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quarta-feira, 14 de agosto de 2024

 


POESIA, O QUE É?

 

         Francisco Miguel de Moura*

 

Não pergunte ao poeta, ele não sabe,

pois vive atormentado a procurá-la:

A melhor forma, a imagem que lhe fala,

e a natureza antes que o mundo acabe.

 

É flor, é inseto, é elefante, é ave...

É criança que brinca e chora e cala,

é a voz no silêncio de uma sala.

Incerta é a poesia e não tem chave.

 

Poesia! Consola os que não falam

na saudade de amores que resvalam,

buscando a triste paz numa canção. 

 

Poesia é o saber! Luz na velhice!

É a generosidade e a meiguice

do jovem que cultiva o coração.

 

___________

*Francisco Miguel de Moura, há outras

versões, mas esta e a final.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

RÁPIDA DICÇÃO - Poesia


Francisco Miguel de Moura*


A poesia é mel,
a poesia é fel!

A poesia tem gosto do inferno,
enquanto não subir ao céu
nas asas de uma abelha.

_____________
*Francisco Miguel de Moura, poeta, poema escrito no dia 1º de maio de 2016.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

RONDÓ MODERNIZADO

EM MEMÓRIA DE AYRTON SENNA




Francisco Miguel de Moura*






Ayton Sena corria
E a gente nem percebia
Que ele era o ás do volante,
Dono da fórmula um.

                                     A gente nem percebia!...

Correr é coisa comum,
Mesmo à gente caminhante.
Mas um dia – aquele dia
Da sua morte – que pena!
Ficou tão perto da gente,
Pois corria velozmente,
Com tanta diplomacia
Que voar nos parecia,
Na pista, entre tantos mais.

Quanto mais Senna corria,
Mais emoção desandava,
Mais todos queriam mais...

Se a vida quer movimento,
Ele mais que nós vivia.
Ele viveu pra correr
E viveu para morrer,
Ficar imortalizado
E ficar do nosso lado
Quando saía de cena.

                                 E a gente nem percebia!...

______________
*Francisco Miguel de Moura, escritor em verso e prosa, nascido no Brasil, na Província do Piauí, mora na Capital, Teresina, denominada justamente de "Cidade Verde", pelo ilustre escritor Coelho Neto.
 






segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA - QUADRA ANATÔMICA


Sobre linda, minha tia
era mesmo uma tiazinha!
Duas amêndoas nos olhos,
os seios – amendoazinhas.

Idade? Dez a catorze,
não me lembro e nem precisa,
a mesma do seu sobrinho.
Só recordo que ela tinha
um rosto branco e vermelho
e uma curta blusinha.

Brincávamos no arvoredo,
vezes descendo e subindo,
ela na frente, eu atrás,
estava sempre sorrindo.
Boa tia, infância minha!

Mas um dia ela morreu,
não devia ter morrido.
Antes velha encarquilhada
que este peso em meu sentido.

Infância e tia!– Perdidos
que eu só devia enterrar
na marca do seu umbigo,
na ternura dos seus seios...
- Nas pregas do seu vestido.

Do tempo não me esquecer!
Assim fiz minha cantiga
cantada na moda antiga
pra meu sonho não morrer.

_____________
Nota: Este poema está em meu mais novo livro, “50 poemas escolhidos pelo autor”, que tem pós-fácio da inolvidável poeta e ensaísta Olga Savary – Rio. Leia-se um dos trechos de sua apreciação:
- “Escritura de verdadeiro poeta, dos melhores da nossa literatura brasileira. Um mestre. Ele solidifica que o poeta e filósofo andam mesmo amalgamados, uma vez que a sua é uma poesia que pensa e emociona”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ROUPA DE DOMINGO: FRANCISCO MIGUEL DE MOURA


  AS MIL ESSÊNCIAS DO AMOR
 (Especial para o blogue de Gisa)   
                
 Francisco Miguel de Moura*

Quantas essências há pra se aspirar
Depois da noite. Sinta sutilmente,
Pela glória e a graça de ser gente,
As belezas que o vento traz do mar.

Ponha o nariz adiante da janela,
Sinta a menina a rua atravessando,
Sinta mais, sinta a vida começando
Cheia de flores pelos passos dela.

São as aves cantando em cada vão,
São as flores cheirosas, são as palmas,
Fortalecendo as fibras onde estão

A saltarem pra vida como estrelas.
Veja as essências todas, tagarelas,
Como a enfeitarem nossas próprias almas.
_______
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro de nascimento, porém poeta de um mundo, sem carimbo, sem escolas, somente com a palavra que sai borbotando do seu peito.


