento de tanta aflição no mundo,quando os pais não dão bolas para os filhos, deixando-os à mercê de empregadas ou parentes, que não têm condição de mandá-los às escolas, de ajudar a fazer as lições de casa, de ensinar aquelas primeira maneiras que só se aprendem quando se é muito jovem, criança, digamos. Sem esticar muito o que já sabemos, isto é o casal normal. E quanto de ruim não pode acontecer com os filhos dos casais separados, por isto ou por aquilo, e os filhos ficam esbandalhados pelas casas de um, de outro, que por sua vez já têm outro par… E por aí.

Falar sobre uma pessoa ou mesmo algumas, dentro do seu “habitat”, que é o que o fazem os romancistas, por mais difícil que seja, jamais se pode comparar isto, se queremos observar o amor dentro da sociedade civilizada, muito especialmente a de hoje. Mais à frente vamos tentar mostrar, com o auxílio de quem já estudou e estuda isto e dizer algumas coisas que possam servir de baliza.

A sociedade moderna desviou-se para caminhos nunca trilhados e a anarquia está pronta. Não só pelos pais desnaturados, pelos filhos normais, adotados, readotados e pelos educados por empregadas, ou não educados por ninguém, por isto buscam as ruas e os companheiros, sempre os piores, porque seguir o mal é o caminho mais fácil: as drogas, o maior exemplo, e daí sabe Deus onde vão parar ou como vão deixar a sociedade.

Depois vêm as leis e as escolas governamentais querendo ou tentando remendar o passado sem sequer conhecê-lo em ciência ou tradição. Vejamos algumas estúpidas regras da sociedade revolucionária que vivemos:

a) Menor não pode trabalhar.

b) Menor pode matar, estuprar, roubar, fazer bandalheiras como tocar fogo em lugares públicos, ônibus, pessoas inocentes, etc.

c) Menor tem vontade própria, pode denunciar o pai ou a mãe e mandá-los para a cadeia, ou pior, matá-los, roubá-los e ficarem soltos ou em casas de recuperação.

d) As pessoas têm o direito de levar o que encontram, para si, mesmo sabendo que aquele objeto – inclusive dinheiro – não lhe pertence. Aqui pergunta-se: onde nasce a corrupção? Entre os políticos, entre eles, ou ser brasileiro é ser corrupto?

e) As pessoas (especialmente os pobres, pretos, mulatos e assemelhados podem a passar à frente dos que têm melhor nota na escola, entrarem para a universidade pública, etc.), como se as demais tivessem culpa da pele que têm ou da renda que não conseguiram seus pais por causa do desemprego. Isto não dá cidadania a ninguém, isto é dar esmolas, o que, se não é pecado, é deprimente para quem recebe. Concordo que os doentes, deficientes de qualquer natureza tenham todo o direito de gratuidade em tudo. Mas não posso concordar que não se possa chamar de “garoto” ou “moreno”, a um vadio que vem nos assaltar. E nestes casos, nós, os cidadãos, trabalhadores sofridos, que pagam impostos e tudo mais, podem ir para a cadeia pelo simples fato de ter “preconceito” e atingir alguém assim.

Falamos de amor no início da crônica e a ele voltaremos. Antes, porém, preciso dizer que a respeito de “preconceito da cor negra”, há, desde muito tempo, um patrulhamento terrível, dirigindo-se aos que escrevem: - Um amigo me pediu que substituísse a palavra “negra”, por outra. Justo porque tenho um soneto sobre a morte, está no meu primeiro livro, “Areias” (1966), cuja primeira estrofe é esta: 
“Eis a negra batendo à minha porta.. .
Saí pensando que o Correio fosse. 
 - Passa-me, por favor, teu passaporte, 
 Vamos partir… Já chega de matéria”.

Ridículo (achei). Também quando um professor, falando do palco de uma Academia, pronunciou algumas vezes a palavra “esclarecer” e se deu conta de que era uma palavra que tinha um sentido “preconceituoso”, contra a negritude e recomendou que fosse evitada. Continuando sua palestra, isto já lá para o fim, quis recordar alguma coisa e disse assim: “Ih! Agora me deu um branco!”. Isto também não seria um preconceito contra aqueles que não são da sua raça? Pensei em argumentar, mas como ele era muito teimoso, professor e convidado, preferi calar-me. Não agora. Não vou nomear qual Academia, qual professor, nem a cidade onde estávamos. Por obrigação, explico: Estávamos num Congresso Literário, com a assistência de uma grande plateia.

Sim, repito: - O amor é doce do princípio ao fim, desde que as pessoas envolvidas, sejam casais consensuais. Também nós, convívio social, tenhamos caráter, observemos os costumes (principalmente os do passado), observemos também a ética e as leis, mas protestemos contra estas, se são imorais, capciosas, feitas por legislador incompetente e sem caráter. Por que lei é para o povo, para a sociedade. Não há lei individual. Acredito também no amor à pátria, a terra onde nascemos e vivemos, acredito na humanidade enquanto humanidade, aquela criada por Deus, para uma vida como irmãos, num jardim chamado Éden, que não é nada mais do que nosso planeta Terra tão maltratada.

Do dito, fica claro que a FAMÍLIA sempre foi e é a base da sociedade. E a base está rachada. A nova civilização está num dos seus piores estágios. O Éden que Deus preparou para o homem, depois da torre de Babel, está sendo totalmente destruído.

(Este artigo-crônica foi publicado no jornal  "O Dia", de Teresina, PI, em 24 e 25 de junho de 2017)
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Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí,Teresina-PI;

quinta-feira, 8 de junho de 2017

O VALOR DE TUDO E O VALOR DE NADA: BRASIL

Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro.
Membro da Academia Piauiense de Letras.

