quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

EUCLIDES DA CUNHA - POR UM CENTENÁRIO COM DIGNIDADE


CENTENÁRIO DE FALECIMENTO
EUCLIDES DA CUNHA

CENTENÁRIO
DE FALECIMENTO DE
EUCLIDES DA CUNHA

19/1/2009 12:12:42


Henrique Novak*

O ano que agora começa será marcado, no plano cultural, pelo centenário da morte de Euclides da Cunha ocorrida na manhã de um domingo, em 15 de agosto de 1909, quando foi morto a tiros pelo amante de sua esposa, o tenente Dilermando de Assis, no número 214 da Estrada Real de Santa Cruz, na Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro.

Para quem ainda se lembra, em 1959, por ocasião do cinqüentenário do mesmo acontecimento, São Paulo liderou as homenagens ao escritor com a realização de conferências e exposições que atraíram grande público e foram motivo de farto noticiário na imprensa. O grande impulsionador
desse evento foi o escritor Paulo Dantas, que com seu entusiasmo euclidiano conseguiu criar uma corrente de motivação que tornou possível suplantar todos os obstáculos que a responsabilidade nos impunha. Na realidade, no começo, quando Dantas demonstrou sua intenção de comemorar o cinqüentenário, éramos apenas nós dois a imaginar como e o que fazer. Como eu tinha maior facilidade de planejamento, preparei a linha geral da idéia que era a realização de uma grande exposição sobre a vida e a obra de Euclides da Cunha em São Paulo. Para sua realização da exposição contamos então com a valiosa colaboração da Casa Euclidiana de São José do Rio Pardo, dirigida por Rubens Ortiz.

Recebemos, sob empréstimo, peças do acervo d
a Casa e mais outras que foram obtidas com colecionadores particulares em São Paulo. Realizamos então, em São Paulo, na Livraria Astréia, em junho de 1959, com discurso oficial de abertura de Carlos Rizzini, a primeira exposição, que posteriormente, em agosto, foi transferida para a Livraria Francisco Alves, dirigida por Lélio de Castro Andrade, na Rua Líbero Badaró, onde Paulo Dantas era editor de uma coleção de livros que revolucionou o meio literário da época. O assunto das exposições esteve no noticiário constantemente, ultrapassando as fronteiras de um acontecimento cultural. A idealização, organização e coordenação do cinqüentenário em São Paulo foi responsabilidade única de Paulo Dantas e minha. Percebemos, no entanto, que havia necessidade de criarmos uma cobertura institucional para o evento, para que ele deixasse de ser uma iniciativa pessoal e adquirisse uma personalidade coletiva.

Foi aí que criamos, já em maio de 1959, Centro Euclidiano de São Paulo e convidamos Francisco Pati para presidente, Paulo Dantas foi o vice e eu o secretário geral. Faziam parte da Diretoria, Rubens Ortiz, Herculano Pires, Luis Ernesto Machado Kawall, Audálio Dantas, Hélio Damante, Lélio de Castro Andrade, Maurício Loureiro Gama, Francisco Marins, Edgar Koetz, J.P. Leite Cordeiro, Vinícius Stein, Honório de Sylos, Américo Bologna, Luís Silveira, Judas Isgorogota, Afonso Schmidt, Leonardo Arroyo, Carlos Burlamaqui Kopke e Túlio de Lemos. O Centro Euclidiano de São Paulo durou o tempo necessário para dar suporte aos eventos do cinqüentenário. Depois, entrou em declínio. Anos mais tarde, parte de seus diretores passaram a integrar o Centro de Estudos Euclides da Cunha de São Paulo, fundado em 6 de agosto de 1980, em sessão realizada na Academia Paulista de Letras, sob a presidência de Francisco Marins. Sua primeira diretoria tinha como presidente Oswaldo Galotti; 1º vice presidente, Osmar Pimentel; 2º vice, Márcio José Lauria; 1º secretário, Moisés Gicovate; 2º secretário, Genésio Pereira Filho; 1º tesoureiro, Luiz Bittencourt; 2º tesoureiro, Emerson Oliveira Ribeiro e como bibliotecária, Amélia Franzolin Trevisan. O Centro de Estudos Euclides da Cunha de São Paulo sobrevive, após 28 anos e se mantém ativo, ainda que sem a mesma força, mas com o mesmo entusiasmo e empenho, liderando as atividades euclidianas na Capital.

