terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O Tapete Mágico do Vovô Chico

De Professor Franklin Moura

Em uma casinha onde o cheiro de café fresco sempre pairava no ar, vivia o Vovô Chico. Ele tinha um segredo guardado em suas mãos calejadas: o poder de viajar sem sair do lugar. Todos os dias, ele se sentava em sua poltrona de veludo, esperando o momento em que o silêncio viraria aventura.

O pequeno Bento era o primeiro a chegar. Ele corria pela sala com seus pés descalços, ansioso para saber qual seria o destino do dia. "Para onde vamos hoje, Vovô Chico?", perguntava ele, sentando-se no tapete fofinho, com os olhos brilhando como duas jabuticabas.

Logo depois, Malu aparecia silenciosa como um gato, trazendo sua imaginação. Ela sabia que, quando o Vovô Chico abria aquelas páginas, as paredes da sala começavam a sussurrar histórias e o teto parecia se abrir para o céu estrelado.

Vovô Chico pigarreou e abriu o livro. No mesmo instante, um brilho dourado escapou de entre as folhas. Não eram apenas palavras impressas; eram sementes

Bento apontou para o horizonte que surgia atrás da parede. Um rio de tinta azul corria calmamente, e Vovô Chico, com um gesto lúdico, convidou o menino para embarcar em um barquinho feito de dobradura que flutuava ali perto de sua imaginação.

Eles navegaram por selvas onde as árvores tinham folhas de alfabeto e os animais falavam em rimas. Bento e Malu riram alto quando um tigre de listras laranjas lhes contou uma piada sobre uma vírgula que queria ser um ponto final.

"A leitura nos dá asas", disse Vovô Chico enquanto a história os levava para o topo de uma montanha   de nuvens de algodão. Malu sentiu que podia tocar a lua, que tinha a textura suave de uma pérola, enquanto o vovô segurava sua mão com firmeza e carinho.

Lentamente, a voz do Vovô Chico foi ficando mais baixa, trazendo- os de volta para a sala quentinha. Bento bocejou, sentindo-se de mundos inteiros esperando para brotar na imaginação  de  quem como se tivesse viajado por mil quilômetros, estivesse disposto a ouvir.

"Era uma vez...", começou ele, e sua voz era como música. De repente, o tapete da sala se transformou em grama macia e Malu sentiu o perfume de flores que só existiam nos sonhos. Borboletas feitas de papel picado começaram a voar ao redor de suas cabeças. embora estivesse exatamente no mesmo lugar. O livro se fechou com um som suave.

Malu abraçou a perna do Vovô Chico antes de ir embora. Ela sabia que, graças àquelas leituras, ela nunca estaria sozinha. Cada livro era uma porta, e o Vovô Chico era o mestre das chaves. "Até amanhã, Vovô", sussurrou ela, levando um mundo inteiro dentro do peito. 

2 comentários:

Anônimo disse...

Que crônica linda, caro Amigo! Leva-nos numa viagem amorosa para o colo de nossos avós. Quem não conviveu com seus avós perdeu a mais bela página da infância.

Anônimo disse...

Uma crônica que se eterniza em muitas paragens.

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