 Esse é o Chico, o meu Chico!
Um amigo como poucos!
Poeta de muitas prosas e deliciosos versos.
Uma pessoa pela qual tenho um imenso carinho e admiração.

Dono de três blogs maravilhosos:

domingo, 14 de julho de 2013

UM DIA QUALQUER

Francisco Miguel de Moura*



Até a minha dor é branca
e me nega.

Preciso de um susto longo,
Para me levantar da cama.

Quero palavras de fogo,
Ouvir se alguém ainda me ch(ama).

Preguiça não é. É provação!
Sempre acordei às quatro da manhã.

E hoje estou besta, entre cobertores
Brancos, ontem tão escuros...
       Onde as outras cores?

O calendário é branco, o céu, a lua,
Até o sol me parece que flutua
               Como neve.

Preciso de um elo que não seja branco.
             E que venha breve.

___________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, faz poesia como quem faz samba, a questão é ter um mote, uma palavra ou apenas um sinal.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

POEMA, AOS OITENTA

Francisco Miguel de Moura*
     Aos primeiros 80 anos



 Comecei meus poemas pelo amor,
Amor à mãe, ao pai, tão bons e crentes,
Amei os meus irmãos e meus parentes,
Que a arte para mim rimava em flor.

Namoradas, no tempo, eu alcancei,
Que motivaram poemas a mancheias,
Umas novas e belas, outras feias...
Príncipe fui, pensando ser um rei.

Sorridente e cativo da palavra,
Da verdade que flui e então se lavra,
Resisti bem aos sonhos em reverso,

Pois carreguei com força o meu passado,
Fiz glosas sobre o bem e o mal-amado,
E me encantei nas curvas do universo.

                                     Teresina, PI, 15/06/2013
_________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina, PI, Brasil. Nos temas e na forma, canta o amor, a dor, as paixões, os sonhos e as luzes do Universo.

sábado, 11 de maio de 2013

SEMPRE MÃE -1ª VERSÃO


     Francisco Miguel de Moura*
                  Para Mª  Mécia

A mãe é mãe no tempo e no espaço
da casa, da família, do amor.

Na vida e na morte
há sempre a mãe que consola,
baixa olhar,
sobem até Deus  as bençãos, o pedido 
de joelhos.
Amém!
  
O coração fala contrito, não pensa... Às vezes, um grito
que nunca complica.
A vida é mãe e a mãe, vida.
Todamente.

Tu és e serás a mãe querida,
tens o coração  feito de "manteiga e pudim”,
como na canção de Luiz Gonzaga.
 
Mãe - terra que cria e recria
igualmente.
desde o ninho do Amor até a luz que nasce:
Infinita.
__________________
*Francisco Miguel de Moura, diante de Drummond, reconheço, sou um poeta menor, muito menor mesmo.

quarta-feira, 27 de março de 2013

DENTRO DE MIM

chico miguel, nos anos 1950
Francisco Miguel de Moura*


Duas forças me fazem torvelinho:
A máscula firmeza do homem franco,
E uma espécie de força quase em branco,
Quando a mulher se põe no meu caminho.

Sei que sinto mais força e alegria,
Junto à mulher que está longe da pista
E se acerta um olhar para conquista,
Não avança, nem esconde ou desafia.

Porém,  dentro de mim, a ansiedade
Me agarra e se prolonga... Eternidade
Trazendo mil soluços tão profundos

Que nem chorar consigo... E, inconsciente,
Então pergunto a Deus se estou doente,
Ou se alço voos para estranhos mundos.

__________________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta universal: poeta não tem endereço, viaja no sonho a vida inteira e seu repouso é o mundo da poesia.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

AMOR É VIDA

SONETO DE AMOR 
Á à moda de Camões
 
                                   Francisco Miguel de Moura*

Quem disse que o amor não manda, tente
Ficar assim, na vida, absoluto!
Amor manda no triste e no contente,
O amor e a vida não suportam luto.

Amor é flor, depois se torna em fruto,
Um fruto que ao cair deixa semente,
Semente onde o amor é mais enxuto,
Dela nascendo o amor mais inocente.

E sei que amor maltrata, mas não mata,
Dentro de si milagres fazem curas
E em suas transformações tudo retrata.

Sei que um sorriso esconde as coisas duras,
Mas sua língua em verdades se dilata
Pra sepultar num beijo as amarguras.