Meus poucos leitores vão perguntar-se: - Nosso escritor deu o doido, escrever sobre o TUDO e o NADA é impossível. Nem Deus. E eles estão certos. Mas sou sempre provocador e a situação do Brasil atual é igual a de uma alma “apenada”, que não sabe onde, quando e como vai ficar. Se no Céu, no Purgatório ou no Inferno. No inferno estamos os brasileiros, por conta dos Deuses do Poder, que não são deuses nenhum. Mas têm se mostrado corruptos e corruptores.
Como será a alma de um corrupto? Leia o filósofo Olavo de Carvalho. Como será a alma de um corruptor? Leia o filoósofo Olavo de Carvalho, no final.
Almas de criminosos, dignos da condenação ao inferno. E como se poderia mandar tanta gente pra lá, se, quem sabe, há alguma recuperável?
O poeta Fernando Pessoa há algum tempo sentenciou: “Tudo vale a pena, se alma não é pequena”.
É verdade, se a alma do brasileiro não é pequena, jamais votará em partido tão degenerado. Aquele que no início trouxe (ou dizia trazer) uma nova forma de governar. E deu no que deu. E se a alma do povo brasileiro não é pequena, esse sofrimento por que passamos agora – a maior crise da história do Brasil que já vivi, e olhem que tenho 84 anos (vou completar em 16 de junho de 2017) – jamais acontecerá. E aí, depois de tudo, um Brasil novo pode começar.
Penso que a Reforma Política deveria ser a primeira, assim como a Reforma Tributária, ambas à capricho, de forma a que o cidadão, pagador de impostos e votante em eleições, não ponha defeitos.
Como temos, queiramos ou não, um presidente constitucional (o Vice Michel Temer), que substituiu legalmente a agora ex- Presidenta, abatida por um impeachment, com uma maioria mais ou menos estável nas duas casas do Congresso, poderia ele (ou quem o substituí-lo, nunca se sabe) pensar em, depois de aprovadas as reformas do Trabalho e da Previdência, em fazer a Reforma Política, sim. E os sábios membros do do Supremo Tribunal Federal, superintenderiam a iniciativa, porque tudo depende da Constituição e demais leis.
Tenho alguns pontos de vista que não preciso apresentar, pois o país está tão inseguro, tão embolado, que ninguém sabe “o que é gato, nem o que é sapato”. Uma Reforma Tributária daria uma alavancada à economia do País. Assim como a Reforma Política – liquidando com os partidos que mais fizeram mal à República Brasileira recentemente: PT, PMDB e PSDB, além dos filhotes do PT, que são muitos (sugestão) acabaria com o saco de “gatos” e “ratos” no país, onde afinal estamos também colocados, infelizmente.
Como se faria isto? O primeiro ponto é fácil, mas dentro da Reforma Política seria assentado que todos os membros do Supremo Tribunal Federal se aposentariam junto com o mandato de Temer e a assunção do novo Presidente eleito – claro que iria haver uma eleição geral comandada por quem estivesse no Poder Executivo – e esse mesmo Presidente e esse mesmo Congresso nomeariam, de acordo com os preceitos constitucionais, levando-se conta que a Constituição Cidadã continuaria de pé. Afinal, ela é que manda em quem está mandando. Parto desses pontos apresentados, mesmo pensando que já estou a andar no terreno incerto da futurologia. E como não sou nenhum futurólogo nem muito menos jurista, por aqui fico.
Volto ao poeta Fernando Pessoa, onde começamos: a) “tudo vale a pena”; b) “se a alma não é pequena”. Concordo com a premissa, porque não há meio de fugir-me dela. Se tudo que está aí vale a pena, vamos saber depois. Depois de quê? Quando soubermos que a alma não é pequena. A alma desses políticos pode ser até de muito valor, mas da safadeza, da gula, da avareza e quase todos os vícios que o Papa Francisco condena, disto que eles estão impregnados. Se ainda se recuperariam, não sei. Possivelmente a maior parte, não.
E, agora, mesmo que me pareça, tonto, espedaçado, neste artigo crônica, volto-me ao cidadão brasileiro, o trabalhador brasileiro, o artista brasileiro, o estudante brasileiro, o professor brasileiro, enfim a todos os homens e mulheres de todas as profissões e até aos que não tem nenhum emprego porque a crise os derrubaram na miséria, ou quase na miséria. Volto-me a nós todos, filhos desta terra generosa que é o Brasil, desta nação que sempre se disse que seria “o país do futuro”. Seremos ainda? A nossa alma também não estará machada pelo mau exemplo desses homens do alto, que têm nos comandado até agora? No passado há alguma exceção. Mas não vamos ao passado.
Acredito ainda que a nossa alma não é pequena: há grandes exemplos de pessoas generosas, amorosas, daqueles que dão a vida pelo próprio filho, pela mulher, por um irmão ou parente, seja numa doença, seja numa refrega de rua entre grupos de
desordeiros e terroristas. A corrupção não é uma doença, é apenas um escorregão da consciência de algum cidadão que pensa que ser rico, ser poderoso é ser importante. “Importante todos nós, quando nascemos, já somos”, creio que li no filósofo Augusto Cury. O que precisamos é ter uma alma de caráter, ser íntegro no exterior e no interior de nós mesmos. Vários países, um dos mais lembrados é a Itália, sofreram por parte de uma classe política de homens mal formados, sem caráter, com muitas armas na mão e pensando que “o tudo era aquilo”. Repito, me explicando: O tudo só é tudo quando a alma comanda todas as funções do copo dos cidadãos, e dentro da sociedade há leis e éticas para serem cumpridas. E não só: Há o castigo, a punição. Acredito que o mundo, embora com tanta guerra, tanto rebulício, tando tiroteio, tanto terrorismo, tantas armas de todos os tipos, inclusive as atômicas e superatômicas, acredito que o mundo não vai se acabar agora. Nem o Brasil. Alguns ou muitos não escaparão. Mas a história sempre foi assim.
Finalizando, vale citar o nosso grande filósofo Olavo de Carvalho, um parágrafo tirado do seu famoso livro “O mínimo que se precisa saber para não ser um idiota”, Editora Record, Rio/São Paulo, 2016, pg.286:
“O primeiro passo para a institucionalização do gangsterismo estatal neste país foi a destruição da moral tradicional e sua substituição pelo aglomerado turvo de slogans e casuísmos politicamente corretos que, por vazios e amoldáveis às conveniências táticas do momento, só servem mesmo é para concentrar o poder nas mãos dos mais cínicos e despudorados.”


