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sábado, 17 de setembro de 2011

FALANDO FRANCAMENTE

LANÇAMENTO DE "O MENINO quase PERDIDO

Francisco Miguel de Moura*

Numa ocasião como esta, a tentação é falar de si próprio. Mas seria impertinente falar sobre mim, quando minha apresentadora, Profª Teresinha Queiroz, já disse tudo e de forma muito clara e generosa. Resta-me, portanto, agradecer, e falar sobre a criatura – minha obra – e não sobre o criador.  Lembro sempre do que disse Confúcio: – “Não se deve a todo momento ficar falando de si, por dois motivos: é que, se falamos de bem, ninguém vai acreditar, e se falamos de mal, todos acreditarão”.
Entrando no assunto que quero desenvolver, de imediato me vem à lembrança um certo dia dos anos 1980, morando em Salvador, quando entrei numa livraria e comecei a olhar os livros, atividade para mim muito prazerosa, mesmo que nada possa ler além do título, autor e orelhas, e mesmo que nada possa comprar daquela vez. E, por uma simples coincidência, li na lombada de uma pequena brochura, o seguinte título O Menino Perdido, de autor americano, já falecido há muito tempo.  Comprei o compêndio, li todos os contos e gostei, mas, por algum mecanismo obscuro da mente, não guardei nem o livro nem o nome do autor. Foi o meu espanto. Senti-me roubado, pois já me fixara naquele título para escrever algo que fosse memória da minha meninice.
Lembro-me também de outro dia, já no começo dos anos 1990, em Luís Correia, depois de um banho na praia de Amarração. Sentindo já o começo de uma intransigente crise de depressão, comecei a reler pedaços de contos, crônicas, capítulos. Saudade e angústia. Vontade de fazer algo distinto do que já tinha lido sobre a infância. Era isto que sentia. E começava a refazer alguns bosquejos miúdos, num caderninho escolar, e a partir dali ressurgia o nome de O Menino Perdido como título não definitivo.  Começada a escrita, vieram as indecisões. Não encontrara um novo título e isto me contrariava. Era impossível abrigar minha matéria sob esse título e depois publicá-la. Eu já havia escrito uma crônica com o título de Um Menino Perdido, que logo desejaria publicada num livro de crônicas, o que de fato aconteceu em 1996.
Muitos questionamentos foram feitos mentalmente e permaneceram em ebulição na minha cabeça. Era muita a matéria a escrever, e não queria um livro grande, no fundo eu desejava um grande livro. Também nem pensar em fazer coisa parecida com O. G. Rego de Carvalho, em Ulisses entre o Amor e Morte.  Não tinha como. Eu sou realmente discípulo de O. G. Rego de Carvalho e muito me orgulho disto. Ele é um dos maiores amigos que fiz na minha vida, em Teresina, só não maior do que o Hardi Filho, poeta dos melhores do Piauí, pessoa com quem primeiro me encontrei em Teresina e, juntamente com Herculano Moraes, fundamos o movimento literário O CLIP – Círculo Literário Piauiense. Com O. G. Rego de Carvalho foi diferente: antes de encontrar-me com ele, como colega do Banco do Brasil, já havia lido Ulisses entre o Amor e a Morte. Foi outro espanto na minha vida. Espanto que se repetiu em Somos Todos Inocentes e em Rio Subterrâneo. Que obras incomparáveis!
Mas quantos escritores, que vieram antes dele e de mim, escreveram a infância (ou sobre a infância)?  Lembro-me de alguns: José Lins do Rego, com seu O Menino de Engenho; Graciliano Ramos com o seu livro Infância; Joaquim Nabuco, com o espetacular Minha Formação. Os clássicos russos Dostoiévski e Leon Tolstói fizeram livros sobre sua infância e adolescência, excelentes obras cujos nomes não me vêm à memória. Os clássicos modernos mais à vista seriam O Pequeno Príncipe, de Antoine de Exupéry, e O Menino do Dedo Verde, de Maurice Druon.  A enumeração seria enorme e tomaria muito tempo. Não falemos das historinhas da vida comum e das fábulas antigas renovadas que tanto têm sido escritas e publicadas como meio de ganha-pão de escritores desempregados e de editores sem imaginação senão a do vil metal. Claro que o genial Monteiro Lobato não entraria nessa última classificação, antes merece ser o primeiro da boa lista, com Memórias de Emília e Caçadas de Pedrinho, para referir apenas duas da sua numerosa produção.
Não, eu jamais escreveria uma história ou um conto com o fim único de ganhar dinheiro. Ganhar dinheiro é bom, mas vender a consciência é horrível.