Entramos em 2009 sob a perspectiva de uma crise financeira mundial. Orçamentos e previsões de investimentos são revistos. Não é hora de gastar. E isso não é bom para a cultura que é sempre a primeira a sofrer cortes. Sob essa visão pouco animadora tentamos imaginar o que será possível realizar para marcar dignamente o centenário da morte de Euclides da Cunha. A Casa Euclidiana de São José do Rio Pardo (cidade onde Euclides escreveu “Os Sertões”) que por tradição comanda a realização de eventos que marcam datas especiais relacionadas ao escritor, tem nova direção a partir deste mês. Caberá ao titular da entidade definir o plano de ação para a data e estruturar a logística necessária. O que sabemos, desde já, é que, como sempre, a entidade opera com recursos oficiais (financeiros e humanos) escassos e sobrevive, em parte, de doações de última hora da iniciativa privada. Essa é uma dificuldade que, no entanto, terá que ser superada e não pode ser impeditiva.

A Academia Brasileira de Letras, sob comando de Cícero Sandroni, que acaba de ser reeleito presidente, já declarou 2009 como o “Ano Euclides da Cunha” e pretende montar uma grande exposição em homenagem ao escritor além de realizar um ciclo de palestras. Na cidade natal de Euclides, Cantagalo, no Estado do Rio de Janeiro, já, desde agosto de 2008, está em organização o Seminário Internacional “100 Anos Sem Euclides”, que será realizado entre 25 e 27 de setembro.


Em Brasília, o deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar Mista da Leitura, apresentou projeto de lei instituindo o ano de 2009 como “Ano Nacional Euclides da Cunha”, em celebração ao centenário de morte. O projeto determina que a coordenação das atividades relacionadas às comemorações ficará a cargo do Ministério da Cultura e autoriza à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos a emitir selo comemorativo em homenagem à data.


Márcio José Lauria, um dos mais importantes e ativos euclidianos brasileiros, publicou em 6 de dezembro de 2008, no DEMOCRATA, sob o título “Responsabilidades rio-pardenses em 2009” um dramático alerta, do qual destacamos alguns trechos:


“Sob o ponto de vista cultural, a Semana Euclidiana de 2009 precisará ter particular brilho, para isso se tornando indispensável assegurar-se, desde logo, a presença de nomes significativos do euclidianismo nacional e internacional. Tem cabimento a instituição de um concurso, com atraente premiação e de âmbito nacional, sobre um tema abrangente, como Euclides da Cunha e São José do Rio Pardo. Para isso, suas bases deveriam ser lançadas o mais tardar em fevereiro, para atrair bom número de candidatos e para que a proclamação dos resultados de seu julgamento se dê na Semana Euclidiana de 2009.”

Lauria finaliza, mais adiante: “Tudo ainda estará em tempo se a nova administração municipal, tendo escolhido quem vá dirigir a Casa de Cultura, se propuser a queimar etapas e a solicitar o empenho de quantos possam colaborar no sentido do êxito de uma realização que esteja à altura do que se espera de São José do Rio Pardo em matéria de euclidianismo. Indispensável a congregação de todas as forças vivas da cidade e a convocação de universidades, imprensa, televisão, academias de São Paulo e do Brasil para se dar ao centenário da morte de Euclides o brilho e a projeção que condigam com a importância do grande escritor na literatura e na cultura do País.” Apoiamos, integralmente, o apelo de Márcio José Lauria e esperamos que suas palavras motivadoras surtam efeito e seja possível mobilizar as consciências para que Euclides da Cunha receba as homenagens que merece.

Em tempo: o dia 20 de janeiro marca a passagem do 143º aniversário de nascimento do autor de “Os Sertões”.


(Artigo publicado no jornal "Democrata", São José do Rio Pardo - SP, em 4.2.2009)
__________________
*Henrique Novak é presidente do Centro de Estudos Euclides
da Cunha de São Paulo.

Um comentário:

Prática de Português disse...

Não deixem de conhecer as ações culturais e educativas do Projeto "100 Anos Sem Euclides", da UFRJ e da UERJ. Acessem www.projetoeuclides.iltc.br
Atenciosamente,
Anabelle Loivos (Comissão Executiva do Projeto "100 Anos Sem Euclides".)

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