quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A FAMÍLIA “MOURA” E “MOURA FÉ”, NO PIAUÍ

Francisco Miguel de Moura
Escritor e membro 
da Academia Piauiense de Letras



    Falar ou escrever sobre a família “Moura Fé” ou simplesmente “Moura” tornou-se muito fácil, depois da genealogia da família “Moura Fé”, levantada pela Prof. Iracilde Maria de Moura Fé Lima. Sem esquecer os ramos que dispensaram a última expressão, assinando-se apenas “Moura”, foi uma das primeiras famílias a povoarem a região da fazenda “Curralinho”, ou seja, onde hoje está a cidade, o município e a região de Picos. Todo o seu conhecimento é resgatado, descrito e expresso, admiravelmente, pela Profª. Iracilde Moura Fé Lima, em seu livro “De Moura aos Moura Fé - Resgate de uma trajetória”, Teresina, PI, 2005. Desse livro, com grande honra e orgulho, fui o prefaciador escolhido pela autora. 

Tudo começa com seu primeiro membro, Leonardo de Moura Fé, um funcionário da Coroa Portuguesa, que veio ao Brasil para fiscalizar as sesmarias, ou seja, se estavam sendo cumpridas as ordens do Rei. Chegou por outra rota, vindo pelo Pará (Belém) ou Maranhão (São Luís), e não pela comum que era Bahia, Pernambuco. Veio para o Brasil, aqui chegando em 1755.

Antes da chegada de Leonardo de Moura Fé, já Felix Borges Leal, sobrinho de Antônio Borges Marinho Leal de Souza Brito, estabelecera-se em “Curralinho”. Félix Borges Leal era o pai de Maria Borges Leal. E esta se casou com Leonardo de Moura Fé.  O casal Leonardo de Moura Fé x Maria Borges Leal teve 8 filhos e muita descendência, tanta que se espalhou por toda a região (Oeiras, Jaicós, Simplício Mendes, Valença, etc.). Do seu casamento nasceram os seguintes filhos: Maximiano de Moura Fé, Leandro de Moura Fé, Bárbara de Moura Fé, Leonor de Moura Fé, Francisco de Moura Fé, Manoel de Moura Fé, José de Moura Fé e Joana de Moura Fé. 

Segundo a genealogia da família “Moura - Moura Fé”, eu sou um descendente do primeiro filho, Maximiano de Moura Fé.  Em linha reta, dos primeiros aos últimos, vai aqui uma pequena demonstração: 1ª GERAÇÃO: - Leonardo de Moura Fé x Maria Borges Leal; 2ª GERAÇÃO: - Maximiano de Moura Fé x Ana Morais Rego; 3ª GERAÇÃO: - Valério de Moura Fé x Joana Maria de Jesus; 4ª GERAÇÃO: - Bento de Moura Fé x Joana Maria do Espírito Santo; 5ª GERAÇÃO: - Bernardo de Moura Fé x Teresa Maria Leal; 6ª GERAÇÃO: - Feliciano Borges Leal x Zeferina Maria do Espírito Santo; 7ª GERAÇÃO: - Miguel Borges de Moura (Miguel de Ouro) x Josepha Maria de Sousa (estes são meus bisavós paternos); 8ª GERAÇÃO: Feliciano Borges de Moura (Sinhô do Diogo) x Rosa Maria da Conceição; 9ª GERAÇÃO: - Miguel Borges de Moura (Miguel Guarani) x Josefa Maria de Sousa; 10ª GERAÇÃO: - Francisco Miguel de Moura (Chico Miguel) x Maria Mécia Morais Araújo Moura.

Mas a Profª. Iracilde Maria de Moura Fé Lima vai longe na pesquisa sobre a família Moura.  Foi buscar documentos em Portugal. Eles indicam que os “Moura” vieram da Vila Auricitana (hoje cidade Moura), no sudeste de Portugal, recuperada dos mouros, na batalha final da expulsão deles da Península Ibérica, em 1.160, pelos irmãos D. Pedro e D. Álvaro Rodrigues. Pelos seus feitos, foram agraciados pelo Rei, o qual lhes acrescentou o sobrenome MOURA. Foi a partir dali que chegamos aos nossos dias. 

