quarta-feira, 27 de agosto de 2025

 


SAUDADE OCEÂNICA

               

           Francisco Miguel de Moura*

 

Na partida, um oceano sem escolta

cala meu peito em descontentamento.

– Vais aonde – eu pergunto – onda revolta? 

E ela me corta o coração  por dentro.

 

Sou areia, sou rocha e, em meu tormento,

choro e declamo, e o fogo me devora;

qual vulcão que nos mostra o epicentro,

outro vulcão me nasce aqui por fora.

 

Na partida, eu prometo consolar-me

do vácuo que me tolhe. E, sem alarme,

no amor a Deus apenas me concentro.

 

Meu mundo é solidão, é só saudade

de quem levou minha tranqüilidade,

de quem partiu meu coração por dentro.

_______

*Francisco Miguel de Moura, Poeta, mora no Piauí

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

 

LEMBRANÇAS DE TERESINA

        (No seu aniversário)

             Francisco Miguel de Moura *                     

Quando cheguei à bela Teresina,

Encantei-me qual fosse uma donzela

Por ser acolhedora e ser tão bela

Amei a praça, a rio e a velha Usina.

 

Usina não há mais, a praça, tem,

Mais pobre e esquecida do seu brilho.

Quando a visito, fico feito um filho

Cuja mãe tudo sofre, sem ninguém.

 

És estrela brilhante, sei que brilhas

De horizonte a horizonte como as ilhas

De saudade e razão do que lembramos.

 

Neste dia de festa aniversária,

A minha saudação é santa e vária

E tão maior que o tanto que te amamos.

____________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

quarta-feira, 30 de julho de 2025

 

                                                                  Auror


                        A NECESSIDADE DO SILÊNCIO

                                        Francisco Miguel de Moura*

                                                            A vida não se compõe só de afeto, mas

                                                                    às vezes do silêncio, da angústia, da dor.

 

                                                                                                           Salomão Sousa

 

          Há algum tempo, eu escrevi que Deus é silencioso. Eis aqui mais uma crônica sobre o silêncio, sua falta ou seu excesso, na sociedade. Em boa parte do dia e na maior parte da noite, que ele, o silêncio, venha: Desejamos, pedimos, amamos.

          - É verdade cristalina que a palavra é prata, mas o silêncio é ouro. Se todos falássemos de uma só vez, por uma só língua, já imaginaram, quem ouviria? Que desperdício?

          Ninguém me venha tirar ilações maliciosas dessa ideia inicial. Deus é silêncio e, se o universo parece silencioso é que nele todas a vozes se unem para entrarem no silêncio divino, projetado por Deus. E mesmo quando estamos dormindo, nosso universo (nosso cérebro) passeia.

          Calculo eu, com muita simplicidade e humildemente, que os movimentos e a rolagem dos planetas, cometas, estrelas, constelações e suas órbitas, tudo isto e tudo quando existe obedece a uma entidade superior que jamais a entenderemos. Essa rolagem do Universo é feita em música, se o nosso pequeno ouvido prestar bem atenção. O meu, de poeta, consola-se com essa santa música universal. Não será de lá que tiramos nossas canções, nossas alegrias, nossas danças e nosso amor? O cérebro humano é uma célula infinitesimal do grande Universo. E jamais vamos conhecer o grande Universo. Jamais! Aliás, quem disse que nos conhecemos a nós mesmos pelo menos?  E nossa mente, nosso espírito, nossa alma?

          Depois deste introito, podemos sair da parte subjetiva desta crônica e entrar no fato, um caso que observei hoje, pela manhã.

          Uma senhora sem atavios – pareceu-me de classe média - entra na igreja de sua paróquia. Vinha muito aflita. Pela expressão do olhar, pelo apressado passo, levando um rosário na mão. Como de comum, ao entrar fez a genuflexão e o “pelo sinal.” A igreja estava vazia. Ela preferiu não ficar no corpo geral e procurou a sala do Santíssimo, reservada para guardar as hóstias consagradas que sobraram da missa.  Escolheu um lugar bem à frente. Ajoelha-se e começa a rezar. De repente entra um cachorro.

          - Ora, ora, eu não tenho cachorro”! 

          Olhou um pouco para trás e lá estava sentada uma jovem, de boa aparência...