sexta-feira, 2 de junho de 2017

AS MIL E UMA MARAVILHAS OU COMO DEIXAR DE LER

Francisco Miguel de Moura* 

Já escrevi várias vezes sobre a falta de leitura do povo brasileiro. Nós, Brasil e países em desenvolvimento, passamos da era da pedra – era só imagem e riscos nas cavernas - à era da internet, quando ironicamente ninguém quer saber de letras, quer saber só de figuras. Já falei nos “ANALFABETIZADOS” - aqueles que vão à escola aprendem mal,muito mal a ler, nada a escrever senão alguns garranchos para assinar em algum documento e saem por aí dizendo-se leitores e às vezes até escritores. São os eleitores de Lula – (desculpem-me a intromissão na política vagabunda do nosso Brasil de hoje, entre os quais não se encontram nenhum dos meus poucos leitores). Esse pessoal nunca leu um livro como “Madame Bovary”, de Flaubert; nem um “Dom Casmurro”, do fabuloso Machado de Assis, inclusive alguns dos seus excelentes contos, que não são muito longos. Esse pessoal nunca leu, para abreviar a lista, José de Alencar, não sabe quem foi “Iracema”. São os que chamo de “ANALFABETIZADOS”, e por muita concessão.
De poesia, nem se fala. Se se perguntar a um deles quem é o maior poeta do Brasil é capaz de responder que é o Tiririca, sem ofender a este bom humorista que se meteu na política e parece ainda não ter-se corrompido.

Não sei se deveria citar, para bem ou para mal, que a maior editora de livros nestes dois últimos anos, no Piauí, é a Academia Piauiense de Letras. Não porque queira e tenha recursos para tal, não porque esteja cumprindo algumas das suas funções principais, mas para comemorar seu Centenário de nascimento, de criação, em 30 de dezembro de 1917. Seu dinâmico presidente atual, Nelson Nery Costa, vem esbaldando-se para cumprir aquilo que Castro Alves escreveu, recitou e proclamou durante sua rica vida de intelectual, poeta e fervoroso combatente para o fim da escravidão negra. Muitas outras batalhas encetou, incluisve a liberdade fundamental de que “A PRAÇA, A PRAÇA É DO POVO / COMO O CÉU É DO CONDOR”. Por milagre, algumas pessoas do meado do século XX ainda se lembram: de um poema de estrofe contundente e que tem tudo a ver com o nosso artigo:“LIVROS, LIVROS, À MÃO CHEIA / FAZEI O POVO PENSAR. / O LIVRO CAINDO N’ ALMA / É GERME QUE FAZ A PALMA / É CHUVA QUE FAZ O MAR”

Como eu ia dizendo, o presidente da APL já publicou um centena de livros e promete publicar outro tanto neste ano da Comemoração do Centenário da “Casa de Lucídio Freitas” e nesse sentido já publicou obras importantíssimas da literatura piauiense de vivos e mortos, entre os quais poemas, antologias, histórias, memórias, crônicas e biografias. Depois disto, uma pergunta encabulosa e de certa forma atrevida pode vir:

- Quem, dentre vocês, piauienses, já leu algum desses livros, quem já leu mais de um? Quantos brasileiros leem livros anualmente. 
- O silêncio será constrangedor. A resposta é não, quando juntamente não acompanhada de um tremendo desaforo.

Por que comprar livros no Piauí? Ninguém lê. Mas é de graça. Ninguém quer, ninguém compra, ninguém lê. Não sei como sobrevivem as livrarias (poucas), da nossa cidade. Posso responder, sem medo de errar: vendo “BESTAS DE SELA” americanas ou livros de devoção religiosa, o principal a Bíblia. Reforço meus argumentos com os da escritora que muito prezo, uma sumidade como crítica literária, mesmo que ainda tão nova, Rosidelma Fraga, que fez o prefácio de minha “POESIA IN COMPLETA”. E que prefácio! Uma lição de sabedoria e competência no labutar com as letras e com a arte da poesia, ela que também é poeta. Sua contribuição aqui é tirada de um trecho de artigo dela, publicada no “Portal Entre-textos, do Dilson Lages: “De forma brevíssima, meu objetivo fulcral é dar algumas alfinetadas sobre o tema assassinato do leitor e da literatura associado ao diploma conferido a um professor da área de Letras. Parece estranha a proposta, já que na própria envergadura e no corpo fônico da palavra LETRAS há o verbo LER. Por conseguinte, quem escolhe a licenciatura ou o bacharelado em Letras será um leitor. Seria mais que óbvio se não fosse obtuso, diria meu amigo Roland Barthes”.

