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domingo, 30 de dezembro de 2012

UMA CARTA AO POETA CHICO MIGUEL


Carmen Silvia Presotto*
                 (Autora)


Querido Francisco Miguel Moura, querido Poeta!


Antes que finde o ano, mais uma carta, mais um tempo de estar contigo em poesia. Recebi tua "Antologia" já faz um mês, leio, perpasso cada verso, me adentro a este mundo de saudade e amor que tão bem sabes delinear e reviro-me em humanidade….

Faço de tua busca a minha, mordo metáforas, descasco palavras, invento o dia, chego a ti em palavras e amplio a busca:




Minha Busca

minha busca em palavras
lavra meu ser
– agrava

meu fazer em poema
escreve o meu ser
– problema

minha vida em poesia
vence meu ser
– adia

mordo a metáfora
de cada dia.

E depois sigo por nossas heranças, certa de que os sonhos são nosso tempo mais fértil, engravido de mim mesmo, rodopio entre os cantos que me sopras e o sonho não finda, a esperança se refaz por cada dístico e …

Herança

O sonho e
meu olho insone.

A queda e
meu coração em pânico.

O pássaro e
todo espaço em pane.

O rio e
e as águas em pântano.

O mar e
as ondas em morte.

Batáquios se engolem
na água, na terra.

Nem peixes se mirem
no ôntico espelho.

Nem pássaros cantem,
quebrem-se as asas.

Homens se vomitem
na noite crescida.

O tempo pede escuro.
E eu grávido
de mim mesmo.

E, meu amigo, são muitos os poemas onde me perco, me encontro, volto a tecer o que minha alma sente, pressente para contigo chegar à eternidade…

Eternidade

Dá-me
O preto dos teus olhos
Para minha noite
E a alegria dos teus dentes
Como açoite.

Dá-me
As tuas mãos macias
Para o meu cansaço
E a harmonia dos teus sonhos
Como abraço.

Assim
Possa amanhecer a eternidade.
Assim
Posso amanhecer a eternidade
E ter na idade, eterna idade, eternidade.

Dá-me
O teu riso florido
Para minha alma,
Todo sentimento do teu rosto
Me acalma.

Dá-me
A seda de tua pele
E o meu corpo cobre,
E te sonharei mais linda
E te amarei mais nobre.

E poema por poema, entre páginas amarelas, bem cuidadas, com cheiro de tempo vivo, de tempo poesia, chego a "Um Rio em Chico Miguel", ensaios da Profª Deolinda Maria de Sousa Marques**,  por onde fluo e adentro nas margens que te escrevem e junto a todos me banho, pois meu sentir conflui ao mar que és: Poesia certa desde a infância que ainda leva na pele adulta a liquidez de uma alma que por Amor amanhece, cria, amplia e compartilha.

Um beijo, poeta amado, e por todo teu sentir gracias, e que 2013 siga sendo um tempo de Amor Poesia a ti e todos os teus amigos e familiares, e saibas que estou muito feliz sempre por estar entre eles. 


Porto Alegre, 17 de dezembro de 2012.
__________________
*Carmen Silvia Presotto – site http://www. vidráguas. Professora,  poeta, autora de vários livros, inclusive de crônicas, uma das mulheres mais dinâmicas de Porto Alegre-RS, haja vista o que vem fazendo, também pela internet.
** Observação: Deolinda Maria de Sousa Marques é professora universitária, poeta, ensaísta, membro da Academia de Letras da Região de Picos - PI

quarta-feira, 29 de junho de 2011

JOSÉ RIBAMAR GARCIA, CARTA SOBRE O MEC

Documento: 

Rio, 24, junho, 2011

Amigo Miguel de Moura:
 

Irretocável seu artigo “MEC- POR UMA LÍNGUA PIOR”.  Perfeito. Meus parabéns.


A ignorância e a má-fé apossaram-se do MEC.

Recentemente, tiveram o atrevimento de censurar Monteiro Lobato. Logo Lobato, o gênio a quem o Brasil tanto deve.

