Miguel
de Moura*
Eu tinha um jardim florido,
Troquei por um pé de ipê.
E este ipê é tão querido,
Quando o olho, ele me vê.
Ano passado amarelo
Cor de ouro, jóia rara,
Foi aquele ano tão belo
E a vida não foi tão cara.
Mas este ano, ai meus Deus,
Fiquei ao pé da janela
Não sei quantos meses meus
Pra ver a floração... E ela
Não veio como esperada:
Minhas janelas abertas,
Vendo a folhagem parada
Cantei visagens desertas!
Mas, chegada a primavera,
Meu ipê, salve! que flora!
Se o verão demora, mora...
Mais e mais ficou na espera.
“És um verdadeiro amigo,
Paciente com o rei-astro.
Espera que estou contigo
Sem me sentir poeta-astro.
Paciência de chinês,
Moras no meu coração
Por tua fleuma de inglês...
Oh! quanta satisfação!
São poucas flores que vejo,
Mas, acredito, vêm mais.
Meu desejo é teu desejo,
Assim fiquemos em paz."
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*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, poeta e prosador, nasceu no Piauí e mora em Teresina, cidade que ama de paixão.