E por aí segue a escritora Rosidelma Fraga. Mas, não posso tomar o fôlego do seu artigo, invectivando Universidades, Cursos de Letras, professores que se formam sem apreender a ler, ou pelo menos sem gostar de ler. Como é que se lê tanto como deve um professor, sem gostar de ler? Se os professores não lêem, como vão ensinar a seus alunos que é bom ler, que devemos ler, pois como disse o Prof. Antônio Cândido (com toda a sua autoridade): “A Literatura confirma a humanidade do homem e contribui para a formação da personalidade por ser uma forma de conhecimento do mundo e do ser.” Logo, a literatura deve estar adiante de todo e qualquer diploma, mormente o de Licenciatura Plena em Letras.

Quero dizer que os próprios professores de Letras vão ganhar dinheiro sem ler. E vão ensinar mal os seus alunos, por desestimularem a leitura. Alguns que se salvam e lêem pouco, lêem mal como aponta Rosidelma Fraga. E aí ela fala na “bola de neve”, a que é elevada a sociedade, citando que há professores que não distinguem a palavra MAL da palavra MAU, uma vez que não sabem quando se deve escrever L ou U. E isto é monstruoso, é a contradição do que estudou e do que deve lecionar.Nas salas de aula dos cursos diversos até chegarem à Universidade, onde se deveriam formar bons leitores, ao contrário, de modo geral todos se tornam maus leitores e serão futuros doutores semianalfabetos ou ANALFABETIZADOS, como eu costumo denominar. Sendo assim, chegamos ao reino das “mil maravilhas” dos iletrados, pois se querem saber de algo, como se escreve a palavra X ou o que significa a palavra Y, buscam a internet. Acontece que, sem saberem escrever, muitas vezes têm dificuldade de encontrar o que querem e mais ainda de entenderem o que a máquina moderna lhes oferecem. E se a grande maioria são iletrados, ANALFABETIZADOS, como vamos ter leitores, nós pobres escritores?

Para encerrar, cito um trecho muito interessante de mudança de gerações, de autoria do filósofo Arthur Schopenhauer (1788-1860): “A cada 30 anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.

Daí podemos aferir os leitores que não leram os clássicos: bons, maus? O leitor decide.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, membro da ALERP,  da APL, da UBE e da IWA, esta última nos Estados Unidos da América do Norte.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

NÓS ÉRAMOS FELIZES E NÃO SABÍAMOS!...

Francisco Miguel de Moura
Escritor brasileiro, membro da Academia de Letras do Piauí


Dividimos nossa crônica de vida, em duas partes: ANTES e DEPOIS DE LULA, com raiva por ter que falar no nome desse “analfa”, psicopata que nos governou e pretendo novamente avançar no poder do Estado. ANTES DA ERA LULA, nós éramos felizes e não sabíamos, podem acreditar. Classe média, desfrutávamos de tudo quanto era possível, e muito foi possível. Desde a tranquilidade do trânsito quanto a segurança das ruas. De noite, cadeiras nas calçadas, o pessoal vizinho vinha pra conversar e participar do cafezinho cheiroso da dona da casa. Ao passo que a população foi crescendo, a gente ia rumando para as praças e os cinemas,bares e restaurantes, especialmente na Pedro II. Andava-se sem susto, a pé ou de ônibus. Se esquecesse alguma coisa, voltava, procurava e encontrava. Saísse de casa de manhã tendo a certeza de voltar para o almoço e, depois na parte da tarde, para a janta. Homicídio era coisa raríssima. Os presos se aquetava em suas prisões até o fim da pena.

Não podemos esquecer: Era linda a travessia entre Timon e Teresina, em barcos. Do que me vem à memória eu vou contando. Cheguei a Teresina com o ânimo definitivo de vir morar e aqui fiquei. Trabalhando no Banco do Brasil. Ficamos, eu e a família, os maiores estudando e a mãe cuidando dos outros. Vinha do interior da Bahia, cidade denominada Itambé, onde meu filho Francisco Miguel de Moura Júnior nasceu. Depois, já há alguns anos, nos juntamos as três famílias: a minha (eu, Mécia e Mecinha), a de Laudemiro Miguel Morais Moura (Mônica, Lucas, Davi e Mariana) e a de Miguel Júnior(Ana, Tainá e Tairine). Ele nascera em em Itambé. Esqueci de dizer que Laudemiro (Lau) nasceu em Vitória da Conquista, também na Bahia. O Franklin Morais Moura não foi nem o Fritz Miguel Morais Moura, não me ocorrem as razões da NÃO adesão a nossa viagem. Talvez por que o Franlklin nasceu em Picos e o Fritz, em Teresina.

Estávamos no período da DITADURA MILITAR, que, para tanto não nos incomodou. Eu não era comunista, eram os comunistas que estavam sendo perseguidos. Sempre me declarei um social democrata. Naquele tempo viajava-se na maior tranquilidade. Tão diferente de hoje, onde os assaltos a ônibus e carros particulares são comuns. E por isto nos causam medo. Medo! Hoje vivemos com medo de tudo.

Mas aquela viagem foi tranquila. Partimos de Teresina, minha família e a de Miguel Júnior, com pequeno estágio de 3 ou 4 dias em Salvador. Júnior tinha muito interesse em conhecer a cidade onde apenas nasceu. Laudemiro queria também rever Vitória da Conquista, cidade natal. Itambé não tinha crescido quase nada. Mas a cidade, vista do alto da Serra de Conquista, é uma maravilha. E Miguel Júnior passou a dizer que ela é um bairro de Salvador (gozação), mas eu e o Lau, para confortá-lo concertamos: - “Que Itambé não seja um bairro de Salvador, tudo bem, mas pode ser e é um bairro de Vitória da Conquista”.