Agora, incluíram no Programa Nacional do Livro Didático esse “Por uma Vida Melhor”, que não passa de uma apologia ao analfabetismo. Livro editado pela Editora Global, aliada a uma tal de ONG Ação Educativa, que vendeu ao MEC meio milhão de exemplares. Há algo de podre nessa história. Qual o critério de escolha da obra? Quanto o MEC pagou por esses exemplares? Quem autorizou essa compra?

O Ministro (?) da Educação já se manifestou publicamente, dizendo que quem for contra o livro tem “viés fascista”. Imagina, quanto cinismo, deturpando a semântica da palavra. Fascista é ele, que utiliza dinheiro público para fazer apologia ao analfabetismo. Ele, sim, fascista assumido, que usa a coisa pública como privada (vale a cacofonia). E pior, um arrogante que se julga dono do estado.

Essa venda merece uma investigação séria. Que já devia ter sido tomada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Mas, cadê essas instituições? Espera-se delas, agora, o mesmo empenho que costumam ter quando atuam contra certas minorias.

Sem mais,
meu abraço
 
José Ribamar Garcia*
_________________

* José Ribamar Garcia, advogado e escritor brasileiro, mora no Rio de Janeiro, Capital. Como romancista estreou com o "Em Preto e Branco" , 1995. Recentemente publicou outro excelente romance denominado "Filhos da Mãe Gentil", sendo autor de muitos outros livros de ficção, especialmente de contos, em cujo gênero é mestre.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

E-mail de 9.7.2010 - SR. FRANCISCO MIGUEL DE MOURA

CONTATO DE VISITANTE
Assunto: LI OS \"SONETOS ESCOLHIDOS\" de sua autoria
Nome: Claudio Sousa Pereira
claudiogodi@hotmail.comMensagem:
Olá Senhor Francisco Miguel de Moura, tudo bem?

Sou Claudio Sousa Pereira, estudante de Letras Vernáculas da Universidade Federal da Bahia. Na Biblioteca Central da referida universidade, ao acaso, entrei em contato com a sua poesia.

Trata-se do livro \"Sonetos Escolhidos\" de vossa autoria. Este livro causou em mim uma fecunda impressão. De posse deste, emprestado pela biblioteca, pude lê-lo mais calmamente. Nota-se o domínio do verso, a elegância da dicção e o equilíbrio da imagens, hoje tão caro a poesia da modernidade e que lamentavelmente poucos a procuram distinguir. No que tange ao aspecto formal, há-de se considerar um senhor na arte de escrever, honrando a terra de poetas como Antônio Francisco da Costa e Silva, um dos grandes poetas brasileiros e um dos melhores que já li.

Gostaria de ter escrito este e-mail há mais tempo, mas, em virtude de falta hábil de tempo devido as minhas atividade profissionais e de estudo, não fora possível. Um dia depois das minhas férias de meio-de-ano da faculdade, faço-o com regozijo e esperança na espera de um contato de resposta com o senhor.

Depois da leitura do livro, iniciei, por curiosidade, uma pesquisa sobre os seus trabalhos. Vi que na sua biografia existe uma passagem de vivência na Bahia, a qual fizeram uma pós-graduação aqui na UFBA. Fico feliz de manter contato com o Senhor, uma vez que o conhecimento literário, capacidade de crítica e escrita madura são imprescindíveis para quem busca adquirir mais conhecimentos na área.

Lendo seu blog, vejo que pessoas como o senhor são imprescindíveis para a literatura, e que as gerações mais novas deveriam estimar mais pela experiência e sabedoria. Este é um dos problemas da juventude. Criam suas próprias ideologias e mundos, quase sempre inferiores e medíocres a aquilo que o tesouro humano pôde nos legar em conhecimento. Não sei, isso pode ser inversão de valores ou má transmissão destes conhecimentos, o que acarreta nisso.

Por fim, fica as minhas saudações e o desejo de adquirir os \"Sonetos Escolhidos\", edição bem cuidada das Edições Galo Branco. E outra coisita: escrevo poemas também. Aqui, no Recanto das Letras, com o pseudônimo de Godi.