Passei mais de 20 anos a elaborar O Menino quase Perdido. Finalmente, sem matar completamente o nome primitivo, encontrara o novo título: com uma palavrinha apenas ganhei originalidade. Daí então passaram a ser pensadas, com mais gosto, as formas de escrever e a escolha do conteúdo de cada uma das suas partes. Ele, O Menino... não é um conto grande, não é somente feito de contos encadeados, não é de crônicas, não é um romance. E é tudo isto. Ou quase tudo. A matéria eu já possuía até demais, não que minha infância tenha sido tão rica, mas foram minha infância, minha família, minha terra, minha vida que me inspiraram para escrever esta obra. Original na forma, dentro do poder de minha inventiva. Escolhendo como escrever e o que escrever. E o que publicar e o que deixar de publicar. Muitas páginas foram rasgadas. O livro é não somente real como pode ser ficção, imaginação de homem adulto sobre o que e como sentia o menino, naquele tempo. Um transporte enorme no tempo, no espaço e nas emoções. Assim se casaram o distanciamento e a intimidade. Quase todos os personagens são parentes: pai, mãe, avós, tios, irmãs, primos, amigos, amigas e namoradas – algumas inventadas.
Mas é preciso que diga: - este livro é da minha mãe, principalmente. Quem não gosta de mãe certamente não vai gostar dele. Assim como para Saramago a pessoa mais sábia que ele conheceu, quando menino, foi o avô, para mim, foi minha mãe, até os 8 anos. Fui educado para emoções duradouras e positivas. Daí por diante, juntar-se-ia  a influência de meu pai.
Com relação a sua composição, repito: - Foi todo escrito e reescrito muitas vezes. Não digo que esteja perfeito. Não há perfeição, na espécie humana nem sei se em outras. A perfeição é apenas um ideal a perseguir. E é isto que os bons escritores fazem, por si, para si e pela humanidade.
Creio que estou sendo capaz de dizer pouco sobre a matéria de O Menino quase Perdido, mas o suficiente para saber-se que não se trata de biografia, muito menos de minha biografia. Minha biografia são meus livros, não sou cientista nem personagem da mídia, não sou político para quem tudo o que faz precisa ser dito e mostrado, e mentido e enganado. Sou um homem simples e ao mesmo tempo vaidoso do que faço, do que penso e do que recuso. Se em O Menino quase Perdido isto for achado, então o escritor, o personagem onisciente não pôde ser totalmente isento de imprimir sua marca. Eis minha luta pela originalidade e pela diferença em minha escrita, assim como sou diferente em pessoa, sabendo como o filósofo Schopenhauer, que “o estilo é a fisionomia do espírito” e não da cara.
Para confirmar minhas palavras, é pertinente que cite, mais uma vez Arthur Schopenhauer (1788 – 1860), filósofo d “os anos selvagens da filosofia” e autor de “O Mundo como Vontade e Representação”. Escreveu ele: 1º) “Um livro nunca pode ser mais do que a impressão dos pensamentos do autor”; 2º) “Para estabelecer uma avaliação provisória sobre o valor da produção intelectual de um escritor não é necessário saber exatamente sobre o que ou o que ele pensou, pois para tanto seria necessária a leitura de todas as suas obras. A princípio basta saber como ele pensou”.
Pensei “O Menino quase Perdido” como uma obra original sobre a infância, no estilo e na construção, quando qualquer menino é rei, ficando distante o autor onisciente, muito distante do que sentia e sente “o menino”, no íntimo - ambos realmente tornados personagens. 
Auguro, pois, que O Menino... seja lido como verdade mista, real e ficcional, coleção de contos, de crônicas, ou mesmo romance, para os leitores mais liberais.  Editorialmente é um memorial, assim ficou classificado e registrado. E que cada leitor encontre seu menino de forma diferente, da forma que o próprio leitor foi em criança. Se assim acontecer estarei pago.
Finalizando, repito com o vulgo que “de bons propósitos, o inferno está cheio”. Sim, porque me traí e traí a todos, dizendo, no início, que não iria falar de mim mesmo, porém da obra. Acontece que a obra é o homem. Eu sou a minha obra, jamais um se desligará do outro. Se isto acontecer, ambos são falsos ou hipócritas e é isto que eu não quis nem quero ser.
________________
 * Depoimento lido pelo autor,  no lançamento de O Menino quase Perdido, na APL, em 17-9-2011


quarta-feira, 27 de outubro de 2010

RUTH ROCHA - ESCRITORA

DEPOIMENTO
   Aos brasileiros e, mais especialmente,
   ao Lula e à Dilma

Meu nome foi incluído no manifesto de intelectuais em seu apoio. Eu não a apóio. Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo! Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma. Os mais distraídos dirão que, na correria de uma campanha… “acontece“. Acontece mas não pode acontecer. Na verdade esse tipo de descuido revela duas coisas: falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT. Um grupo dominante dentro do partido que quer vencer a qualquer custo e por qualquer meio.

