domingo, 30 de dezembro de 2012
UMA CARTA AO POETA CHICO MIGUEL
quarta-feira, 29 de junho de 2011
JOSÉ RIBAMAR GARCIA, CARTA SOBRE O MEC
Rio, 24, junho, 2011
Amigo Miguel de Moura:
Irretocável seu artigo “MEC- POR UMA LÍNGUA PIOR”. Perfeito. Meus parabéns.
A ignorância e a má-fé apossaram-se do MEC.
Recentemente, tiveram o atrevimento de censurar Monteiro Lobato. Logo Lobato, o gênio a quem o Brasil tanto deve.
Agora, incluíram no Programa Nacional do Livro Didático esse “Por uma Vida Melhor”, que não passa de uma apologia ao analfabetismo. Livro editado pela Editora Global, aliada a uma tal de ONG Ação Educativa, que vendeu ao MEC meio milhão de exemplares. Há algo de podre nessa história. Qual o critério de escolha da obra? Quanto o MEC pagou por esses exemplares? Quem autorizou essa compra?
O Ministro (?) da Educação já se manifestou publicamente, dizendo que quem for contra o livro tem “viés fascista”. Imagina, quanto cinismo, deturpando a semântica da palavra. Fascista é ele, que utiliza dinheiro público para fazer apologia ao analfabetismo. Ele, sim, fascista assumido, que usa a coisa pública como privada (vale a cacofonia). E pior, um arrogante que se julga dono do estado.
Essa venda merece uma investigação séria. Que já devia ter sido tomada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Mas, cadê essas instituições? Espera-se delas, agora, o mesmo empenho que costumam ter quando atuam contra certas minorias.
Sem mais,
meu abraço
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* José Ribamar Garcia, advogado e escritor brasileiro, mora no Rio de Janeiro, Capital. Como romancista estreou com o "Em Preto e Branco" , 1995. Recentemente publicou outro excelente romance denominado "Filhos da Mãe Gentil", sendo autor de muitos outros livros de ficção, especialmente de contos, em cujo gênero é mestre.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
E-mail de 9.7.2010 - SR. FRANCISCO MIGUEL DE MOURA
Assunto: LI OS \"SONETOS ESCOLHIDOS\" de sua autoria
Nome: Claudio Sousa Pereira
claudiogodi@hotmail.comMensagem:
Olá Senhor Francisco Miguel de Moura, tudo bem?
Sou Claudio Sousa Pereira, estudante de Letras Vernáculas da Universidade Federal da Bahia. Na Biblioteca Central da referida universidade, ao acaso, entrei em contato com a sua poesia.
Trata-se do livro \"Sonetos Escolhidos\" de vossa autoria. Este livro causou em mim uma fecunda impressão. De posse deste, emprestado pela biblioteca, pude lê-lo mais calmamente. Nota-se o domínio do verso, a elegância da dicção e o equilíbrio da imagens, hoje tão caro a poesia da modernidade e que lamentavelmente poucos a procuram distinguir. No que tange ao aspecto formal, há-de se considerar um senhor na arte de escrever, honrando a terra de poetas como Antônio Francisco da Costa e Silva, um dos grandes poetas brasileiros e um dos melhores que já li.
Gostaria de ter escrito este e-mail há mais tempo, mas, em virtude de falta hábil de tempo devido as minhas atividade profissionais e de estudo, não fora possível. Um dia depois das minhas férias de meio-de-ano da faculdade, faço-o com regozijo e esperança na espera de um contato de resposta com o senhor.
Depois da leitura do livro, iniciei, por curiosidade, uma pesquisa sobre os seus trabalhos. Vi que na sua biografia existe uma passagem de vivência na Bahia, a qual fizeram uma pós-graduação aqui na UFBA. Fico feliz de manter contato com o Senhor, uma vez que o conhecimento literário, capacidade de crítica e escrita madura são imprescindíveis para quem busca adquirir mais conhecimentos na área.
