sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Genocídio das nossas crianças e jovens

Francisco Miguel de Moura
Ficcionista, poeta e cronista

http://cirandinhapiaui.blogspot.com



O Brasil já foi o país do futuro. Agora, que futuro temos? Está acontecendo um verdadeiro genocídio de nossas crianças e jovens. Os jornais, revistas e almanaques estão cheios de assustadora estatística, que nunca decresce, só aumenta de mês para mês, de dia para dia absurdamente. Nós, que habitamos e amamos esta cidade Teresina, sentimos na carne e na alma. E pelas notícias de canais nacionais da tevê, todos os dias, o mesmo está acontecendo em todo o Brasil.

Genocídio? Alguém pode assustar-se. Aliás, as pessoas de boa índole e de caráter estão aterrorizadas, os cidadãos e mães de família já não dormem. Foi instalado o reino do terror.  

Genocídio, sim. Se não vejamos a “Enciclopédia do Holocausto” –site www.ushmm.org”. -“Em 9 de dezembro de 1948, sob a sombra recente do Holocausto, as Nações Unidas aprovaram a CONVENÇÃO PARA PREVENÇÃO E PUNIÇÃO DE CRIMES DE GENOCÍDIO. Essa Convenção estabeleceu o "genocídio" como crime de caráter internacional, e as nações signatárias da mesma comprometeram-se a "efetivar ações para evitá-lo e puni-lo", definindo-o assim: - Quaisquer dos atos a seguir relacionados, cometidos com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial, ou religioso, tais como: (a) assassinato de membros do grupo; (b) causar danos à integridade física ou mental de membros do grupo; (c) Impor deliberadamente ao grupo condições de vida que possam causar sua destruição física total ou parcial; (d) Impor medidas que impeçam a reprodução física dos membros do grupo; (e) transferir à força crianças de um grupo para outro”.
Esclarecemos que o “grupo” de que falamos, neste caso, é o grupo etário, por idade: crianças, jovens - os da primeira idade – que seria “a melhor idade” e não, por deboche, os que têm mais de 60 anos. Está acontecendo, sim, UM GENOCÍDIO (NÃO AQUELE RACIAL), MAS UM GENOCÍDIO SOCIAL. E cadê os homens de ciência, os juristas, os políticos de vergonha, os brasileiros que têm orgulho de ser brasileiros e detêm uma pontinha de poder na mão? Por que não vêm isto, por que não levantam os olhos para os absurdos das leis e dos costumes sociais para acabar com isto, ou pelo menos fazer descer para níveis mínimos? 

Pra não fincar-me apenas em minha opinião, Aldo Luiz Segantini, em depoimento colhido na sua página do “Facebook”, em 21/07/2012, escreveu o seguinte: - “Penso que se querem acabar com o futuro do pais, sem maiores conflitos, façam o que estão fazendo; dêem liberdade sem limites aos jovens, visto que a educação familiar acabou, a acadêmica nem se fala; e hoje, o jovem é proibido de trabalhar ou aprender um oficio pelo fato de ser menor de idade, a lei (ECA*) é extremamente paternalista ao jovem infrator, seja um assassino, traficante ou estuprador; eles perdem a infância, não têm objetivos, seja para estudar ou trabalhar... O estudo e o trabalho enobrecem o ser. O que é certo? Deve-se imediatamente baixar a menoridade para 7 anos de vida, e acima de 10 anos todos merecem um trato diferente, coloquem-nos para trabalhar e pagar pela transgressões à sociedade.” Explicando: *ECA é a Lei 8069, de 13 -7-1990, que institui o “Estatuto da Criança e do Adolescente”, inteiramente desnecessário, redundante porque na Constituição Federal já constam tais direitos. Apenas serviu de pretexto para que cada governante inserisse, a seu talante, mais direitos às crianças e jovens e menos obrigações e deveres aos governantes. O que digo não é exagero, não. 

O que foi dito e é dito e escrito todo dia, toda hora, toda noite, é que em todos os bairros e na zona central das grandes cidades (e agora das pequenas também) acontecem horrores: assaltos, mortes, seqüestros, vinganças. E é em todo o país. Há bairros, em Teresina, como o “Pró-morar”, por exemplo, onde todos os dias acontecem casos (por ajuste de contas entre gangues, por roubos e assaltos, invasão de residências e clubes, hospitais, e tiroteios sem alvo), matando crianças, jovens e mulheres, principalmente, mas também adultos e velhos de todas as idades. A criminalidade só tende a aumentar, com a entrada de drogas por todo lado, vindas do Paraguai, Colômbia, Bolívia e de outros países limítrofes do Brasil – alguns, como este último, que têm sua fonte de renda maior assentada na distribuição da “coca” industrializada ou não, para o Brasil, sem dúvida, que virou entreposto de distribuição para a Europa e outras partes. Junto com a droga vêm as armas de todo tipo. E o Brasil, coitado, com fronteiras enormes e onde é proibido usar armas de fogo? O cidadão fica desprotegido, mas o bandido está armado até os dentes, repassando drogas aos menores, a comando dos presídios. Roubar, estuprar, seqüestrar, matar, torturar, incendiar, depredar, acabar com policiais e jornalistas, invadir repartições e quartéis, fazer baderna de todas as formas virou brincadeira. O cidadão, os profissionais da imprensa e a Polícia são os alvos principais deles e daí toda a população, onde estiver.  Já invadiram o “hinterland” e as zonas rurais. Pode-se dizer com muita tristeza, muita raiva e muita ironia que “está tudo dominado”, como dizem, alto e bom som, os chefões da droga, a partir dos presídios de segurança máxima e de outros, enfim. 

Será que não tem jeito? Como dar um basta nisto?

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*Francisco Miguel de Moura – escritor, membro da Academia Piauiense de Letras

Um comentário:

Regina Ragazzi disse...

Esta é a nossa realidade. E a coisa vai aumentando cada dia mais. Já saiu fora de controle faz tempo.Aliás, nunca esteve em controle. E quem se importa??Apenas aqueles que pouco ou nada podem fazer.Mas vale sempre dar o alerta...
Ótimo texto Chico.
Abraço grandão!!!!!!

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