Acho que todos sabem do que estou falando.

O PT surgiu com o bom sonho de dar voz aos trabalhadores mas embriagou-se com os vapores do poder. O partido dos princípios tornou-se o partido do pragmatismo total. Essa transformação teve um “abrakadabra” na miserável história do mensalão . Na época o máximo que saiu dos lábios desmoralizados de suas lideranças foi um débil “os outros também fazem…”. De lá pra cá foi um Deus nos acuda!

Pena. O PT ainda não entendeu o seu papel na redemocratização brasileira. Desde a retomada da democracia no meio da década de 80 o Brasil vem melhorando; mesmo governos contestados como os de Sarney e Collor (estes, sim, apóiam a sua candidatura) trouxeram contribuições para a reconstrução nacional após o desastre da ditadura.

Com o Plano Cruzado, Sarney tentou desatar o nó de uma inflação que parecia não ter fim. Não deu certo mas os erros do Plano Cruzado ensinaram os planos posteriores cujos erros ensinaram os formuladores do Plano Real.

É incrível mas até Collor ajudou. A abertura da economia brasileira, mesmo que atabalhoada, colocou na sala de visitas uma questão geralmente (mal) tratada na cozinha.

O enigmático Itamar, vice de Collor, escreveu seu nome na história econômica ao presidir o início do Plano Real. Foi sucedido por FHC, o presidente que preparou o país para a vida democrática. FHC errou aqui e ali. Mas acertou de monte. Implantou o Real, desmontou os escombros dos bancos estaduais falidos, criou formas de controle social como a lei de responsabilidade fiscal, socializou a oferta de escola para as crianças. Queira o presidente Lula ou não, foi com FHC que o mundo começou a perceber uma transformação no Brasil.

E veio Lula. Seu maior acerto contrariou a descrença da academia aos planos populistas. Lula transformou os planos distributivistas do governo FHC no retumbante Bolsa Família. Os resultados foram evidentes. Apesar de seu populismo descarado, o fato é que uma camada enorme da população foi trazida a um patamar mínimo de vida.

Não me cabem considerações próprias a estudiosos em geral, jornalistas, economistas ou cientistas políticos. Meu discurso é outro: é a democracia que permite a transformação do país. A dinâmica democrática favorece a mudança das prioridades. Todos os indicadores sociais melhoraram com a democracia. Não foi o Lula quem fez. Votando, denunciando e cobrando foi a sociedade brasileira, usando as ferramentas da democracia, quem está empurrando o país para a frente. O PT tem a ver com isso. O PSDB também tem assim como todos os cidadãos brasileiros. Mas não foi o PT quem fez, nem Lula, muito menos a Dilma. Foi a democracia. Foram os presidentes desta fase da vida brasileira. Cada um com seus méritos e deméritos. 

Hoje eu penso como deva ser tratada a nossa democracia. Pensei em três pontos principais.
1) desprezo ao culto à personalidade;
2) promoção da rotação do poder; nossos partidos tendem ao fisiologismo. O PT então…
3) escolher quem entenda ser a educação a maior prioridade nacional.

Por falar em educação... Por favor, risque meu nome de seu caderno. Meu voto não vai para Dilma.

SP, 25/10/2010  Ruth Rocha, escritora
 http://voudeserra45.wordpress.com
Nota: 
Extraído da internete: http://voudeserra45.wordpress.com 

domingo, 24 de outubro de 2010

FRANCISCO MIGUEL - UM SONHO JÁ VISTO

DEPOIMENTO  POLÍTICO         





"Somente duas coisas são infinitas: o universo
e a estupidez humana. E não estou seguro quanto
à primeira".