_________________________
*Francisco Miguel de Moura, prosador e poeta, publicará breve seus poemas 
escolhidos, uma obra com mais 500 páginas: Título: POESIA IN COMPLETA:
 Livros 1 e 2 num só volume (reedição do 1° e novos poemas no 2º)

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ÊXTASE E SUOR
  Autor:
  Francsco Miguel de Moura*


Sou perfume de mim e odor do mundo
para que a terra me cuspa.
O sopro que me der
me enterrará fundo,
frio de fazer corpo e alma se unirem.
E, ao infinito e à luz,
que meu suor
jamais sirva de foice ou gume.

A dor com que me cortam
com  explosão
seja lembrada em mansa contramão.

Ao meu último perfume, o mundo furta
a cor e o cheiro:
- Mau bocado ao cão que ama.
    
O frio há de sarar-me
com seu branco lençol sem dobras,
de areia, nos olhos amorosos.

Deito-me agora, em êxtase de fé,
No cuspido chão que longe erra,
levando o vento limpo à pele
e ao imo
em que me arrimo,
sem perder a mão.

**********
_______________________________ 
*francisco miguel de moura, poeta brasileiro, mora no piaguy, e continua achando que a mais bela cidade do mundo é a sua - teresina, capital do seu estado

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CIRANDA DA VIDA E DA MORTE


Francisco Miguel de Moura*



A flor nasce do lixo,
Da flor nasce o fruto;
O homem come o fruto,
O homem e o bicho.

O homem vira bicho
Não só um: – milhões.
Não tem alternativa:
Se come, vive o homem,
Se mata, morre o bicho.

O homem é um bicho
Estranhamente, e lixo:
Mata, come, e os restos.
São terra, homem e bicho.

Homem, morte e lixo,
Montam o mesmo cavalo,
Da ciranda da vida,
Da ciranda da morte:
Flor, fruto, homem, bicho.

Paremos agora e aqui,
Silêncio, ciranda cumprida!
Ou então, homem hominídio,
Até quando continuarás,
Entre flores, um bicho? 
___________________________
*Francisco Miguel de Moura: poeta de todo dia A poesia é a beleza que está em nossas mãos e em nossos olhos. Ou melhor, em todos os sentidos. Pele contra pele também. Viver e amar. Boa gente não maltrata a poesia.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

FRANCISCO MIGUEL DE MOURA - INCIDENTE NUMA LOJA - Soneto Inédito


Francisco Miguel de Moura*





                                                                Soneto

Nunca vi uma compra de mais sorte:
Era manhã, entramos num armazém,
Onde aos panos tesouras cortam forte,
No momento era aquele vai-e-vem.

A companheira, ao lado, alteia o tom:
“Olhe a moça, é café para os fregueses!”
E avisa que eu me sirva: “É muito bom!”
Mas enfrentei ausências: – dois reveses:

Nem do café sorvi nem vi a moça,
Quando a busquei já ia longe, oculta,
Num balanço de corpo que me adoça.

Mas, tão logo, ela volta, o olhar brejeiro,
Disse um doce sorriso, e mais adulta:
“Oh, me desculpe! Enfim, senti teu cheiro!”

*******
Nota: a imagem que ilustra o poema foi recolhida na internet.
____________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta, contista,  romancista, crítico literário e cronista, mora em Teresina.Este soneto faz parte dos seus "Novíssimos Poemas".

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O QUE EXISTIU

Francisco Miguel de Moura*

Se o que existiu resiste
À queda do fio de cabelo,
À pele que sentiu o cheiro,
Viu o amanhecer pelo sereno,
Ouviu seu "bem" dizer com alma:
- “Dou-te o meu DNA”!
Existir é só querer.

O risco no papel resiste,
Depois que o fogo o devorou,
O verso que o poeta fez,
A linha do tempo que não pára,
O risco invisível no céu, sem cor,
Como um relâmpago sutil,
Quando Deus mandar a eternidade:
Tudo existirá, tudo precisa
Existir como a dor
Que a não-dor separa.

E há o “nós” como ser sem “eu”,
E há o feito e o desfeito
E ainda o defeito e o “por fazer”
Que só Deus, sábio, sabe
Como acontecer.
________________________
*francisco miguel de moura, poeta brasileiro

sábado, 8 de setembro de 2012

MINAS - MAR - AMAR

*Francisco Miguel de Moura
        
 MINAS - MAR - AMAR
«escrito nas ondas
        a palavra encanto»
                         cda



1.
minas desdobrou-se
no minério serronte(traduzir: serra/
monte) e nas matas de el-rei.
drummond carlos de andrade todo ferro
de itabira (por uma rua que dá no
mundo).
morros saem cantando torto - catando
             mineiro pau
             maneiro pau
mineiro cobre/descobre mistérios
da língua e da vida
íntima das almas e corpos presentes
              um por um.
as intenções secretas/concretas
não são acontecimentos, nem surpresas:
- são pedras.
e no meio do mar-oceano
mistérios navegam (mais que minas)
outras pedras tropeços caminhos.
e a saudade que tem todo mineiro
descoberto.


