segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

FAMÍLIAS “MARTINS” E “SOUSA MARTINS”

Francisco Miguel de Moura*

Escritor (Academia Piauiense de Letras)

            Não obstante tendo consultado os livros da “Família Coelho Rodrigues, Presente e Passado”, de autoria de Abimael C. Ferreira de Carvalho e “Vieira de Carvalho e Coelho Rodrigues”, de Helvídio Clementino de Aguiar, considero, neste artigo, apenas as duas famílias “Martins” e “Sousa Martins”, pois no convívio de anos se foram misturando, de tal forma que hoje é difícil saber quem é quem da família “Coelho Rodrigues”, quem é quem da família “Martins” ou “Sousa Martins”.
Mas é certo que o primeiro casal que a elas deram origem foi o mesmo: Valério Coelho Rodrigues e Domiciana Vieira de Carvalho. E que a filha desse, Ana Rodrigues de Santana casada com Manoel de Sousa Martins, teve muitos filhos, entre os quais se contam o PRIMEIRO NETO de Valério, Manoel de Sousa Martins (segundo), o nosso conhecido Visconde da Parnaíba, nascido em 8 de dezembro de 1867, na fazenda Serra Vermelha, então município de Oeiras, depois de Jaicós e finalmente de Paulistana, vindo a falecer em 20 de fevereiro de 1856, com 89 anos, Oeiras - PI. 

         Eles são o tronco dos “Martins” e “Souza Martins” de Picos, dos quais descendem muitas pessoas. As mais destacadas, na história de Picos, são o Coronel Clementino de Souza Martins, filho do legendário piauiense Major Manoel Clementino de Sousa Martins, participante ativo da revolução da Balaiada ocorrida no Maranhão, de 1838 a 1841, com esgalhamento para o Piauí, inclusive havendo lutas até em Campo Maior, a cujas tropas outros piauienses se incorporaram, como vimos em capítulo anterior. Ele exerceu cumulativamente o cargo de Prefeito, apelidado de Intendente, na época imperial, durante dois anos, e somente em 1892 foi realizada a primeira eleição para Prefeito da cidade, quando transferiu seu cargo ao filho Helvídio Clementino de Sousa Martins (1892 a 1896), primeiro Prefeito oficial de Picos. Daí por diante, outras família foram dominando a política da cidade. Entretanto, de vez em quando aparece um “Martins Neiva”, um “Martins Luz”, como prefeito ou vereador, sem contar outros cargos administrativos de importância nas cidades de Picos e do Piauí. Para gáudio dos “Martins” e “Sousa Martins”, logo da família “Né de Sousa”, nosso último governador, Dr. Wilson Martins vem desse ramo familiar tão importante quanto numeroso.

         Tendo em vista que o mais ilustre da família é Manuel de Sousa Martins, Visconde da Parnaíba, sobre ele escreveu Abimael Ferreira de Carvalho, que se considera do grupo dos “Coelho Rodrigues” e “Vieira de Carvalho”: “O Visconde casou-se em primeiras núpcias com Maria Josefa dos Santos, falecida em 4 de outubro de 1840, e em segundas núpcias, com  Maria Benedita Dantas, viúva de
 seu primo João Barbosa de Carvalho, de cujo consórcio não houve descendentes”.

        Como é sabido, ele governou a Província do Piauí desde a Independência até 1843, isto é, durante 20 anos, na qualidade de Presidente, com pequenas interrupções, merecendo da literatura piauiense um dos seus melhores romances: “Né de Sousa”, do acadêmico e médico Dr. José Expedito Rego. Conta ele: “Todos sabem que Né de Sousa procriou vários filhos bastardos, mas ninguém conhece os nomes de suas amantes. Criei, então, Tiana e Miquelina, amásias de Manoel de Sousa Martins”. E lá na frente da sua explicação de romancista, acrescenta: “Os principais acontecimentos durante esse vasto período da vida de Né de Sousa, estão todos no livro. Quem desconhece a história do Piauí poderá ter alguma dificuldade para acompanhar o enredo, pois algumas pessoas entram no romance sem apresentações prévias, supondo-se naturalmente que o autor leu e aprendeu a crônica histórica da terra e da gente do Piauí. A quase totalidade dos personagens é real”. Fiquemos aqui, neste pedaço do preâmbulo do romancista, informando que o título nomeado acima é da primeira edição do livro. Já na segunda edição, autor e editor concordaram em mudar o título para “Vaqueiro e Visconde”, em cuja primeira edição aparecia apenas como subtítulo. Isto interessa mais aos bibliófilos, mas achamos que vale a pena esclarecer de uma vez por todas.

         Manoel de Sousa Martins, que pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico brasileiro, é o patrono do Instituto Histórico de Oeiras, em cujas entidades certamente os futuros pesquisadores poderão encontrar muitos documentos preciosos sobre sua família e seus feitos.

          Os membros da família “Martins” radicaram-se em várias partes do Piauí, especialmente em Oeiras, Jaicós, Picos, Valença, e hoje se encontram por toda parte. Em Picos ficaram seus filhos Gentil Clementino de Sousa Martins e Helvídio de Sousa Martins, os dois nomes mais conhecidos.  Outras localidades de Picos, como Gameleira, Cercado Grande, Angical também foram escolhidas como moradia dos “Martins”, além da prefalada “Boqueirão”, visto que viviam do criatório de gado à solta e precisavam de muitas terras, e até ali chegavam as boiadas dos cavalarianos de Pernambuco e Bahia, com quem mantinha a maioria de suas relações.

         Hoje, quase não resta nenhum vestígio de suas moradas e currais, o que é uma pena para o historiador. Consta que ainda existe a casa onde nasceu Coelho Rodrigues, importantíssimo homem de saber e inteligência, célebre no Brasil imperial. Mas essa moradia, se é que ainda existe, talvez tenha sido reformada pelo homem e pelo tempo ocorrido. Resta apenas a lembrança, que também servirá à história através de uma pintura ou retrato de curioso artista moderno.

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*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, piauiense e picoense, está escrevendo um livro cujo  título provisório é "Minha História de Picos", em cujo livro naturalmente vão ser apontados os dados deste grupo famailia, como de outros. E-mail: franciscomigueldemoura@gmail.com

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