          - “O animal deve ser dela” - pensa.

          Mas nada perguntou. Os movimentos do cachorro atrapalharam sua reza, de forma que demorou o dobro de tempo que tinha pra rezar todo o seu terço, pedir graças a Deus e a sua mãe, a Virgem Maria. Pedir-lhes perdão de suas culpas e solicitar uma grande graça. E paz.

          - Mas, e aquele cachorro, meu Deus!

          Ao fim das orações, a mulher levanta-se, já se persignando, olha e vê o sacerdote que entrava. Este falou com ela, deu-lhe as boas-vindas, desejando que voltasse sempre. A senhora teve vontade, durante toda a reza, de levantar-se e falar com a moça. Mas... A timidez, a dúvida... Deveria ou não?... Agora, a vontade era de falar com o padre sobre aquele animal tão buliçoso. Olhando e apontando o cachorro, o padre pergunta à senhora:

          - É seu!

          - Não, senhor!

          O padre era daqueles que não têm “papa” na língua. Voltou-se para a moça, apontou o bicho e perguntou:

          - É seu?

          - É – ela respondeu secamente.

          - Mas, diga-me uma coisa, menina, cachorro reza?

          - Não. Por quê?

          - Se ele não reza, por que o trouxe para a igreja, uma casa de oração?

          - Seu padre, ele é tão meu amigo que não me larga, a gente dorme junto, come junto e anda junto...

          - Sim, ele, ele é seu amigo. Mas será também amigo daquela senhora que se distraiu com seus movimentos e quase não se concentrou na reza?

          - Não sei.

          - Então, leve o seu cachorro pra casa e nunca mais deixe que ele entre aqui. Até ele aprender a rezar com você, pois, pelo que eu vi, você não rezou nada, apenas atrapalhou. Aqui não é lugar de cachorro, tá, minha filha.

          - Tá, seu padre!

          E saiu resmungando que ele era muito chato.

          A mulher, assistindo tudo aquilo, tentou não se intrometer e dizia consigo mesma que, se não fosse o bom padre que ele é, eu nunca mais voltaria a esta igreja. Não existe só uma paróquia, nesta cidade

          - Hei de encontrar outra.

          E ela tinha razão.

          A dificuldade de sua concentração foi aguçada pelo saracoteado do animal, juntamente com muitos latidos miúdos e desagradáveis.

          Os animais são nossos irmãos, precisam ser tratados como são: criaturas de Deus, mas diferente do ser humana. Animal doméstico fica em casa. Ou pode acompanhar o dono pelas ruas. Mas isto não chega a ser aconselhável. Cachorros costumam ir, por onde vão, deixando sujeiras como defecando no passeio – caminho dos cidadãos – e mijando nos postes e até nas pernas de cavalheiros. Atesto que isto eu já vi. Se for pecado, que Deus me perdoe e que os cachorros também me perdoem.

          Mas eu não gosto deles.

          Cachorros!  Considerados os melhores amigos do homem”, sabemos que eles, salvo os chamados “vira-latas”, não amam a liberdade, são uns incondicionais aduladores nossos.  E eu não gosto de aduladores.

          Osmundo Vergado, que permaneceu calado, ouvindo minha conversa, confirma:

          - Difícil é saber quando os cachorros são amigos. Por isto, o melhor que fazemos é nos afastarmos. Desconfiar é bom. Se o cachorro é amigo do seu dono, não significa que seja amigo dos estranhos, ou mesmos dos amigos do seu dono.

 ___________

 *Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro. Esta matéria faz parte do seu livro inédito

Conversas SIênciosas, a ser editado brevemente pela Academia Piauiense de Letras.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

 


A CASINHA DA PRAIA

                  (p/o poeta Antônio Carlos)

                        

                  Francisco Miguel de Moura*

 

Ontem, diante da casa em que fui rei,

na praia, feita com gentil cuidado,

por nossas mãos, no agora já passado,

que paisagem então descortinei!

 

Na frente tirei fotos sem camisa,

com a lembrança das belas madrugadas

de ondas sonoras, suaves e salgadas,

entregue, o nosso peito, à cor da brisa.

 

Com o passar dessa idade mais fagueira,

vendi-a... Gastei tudo em brincadeira,

e agora me pergunto: Pra onde vou?