Lendo seu blog, vejo que pessoas como o senhor são imprescindíveis para a literatura, e que as gerações mais novas deveriam estimar mais pela experiência e sabedoria. Este é um dos problemas da juventude. Criam suas próprias ideologias e mundos, quase sempre inferiores e medíocres a aquilo que o tesouro humano pôde nos legar em conhecimento. Não sei, isso pode ser inversão de valores ou má transmissão destes conhecimentos, o que acarreta nisso.
Por fim, fica as minhas saudações e o desejo de adquirir os \"Sonetos Escolhidos\", edição bem cuidada das Edições Galo Branco. E outra coisita: escrevo poemas também. Aqui, no Recanto das Letras, com o pseudônimo de Godi.
Abraço do admirador. Claudio
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Cláudio Sousa Pereira é escritor e assina com o pseudônimo Godi. Esta mensagem foi enviada através do link de contato no Recanto das Letras. Email: claudiogodi@hotmail.com
sábado, 6 de fevereiro de 2010
DIÁRIO INCONTÍNUO
27 de janeiro de 2010
Diário, que não é contínuo:
Caro poeta Chico Miguel,
Deveres profissionais me impedem de participar de sua festa de Bodas de Ouro, comemorativa de seu feliz meio século de feliz união conjugal, como era meu desejo, para confraternizar com o amigo, dona Mécia, seus filhos e nossos vários amigos comuns. Entretanto, nada me impede de lhe dirigir algumas palavras, que calo no peito há muito tempo, aguardando o momento propício para deixá-las aflorar.
Você é um típico sertanejo, apesar da pele clara e dos olhos azuis. E como bom sertanejo, é antes e acima de tudo um forte, no dizer euclidiano. Nascido em Francisco Santos, então povoado de Jenipapeiro, estudou, mourejou, você que é um Moura, estirpe de boa fama, e venceu. Criou os filhos com dignidade, sobretudo através da boa palavra e do bom exemplo.
Sob sua liderança, reerguemos, nós, um punhado de escritores, a União Brasileira de Escritores do Piauí – UBE-PI. Você promoveu vários eventos em sua profícua administração e legalizou a entidade, para que ela existisse de fato e de direito.
Diria que o amigo é um poeta do coração e da razão, no perfeito equilíbrio dessas duas vertentes. Sem ser um cerebralista, cultiva a inteligência, a criatividade, o labor, a leitura e a lapidação perfeccionista dos seus escritos, desbastando a sua fatura literária dos lugares comuns, das construções insípidas e da mesmice. Mas sem deixar de lado a emoção e a paixão, e os sentimentos desprovidos de pieguice.
Creio seja você o último remanescente dos polígrafos, a esgrimir a prosa e os versos com invulgar habilidade, e tanto na prosa como no verso produzindo diferentes gêneros da arte de escrever. Em textos eminentemente literários tem cometido belos poemas, urdido admiráveis versos, e enfrentado com galhardia e desembaraço o romance e o conto. Na teoria literária, na crítica e na historiografia, escreveu um notável livro de nossa história literária, elaborou percucientes e instigantes ensaios e crítica literária, em que se percebe a sua avantajada cultura humanística e o seu invejável lastro de conhecimento em literatura.
Considero-o, sem nenhum favor, um de nossos mais honestos intelectuais e críticos, porque não faz concessões espúrias, nem tampouco ignora aqueles que realmente têm merecimento, dando a cada um o seu justo valor, entretanto sem achincalhes desnecessários e desumanos e sem alardes laudatórios.
Sem dúvida é o amigo um legítimo escritor e poeta, por devoção e vocação incontrastável. E alimentou essa vocação e devoção através de longas leituras, perquirições e ruminações reflexivas, mediante uma inteligência poderosa, porém cultivada no constante esforço pessoal, de que sou testemunha.
