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quarta-feira, 27 de abril de 2016

SEIOS - Soneto

Francisco 
Miguel de Moura*

Teus seios virgens deixam-me piscando
O olhar e, enfim, acordam minha pele,
Fazem com que, ao sol, eu me enregele
Na dança que executas caminhando.

Quem me dera contigo falar, quando
Talvez houvesse abraços e desvelos
E então sentir teus pomos como uns selos
Sobre o meu coração, enfim, te amando.

Perdido por teu ser, teu colo eu sinto
De antemão. É que vivo (pois, não minto),
Sustendo-me, talvez, qual se sustentam

No poema de teu corpo os estribilhos:
- Estes teus seios que hoje me alimentam
E que amanhã saciarão teus filhos.

                             Teresina, 5 de julho de 2011.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ORGULHO E TIMIDEZ - Inédito

Francisco Miguel de Moura*
p/Djane e Aaudrey



Se tudo é natureza, não é fácil
fruir os seus encantos mais sutis:
O vento cantador se vem irado,
e a fonte, sem rumor, morre infeliz.

E a flor, ninguém mais viu desabrochar,
quando arrebenta em riso matutino.
Nos altos montes calam-se os poemas
em descida, sem vales nem destino. 

É difícil saber começo e fim,
saber o que é a vida e o que se vive,
mas a ciência tenta e diz que sim.

É impossível saber quando é a vez
do medo, da paixão e aonde estive,
pois meu orgulho é minha timidez.


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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, piauiense, mas já conhecido no Brasil e nalguns paises da Europa: Portugal, Espanha, França e Itália.

sábado, 24 de outubro de 2015

MEU IPÊ, TERNO E ETERNO

Francisco Miguel de Moura*


Quanto me doi o mal deste castigo:
o extermínio cruel da própria terra!
Matam nossos ipês, tremenda guerra,
E é pela paz do mundo que inda brigo.

Ligo-me a ti com a floração completa,
Qual se nadasses no ouro de tuas asas,
A pintar o horizonte e as outras casas
onde eu pousava os olhos como poeta.

Assim, desço as escadas, vou às ruas,
Chorar pelos ipês, árvores nuas,
clamando, num deserto sem jardim.

Já não durmo sequer às madrugadas,
meus olhos se enegrecem nas ramadas
secas – o tudo que sobrou pra mim.

                             (Soneto Inédito)
                                 
  Teresina, 11/10/2015.
       
______________________
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro e piauiense, poeta de muitos versos e muito sofrimento pela humanidade, pela natureza e pela luz que um dia será para todos e banhará de azul nossos olhos, lá do firmamento-céu.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

PROSOPAGNOSIA

SONETO 
INÉDITO

Francisco Miguel
de Moura*






 


Não quero que me tenha como um pobre
Cheio de empáfia, longe, em devaneio.
Vejo tudo em você: cabelo e seio,
Orelha e brinco e a vestimenta nobre.

Foi ontem nosso abraço e a despedida,
Quando eu jurei guardar suas feições,
E um minuto depois, sem condições,
Não mais lembrava a face comovida.

Minha imaginação, que escreve e cria,
Tão sem dificuldade, quem diria,
Me esconde os traços de quem tanto gosto!

Isto explica por que minha carteira
Traz de frente sua foto de alma inteira:
Que eternamente eu possa ver seu rosto.

______________
*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, mora em Teresina, Piauí, cidade que muito ama.   Já publicou mais de 30 livros. Moura está às vésperas de publicar sua Poesia in Completa (2ª ed. revista e aumentada) – para comemorar os 50 anos de poeta e escritor. A estreia foi em 1966, com o livro de poemas denominado “Areias”. O Autor, desde criança, sofre deste distúrbio da memória chamado Prosopagnosia.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sonetos inéditos: - O FIM DO AMOR


Francisco Miguel de Moura*





Tantas luzes outrora nas ribaltas,
Tantas provocações, desejos tantos!
Rolam soltos enganos e vaidades,
Perdidas emoções a cada instante.

Mais do que isto, Amor caiu doente,
Vitimado por séculos de orgias.
Se a festa da Amizade se traiu,
Veio do Amor, contaminado e triste.

Resta angústia, agonia... O que mais resta?
Resta que o mundo é mau e sem piedade,
E a ferrugem corroi tudo o que importa.

Escapa mal a vida, em via estreita,
Pois o Amor sem amor morreu faminto,
Anêmico, infeliz, com a boca torta.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, nascido no Piauí, mora em Teresina, a “Cidade Verde” de Coelho Neto – porque não há outra mais bela, mais verde e melhor de se morar. Este é o terceiro soneto da série “Sonetos Inéditos”.
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