domingo, 4 de maio de 2008

BIOGRAFIA - MONTEZUMA DE CARVALHO










Francisco Miguel de Moura*


JOAQUIM DE MONTEZUMA DE CARVALHO nasceu em 21 de novembro de 1928, na Freguesia de Almedina, em Coimbra, Portugal, em cuja Faculdade Direito se licenciou. Logo após, expatriou-se para Angola e Moçambique onde exerceu funções nos registros e na magistratura (Nova Lisboa, Inhambane e Lourenço Marques) até 6 de abril de 1976. Retornado a Portugal, exerce a advocacia em Lisboa.
Em 1951, sendo estudante, tomou a iniciativa da homenagem a Teixeira de Pascoaes, publicando o livro coletivo A Teixeira de Pascoaes. Em 1953, traduz e prolonga Teixeira de Pascoaes, do italiano Guido Battelli. Em 1957, lançou em Angola o Epistolário Ibérico Cartas de Pascoaes e Unamuno. Em 1958, ano da morte de Joaquim de Carvalho, organizou os livros Joaquim de Carvalho no Brasil e Miscelânea de Estudos a Joaquim de Carvalho. Fundou, ainda, na Figueira da Foz, a Biblioteca-Museu Joaquim de Carvalho e a Sala Joaquim de Carvalho, esta última ligada à Biblioteca Municipal. De 1958 a 1965, financiado pelo município de Nova Lisboa, Angola, organizou e publicou os quatro tomos do Panorama das Literaturas das Américas, de 1900 à Actualidade, obra até hoje sem equivalente na sua dimensão global e qualidade de colaboradores directos. Em 1965 apresentou os escritores luso-brasileiros nascidos neste século (XX) na obra francesa Ecrivains Contemporaine (Ed. Mazenod, Paris). Em 1963 fez parte do júri internacional que atribuiu ao mexicano Octavio Paz o Grande Prix de Poésie, prêmio belga.
Os seus escritos versando literatura, filosofia e história figuram principalmente no estrangeiro. No Brasil, nos diários “O Estado de São Paulo” e “Tribuna de Santos”, na revistas “Expoente”, “Comentário”, “Kriterion”, “Minas Gerais”,” Jornal de Letras”, Ita-Humanidades”, “Letras de Limeira”, “Revista Brasileira de Filosofia” e “Revista de Letras”; na revista “Relligione Oggi” (Roma); na “Revista Interamericana de Bibliografia” (Washington); nas revistas do México “Norte”, “Vida Universitária”, “Sembradores de Amistad”, “Comunidad”, “Nível” e “Humanitas”, no diário “El Universal” (Equadror); na revista “Humboldt” (Alemanha) e “Repertório Latinoamericano” (Buenos Aires-Argentina).
Pelo timbre destas colaborações, alheias a qualquer paternalismo oficial, mereceu algumas distinções estrangeiras. Assim, é membro de The Hispanic Society of América (New York); da Academia Carioca de Letras e da Academia Santista de Letras; do Grupo América (Uruguai); convidado do Instituto Internacional de Literatura Ibero-americana (Universidade de Pittsburg, USA) e do Primeiro Congresso de Literatura Ibero-americana da Bienal de São Paulo (Brasil, 1970). Em 1971 foi-lhe outorgado prêmio mexicano José Vasconcelos, que tem distinguido personalidades como León Felipe, Salvador de Madariaga, Félix Martí Ibañez, Luiz Alberto Sanches, Jorge Luiz Borges, Gilberto Freyre, Diego Abad de Santilián, Ubaldo di Benedetto, etc.
Figuras como Miguel Angel Astúrias, César Tiempo, Demetrio Aguilera Malta, etc. comentaram o seu labor cultural e internacionalista.