Se naquele tempo Itambé era despossuída de um bom comércio, quase tudo se ira comprar em Conquista, tivemos a constatação de que continuava do mesmo jeito: médico, hospital, grande mercado, é lá mesmo que todos vão, subindo ladeira, descendo ladeira, vendo bonitas paisagens, vendo roças de cacau e fazendas de capim e bonito gado vacum.

Fomos, voltamos e chegamos a Salvador em paz. Lá, em Itambé, eu chorei visitando o cemitério e vendo a cova que Fulton estava sepultado: Fulton, que lá chegou com 6 meses. E depois, misteriosamente, ou porque os médicos eram incompetentes, falece. Tinha 6 meses. Para ele fiz poemas lindos, já naquela época, 1962, logo depois da morte. E continuo fazendo. Digo-me e aos meus familiares que Leônidas Fulton é nosso Anjo da Guarda, no Céu, que está nos esperando para receber quando a gente chegar lá.

Voltamos cansados, mas felizes por ter reconhecido mais estas cidades da Bahia (Itambé e Conquista) e observar que estavam mudadas. Tudo muda, tudo o que é feito por Deus e o que é feito pelo homem. Francisco Miguel (eu) e Miguel Júnior (meu filho) com nossos familiares passamos para Teresina, enquanto Laudemiro Miguel Morais Moura ficou em Salvador, onde ainda mora.

Agora, nossa família de 4 filhos moram aqui com suas famílias (Mécinha ainda é solteira, esclareça-se), e Laudemiro Miguel, em Salvador – BA. É claro que, dentro das possiblidades do momento, somos felizes, unidos, amando uns os outros. Damos graças a Deus por tudo isto. Mas a situação do Piauí talvez seja a mais precária, difícil do que de muitos Estados: a violência grassa, o medo gela, as atividades produtivas estão quase paralisadas. Isto começou DEPOIS DA ERA LULA – ele com sua sucessora e com o seu PT – vinte anos de poder… Teresina, a linda capital do Piauí, fundada por Saraiva, tornou-se um amontoado de bairros (que no Rio se chamariam de favelas). A pobreza aumentou muito. No campo também. As secas sucumbem. As estradas, um horror.

Falado de Brasil, Miriam Fraga, até boa como jornalista, escreveu um livro contando as vantagem que esses anos de ditadura civil de Lula e cumpinchas acrescentaram como positividade para a história do país. Ela engana-se redondamente. Esses foram só de sofrimento, de anarquia, ninguém respeita mais nada, nem a propriedade privada nem a público. Os ladrões e assassinos, de arma em punho, entram na residência de qualquer cidadão, roubam, estupram, matam... Vivemos em polvorosa, uma guerra civil intestina (se me permitem o pleonasmo) está Começando e vai estourar: droga, bandidos, moleques de rua (assegurados pela nova lei de menores). Quem duvidar, aguarde. 

Hoje menor não pode trabalhar, mas também não vai à escola mesmo porque não tem escolas que prestem, os pais não se incomodam – só querem a bolsa-família – e sair flanando por aí, arranjando mais mulheres, deixando mais filhos… Nossa população baixou de nível: moral e ético, nosso povo empobreceu dezenas de vezes nesta ERA MALDITA do LULA. Tomara que ele não se meta a ser candidato a nada, pois já tem não se sabe quantos processos nas costas, além da má fama que ganhou aqui e no exterior e da "FURTUNA" (com U) quer não consegue provar, embora seus amigos sejam os maiores tubarões do planeta. Políticos de nosso Brasil, por favor, pensem bem o que estão fazendo. 

Ainda haverá algum que não seja corrupto? Pois que tome a peito salvar o Brasil e nosso povo. Levante-se e aja.
                                                                 *****

          (Crônica publicada no jornal "O Dia", de Teresina, Piauí, em 27/28-5-2017, pg. 6 - Opinião
      

sexta-feira, 19 de maio de 2017

EU NÃO DEVIA ESCREVER SOBRE DITADORES, MAS...