Abraço do admirador. Claudio

_______________
Cláudio Sousa Pereira é escritor e assina com o pseudônimo Godi.  Esta mensagem foi enviada através do link de contato no Recanto das Letras. Email: claudiogodi@hotmail.com

sábado, 6 de fevereiro de 2010

DIÁRIO INCONTÍNUO

Foto do casal Francisco Miguel de Moura e Mécia, pertencente ao arquivo de F. M. M.

27 de janeiro de 2010

Remexendo em velhos papéis, encontrei o convite que o bardo Francisco Miguel de Moura me havia enviado para as bodas de ouro de seu casamento com dona Mécia. A comemoração estava marcada para o dia 08.12.2009, dia de N. S. da Conceição. Por ser feriado nacional, confirmei-lhe a minha presença, tanto por telefone, como pessoalmente, quando nos encontramos em nossa reunião na Academia. Infelizmente, em virtude da Semana da Conciliação, o Tribunal de Justiça transferiu o feriado para a segunda-feira seguinte, dia 14. De modo que, não podendo comparecer às bodas do casal amigo, que conheço desde o final da década de setenta, resolvi encaminhar-lhe, de minha Comarca, um e-mail, a que dei o título de C@RTA AO POETA CHICO MIGUEL, que para honra minha foi lido na festa. Julgo importante transcrevê-lo como parte integrante deste
Diário, que não é contínuo:

Caro poeta Chico Miguel,

Deveres profissionais me impedem de participar de sua festa de Bodas de Ouro, comemorativa de seu feliz meio século de feliz união conjugal, como era meu desejo, para confraternizar com o amigo, dona Mécia, seus filhos e nossos vários amigos comuns. Entretanto, nada me impede de lhe dirigir algumas palavras, que calo no peito há muito tempo, aguardando o momento propício para deixá-las aflorar.

Você é um típico sertanejo, apesar da pele clara e dos olhos azuis. E como bom sertanejo, é antes e acima de tudo um forte, no dizer euclidiano. Nascido em Francisco Santos, então povoado de Jenipapeiro, estudou, mourejou, você que é um Moura, estirpe de boa fama, e venceu. Criou os filhos com dignidade, sobretudo através da boa palavra e do bom exemplo.

Sob sua liderança, reerguemos, nós, um punhado de escritores, a União Brasileira de Escritores do Piauí – UBE-PI. Você promoveu vários eventos em sua profícua administração e legalizou a entidade, para que ela existisse de fato e de direito.

Diria que o amigo é um poeta do coração e da razão, no perfeito equilíbrio dessas duas vertentes. Sem ser um cerebralista, cultiva a inteligência, a criatividade, o labor, a leitura e a lapidação perfeccionista dos seus escritos, desbastando a sua fatura literária dos lugares comuns, das construções insípidas e da mesmice. Mas sem deixar de lado a emoção e a paixão, e os sentimentos desprovidos de pieguice.

Creio seja você o último remanescente dos polígrafos, a esgrimir a prosa e os versos com invulgar habilidade, e tanto na prosa como no verso produzindo diferentes gêneros da arte de escrever. Em textos eminentemente literários tem cometido belos poemas, urdido admiráveis versos, e enfrentado com galhardia e desembaraço o romance e o conto. Na teoria literária, na crítica e na historiografia, escreveu um notável livro de nossa história literária, elaborou percucientes e instigantes ensaios e crítica literária, em que se percebe a sua avantajada cultura humanística e o seu invejável lastro de conhecimento em literatura.

Considero-o, sem nenhum favor, um de nossos mais honestos intelectuais e críticos, porque não faz concessões espúrias, nem tampouco ignora aqueles que realmente têm merecimento, dando a cada um o seu justo valor, entretanto sem achincalhes desnecessários e desumanos e sem alardes laudatórios.

Sem dúvida é o amigo um legítimo escritor e poeta, por devoção e vocação incontrastável. E alimentou essa vocação e devoção através de longas leituras, perquirições e ruminações reflexivas, mediante uma inteligência poderosa, porém cultivada no constante esforço pessoal, de que sou testemunha.