Este curriculum figura na capa do livro António Sérgio, a Obra e o Homem (Ed. Arcádia, Lisboa, 1979). Depois desta obra, publicou ainda: Crónica de uma viagem à Costa da Nina, no ano de 1480, de Eustache de La Fosse (Ed. Vegga, Lisboa, 1992); Destino e Obra de Camões, de Jorge Luís Borges (Edições do Tâmega, Amarante, 1993) Da alma portuguesa/da alma galega, por Joaquim de Carvalho/Camilo José Cela (Ed. do Tâmega, Amarante, l995); e Sor Juana Inés de la Cruz e o Padre Antônio Vieira ou a disputa sobre as finezas de Jesús Cristo (Ed. Frente de Afirmación Hispanista, A. C., Ciudad de México, 1998; Um abraço de Espanha a Garett: Juan Valera, Marcelino Menéndez y Pelayo e Ramón Menéndez Pidal”, 1999, obra esta publicada pela Direção Regional de Cultura, Angra do Heroísmo, Açores; em junho de 1999 foi designado membro da International Parliament for Safety and Peace/Intergovernmtal Organization for the States, ONU. em New York. Em 1999 foi eleito membro da Academia Norteamericana de la Lengua Española (correspondente de la Real Academia Española de Madrid), academia esta galardoada em setembro de 2000 com o Prémio Príncipe das Astúrias, de Espanha.
Em 1999, foi designado Cavaleiro da Ordem de St. Eugène de Trebizonde, de Espanha, presidida pelo Príncipe Juan Arcádio Láscaris Comneno, seu Grão Mestre.
Na atualidade colabora, activamente, no Caderno Literário do diário “O Primeiro de Janeiro”, de Porto/Portugal; e no “Diário dos Açores”, de Ponta Delgada, Açores, Portugal. Em 2001 fez reeditar a obra Amarante, de Joaquim de Vasconcelos (1849-1936), com introdução sua (Edições do Tâmega, Amarante); a obra Vida de Bento de Espinosa, por João Colerus (1647-1707), com introdução de seu pai Joaquim de Carvalho (1892-1958) e tradução de J. Lúcio de Azevedo directamente do holandês; e viu reeditar-se em Buenos Aires, em versão bilíngüe, Destino e Obra de Camões, por Jorge Luís Borges, com introdução do Dr. José Augusto Seabra, Embaixador de Portugal na Argentina, em 2001, e de Miguel de Torre Borges (sobrinho de Borges), sendo, no castelhano, traduzido por Rodolfo Alonso e Miguel Vigueira, cuja edição original (Ed. do Tâmega), Amarante, Portugal) fora de sua iniciativa.
Esses dados me foram enviados pelo próprio Joaquim de Montezuma de Carvalho, parte digitados, parte escritos a mão por sua própria caligrafia, esquecendo-se de colocar a data de quando o fez, entretanto, tudo indicando que foi após a entrada do século. Depois é que publicaria Cervantes em Portugal (Edições Nova Veja, Lisboa, 2005), uma obra bastante original onde desvenda as viagens de Cervantes e mostra que Portugal era muito mais o centro do mundo, naquele tempo, do que Espanha e quejandos. Joaquim de Montezuma de Carvalho, que de forma natural é um escritor barroco, como a maioria dos historiadores que conheço, aqui se abranda em frases límpidas, lógicas, para melhor esclarecer a verdade verdadeira tão importante quanto a que tomou a ombros sobre o inventor do romance ocidental. Dizendo assim, friso que, dentro do estilo mencionado, o barroco, o escritor consegue ser muito poético, e Montezuma de Carvalho o é. Assim é que sempre teve propensão pela poesia e pelos poetas, preferência talvez maior do que pelos filósofos, ao contrário de Joaquim de Carvalho, seu pai, que preferiu os filósofos e as filosofias. Não obstante, Montezuma também gostava destes, especialmente de Espinosa, sua especial paixão.
Mais alguns elementos de sua biografia estão no e-mail de 7 de março de 2008, que me foi enviado pelo Sr.Mário Jorge Ferreira, da cidade de Guimarães, Portugal. Transcrevo-o, então, integralmente:
“Um mensageiro da universalidade (in O Primeiro de Janeiro, 7-3-2008), Joaquim de Montezuma de Carvalho faleceu ontem, às 6 h 40 m, no Hospital S. José, em Lisboa, vítima de doença prolongada. O corpo estará hoje em câmara ardente a partir das 16 horas na Capela Nossa Senhora dos Remédios, em Alfama, donde sairá, amanhã, às 9h30 para o Cemitério do Alto de São João, onde se realiza o funeral pelas 10 horas. Ana Sofia Rosa, o filho Joaquim Montezuma de Carvalho, também advogado, falou ao “Janeiro” do legado do seu pai – ‘uma homem das letras, um filósofo que abominava a política’. (...)
