sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Rosto Re-Sentido


Francisco Miguel de Moura*
http://cirandinhapiaui.blogspot.com
                         
 Já viu os olhos frios... Com medo
De tudo desconfiou – era cedo.

O nariz adunco, a cavalo, sorrindo!
Que belo destom! Sê benvindo!

Rosto longo, vermelho, de branco,
 Esbelto o corpo, a dança um tranco.

Boca grande, saliente o queixo,
A voz gostosa - palavra de seixo.

Bico beija-flor, sopro de beijo
Para quem vai longe... “O Tejo

Não é o rio de sua terra!” – Erra,
É o rio que bem longe berra

Como boi. Mundo de imagens,
Não imagina onde achar folhagens!

No espelho, se erra - berra, morre.
No espelho se enterra... Ou corre.

Mas, bem à janela, o azul do céu
Não lhe mostra o rosto: “Sou eu?!”

Já disse a que vinha, voltara ao feto,
Morreu de desgosto, por decreto.

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*Francisco Miguel de Moura, poeta brasileiro, que “luta com a palavra / a luta mais vã” –  segundo Drummond.

Um comentário:

Regina Ragazzi disse...

Show de poesia Chico!!Abração!!

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