Francisco Miguel de Moura*

Assim tão próximo ao Dia das Mães, eu não deveria escrever sobre os desmandos do mundo. Sobre os ditadores, sobre os terroristas, sobre os psicopatas, sobre os empedernidos em doutrinas tão prejudiciais como a do comunismo e quejandos. Mas são tantos no mundo os ditadores e os terroristas de toda natureza, no mundo atual! Que fazer? Escolher alguns por referência. E depois passar para outros assuntos dignos de uma crônica.
Como iniciei, eu deveria escrever sobre o sofrimento do povo da Venezuela, que a única esperança que têm é emigrar para o Brasil, em vez de ficar sofrendo fome e cadeia pela vergonhosa ditadura que sofre o país, sob a direção de um monstro chamado Nicolau Maduro. Para mim ele está apodrecendo, mas muito devagar. Irá até quando?
Eu deveria lembrar (como não lembrar, ó Deus!) o sofrimento do povo sírio, sem nenhuma alternativa a não ser a de ficar no meio do fogo cruzado que faz o ditador Bachar al-Assad contra os pobres sírios, que até pouco se sentiam tranquilos em seu país. Agora, às vezes nem fugir não pode a pobre população. E fugir para onde? São tantos os dilemas! Guerra é o flagelo dos diabos, do Demônio. E as potências mundiais ficam de mãos atadas, sem saber o que fazer, sem concordarem. E, enquanto não, vem fogo da Rússia, vem fogo dos Estados Unidos e de outros países, e a guerra continua cada vez mais confusa. Bashar al Assad já matou tanta gente que nem sabe a conta. Já houve quem dissesse que ele pratica um crime contra a humanidade e assim deverá ser julgado. Outros o praticaram: Fidel Castro quando invadiu a Angola, foi um horror. Esse outro monstro, da Coreia do Norte, mata seu povo de fome para investir em foguetes e armas atômicas e assim horrorizar o mundo. De um momento pra outro tudo pode explodir. Meu Deus!
Não há quem não se condoa com o sofrimento do povo, a qui e ali, mesmo visto de distâncias enormes como costumamos ver pela tevê e internet. E os terroristas do Islã, outra praga que se abateu contra o mundo, valendo-se de interpretações errôneas e cruéis querem tornar-se poderosos à custa de Maomé e dominarem o mundo. Matando populações inteiras e se imolando a si próprio na esperança de ganharem um paraíso com mais de mil virgens. Não sei se isto é triste ou imundo.
Da África, fugindo de males parecidos, os africanos, que não diferem muito dos problemas apontados, e também da fome, e se aventuram pelo Mediterrâneo buscando um abrigo na Itália e noutros países europeus, no caminho encontrando a morte, quando não acontece aparecer um barco salvador. Este mundo está de tal forma intranquilo que não dá para pensar-se uma crônica suave, uma poesia, uma forma distinta de viver sem ser a de ter medo, a de ficar preso em casa, a de restringir as atividades, a de ficar cada vez mais descrente de que um dia isto tudo pode acabar numa boa.
DIZEM QUE NÃO HÁ BEM QUE SEMPRE DURE NEM MAL QUE NUNCA SE ACABE. Mas precisamos de um bem que dure algum tempo. E este bem é a paz para se sobreviver.
Um escritor francês, cujo nome esqueci, disse: “No mundo atual, o melhor que o homem faz é não sair do seu quarto e assim ficar livre dos malfazejos que infestam as ruas”. Não o cito ipsis litteris mas o conteúdo é esse. Parece uma gracinha de quem acha que tudo está perdido e que é preciso alegrar-se com o nada e sorrir como um escárneo.
Agora, um bom vento me soprou e vou ver se falo em coisas menos árduas: o amor, a fortaleza do amor de mãe e a grandeza da mulher. Fiquemos certos, nós homens, diante da mulher, que não valemos nada. Quem está fazendo todo esse barulho no mundo? Os homens. Infelizmente os homens nascem guerreiros, precisam de buscar alimentos, precisam de território para caçar e pescar, isto na tribo. Mas o governo é sempre a mulher quem organiza. Da tribo ao reinado. O mundo modificou-se. Criamos cidades. Criamos indústria. Criamos remédios e vacinas. Mas também armas. Antes de tudo, a civilização deveria ter inventado a escola: o que deveríamos fazer e o que evitar. Aí foram aparecendo as religiões, umas boas outras não, uma boas que se transformam em más, outras más que se transformam em boas. Vieram os profetas, os mandamentos, as leis. É preciso que obedeçamos à primeira: a LEI DA CONSCIÊNCIA. É o sentimento profundo que Deus dá a cada um. Sem esse, não haveria humanidade. Não haveria tanta gente vivendo, bem ou mal, neste (outrora) chamado paraíso, a Terra. É com a consciência do BEM e do MAL que construímos tudo de bom até agora. Precisamos ter essa consciência cada vez mais afinada de que “aquilo que faço contra os outros vai recair sobre mim, certamente” e de que “tudo o que fizermos de bem, esse bem retorna para nós mesmos”.
Creio que a maioria da população do globo perdeu a consciência, perdeu esses parâmetros do BEM e do BEM, dos bons costumes, da moral e da ética até então construídos. E é por isto que vamos mal, muito mal, marchando para o Apocalipse. É o fim do mundo que está próximo, ninguém se iluda. A menos que venhamos a dar uma rodada de 180 graus, para recomeçar.
Não adianta fiar-se em sonhos de ouro nem de outro planeta para onde possamos ir, quando este acabar. Não terá planeta nenhum que suporte tanta maldade. Nem vão descobrir nenhum que tenha água. E se o descobrirem, não chegarão lá, pois as distâncias são enormes, quase ou digamos infinitas, só Deus conhece.
Conclamo a todos que tenham esperança. Mais: que tenhamos fé em Deus criador do Universo e, a partir daí, tentemos reconstruir tudo o que já destruímos: a história, a luta, as conquistas, a verdade, o amor, inclusive nossa alma espiritualizada.
Preciso terminar aqui com uma frase belíssima, do Papa Francisco, que é também o título de um livro: - “O NOME DE DEUS É MISERICÓRDIA’. Se não for a mão de Deus e dos seus filhos mais diletos, na fé e nas boas obras, nada escapará. As guerras tocaram fogo no mundo.

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*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, autor desta pág. e do artigo.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

DIREITOS E DEVERES HUMANOS UNIVERSAIS

Francisco Miguel de Moura (Chico Miguel)
Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras


Não sei se deveria referir assunto tão batido quanto o dos Direitos Humanos. Debatido, mas tão complexo. Quase nada são observados os tais direitos fundamentais, principalmente nos países subdesenvolvidos e ainda tateando o desenvolvimento como o nosso Brasil. Mas, antes de tudo, vamos perguntar uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente:

- Os Deveres Humanos, quais são, quantos são, quem os cumpre rigorosamente? Por que não se falam neles, mas somente nos Direitos… Assim, passamos a registrar o que dizem os entendidos do assunto, informações colhidas nas páginas da internet, pois que hoje já não temos mais dicionários enciclopédicos como há bem pouco tempo. Cito a fonte primeira da minha pesquisa: a Wikipédia. No momento não há nada melhor. Mas, confesso, reescrevi nalgumas linhas para facilitar o leitor de jornal.