                                               Albert Einstein



Francisco Miguel de Moura* 

             Há uma expressão francesa que significa “aquilo que a gente já viu”: é o “déjà vu”, aqui ou alhures. E há um versículo da Bíblia, onde Deus diz ao homem: “Comerás o pão com o suor do teu rosto”. Significa que estamos condenados a trabalhar e produzir para que possamos viver honestamente. Mas o homem sonha não fazer nada. Teoriza e não custa nada teorizar. Custa, sim, é quando os sonhos e teorias são irrealizáveis. Por exemplo, a reeditar o Paraíso Perdido, de que fala o livro sagrado, já mencionado. Os homens não são iguais, os dois primeiros já foram feitos diferentes: homem e mulher.  Aí começam as discussões, os desentendimentos, as guerras. Assim foi feita a Revolução Comunista de 1917, num país, a Rússia, segundo a qual os trabalhadores deveriam mandar. Mandar a quem e em que, se tudo foi desapropriado pelo estado, trabalhadores e bens de produção? Ditadura do Proletariado. E daí, e assim, os soviéticos tentaram exportá-la. Mas não durou um século: caiu de podre e de pobre.

           O sonho dos partidos trabalhistas, dos trabalhadores ou do proletariado, assim o de Lula, é alcançar o poder, transformar todos em funcionários do Estado e o país numa ditadura, sonho já visto do outro lado do mundo e que não deu certo. Não precisa ser comunista ou socialista para saber e trabalhar para que haja justiça social. E não haverá jamais justiça social sem democracia real. Não se trata de igualdade social, porque nem a natureza nem Deus colaboram nesse projeto. A revolução socialista foi sangrenta, mas seus bons efeitos já foram incorporados às democracias modernas. Li toda a doutrina. Muitos brasileiros idealistas ainda sonham com o passado da União Soviética, com a revolução cubana, com outros socialismos. Mas o único país do mundo a adotar o comunismo, hoje, é a Coréia do Norte. E vive isolado por isto e a maioria da população passando fome para que o governo ditatorial faça armas nucleares para enfrentar os Estados Unidos e a outra Coreia, sua irmã, antes um só país. A China já não é um país comunista na prática, somente o é na teoria. O governo é ditatorial, de partido único, comandando a política e não é permitindo a existência de outros. Nem mesmo um cientista e humanista agora agraciado com o Nobel da Paz pode saber sequer da notícia, vive preso, e sua mulher também foi aprisionada para que não passe a ele a notícia. Significa que a China não tem oficialmente oposição nem imprensa livre, nem internet livre. Ou seja, os chineses abandonaram a prática socialista nas relações exteriores, mas ficaram com a teoria e o partido. Economia: livre. Estado: Ditadura.

         No mundo inteiro, o comunismo, o socialismo é um sonho já visto. Mas, na América do Sul, algumas cabeças ainda acham que é possível – o Lula, o Chavez, etc. E não conseguem. E como não conseguem, porque ninguém consegue o impossível – principalmente tratando-se de sociedade, política, economia, direitos humanos – tentam conservar-se no poder tanto quanto tempo for possível, criando as ditaduras populistas, ou melhor, reeditando-as (elas já existiram, e de vez em quando rebentam). Navegando no imponderável (os humoristas dizem “na maionse”), com discursos ilusionistas, foi que o governo de 8 anos de Lula inchou a máquina do Estado com funcionários que não fazem nada ou são de uma lentidão infinita, todos contribuindo para o partido, para perpetuá-lo no poder. Decorrem daí as negociatas, a corrupção de todos os tipos, a fábrica da informação e das estatísticas para o seu interesse, inclusive a desídia em combater o mal da droga e da violência, sob a capa de defender os direitos humanos sem exigir o cumprimento dos deveres humanos por parte daqueles que mais os exigem direitos até juridicamente – criminosos, assassinos, estelionatários, drogueiros e drogados etc.

            Que socialismo é este que tem por base a expansão da bolsa família e outras do tipo, expediente criado como emergência, para não deixar que os miseráveis morram de fome, enquanto buscam um trabalho? Criou-se no Brasil uma população inteira de famílias de desocupados, acrescida dos que deixam seu trabalho, logo que tomam conhecimento do paternalismo estatal. Chamam isto de distribuição de renda. Distribuição de renda com distribuição de esmolas. Que dignidade terão esses pais de famílias e seus filhos? Que cidadania é essa? 

             Não vamos tão bem como apregoa o governo. Se fôssemos teríamos boas escolas públicas (pelo menos o curso fundamental), para todos. Se fôssemos bem, o estado brasileiro não precisava estar criando leis de exceção para que a gente de cor de nossa terra entre na Universidade sem aprovação no vestibular, isto é, sem competência, sem o estudo necessário. A política do PT está implantando um racismo que não existia, com suas medidas de exceção e o fracasso em desenvolver a educação. Sem educação, o Brasil não irá para frente. Portanto, o sonho da candidata do “senhor” Lula é um sonho já visto. O Brasil não vai tornar-se um país mais socialista, nem petista, nem do Lula, nem da Dilma. A democracia deu certo no mundo inteiro e dará aqui também. Sem boa e completa educação, mais hoje, mais amanhã o buraco aparece, cai a máscara. Capitalismos x socialismo é uma questão morta e sepultada.

