terça-feira, 4 de junho de 2013

ROSIDELMA FRAGA – A POESIA EM CARNE E OSSO

Francisco Miguel de Moura*
 


Já nem lembro como foi o meu primeiro contato com essa jovem escritora, poeta e ensaísta, Rosidelma Fraga.  Nascida em Mato Grosso, morando e trabalhando em Goiânia, é possível que tenha tomado conhecimento de mim e de meus trabalhos pelo Portal www.htt://entre-textos, do poeta Dílson Lages, Teresina, onde começou a publicar vários textos na “Coluna Poiesis”. Professora na Universidade de Goiás, termina seu Doutorado recentemente e escreve ensaios e poemas da melhor feitura e profundidade para outros jornais e blogues da internet. Participou de vários concursos literários e teve três escritos aprovados no concurso “Prêmio de redação para professores”, promovido pela Academia Brasileira de Letras: “A importância de Machado de Assis, um século depois de sua morte”, "A importância dos livros no Brasil do século XXI” e “A palavra na era da imagem”. Também é autora de “Convergências e tessituras: Manoel de Barros, João Cabral e Corsino Fortes”. E agora, 2013, publica seu livro de poemas “POIESIS EM VERSO E PROSA”. Surpreendeu
-me o conhecimento que tem da Literatura do Piauí, sem praticamente ter vindo aqui, pois apenas dormiu uma noite, em hotel próximo ao Aeroporto. E, assim, escreveu três ensaios significativos sobre piauienses, entre os quais “Literatura Piauiense: Permanência do soneto”, fazendo honrosas comparações entre os meus e os de Da Costa e Silva, “Príncipe dos Poetas Piauienses”. De sua biografia, que neste momento interesse para o leitor, falta dizer ainda que é minha amiga, isto não posso deixar de registrar.

Deixemos, então, de enrolação e entremos para a análise de sua poesia em “POIESIS EM VERSO E PROSA”, mencionado no parágrafo anterior. Um artigo de jornal não é suficiente para a crítica literário nem me acho com condição de fazê-la, visto que sou de uma geração anterior, onde somente Drummond e João Cabral de Melo Neto se tornariam nacionalmente reconhecido como os melhores. Ela, não é pecado dizer isto, segue mais ou menos a trilha de Manoel de Barros, também da região Centro-Oeste, e ainda vivo e produzindo. Grande poeta da nossa era. Já disse que a poesia de Rosidelma Fraga não usa as imagens surradas, carcomidas, vai até além do pós-modernismo – que não sei bem o nome com que batizar. É uma poesia orgástica, centrada no eu, porém com ingredientes que a autoriza ser considerada desde já poeta maior como o seu mestre. Isto é uma glória que poucos alcançam na sua idade, sem contar a força dos seus ensaios. Na literatura e na teoria literária ela sabe tudo. Por isto é doutora com todo direito. Não fugindo às sensações do corpo, da pele, da natureza a se entranharem na alma, ela revolve com a palavra os mais estranhos e profundos sentimentos. O discurso é inteiramente limpo, a palavra é instrumento. Precisa dizer mais?  Mostro um pedaço de poema titulado de “Orgasmo”:

“Algumas vezes a poesia 
tentou fechar o zíper
e conteve-se na fenda das coxas. 
Mas minhas mãos rasgaram
cada letra como quem descostura 
o tecido traçado a longos cortes.
            (...) 
Entro em meu poema 
como quem perdeu as dobras,
os alinhavos e saiu nua... 
Visto o orgasmo de metáforas 
para adornar o verso amante”. 

O livro não tem altos e baixos, é uma inteira reflexão poética que rola e rola até chegar ao precipício dos mistérios desmistificados, “nos seus exercícios de erotismo sinestésicos”, aprovação ao prefaciador Isaac Newton de Almeida Ramos. 

Para continuar a análise, meu recurso é copiar de mim mesmo, uma opinião que dei por e-mail com a qual saudava pela nova empreitada:

Orgásticos são todos os seus poemas, lúdicos ou não. Tu tens um futuro de estrada coruscante em azul. Não deve queixar-te porque às vezes acontece uma impossibilidade, uma queda de orgasmo poético. Mas ‘todo orgasmo vale a pena se a poesia não envenena’, reescrevendo Fernando Pessoa. Ao contrário, adoça nossa vida com palavras e silêncios, quebrando a monotonia do certinho e da inspiração. Rosidelma, você veio para desconcertar/desconsertar o leitor mal acostumado com a mesmice das metáforas pisadas e repisadas dos poetas anteriores. Suas imagens são arrancadas do universo integral/desintegrado, sem peias nem cabrestos, e diz tanto em tão poucas palavras que parece que Ezra Pound está segredando a sua alma: não faça o que digo, faça o que você escolher. Não preciso dizer que você conhece a linguagem poética por dentro e por fora e a entrança de maneira alta, sonante e gostosa, sem teorias nem preconceitos, sem disfarces nem floreios além da conta. És uma estrela no estilo e na construção do poema.”

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*Francisco Miguel de Moura -Escritor e poeta brasileiro, membro da Academia Piauiense de Letras, Teresina, PI e da IWA-International Writers and Artists Association, Toledo, OH, Estados Unidos.

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