Direitos humanos são os direitos básicos de todos os seres humanos. São: 1) direitos civis e políticos: direitos à vida, à propriedade privada, liberdade de pensamento, de expressão, de crença, igualdade formal, ou seja, de todos perante a lei, direitos à nacionalidade, de participar do governo do seu Estado, podendo votar e ser votado, entre outros, fundamentados no valor liberdade. 2) Direitos econômicos, sociais e culturais: direitos ao trabalho, à educação, à saúde, à previdência social, à moradia, à distribuição de renda, entre outros, fundamentados no valor igualdade de oportunidades). 3 Direitos difusos e coletivos: direito à paz, direito ao progresso, à autodeterminação dos povos, direito ambiental, direitos do consumidor, direito à inclusão digital, entre outros, fundamentados no valor fraternidade.

A ONU afirma que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.
A origem do conceito filosófico de direitos naturais seriam atribuídos por Deus. Alguns filósofos sustentam que não haveria nenhuma diferença entre os direitos humanos e os direitos naturais. E veem, na distinta nomenclatura, etiquetas para uma mesma ideia. Outros argumentam ser necessário manter termos separados para eliminar a associação com características normalmente relacionadas com os direitos naturais, sendo o filósofo John Locke talvez o mais importante a desenvolver esta teoria.

Os que defendem o UNIVERSALISMO dos direitos humanos se contrapõem ao RELATIVISMO CULTURAL. Estes afirmam a validez de todos os sistemas culturais e a impossibilidade de qualquer valorização absoluta desde um marco externo, que, neste caso, seriam os direitos humanos universais.

Entre essas duas posturas filosóficas extremas situa-se uma gama de posições intermediárias. Muitas declarações de direitos humanos emitidas por organizações internacionais e regionais põem um acento maior ou menor no aspecto cultural e dão mais importância a determinados direitos de acordo com sua trajetória histórica. A Organização da Unidade Africana (OUA) proclamou em 1981 a Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, que reconhecia princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e adicionava outros que tradicionalmente se tinham negado na África, como o direito de livre determinação ou o dever dos Estados de eliminar todas as formas de exploração econômica estrangeira. Os estados africanos que acordaram a Declaração de Túnis, em 6 de novembro de 1992, afirmaram que não se pode prescrever um modelo determinado a nível universal, já que não é possível desvincularem-se as realidades históricas e culturais de cada nação e as tradições, normas e valores de cada povo. Em uma linha similar se pronunciam a Declaração de Bangkok, emitida por países da Ásia, em 23 de abril de 1993, e de Cairo, firmada pela Organização da Conferência Islâmica em 5 de agosto de 1990.

Também, contra à visão ocidental CAPITALISTA dos direitos humanos, centrada nos direitos civis e políticos, como a liberdade de opinião, de expressão e de voto, o BLOCO SOCIALISTA se opôs durante a GUERRA FRIA que privilegiava a satisfação das necessidades elementares, mas, por sua ideologia, suprimia a propriedade privada e a possibilidade de discordar e de eleger os representantes com eleições livres de múltipla escolha.

Mas, depois de todas as teorias e práticas, vamos perguntar, pela segunda parte deste artigo, uma coisa importante, talvez primordial do gênero humano, tão desumano atualmente como nunca, pelo que se sabe da história recente. Trata-se dos esquecidos DEVERES HUMANOS.

Quem não sabe quais são os DEVERES HUMANOS? Não me venham com lorotas e desculpas, etc. Todos nós sabemos que:

a) Não devemos fazer ao outro aquilo que não gostaríamos que eles fizessem com a gente. É ou não é verdade?

b) Só devemos fazer aos outros o que for o BEM, aquilo que está recomendado como mandamento de Deus, desde os mais antigos povos. Todos os que sabem ler e escrever, todos que ouvem rádio e televisão, veem a internet, já ouviram falam nas tábuas de Moisés, onde Deus escreveu os 10 (dez) mandamentos para o homem, entregando ao profeta para que ele distribuísse e ensinasse ao povo. E até hoje eles são mais do que válidos. “Guardai os mandamentos de Deus e estais respeitando o próximo e o próprio Deus, o Criador do Universo”.

Mas, alguém pode dizer assim: - E como é que fica a preservação da natureza? Os deveres que o homem tem para com ela, a fim de que tenham condições para viver, trabalhar e amar? Este mandamento é muito mais antigo. O homem recebeu o jardim do Éden, que era o mundo, e Deus falou: “Cuida dele, é dele que tirarás o seu sustento e de sua família, sua saúde e sua tranquilidade (sem medo de feras”… Lembram da serpente?. Tudo é tão elementar, hem? Só faltou-me falar no “SERMÃO DA MONTANHA”, onde Jesus discorre sobre a misericórdia para com os pecadores, o que não praticam ou não praticaram os DEVERES HUMANOS.
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*Francisco Miguel de Moura,escritor, membro da APL,da UBE e da IWA, esta ultima associação com sede nos Estados Unidos.

sábado, 6 de maio de 2017

O ARTIGO DE JORNAL E A CRÔNICA DE VERDADE


Francisco Miguel de Moura
Escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

       É normal que as pessoas fiquem atônitas, sem saber o que é crônica e o que é artigo de jornal. O artigo normalmente trata de matéria concreta, real, cheia de elementos físicos e acontecimentos do dia a dia, na vida de uma cidade, quando não trata de reproduzir, através do jornalista autor, a visão e as palavras das entrevistas de pessoas que, por uma questão ou outra, não puderam ser transcritas tais como ele disse, isto é, por suas próprias palavras. Sendo possível fazer o apontado no último caso, já não se trata de uma “matéria” ou artigo, mas sim de uma entrevista. Pode-se acreditar em tudo que o artigo diz? Depende da credibilidade do jornal, em primeiro lugar. Depois da do jornalista responsável.