 

Como a buscar razão no sentimento,

só encontro a saudade, o grande invento

da querença de um bem que já passou.

 

______________________

*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, mora em

Teresina. E-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

segunda-feira, 30 de junho de 2025

   


A. TITO FILHO, O GRÃO MESTRE DA APL  (Artigo revisto)

                     Autor: Francisco Miguel de Moura, membro da APL, cadeira nº 8.

          Começo pelo costume acadêmico, nomeando que o ilustre Prof. José de Arimathéa Tito Filho (ou simplesmente A. Tito Filho), tal como assinava seus artigos de jornal e suas obras literárias), foi o segundo ocupante da cadeira 29, da APL, tendo como patrono Gregório Taumaturgo de Azevedo e primeiro ocupante, José de Arimathéa Tito, seu pai.  Nasceu em Barras (PI), em 27 /10 /1924, estudou no Rio de Janeiro (RJ) e durante toda sua vida foi professor, especialmente no Liceu Piauiense, e jornalista, escrevendo constantemente e publicando em vários jornais do Piauí. Vivendo em Teresina, desde então tornou-se uma pessoa das mais ligadas às letras e à cultura. Tomou posse na Academia Piauiense de Letras, em solenidade no Clube dos Diários, sendo presidente deste sodalício, Simplício de Sousa Mendes, em janeiro de 1964. Com a morte de Simplício de Sousa Mendes, em 1971, então exercendo o cargo de Secretário Geral, da APL, A. Tito Filho foi eleito presidente da “Casa de Lucídio Freitas”, em cujo cargo permaneceu até sua morte em 23 de junho de 1992.  E, como sabemos, quem assumiu a Presidência da APL, depois da morte de Tito Filho, foi o Professor e escritor Manoel Paulo Nunes

Durante toda sua vida de acadêmico, A. Tito Filho sempre se reelegia, com tranquilidade, dada a sua competência e prontidão para ocupar-se da cultura e da literatura do nosso Estado. E assim, na minha visão, dirigindo a Academia, ele teve dois períodos áureos, de glória, como administrador. O primeiro foi quando Alberto Silva era Governador do Piauí, o qual, como sabemos, muito se voltou para a valorização do nosso Estado, em todos sentidos. A. Tito Filho instou com o Governador para a criação do Plano Editorial “Petrônio Portela”, começando a editar inúmeras obras de autores piauienses antigos, já quase esquecidos. Para tanto, A. Tito Filho chamou o acadêmico Armando Madeira Basto ao seu auxílio e, em seguida, Jesualdo Cavalcante, que era o Secretário de Cultura.

Minhas relações com A. Tito Filho foram sempre muito cordiais, literárias. Não me lembro de como chegou, às suas mãos, o meu livro “Areias”, em 1966, quando eu ainda era um poeta plumitivo. Sei que o elogiou pelo jornal e eu guardei e ainda guardo o recorte.

Mas passei a conhecer um pouco da Academia Piauiense de Letras ainda quando a entidade se reunia numa casa alugada. O Prof. Arimathéa Tito Filho já era seu Presidente. Estive presente em uma reunião acadêmica, quando,  em 1979, levava, debaixo do braço, meu 3º livro de poemas, titulado de “Universo das Águas”, o qual, posteriormente, foi lido e elogiado por ele, chamando-me até de “o Drummond do Piauí”, elogio que não levei a sério,  porque eu sempre quis ser um poeta original, diferente de todos, embora conhecedor de muitos.

Claro que, para obter o auxílio governamental, A. Tito Filho premiava os governadores que mais olhavam para a cultura: O primeiro foi o já falado Alberto Silva, o segundo foi o Hugo Napoleão. Assim, os dois foram chamados e ocuparam cadeiras na APL. Na esteira do Plano Editorial “Petrônio Portela”, o Governador Hugo Napoleão doou à Academia Piauiense de Letras, o prédio onde nós estamos. E foi este outro momento glorioso para o Presidente A. Tito Filho, como Presidente da “Casa de Lucídio Freitas”. Lembremos que este cognome é uma indicação de que, a APL nasceu sob o signo da poesia. Lucídio Freitas e Alcides Freitas eram essencialmente poetas e o pai desses jovens brilhantes, Clodoaldo Freitas, era jornalista e político, mas também poeta, embora que bissexto, prova de que a APL nasceu pelas mãos de poetas e intelectuais.