Por outro lado, a pesquisadora verificou, ao longo do trabalho e organização, que algumas famílias, em algum lugar, nos longes do tempo, abandonaram o “Moura” ou “Moura Fé” por outro sobrenome. Exemplos são os “Mendes”, de Simplício Mendes-PI e redondeza, que pertencem ao ramo dos “Moura” E também os que deixaram o sobrenome “Moura” ou o “Fé”, para ganhar outros. Na região de Picos ficaram apenas os “Moura”, já os habitantes da Sussuapara e Bocaina conservaram o “Fé”, por exemplo.

Confesso que, em inúmeras passagens da leitura como prefaciador, senti-me verdadeiramente emocionado, orgulhoso de pertencer a uma família moralmente de tão bom gênio - não se conhecendo, ao perpassar dos séculos, crimes ou pessoas de má conduta – e composta de espíritos dados às artes, às letras e ainda à alta política e administração pública, para não falar no mourejo das atividades mais comuns, porém produtivas, como professores, funcionários públicos, profissionais liberais, criadores, agricultores, comerciantes, povoadores destes sertões com a fertilidade da terra e de tantos filhos e filhas, e conservando sempre a tradição do nome “Moura Fé”, ou somente “Moura”. Muitos costumes, muitos problemas, alguns já praticamente solucionados como a divisão das terras, a reforma agrária natural em Picos – PI são abordados, e as ligações da própria história do nosso Estado e de famílias, nos mais diversos lugares. Foi mais longe, trazendo parte da história de Portugal.  Livro de profundo conhecimento adquirido com suado trabalho. De modo particular, por muito gostar, aprendi a lenda da “Princesa Moura”, sobre a qual pretendo ainda escrever uma crônica, um conto ou um romance.

As personalidades mais conhecidas com o nome “Moura”, em Picos, são três irmãos: Dr. João de Moura Santos, médico e Deputado Federal; Dr. Waldemar de Moura Santos, farmacêutico e Senador; e Adalberto de Moura Santos (Bertinho), um dos prefeitos da cidade, todos os três eram filhos do Cel. Francisco de Sousa Santos, o chefe político da cidade durante muito tempo e várias vezes tendo assumido a direção da Prefeitura, entre outros cargos políticos no Estado. É bom não esquecer que a esposa do Cel. Francisco Santos, Balbina de Moura Santos, é da mesma família “Moura” que estamos focalizando. 

Finalmente, podem ser importantes para o leitor, essas duas informações: 1ª) - Dr. Sílvio Mendes, ex-Prefeito de Teresina, homem de muita cultura, inteligência e capacidade político-administrativa, além do seu conhecido caráter atestado por sua conduta moral e ética, portanto um grande valor da sociedade piauiense, é descendente da família “Moura”, como atesta a Profª. Iracilde; 2ª) - Também o Prof. Fonseca Neto, da Universidade Federal do Piauí e membro da Academia Piauiense de Letras, pesquisador e historiador de grande mérito intelectual e brio moral, maranhense de nascimento, faz parte dos “Moura Fé”, conforme catalogado na genealogia mencionada.

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Nota: Quase todas as informações aqui colocadas foram tiradas do livro "De Moura aos Moura Fé - Resgate de uma trajetória",  Teresina, Piauí, 2005 - Autoria da Profª Iracilde Maria de Moura Fé Lima, de cuja obra fui o prefaciador.( Francisco Miguel de Moura)

2 comentários:

Claudirene moura disse...

Nossa que historia interessante, agora fiquei curiosa a avó do meu esposo que tem 89 anos e que chama Josefa Rosa de Moura que mora atualmente em Palmas_To, ela também é de picos no Piauí e diz que a familia moura era muito grande....será que ela é parente desses mesmos moura??? Se alguém puder esclarecer minha duvida ficarei muito agradecida.

Anônimo disse...

É uma historia bem interessante,sou filho de dois moura (Moura Fé e Borges de Moura)mais pouco sei sobre meus familiares de Picos e Oeira -PI...

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