No final dos anos 50, o jovem advogado partiu para Angola. Começou por ajudante de conservador do Registro Civil e Comercial de Lourenço Marques, onde casou com Maria Júlia Neto da Silva, acumulando funções na magistratura. O filho único recorda, desde tenra idade, o gosto do pai pela escrita, pelos escritores e pela literatura, que considerava universal e uma. ‘Não era pessoa de perder tempo a ver televisão ou a ir ao cinema. Os seus temas de conversa à hora da refeição eram um regresso aos escritores. ’ – recorda.
Amigo do poeta Jorge Luís Borges, que conheceu na Argentina, do escritor colombiano Gabriel García Márquez e do autor mexicano Octávio Paz, ambos prêmios Nobel de Literatura, e de Aquilino Ribeiro, o pensador Joaquim de Montezuma de Carvalho gostava de se isolar no meio dos livros, queria ter o essencial e era um homem de gostos muito simples: ‘O meu pai não se interessava pelas questões monetárias, apesar de ser advogado como eu. ’ O filho adianta: ‘Quando ele era novo teve autismo e fechava-se na biblioteca do meu avô, o filósofo e historiador figueirense Joaquim de Carvalho. ’
De regresso a Portugal, em 1976, exerce a advocacia em Lisboa e dá início a uma carreira de escritor e de divulgador da cultura portuguesa. Os seus escritos, que versam sobre literatura, filosofia e história figuram principalmente no estrangeiro. Colaborador, com aprofundados ensaios, do das Artes das Letras de O Primeiro de Janeiro, desde 1999. ‘todas as segundas-feiras, pedia-me para tirá-lo da internet’– recorda.
Joaquim de Montezuma de Carvalho despertou o interesse do filho por diversos autores. ‘Eu gostava muito de Júlio Verne, de Camilo Castelo Branco, de Eça de Queirós e ele apresentava-me os grandes autores mundiais. ’, partilha, lembrando que trocavam frequentemente impressões sobre o que estava a escrever. Autor de vasta obra no campo do ensaio, Joaquim de Montezuma de Carvalho foi distinguido com a Medalha José Vasconcelos, no México, atribuída pela Frente de Afirmación Hispanista, com sede em Nova Iorque, pelo volume O Panorama das Literaturas das Américas. Por ser autor de uma vasta bibliografia consagrada às cultura portuguesa e hispânica, foi designado, em 1999, Cavaleiro da Ordem de Santo Eugênio de Trebizonde, da Espanha.”
_________________
*Francisco Miguel de Moura, escritor brasileiro, já publicou cerca de 30 livros, muitos trabalhos seus foram divulgados no exterior: Portugal, Espanha, França, Cuba, Itália, Estados Unidos. Mora no Piauí. E-mail: franciscomigueldemoura@superig.com.br

2 comentários:

Anônimo disse...

Depois de ler este Blog, continuo sem certezas..

Joaquim Montezuma de Carvalho, casado com Maria Julia, seria o Juiz Montezuma de Carvalho em Lourenço Marques Moçambique ??
Viviam em Portugal ao pé da Sé ?? Tinham 1 filho em comum, mas já existiam 2 filhos da Mª. Júlia ??

Eu era muito amiga da Mª. Júlia e visita da casa deles em Lourenço Marques.

Peço o favor de me ilucidarem e me darem o paradeiro da Mª. Júlia.

Muito grata
Isabel Ribeiro (isa.ribeiro2008@gmail.com)

Francisco Ant. Vidal Blanco disse...

Hoxe, repasando a correspondencia arquivada en carpetas, atopo as fermosas e divertidas cartas que don Joaquim me mandaba con recortes dos seus artigos e anotacións á marxe. Non souben do seu falecemento ata hoxe. Na Galiza deixa un amigo.

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