Regeneração, 8 de dezembro de 2009
Elmar Carvalho
_______
*Elmar Carvalho, poeta e prosador brilhante,
responde pelo blog http://poetaelmar.blogspot.com
onde esta matéria foi orginalmente publicada, em 27
de janeiro de 2010, que ora é transplantada para este
sítio, com sua anuência.


quinta-feira, 21 de agosto de 2008

DE LAURO A NILDOMAR SILVEIRA

Carta

Salvador, 27 de maço de 2007

Prezado Nildomar, boa noite

Depois que tive o imenso prazer de reencontrá-lo, no Catussaba, e o privilégio de desfrutar da sua apurada fidalguia, nos deliciosos momentos em que nos confraternizamos, passei a remoer sem parar lembranças esfareladas da minha infância que me ligavam à sua amada terra natal, berço também do meu avô paterno, Lauro Pinheiro, que faleceu aos 33 anos em Porto Murtinho (MT), deixando meu pai com apenas 7 anos.

Durante muito tempo ouvi dizer em casa que meu avô tinha sido um piauiense sonhador, que no início do século passado se havia mudado sozinho, e mala e cuia, para o eldorado matogrossense, onde se instalou e constituiu família.

Por volta dos meus 15 anos me contaram também, vagamente, que um conhecido da família havia dito à minha avó ter visto uma poesia psicografada dele, na qual o meu avô se apresentava como “advogado, poeta e jornalista” (com esses apetrechos, pode-se imaginar as agruras em que deixou a pequena família – mulher e três filhos –, ao falecer precocemente em Mato Grosso, no ano de 1919).

Muito antes disso, porém, em 1939, quando eu tinha 4 anos, meu pai, minha mãe, eu e meu irmão caçula, juntamente com os pais e tios de minha mãe, nos mudamos em peso para o Rio, atraídos pelos ventos auspiciosos que diziam soprar no então Distrito Federal (batedores da família já haviam sido despachados com antecedência para a Capital e confirmado esses presságios).

No Rio – demonstrando que as ligações familiares continuaram existindo, apesar da distância, da precariedade das comunicações, e do exílio longínquo do meu avô –, passamos a freqüentar, de quando em vez, o belo apartamento do “tio” Breno (como meu pai falava), em Laranjeiras.

Duas coisas me encantavam e me chamavam profundamente a atenção na casa desses meus tios: ele, quarentão, que parecia um nobre e bom vivant – rico, fino, educado, culto, bonito, atencioso – e a sua mulher (tia Eloáh), uma paulista de pele clara e cabelos negros que eu achava linda, elegante, meiga e fascinante.

Nessa época, eu não tinha ainda uma noção do grau de parentesco que relacionava o meu pai com o seu “tio” Breno, e muito menos com outro próximo do meu avô, que era tratado pelo meu pai apenas pelo prenome “Celso”, e que parecia não morar no Rio, eis que não me lembro de ter tido a oportunidade de conhecê-lo.

Com o correr do tempo nos afastamos pouco a pouco da família do tio Breno, que era o único elo de ligação que havia entre nós e as origens do meu avô piauiense, e terminou falecendo aos 58 anos, em 1957 – um ano depois que eu havia feito a primeira tentativa (por curiosidade) de deixar o Rio, com os seus encantos e as suas seduções.

Agora, intrigado com essas reminiscências, resolvi pesquisar com o objetivo de melhor esclarecer a minha genealogia piauiense, e tive a satisfação de encontrar no Dicionário Biográfico Virtual de Escritores Piauienses a inscrição dos nomes dos meus tios Celso e Breno Pinheiro, e também do meu avô-xará, todos irmãos e filhos do Tenente-coronel João José Pinheiro e Raimunda Lina Pinheiro”, cobertos de qualificações e referências elogiosas que muito me emocionaram.

Diante disso, resolvi resenhar esses fatos e passá-los às suas mãos, na expectativa de que você compartilhe da minha alegria com essas descobertas, que acabaram por nos aproximar mais ainda. Abraços fraternos do seu amigo de sempre,
Lauro

____________________
Carta publicada com autorização do destinatário, Nildomar Silveira, membro da Academia Piauiense de Letras, pois que se trata de documento literário sobre os Pinheiros que ocuparam cadeiras na APL: João, Breno, Celso (pai) e Celso(filho).

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