sábado, 24 de outubro de 2015

MEU IPÊ, TERNO E ETERNO

Francisco Miguel de Moura*


Quanto me doi o mal deste castigo:
o extermínio cruel da própria terra!
Matam nossos ipês, tremenda guerra,
E é pela paz do mundo que inda brigo.

Ligo-me a ti com a floração completa,
Qual se nadasses no ouro de tuas asas,
A pintar o horizonte e as outras casas
onde eu pousava os olhos como poeta.

Assim, desço as escadas, vou às ruas,
Chorar pelos ipês, árvores nuas,
clamando, num deserto sem jardim.

Já não durmo sequer às madrugadas,
meus olhos se enegrecem nas ramadas
secas – o tudo que sobrou pra mim.

                             (Soneto Inédito)
                                 
  Teresina, 11/10/2015.
       
______________________
*Francisco Miguel de Moura, brasileiro e piauiense, poeta de muitos versos e muito sofrimento pela humanidade, pela natureza e pela luz que um dia será para todos e banhará de azul nossos olhos, lá do firmamento-céu.

Um comentário:

Aluiso Castelo Branco disse...

Belíssimo soneto amigo, tantas cores, que encantam na sonoridade de seus versos.

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