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sábado, 27 de setembro de 2014

VOTO, O QUE É ISTO, BRASILEIROS E BRASILEIRAS?

 Francisco Miguel de Moura*

         É fácil dizer o que é. E não deve ser difícil votar bem. 

     “O VOTO É UMA ARMA, SAIBA ATIRAR PARA ACERTAR O ALVO CERTO”, concordo com isto. 

        É preciso saber a valia do voto, a qualidade do voto. Eleitor, se seu voto for bom, o país melhora e, com ele, você, sua família, seus vizinhos, todos os brasileiros e brasileiras. No caso, votar para eleger o (a) Presidente de República, é o mais valioso. Sabemos que o nosso país é uma democracia presidencialista, onde o chefe maior tem grande poder, só não estando acima da lei.  Mas quem faz a lei? Quem aprova a lei? Quem administra a lei? Eleitor, seu voto elege, no Brasil, um mandatário para 4 anos, com direito a reeleger-se por outro período igual, mesmo mantendo-se no poder e usufruindo de todos os benefícios que o cargo encerra. Esse segundo mandato foi instituído por imitação aos Estados Unidos. Nosso irmão do Norte é realmente uma federação, por isto tem o nome de Estados Unidos. O Brasil é federação no nome e na lei, menos na prática. Por isto é que considero que os demais votos (governador, prefeito, deputado estadual, vereador) valem menos em poder que o da eleição do Presidente da República, Senadores e Deputados Federais, mas a ação de votar é sempre louvável. Há muitos tipos de voto: O voto vendido e o comprado (com dinheiro), o voto trocado por favores; há o voto do analfabeto e do “analfabetizado”. São votos inconscientes ou, se conscientes, feitos por quem não tem bom caráter, não é uma pessoa correta. Há o voto consciente daqueles que acompanham as notícias e a vida dos candidatos, sabem do seu caráter da sua ética, e ainda mais: procuram saber o que pretendem fazer do seu mandato, qual é o seu programa de governo. Quem tem ficha suja não merece voto nenhum: isto é consciência.  Quem vota consciente são os cidadãos de dignidade, não importa que sejam pobres, médios, ou ricos. Pobreza não é defeito. Mas safadeza, sem-vergonhice, mentira, ladroagem, corrupção são indignidades, são defeitos de uma ética torta e de uma moral desmoralizada, defeitos que levam invariavelmente à corrupção, em qualquer parte. Imagine-se quando o detentor se julga dono do poder ou de uma parcela do poder.

           Sobre a corrupção, que é o que temos muito no Brasil, é bom ler o que disse um juiz da Suécia, país dos mais adiantados politicamente: “CORREÇÃO E CASTIGO DA CORRUPÇÃO SÃO AS DUAS COISAS PRINCIPAIS PARA QUE A DEMOCRACIA FUNCIONE E O PAÍS SE DESENVOLVA”. Ou seja, tolerância ZERO à corrupção.  Quem compra ou vende voto é corrupto, é “ficha suja”, merece ser punido severamente, esteja no poder ou não.

           Meu caro leitor, com apenas dois dígitos aplicadas à maquininha que o Tribunal Eleitoral coloca, numa cabine indevassável, você pode eleger ou derrotar um candidato - no caso da próxima eleição – a mandatário geral deste país. E que tipo de país você quer que o Brasil seja, meu povo brasileiro? Um país progressista ou um país paupérrimo? Um país democrático ou um país ditatorial, onde a alternância no poder, tanto de pessoas quanto de partidos, não conta? 