Mas todos sabemos que os jornalistas muitas vezes assinam matéria ou artigos que parecem crônicas políticas ou econômicas, ou policiais, ou futebolísticas,quando na verdade são artigos com um pouco da sua visão. Desta forma, já vemos onde começa a confusão entre crônica e artigo. Mas há distinções. Lendo Augusto Cury, cientista de prestígio, médico, psiquiatra, filósofo e escritor até de romances, topei com uma afirmação muito importantes para iniciar-se uma crônica. Ele diz: “Acho estranho as pessoas, quando entram num elevador, não olharem para a face umas das outras, e sim para os números do andares simplesmente. Todos temos necessidade de dialogar, porém nos escondemos com facilidade”.

Observação à qual eu acrescentaria que, mesmo em se tratando de moradores do mesmo edifício e que sobem e descem constantemente os elevadores, encontram-se mas não dizem uma palavra. Por que não um “bom dia”, uma “boa tarde”, uma “boa noite?!” Se quiserem acrescentar frases, perguntas sobre o tempo, o trabalho, o futebol, assim como “a carestia da vida”, “o trabalho dos filhos”, “a política...”, seria um começo de conversa que todos nós poderemos encetar com vizinhos, conhecidos ou desconhecidos – caminhando nos passeios – na caminhada matinal. E se encontramos como um amigo? E se terminamos por fazer outro? É bom. Isto é assunto para uma crônica psicológica da falta de comunicação que, sobretudo hoje, em vez juntar as pessoas, as criaturas, há como que um medo de falar, de comunicar-se.

Até aqui misturamos artigos (ou matéria de jornal) e o ensaio de uma crônica apanhada por mim, por acaso num livro de psicologia. Mas resolvi passar-me para a crônica de verdade e transcrever uma parte de verdadeira crônica despretensiosa, criada agora, que denomino de “Os bons tempos”:
“Todos os anos havia a festa religiosa na vila. As mulheres preparam os melhores vestido, tudo feito em casa, tecidos em teares à mão. Era uma alegria. Havia a novena a Nossa Senhora da Conceição. No dia final da novena, quando havia o leilão, todos saíam de casa e iam rezar a novena, levar presentes para o padre leiloar em favor da Santa e sua Capela. Só nas noites anteriores os meninos ficavam em casa, trancados, no escuro para dormir.

No dia seguinte ao leilão, era a missa festiva. Os homens calçavam os sapatos melhores, envernizados, brilhantes, e as calças, tudo com muito cuidado para não gastarem. O sermão era grande, todos já se tinham confessado e estavam arrependidos dos pecados. Mãos no peito, piedosamente, rezavam a missa em latim, sem entender sequer uma palavra dita. O padre de costas para os fiéis. Somente na ora do sermão ele se voltava para as ovelhas. Os batizados já haviam sido feitos e também o crisma. Agora a vez dos casamentos. Mamãe conta que na hora de “correr os banhos”, isto é, quando o vigário apelava aos cristão que assistissem à cerimônia para se manifestarem se havia algum impedimento para a aquele casório. Aqui, um do meio dos assistentes gritou: - Os dois são primos legítimos e não tiraram licença para casar. Então, o padre mandava o sacristão verificar e este não encontra a declaração de parentesco nos papéis. E é aí que o padre diz:
- Estes voltam para casa, não podem casar enquanto não tirarem a licença.

Foi aquela gritaria toda. E lá saíram meus futuros pais sem o casamento ser realizado como esperavam. Agora tinham que aguardar o pedido de licença, acompanhado dos documentos, para que o casamento fosse perfeito.

Mas, ninguém se incomodou com isto. Voltaram os casados e não casados inteiramente para casa e continuaram sua vida. Pois aquilo se tratava apenas de uma burocracia da igreja para arrecadar mais dinheiro, ora, ora! Creio que, por isto, se é que aconteceu como lhes conto, minha mãe, em qualquer briga de família dizia para meu pai, se ele ameaçasse de ir embora e não voltar mais:
- Pode ir e não volte. Nós não somos casados mesmo!
- Mas eu já regularizei tudo na Igreja.

Como sempre, minha mãe tinha uma resposta, igual a todas a mulheres: - Nosso casamento não valeu mesmo, somos amancebados. O padre que realizou a cerimônia já tirou a batina há mais de seis meses”. (Tirar a batina era deixar de ser padre, estar sem ordens do Vaticano fazer nada na Igreja, nenhum sacramento).

Esta historinha tem uma ponta de verdade e várias de mentiras (inventadas). A crônica é assim. Cheia de histórias fatos, alusões, ilusões, imaginação e muito mais que o escritor queira.
Enfim, apontei algumas das dificuldades para distinguir-se a crônica do artigo. Mas a crônica também se parece muito com o conto. É assim, hoje é tudo misturado. Um caldo de cultura em tudo, inclusive nas letras, na literatura. Tudo para sobreviver.
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                              (Publicado no jornal “O Dia”, 06-05-2017)




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