 Não me recordo se foi ele, A. Tito Filho, quem ampliou o quadro da APL de 30 para 40 cadeiras, ou se isto aconteceu ainda na época do seu antecessor, Simplício de Sousa Mendes, o que não importa tanto. O fato é que A. Tito Filho, valendo-se dessa ampliação de cadeiras, com intuito de tornar nossa APL semelhante às Academias Francesa e a Brasileira de Letras, ele se beneficiou da ampliação. Assim, entraram piauienses ilustres como Raimundo Nonato Monteiro de Santana e Manoel Paulo Nunes, entre outros.

De forma gradual e inteligente, Arimathéa Tito Filho foi dominando a Academia, chamando pessoas de competência, para o seio da entidade, no campo das letras e da política, ou seja da intelectualidade, conservando o apoio de todos, fossem esses novos sócios residentes no Piauí ou em outros Estados.  Desta forma, ele dominava as suas reeleições.

 Tentando mostrar o seu “modus operandi”, vem-me a lembrança de como A. Tito Filho conduzia ar APL, indicando como foi minha eleição para a “Casa de Lucídio Freitas.” Pelos idos de 1960/80, acontecia uma enorme ebulição na cultura brasileira e, por extensão, nos estados, ocasionada pela ditadura militar de l964. Nosso Piauí não ficaria atrás.  Eu, recém chegado do interior da Bahia, juntamente com Francisco Hardi Filho e Herculano Morais, fundamos o CLIP (Circulo Literário Piauiense). A agremiação fez parte da referida ebulição, sem dúvida. Ao tempo, havia um grupo que se denominavam de “os novos”, que se posicionavam contra a Academia Piauiense de Letras. Porém, nós do CLIP, nunca fomos contra a Academia. Nós éramos a favor da celeridade das ações em favor das artes, da criação de uma Secretaria de Cultura, da Fundação Cultural, de tudo que pudesse resultar em emissão de concursos de literatura e de artes, publicações de livros etc. Nessa direção é que foi criada também a União Brasileira de Escritores do Piauí (UBE-PI). Lembro-me que em uma das nossas reuniões da UBE-PI, compareceu o Prof. A. Tito Filho, prova de que ele estava atento a tudo que acontecia culturalmente. Não sei porque Herculano Morais e Hardi Filho foram eleitos para APL, antes de mim. Algum tempo depois foi eleito O. G. Rego de Carvalho, embora tenha ele tecido algumas críticas à Academia, proclamando que “ela só acolhia desembargadores e outros intelectuais, e nada de escritores e poetas”. Eu e ele fomos eleitos para APL, um pouco mais tarde do que os dois citados.  O. G. Rego de Carvalho, por seu valor inconteste, não teve concorrente para a eleição.  Já a minha entrada para APL foi um pouco mais tardia e diferente. Embora meu nome já fosse indicado, pela imprensa e por vários acadêmicos de projeção, como merecedor de um assento na “Casa de Lucídio Freitas”, eu concorri a primeira vez por simples brincadeira. É que, com a morte do acadêmico Ofélio das Chaga Leitão, um picoense como eu, ambos ligados ao Banco do Brasil por profissão, a família dele me pediu que eu concorresse para preencher a sua vaga. Claro que não fui eleito, nem eu, nem o Prof. Benjamin do Rego Monteiro, que também concorria. Venceu, em segundo turno, a terceira candidata, Sra. Emília Castelo Brando (Lili).  Uma segunda vez eu tentei entrar para a APL, tendo por concorrente, o J. Romão da Silva.  No primeiro turno ninguém foi eleito, não tivemos os votos exigidos pelo estatuto. Então, o Prof. A. Tito Filho, sabendo que eu não estava disposto a concorrer no segundo turno, chamou-me à Academia, pedindo que eu optasse pela concorrência, que eu tinha todo direito, etc.  Mas eu pedi que me desculpasse, pois não iria pedir voto aos mesmos acadêmicos que votaram no Romão. Isto, para mim, não era justo.