           Os regimes chamados comunistas nunca chegaram a uma democracia ideal (“governo do povo, pelo povo e para o povo”) nem chegarão. Esses países empobrecem. Primeiro pela guerra, seja a guerra formal, seja a intestina; segundo pela doutrina ou ideologia, pois, de Marx a Stalin, o que pregaram foi simplesmente a distribuição. Mas como se distribui o que não se produziu? O comunismo é uma doutrina primitiva, imita a tribo. Seria bom se todos fossem iguais na cor, nas posses, no saber, na saúde, em tudo da vida, enfim? Não sei. Deus, na sua suprema inteligência, nos criou (e tudo mais da natureza) diferentes. A diversidade conta muito. Um mundo todo igual seria monótono e muito triste. Repartir a riqueza - não igualmente, porque é impossível - é necessário, mas dentro da democracia, com educação, saúde e segurança assegurados pelo Estado com os impostos e taxas que os que podem mais pagam. E só pagarão satisfeitos se o país progredir. Quando se inclui um, exclui os outros: Toda inclusão democrática se dá pela educação, saúde e trabalho.  

           Mas, voltando ao que interessa, é bom citar quem sabia mais do que nós. E escolho a escritora Raquel de Queiroz. Na revista “O Cruzeiro”, ela publicou, em 11 de janeiro de 1947: “Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo. (...) Escolhemos igualmente pelo voto aqueles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aqueles que irão estipular a quantidade desses impostos (...) Escolhem-se, nas eleições, aqueles que têm o direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interesse:- Dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de todas as Forças Armadas: o Exército, a Marinha, a Aviação, as Polícias”. Nas suas observações, quase tudo ela disse, exceto que os membros do Superior Tribunal Federal são nomeados pelo Presidente da República. E é onde a coisa mais pega, pois, de certa forma o Poder Judiciário está sujeito aos outros dois poderes.

      Votar é perigoso. Leitor, cuide de sua arma.  “Quando todas as armas forem propriedade do governo e dos bandidos, estes decidirão de quem serão as outras propriedades”, disse Benjamin Franklin.
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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, tradutor, ficcionista e crítico literário, membro da Academia Piauiense de Letras(APL -Teresina PI - Brasil) e da Associação Internacional de Escritores e Artista (Toledo, OH, Estados Unidos).

sexta-feira, 21 de março de 2014

A GUERRA CONTRA O JUMENTO

 http://cirandinhapiaui.blogspot.com
Francisco Miguel de Moura*

        Quando vi e ouvi a notícia no Jornal da “Globo”, sobre a matança dos jumentos no Rio Grande Norte, simplesmente porque eles atrapalham o trânsito nas rodovias, causando acidentes, fiquei horrorizado. Na notícia aparecem senhores que se pavoneavam comendo o churrasco:

      - Que carne gostosa é a de jegue! 

       Pensei comigo: 

        - “Que absurdo! Gostosa é sem dúvida. O leite da fêmea também é muito gostoso e serve de remédio. Quando apanhei a tosse brava, a famosa coqueluche, tomei-o e fiquei logo bom”. 

         Pelo jeito da notícia, querem mesmo acabar com a espécie, achando que no sertão “as motos” podem substituí-los no serviço que os pobres animais fazem. Impossível! Não é coisa de comparar. Jumento sobrevive nas piores condições de seca, come erva rasteira, bagaço e até molambo. Suas fezes servem de adubo para a terra. E prestam um serviço incalculável ao sertanejo, seu transporte é o mais barato para ir à feira e à roça, para carregar pesadas cargas pacientemente. Que mal, então, eles fazem?  Se vivem às margens das estradas e atravessam-nas alguma vez é porque os governos não isolam essas vias com cercas. O jumento, enquanto procura comida, presta um serviço enorme, por isto é apelidado de “guarda de trânsito”, e cobra nada. Diminuem, assim, a carreira de muitos veículos que tantos seres humanos têm matado. Conversando, hoje, com um professor da Universidade Federal, ele me assegurou que algumas mortes desses animais não acontecem por batidas de carros, mas por tiro. É maldade grande. 

