CONVERSA
DE POETA (Consigo mesmo)
Francisco Miguel de Moura*
Vim
do século passado e aprecio o presente
Cheio
de invalidade. E as dúvidas, semeio.
Sem
nada ao nascer... Perguntam-me a que veio?
E
eu respondo: A tudo além do que a alma
sente.
Para
ser um bom poeta, além do que é servido
A
uma jóia de Deus, clamando peio amor.
Tenho
horror ao frio e o frio é meu pavor.
Guardo
minha letra bem dentro em meu ouvido.
Sofrer,
todos sofremos: A marca do Criador!
Para
viver sorrindo, invento o meu calor.
Que
mais quero de Deus, se ainda sou feliz?
Nada
de hipocrisia... Quem não gostar de mim,
Longe
de mim eu vejo o ontem, o hoje, até o fim,
Pois
sendo igual a mim, ninguém é meu juiz.
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*Francisco Miguel de Moura,
poeta brasileiro.
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