Pouco tempo depois, faleceu o Prof. Francisco da Cunha e Silva, titular da cadeira nº 8. Também a cadeira nº 14 estava vaga. Duas vagas na APL... O Prof. Arimathéa, então, me chamou lá e perguntou-me se eu desejava entrar para a APL.  E eu respondi:

- Sim, mas o senhor é quem manda, eu disse.   

- Olhe, Chico Miguel, tem duas vagas, disse ele, você escolhe qual. Imediatamente, eu apontei a cadeira 14. Porém, vagarosamente, ele disse que eu não concorresse para cadeira 14, pois eu perderia. Concorresse para a cadeia número 8, vaga com o falecimento do Prof. Francisco Cunha e Silva. Minha resposta foi pronta e positiva. Assim concorri sozinho, não houve quem quisesse entrar na disputa, fui candidato único, sabendo que precisava pedir votos do mesmo jeito e conseguir o número de 20 + 1, conforme o indicativo do Estatuto da APL. Conto isto, simplesmente, para mostrar a sapiência e a firmeza do Prof. Arimathéa Tito Filho. Experiência e fortaleza que não lhe faltavam para a construção e continuidade da “Casa de Lucídio Freitas”, a Academia Piauiense de Letras. 

             Como professor, é indiscutível sua inteligência, sabedoria e competência de Tito Filho, mestre de várias gerações e admirado por todas. No entanto, posso dizer que, como escritor, desde muito tempo, eu analisava sua obra de cronista e de crítico da literatura. Gostei muito, admirei seu trabalho de apresentação e crítico literário sobre o livro “Impressões e gemidos”, publicada na 2ª. edição, do poeta José Coriolano de Sousa Lima (J. Coriolano). Porém, minha admiração maior aconteceu quando li e analisei sua forma culta de escrever (sem esquecer a severa atualidade dos fatos), forte, límpida e correta. Admirei-o, como escritor, mais ainda ao publicar o livro “Teresina, meu amor” (1973), cuja forma de escrever continuou nos demais livros. Cito especialmente Crônicas da Cidade Amada” (1977) e “Sermões aos Peixes” (1990).  Daí, resolvi colocá-lo na minha obra “Literatura do Piauí”, como um dos fortes representantes da “Geração Meridiano”, juntamente com Manoel Paulo Nunes, O. G. Rego de Carvalho e os demais daquela geração. Meu livro “Literatura do Piauí”, 2ª. edição (2013), mostra bem isto.  

Assim, dizer que A. Tito Filho possuía uma cultura admirável é o mínimo que se pode dizer, pois foi um grande orador e professor emérito desde o início de sua vida. Assim, confirmo, aqui, tudo o que coloquei na obra máxima e moderna que é minha história da “Literatura do Piauí”, já mencionada.

Temos que registrar, ainda, que ele foi o único Presidente da Academia Piauiense de Letras que, em vida, teve a honra de ser motivo de uma obra especial: “A. Tito Filho, Incomparável”, de autoria do escritor  Theobaldo Costa Jamundá, natural de Pernanbuco, mas perfeitamente adaptado ao viver de Florianópolis (SC), onde constituiu família.

Por fim, a Academia Piauiense de Letras estava a dever-lhe esta especial homenagem, a qual, em boa hora, foi proposta pela ilustre Profa. Fides Angélica Mendes Omatti, Presidente atual da “Casa de Lucídio Freitas” e aprovada por todos nós.

                  Teresina, PI, 30 de junho de 2025

 

terça-feira, 24 de junho de 2025


 HOMENAGEM a FRANCISCO MIGUEL MOURA  

     ( Maior  Voz da Literatura do  PIAUI)


LUZ DO SERTÃO LITERÁRIO

    (Soneto de Alberto Araújo)


Francisco, mestre em verso e coração,

No chão do Piauí fez moradia,

Plantou palavras, frutos de harmonia,

No tempo e na ternura da emoção.


Do Jenipapeiro à imensidão,

Sua pena constrói sabedoria,

Fez da poesia luz, filosofia,

E um canto eterno à terra e à paixão.


Hoje, aos noventa e dois, brilhas com glória,

És farol da memória nordestina,

E herdeiro fiel da nossa história.