Regeneração, 8 de dezembro de 2009
Elmar Carvalho
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*Elmar Carvalho, poeta e prosador brilhante,
responde pelo blog http://poetaelmar.blogspot.com
onde esta matéria foi orginalmente publicada, em 27
de janeiro de 2010, que ora é transplantada para este
sítio, com sua anuência.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
DE LAURO A NILDOMAR SILVEIRA
Carta
Salvador, 27 de maço de 2007
Prezado Nildomar, boa noite
Depois que tive o imenso prazer de reencontrá-lo, no Catussaba, e o privilégio de desfrutar da sua apurada fidalguia, nos deliciosos momentos em que nos confraternizamos, passei a remoer sem parar lembranças esfareladas da minha infância que me ligavam à sua amada terra natal, berço também do meu avô paterno, Lauro Pinheiro, que faleceu aos 33 anos
Durante muito tempo ouvi dizer em casa que meu avô tinha sido um piauiense sonhador, que no início do século passado se havia mudado sozinho, e mala e cuia, para o eldorado matogrossense, onde se instalou e constituiu família.
Por volta dos meus 15 anos me contaram também, vagamente, que um conhecido da família havia dito à minha avó ter visto uma poesia psicografada dele, na qual o meu avô se apresentava como “advogado, poeta e jornalista” (com esses apetrechos, pode-se imaginar as agruras em que deixou a pequena família – mulher e três filhos –, ao falecer precocemente
Muito antes disso, porém, em 1939, quando eu tinha 4 anos, meu pai, minha mãe, eu e meu irmão caçula, juntamente com os pais e tios de minha mãe, nos mudamos em peso para o Rio, atraídos pelos ventos auspiciosos que diziam soprar no então Distrito Federal (batedores da família já haviam sido despachados com antecedência para a Capital e confirmado esses presságios).
No Rio – demonstrando que as ligações familiares continuaram existindo, apesar da distância, da precariedade das comunicações, e do exílio longínquo do meu avô –, passamos a freqüentar, de quando em vez, o belo apartamento do “tio” Breno (como meu pai falava), em Laranjeiras.
Duas coisas me encantavam e me chamavam profundamente a atenção na casa desses meus tios: ele, quarentão, que parecia um nobre e bom vivant – rico, fino, educado, culto, bonito, atencioso – e a sua mulher (tia Eloáh), uma paulista de pele clara e cabelos negros que eu achava linda, elegante, meiga e fascinante.
Nessa época, eu não tinha ainda uma noção do grau de parentesco que relacionava o meu pai com o seu “tio” Breno, e muito menos com outro próximo do meu avô, que era tratado pelo meu pai apenas pelo prenome “Celso”, e que parecia não morar no Rio, eis que não me lembro de ter tido a oportunidade de conhecê-lo.
Com o correr do tempo nos afastamos pouco a pouco da família do tio Breno, que era o único elo de ligação que havia entre nós e as origens do meu avô piauiense, e terminou falecendo aos 58 anos, em 1957 – um ano depois que eu havia feito a primeira tentativa (por curiosidade) de deixar o Rio, com os seus encantos e as suas seduções.
Agora, intrigado com essas reminiscências, resolvi pesquisar com o objetivo de melhor esclarecer a minha genealogia piauiense, e tive a satisfação de encontrar no Dicionário Biográfico Virtual de Escritores Piauienses a inscrição dos nomes dos meus tios Celso e Breno Pinheiro, e também do meu avô-xará, todos irmãos e filhos do Tenente-coronel João José Pinheiro e Raimunda Lina Pinheiro”, cobertos de qualificações e referências elogiosas que muito me emocionaram.
Diante disso, resolvi resenhar esses fatos e passá-los às suas mãos, na expectativa de que você compartilhe da minha alegria com essas descobertas, que acabaram por nos aproximar mais ainda.
Lauro
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Carta publicada com autorização do destinatário, Nildomar Silveira, membro da Academia Piauiense de Letras, pois que se trata de documento literário sobre os Pinheiros que ocuparam cadeiras na APL: João, Breno, Celso (pai) e Celso(filho).