2.
saudade daquele mar, nada.
como? o outro não sai andando.
se não ter é não contar
o gozo do inexistente é ir contando.
meus versos são pelo amigo durão
drummond de andrade
cantor primeiro do seu mar de ferro
itabirano interior
mar
e de tudo mais que flui
        imponderável.
de minas-brasil
saudade é uma coisa que não passa
        cansa
e toma a forma de uma concha
como a água.


e a saudade cda não anda de trem
que não vem.
ironia viva
não história nem memória
anjo-flor-do-céu, cai-balão
na dor danada de multidão sem hora
- espera
de pensamento sem relógio
ou grito gauche fora.


3.
poeta: minas formosa, montanhas
    que me trouxeste?
montanhas:
    remando remando lavramos
    levamos
    alphonsus guimaraes a
            guarapari
    emílio moura a perguntar
    guimarães rosa ao ser/tão/mar.
    todos os campos, não.
    remando com bons olhos,  alto
                   pensar

poeta:  remando remando
    neste mar de serras
    neste mar de astúcias
    neste mar de música
    neste mar de chamas
    vamos chegar vamos chegar

montanhas:
    não esqueceremos o queijo-minas
    cheiro de minas.
    para  cda o mar carioca
    mais o bonde mais a esperança
    (com o sentimento do mundo
    em duas mãos maduras).
    bem no fundo do fundo
    mar, amar
    ipanemando
    brasileirando, carlos

    minas, eis teu mar.
***************************
*Fancisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, fez esse poema e publicou na revista "Cirandinha"8, no ano de 1982.

sábado, 1 de setembro de 2012

OPOSTAS APOSTAS


                 Francisco Miguel de Moura*


A aranha tece e retece,
e não para nem cansa,
emaranha-se na teia
e dança. E desce, desce...

O espelho mostra o irreal,
direito x esquerda,
e quem sabe não aposta
em tantos mais erros?

O homem, como se não visse,
desconhece a face de ontem,
desde que emoção alguma,
o mundo em redor lhe pinte.

A mulher aparece e logo vê
tudo em redor. E desaparece
para voltar, se sente amor,
e mais refletir e parecer.

Em suma, todos nós viventes,
gente, animal ou cousa,
apostamos no impossível.    

_______________
* Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina, Piauí, Brasil – e-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

domingo, 19 de agosto de 2012

SENTIMENTO PRESO


Francisco Miguel de Moura*
 



Um sentir puro e preso - tortura
Marcada nos primeiros dias
De alguém que apenas nascia
Entre trancos e barrancos, o futuro
De olhos fixos nos braços,
Pedindo calor de peito e mãos,
Desgarrado dos primeiros tatos
Olhos feridos no segundo teto,
Em novas mãos e outros braços...

Calar pra sempre, quem condenaria?

Mas se um ferrão plantou-se noite e dia,
No fundo de dois corações?

E o que dizer, então? Num poema
Que ninguém vai ler nem ver?
Numa palavra só, balbuciada
Em vão, que ninguém quer saber?

Há culpa sem perdão? Não há.
Mas dúvida e covardia, sim.
E a indecisão imprecisa, fria
Da paixão a rolar e morder-se,
A-mor-da(n)çando sem guia?

Um sentir puro e preso tortura
Dois entes: o ser e a criatura.


________________________
*Francisco Miguel de Moura, poeta e crítico literário, porém mais poeta que crítico, escreveu quatro romances, todos já publicados: Os estigmas, Laços de poder, Ternura e D.Xicote, além de outros de contos e crônicas. Já recebeu vários prêmios nacionais e internacionais.

sábado, 11 de agosto de 2012

LENDA, OU FADA?


LENDA, OU FADA?


Francisco Miguel de Moura*


Ave ou nave?  voava musical,
vestido em linho a desenhar-se toda,
delgado corpo bailando ao vento,
dentes brancos, lábios em carmim...
que frio, que medo em mim!

Oh signo sensual! exclamo,
por ti pecarei, só por querer-te,
e tentarei tantas vezes... tonto!