A tua voz, que o tempo não declina,

Ecoa viva — na alma, na vitória,

De um povo que em teus versos se ilumina.

_____________ 

 P, S.  O FOCUS PORTAL CULTURAL, na pessoa de seu diretor Alberto Araújo, rende homenagens calorosas ao ilustre Francisco Miguel Moura, que neste dia 16 de junho de 2025 celebra 92 anos de vida e literatura. Nesta data significativa, reverenciamos não apenas o tempo vivido, mas a vastidão de uma obra que atravessa décadas com lucidez, beleza e compromisso com a cultura.

Natural do sertão piauiense, do lugar Jenipapeiro, hoje município de Francisco Santos — Chico Miguel, como também é carinhosamente chamado, é um dos nomes mais respeitáveis da intelectualidade nordestina e nacional. Poeta, ensaísta, cronista, romancista, jornalista e crítico literário, construiu uma trajetória pautada por um amor profundo às letras e ao seu Piauí natal.

Com formação em Letras pela Universidade Federal do Piauí e pós-graduação em Crítica de Arte pela Universidade Federal da Bahia, Francisco Miguel Moura é um mestre da palavra que sempre soube aliar erudição com sensibilidade. Fundador do Círculo Literário Piauiense e da revista Cirandinha, seu trabalho ultrapassa as fronteiras do Estado, dialogando com leitores e críticos do Brasil e de Portugal.

É ocupante da Cadeira nº 08 da Academia Piauiense de Letras, onde sucedeu Francisco da Cunha e Silva, e membro correspondente de instituições literárias prestigiadas como a Academia Mineira e a Catarinense de Letras. Sua presença ativa na imprensa, nas revistas e no rádio ao longo dos anos consolidou sua voz como referência cultural e formadora de gerações.

Casado com Maria Mécia Morais Araújo Moura, Francisco Miguel é também exemplo de dedicação à família e ao ofício da escrita. Aposentado do Banco do Brasil, dedica-se exclusivamente à leitura e à produção literária, oferecendo ao mundo obras que exaltam o amor à terra e ao ser humano, como mostram os volumes Um Canto de Amor à Terra e ao Homem e Fortuna Crítica.

Receba, mestre Francisco Miguel Moura, o nosso mais sincero abraço, repleto de gratidão e admiração. Que sua luz continue iluminando os caminhos da literatura brasileira. Parabéns pelos seus 92 anos de vida, sabedoria e poesia!  FRANCISCO MIGUEL MOURA, PARABÉNS!

Com carinho e respeito de "Focus Portal Cultural - RJ"

              Alberto Araújo, jornalista e poeta

sexta-feira, 13 de junho de 2025

 

A CADA DIA...

            Francisco Miguel de Moura*

 

A cada dia a gente é um desafio

          à grande noite e vai sonhando o mundo

          sem tempo... A gente vai chegando ao fundo

          da gente mesmo! E o cheio está vazio.

 

          A cada dia a esfinge fere o fio

          do medo, da avareza... E, de segundo

          a segundo, o buraco é mais profundo

          das coisas que passaram como um rio.

 

          A cada dia a gente se amargura

          com o futuro mais perto. Uma loucura!

          E então desabam as tristezas de antes.

 

          E a cada dia a gente é tão pequeno,

          que o próprio doce é mais do que veneno

          pois já morreram todos os amantes.

 

           _____________

 *Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, com penetração em Portugal, Espanha e França, onde tem publicado, com frequência, seus poemas na imprensa.

terça-feira, 27 de maio de 2025


 

DILEMA

 

         Francisco Miguel de Moura*

 

Um sentimento estranho me desperta,

agora, que partiste pra tão longe,

e eu cá, neste mosteiro, feito um monge

que se queria um sábio e não poeta...

 

Mais não tive que um sonho de profeta,

mesmo assim não previ que ias mais longe,

a fingir-te de amada... E, eu, de monge,

sem conseguir sonhar com a alma aberta.

 

Assim, fingindo amor a vida inteira,

amor que começou por brincadeira

e agora quer sumir tão de repente...

 

Não sei se vou ficar no meu avesso,

mentindo que te quero, no regresso,

ou se morro de dor completamente.

 

                           Teresina, Nov/2009

_____________

*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro.

 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...