quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

LITERATURA NO PAÍS NORDESTE

Francisco Miguel de Moura*
             Autor


                                                     Gilberto 
                                                                               Freyre



          
A tentação, no começo do ano, é escrever sobre coisas passadas, acontecimentos, opiniões, que o mundo vai-se acabar, que os políticos vão criar vergonha por causa do julgamento do "mensalão"... Nada disto. Não gosto de retrospectiva nem de adivinhações. Falemos em coisas permanentes como a literatura, que, diga-se de passagem, não depende nem um pouco da mídia, essa “média” dos mega-shows, mega-encontros, acontecimentos estrondosos e extravagantes.  Tudo isto passa como o vento e o trovão. A poesia, não. 

Hoje voltamos às letras e ao Nordeste especialmente. Nosso planeta Nordeste, no ano passado, festejou tão bem, e com justiça, o grande Luiz Gonzaga, criador do baião e de suas variantes formas de expressão em canto e dança popular, músicas que todos nós curtimos com prazer, música que invadiu o Brasil, roubando enormes espaços às porcarias que vêm de longe, na aba da “média” interesseira em ganhar rios de dinheiro nos países periféricos como o Brasil. Mas, grande parte destes milhões é transferida para o exterior. Consumindo essas músicas “de carregação” ou “rebotalhos” (como diz o sertanejo), nos empobrecemos de dois lados: pelo rapto da renda e pelo empobrecimento da cultura. Porém, quem assistiu ao filme de Luiz Gonzaga, como eu, lavou a alma.

Como o assunto é literatura e o nosso poeta paraibano Luiz Fernandes de Silva, informo ter recebido muitas e belíssimas mensagens do meu amigo e grande poeta Luiz Fernandes da Silva, divulgador inveterado da literatura da Paraíba e editor do jornal alternativo “CORREIO DE POESIA”, pelo que faz um bem extraordinário ao Nordeste.  E assim não poderia deixar de conferir o assunto que me é tão grato. Uma de suas cartas registra um completo rol dos melhores escritores brasileiros da atualidade, a começar da Paraíba, matéria que ficará para outro artigo. Junto a uma delas chegaram-me também números do “Correio de Poesia”, do seu livro “Poemática”, publicado pelo autor em edição particular, 1977, livro de estreia, agora reeditado pelo jornal “Tribuna da Imprensa”, Rio de Janeiro, 2012, com prefácio do também poeta paraibano Políbio Alves, e um título de EMBAIXADOR DA POESIA BRASILEIRA a mim atribuído. Eu, por mim, não creio que mereça tanto, mas fica por conta da generosidade de quem o propôs, votou e emitiu o documento, que guardo com muito carinho, junto a outros títulos significativos que possuo.

Num certo trecho do prefácio do livro de Luiz Fernandes da Silva, lê-se: “Atualmente está havendo uma sacudidela na poesia, uma nova realidade se afirma nos mais distantes recantos do país, surgem novos poetas e, na brava Poesia Paraibana, um nome se faz presente: Luiz Fernandes da Silva. O jovem poeta é figura humana deveras solicitada e conceituada nos meios intelectuais do Nordeste, autor dos mais atuantes no ofício da poesia, tem trabalhos publicados em todo o Brasil, tornando-se, portanto, uma expressão artístico-nacional. “Poemática” é o encadeamento de várias poesias, onde o poeta faz da singeleza e singularidade sua arma, na perspectiva consciente do alvo a ser atingido”. 

Apreciando esses poemas, que bem poderiam ter sido incluídos em sua obra completa “O Universo Poético”, sem desdouro, chega-se à conclusão da força poética do autor, da sabença ao usar a palavra e o discurso, de modo a não imitar ninguém, sendo a maioria dos temas uma fusão da brasilidade com a província, conseguindo a síntese do social e pessoal sem que haja demarcações entre ambos, o que é uma grande vitória para um poeta. E é bom relembrar que estamos falando do seu livro de estréia, pois no seu “Universo Poético”, Luiz Fernandes atinge a poesia maior, é um nordestino de alma forte.

Vale, então, transcrever um poema do livro de estreia de Luiz Fernandes, para conhecimento da sensibilidade, beleza e humanismo da alma do poeta:

“Esqueço que sou humano / passo a ser apenas gaivota / nos retornos de meus dias. / Deixarei, em cada verso, uma confissão pública / meramente inconsútil / e, sonharei / de asas soltas pelo infinito / e despertarei a sede de afagos, / no carinho amigo, sonho e paz... // Buscarei também / antenas e sonos do infinito / e pedirei clemência / ao mundo calado. / E nos longínquos cantos planetários / buscarei noutras galáxias / o inconfessável segredo da vida”. (“Alvo”, do livro “Poemática”). 

A alma do nordestino é sensível e adaptável a todos os climas, latitudes e circunstâncias - prova da sua inteligência e força, senso de responsabilidade e ética. Algumas raras exceções não podem apagar essa linha. O tempo tem provado nossa firmeza de caráter. E mais: - A arte e a literatura vicejam no país Nordeste, a chuva é nosso suor, a força é a que gravou Euclides da Cunha, “O SERTANEJO É ANTES DE TUDO UM FORTE”, cujo pensamento, depois de anos, já pode ser parafraseado, em homenagem a ele: “O SERTANEJO, DEPOIS DE TUDO, CONTINUA UM FORTE”.

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*Francisco Miguel de Moura, brasileiro, poeta e prosador, mora em Teresina, Piauí, Brasil.
                                                                

5 comentários:

Umbelina Gadelha disse...

Feliz 2013!
Gostei do texto.
Gostei de conhecer o poeta.
E viva o Norteste e os nordestinos.
Abraços

Umbelina Gadelha disse...

Feliz 2013!
Gostei do texto.
Gostei de conhecer o poeta.
E viva o Norteste e os nordestinos.
Abraços

CHIICO MIGUEL disse...

Umbelina, fui a seu blog mas nao encontrei onde comunicar-me com você, por isto aproveito o ensejo para as felicitações natalinas (embora bastante atrasadas) e que 2013 seja um ano de muitos frutos para nós e o Brasil, com saúe ,paz e trabalho serio como é o seu. Obrigado por me ler com a atenção que sei que tem. Um abraço bem quente afetuso do
Francisco Miguel de Moura

Josú Barroso disse...

Obrigado meu caro.
Parabéns pelo blog e pelo dom da escrita!
Sucesso...

CHIICO MIGUEL disse...

Cunha e Silva,
Meu irmão, você é uma dessas grandes culturas do Piauí e do Brasil, o futuro não poderá ignorá-lo. Nós o adoramos como crítico, cronista e sobretudo como amigo. Abraços a toda a sua família por esse Natal e começo de ano (2013). Que todos estejam felizes.
Chico Miguel.

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