          Após a notícia da “Globo”, houve um comentário de que o Serviço de Proteção aos Animais já está em campo, defendendo os jeguinhos, pois, se a moda pega, a espécie será extinta, o que é uma perda enorme para o sertanejo e para o nosso folclore. O Pe. Antônio Batista Vieira, cearense de Crateús, nascido em 14-6-1910,  que,  além do estudo em sua própria terra, fez altos estudos nos Estados Unidos, publicou o livro “O jumento, nosso irmão”, em 1964, entre outras obras importantíssimas da vida nordestina.  Precisa-se conhecer mais a história da cultura ocidental e saber que o jumento é um animal sagrado. A tradição é antiga, vem do Oriente Médio, através da Bíblia. Não, não matem o jumento! Ele é tão bonito, paciente, trabalhador, amigo! Só os burros podem prosseguir com um projeto tão monstruoso quanto este de assiná-los.  

          Todos nós sabemos a história de que, quando Jesus nasceu, uma estrela nova surgiu no céu. Os sábios reis magos do Oriente, Belchior, Gaspar e Baltazar, passaram pelo palácio do governador da Judéia na época (Herodes) e contaram que iam visitar um novo rei, nascido em Belém. O governador recomendou-lhes que, na volta, viessem contar-lhe o que viram de verdade. Mas os sábios não voltaram. Então, Herodes decretou que todas as crianças nascidas de até 2 anos antes, a contar do dia da estrela, fossem caçadas e mortas. Nenhum outro rei lhe tomaria o trono. Foi então que Maria e José, os pais de Jesus, fugiram para o Egito com o recém-nascido, até que tudo passasse e pudessem voltar à Nazaré, anonimamente. José puxava um jumentinho levando Maria e a criança. Grande missão do nosso querido irmão, o jumento.  

          Mas noutra ocasião Jesus também escolheu o jumento para montar. Foi no dia da sua entrada triunfal em Jerusalém, na festa da Páscoa, onde seria preso e condenado à “morte de cruz”. Prefiro transcrever alguns trechos do livro “Vida de Jesus”, que é uma obra maravilhosa, aprovada pela Igreja e agora por mim também:

       - “Ide vós, Pedro e João (ordenou Jesus) à aldeia de Betfagé. Ali, nas primeiras casas, detende-vos. Vereis amarrada a uma argola, uma jumenta e, próximo dela, um jumentinho que ainda não foi montado por nenhum homem. Desamarrai a jumenta, e o filhote a acompanhará. Trazei-mos. Alguém reclamará, mas respondereis que Jesus precisa do jumentinho e o restituirá ainda hoje”. Depois de narrar um pouco, autor do livro, louva-nos às páginas do evangelista citado, que dissera ser a festa da Páscoa do ano, porém aquela era maior que as demais: “Desta vez o espetáculo ganhava sentido novo, alta expressão de incomparável grandeza mística. A multidão dos peregrinos não vinha sozinha: trazia o seu profeta. Não era mais um rebanho sem pastor, desamparado de toda a esperança: Jesus marchava à frente, montando seu jumentinho, e Jesus era o guia, a luz, a consolação que viera a Israel, depois de tão longas e escuras vigílias nacionais”. Jesus deteve-se no topo do mais alto monte e, contemplando a cidade, pôs-se a chorar”. É que Jesus antevia, diz Salgado, baseando-se no mesmo evangelista Mateus, a tomada e destruição de Jerusalém pelos inimigos, que “não deixarão sobre ti pedra sobre pedra”. Jesus Cristo previa, como é próprio dos profetas, tudo o que iria acontecer depois. Por isto, não custa nada fazermos uma oração ao próprio Jesus para que os homens de hoje criem amor pelos jumentos e jumentinhos, deixando-os em paz.

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 * Francisco Miguel de Moura - Escritor, membro da APL - Academia Piauiense de Letras, sede em Teresina- PI - Brazil, e da IWA - International Writers and Artists Association, sede em Toledo, Estados Unidos da América (USA)
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