               Gostamos da liberdade, respeitamos a opinião alheia, a imprensa, a democracia, as legítimas autoridades enquanto mostram dignidade e lisura no comportamento. Quanto a isto, infelizmente, no momento há muito a desejar. Por isto é que acredito seriamente que votar em José Serra, neste segundo turno de 2010, é o rumo correto para o nosso país. O sonho da Dilma é um sonho já visto, que não deu certo. Ao contrário, nós temos uma realidade, o Brasil: um país continental, uma língua, várias tradições, e tudo isto devemos conservar para não perdemos nossa identidade. Isto não é um sonho, é o real, é a realidade que já construímos. Não foi ninguém, fomos nós, a nação brasileira.

_______________________
*Escritor brasileiro, publicou cerca de 30 livros de diversos assuntos, ganhou prêmios em vários gêneros, por todo o Brasil, Licenciado em Letras (Língua e Literaturas Brasileira e Portuguesa), mestrado em Crítica de Arte, membro de diversas Academias de Letras do Brasil, da União Brasileira de Escritores e da Associação Internacional de Escritores e Artista - Estados Unidos

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SER ESCRITOR

ESCRITOR:
UM DIA DEPOIS DO DIA          


Francisco Miguel de Moura*
  
                                
    Que é ser escritor? Eis uma questão que gostaria de discutir em termos elevados, na sua parte intelectual, ética, espiritual, e não apenas no que se atém à matéria.

 Entretanto, como começo de conversa, diga-se que escritor não é profissão oficializada. Ninguém pode aposentar-se como escritor nem declarar a profissão na ficha do hotel, mesmo que viva com os rendimentos, o trabalho de escritor. Uma realidade não reconhecida. O escritor existe. E como existe!

    Pior é que, num mundo “globalizado” como o nosso, em que profissões até bem pouco reconhecidas estão deixando de existir, e é possível que a profissão de escritor jamais venha a ser oficializada.

terça-feira, 23 de junho de 2009

DEPOIMENTO NECESSÁRIO - BODAS DE OURO

Maria Mécia Morais Araújo Moura

Nasceu em Picos, Estado do
Piauí, é do signo de Áries. Estudou no Instituto Mons. Hipólito (Colégio das Feiras) da mesma cidade, onde aprendeu a ler, escrever, contar, e também bordado e costura, vindo depois a fundar sua própria escola de corte, costura e bordados. Casou-se com Francisco Miguel de Moura, rapaz que ela conheceu numa noite de São João, onde começou o namoro. Tinha apenas 16 anos. O casamento se deu no dia 8 de dezembro de 1959, dia de grande festa em Picos porque seu pai, Laudemiro Morais Feitosa (seu Miro), fez questão de receber todos os seus amigos por ocasião daquele acontecimento. Quem fez o casamento foi o irmão da noiva, João Morais, que na época era padre. A cerimônia aconteceu na própria casa do pai da noiva.

Do casamento com Francisco Miguel de Moura teve 6 filhos, cinco homens: – o segundo faleceu com 6 meses de idade, na cidade Itambé, na Bahia, e os demais estão todos vivos. Depois Deus lhe deu a menina que o casal tanto queria, que hoje tem 15 anos e se chama Mécia, uma homenagem que o pai quis fazer à mãe quando foi registrá-la no Cartório.
“Dediquei-me sempre à família, deixando os estudos de lado. Houve uma época em que tentei voltar a estudar, mas desisti com a perda do 2º filho, Fulton, falecido ainda na primeira infância, como foi dito. Vindo da Bahia para Teresina, onde a família fixou residência e era perto de um Colégio, novamente tentei voltar ao estudo, por insistência de Franklin, meu filho mais velho, amoroso e preocupado, que chegou até a fazer greve de fome – uma semana sem se alimentar direito, até que me convenceu, e assim terminei o 2º grau. Mas, não quis continuar. A vida tem sido boa para nós, eu diria que realizei mais de 90%: - formei meus filhos, que estão casados e bem casados, e tenho 10 netos. Só falta, para cumprir a minha missão aqui, terminar a educação de Mecinha, que Deus me mandou por um anjo de asas de ouro. E creio que conseguirei. E ser esposa do escritor Francisco Miguel de Moura muito me orgulha.”

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