E que jamais meus olhos negros
venham  pousar sobre os teus, sim
ou não, nem  cruzar teus caminhos,
nunca de perto ou de longe.
 

Se teus punhais vi-o(s) tão lentos
ferirem-me os olhos e a razão,
e logo me fizeram de inútil
oh, não! nunca jamais, não!


Quero um sonho para sempre.
 

E então, por que ondas me vens 
o'  ânsia de noite inapagada?
agora? por onde? por nada?


A que levou meus olhos,       
a que me encheu os olhos
até secarem para sempre?
ai de ti, mundo claro-escuro! 


Lenda ou fada! de novo estou, 
agora e para sempre impuro!

________________
*francisco miguel de moura, poeta piauiense, está preparando um grande livro de toda a Literatura do Piauí: de Ovídio Saraiva até os nossos dias, incluindo os“milenistas”, como nomeia Herculano Morais os poetas que estão surgindo e também os prosadores.

domingo, 1 de julho de 2012

CANTIGA PARA MAMÃE - Chico Miguel

Francisco Miguel de Moura*


A suavidade das tuas palavras
                             (uma só palavra),
a claridade dos teus olhos
                             (mesmo sonolentos),
o cuidado dos teus ouvidos
                            (distinguem minha voz
                              na noite a dentro),
a profundidade do teu olfato
no sentir e medir minha distância,
a sensibilidade de tua alma
se repetem aqui na face viva.

Tens tudo, sim, a partir do coração,
e o filho nada - a cabeça fundida.

Por isto que te faz esta cantiga,
hoje, e a fará por todo o sempre,
pedindido a Deus (se existe tal senhor),
que lhe ensine a compor outras cantigas,
que não as deixe nunca de compor,
que é o jeito de sarar nossas feridas.

Teu mundo, mãe, se sabe - é sem limite
para o filho - teu reino pequenino
é grande e sempre amor
e sempre festa:
- ele, no lar é um santo,
no mundo, nos céus,
pode ser uma fera como as outras:
                                        - ferida!


Quero louvar-te, no amor:
- faltam-me graça, força e ar.

Por isto que me sinto pequenino,
por isto que me sinto desgraçado,
por isto que me sinto abandonado
no caminho, a vista escurecida.

E neste medo e nesta escravidão
quero lutar contra a falta
(do meu amor inteiro),
na presença do teu amor primeiro,
que me acompanha na batalha ganha
e na luta perdida.

Quis lutar. E agora, arrpendido,
por meu castigo, por alheios castigos,
devo gritar bem alto, num só grito
sem ar, sem resposta, comovido:
- Minha mãe, em teu nome perdoa
todas as mães e todos os filhos:
- os que se perderam e os que se afogaram
nos caminhos que existiram e já não existem.


___________________________
 *Poeta brasileiro, nasceu em Fracisco Santos –PI, outrora  município de Picos – Piauí – Brasil. Escreve desde os 14 anos. Publicou seu primeiro livro com 33 anos, em 1966, que denominou de “Areias”. Em 2016, pretende publicar sua “Poesia in Completa” (seleção de cerca de 500 poemas). Seu nome e vários poemas foram publicados em antologias na França, Estados Unidos, Portugal e Espanha.    
Nota:
(Ao lado, foto da família de Miguel Guarani: ele, Josefa Maria de Sousa, Helena, Mariinha, Chico Miguel e Mécia (no alto), e ao lado das irmãs, uma amiga delas - em São Julião (PI)

sexta-feira, 29 de junho de 2012

UM MOMENTO FELIZ (Improviso)

Após leitura de carta de Teresinka Pereira
      em 28.6.2012





Francisco Miguel de Moura*




                          
                      Não me proíbam de falar de amor!
Sou velho, mas preciso do alimento
da luz de uns olhos que me tragam cor,
eis que eles são meu forte seguimento.

Que prazer, se há no rosto algum momento
em que o sorriso rasga os lábios fácil-
mente! O caminho pára. E meu tormento
se retrata,  feliz,  no rosto grácil.

“Sou tua amiga”, sim, palavras certas,
belas, quaisquer, quando a mulher nos diz:
Minha ilusão se alonga, ondas abertas...

E se ela dança  e canta como atriz,
as nossas mãos caminham mais alertas
e o corpo sente o coração feliz.

________________________
*FMM – para quem não me conhece, poeta e prosador, com mais de 30 publicados, prestes a encerrar a carreira com “Poesia in Completa” (2016), ao completar 50 anos de sua estreia: – Areias, 1966.
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