terça-feira, 29 de dezembro de 2015

PICOS: ANTÔNIO BORGES MARINHO DE BRITO (Biografia)

Francisco Miguel de Moura –
Membro da Academia Piauiense de Letras.

Para falar sobre Antônio Borges Marinho (ou Marim) de Sousa Brito, é preciso fazer algumas referências ao início do Piauí, ou seja, à Vila da Mocha, depois Oeiras. Diz o escritor Firmino Libório Leal, picoense nascido em Bocaina, que, já nos meados dos anos 70, século XVII, as trilhas sem medo dos vaqueiros “românticos” da Casa da Torre esbarraram no riacho da Mocha e nos rios Canindé, Itaim e Guaribas, respectivamente regiões que passariam a ser Oeiras, Picos e Bocaina, território da futura capitania de São José do Piauhy.

Valho-me de uma passagem do documento “Descrição do Sertão do Piauhy”, feito pelo Pe. Miguel de Carvalho, o primeiro dessa natureza que foi feito entre os anos de 1694 a 1697, para complementar as deduções de Libório:
“De todas as terras são Senhores Domingos Afonso Sertão e Leonor Pereira Marinho, que as partem de meias. Têm nelas algumas fazendas de gado seus, os mais arrendam a quem lhe quer meter gados, pagando-lhes dez reis de foro, por cada sítio e, desta sorte estão introduzidos donatários das terras, sendo só sesmeiros, para as povoarem com gados seus, em tanto que até as igrejas querem apresentar, e esta nova queriam fundada debaixo do título de sua”. 

Por isto, refere-se ele, em primeiro lugar ao sertanista português (nascido em Mafra), de nome Domingos Afonso Mafrense, depois apelidado de Domingos Afonso Sertão, por causa de sua tenacidade e bravura. Naturalmente, foi através dele que o Bispo Francisco de Lima, de Pernambuco, resolveu desmembrar do território de Cabrobó (Arraial dos Paulistas) uma sesmaria no Sertão do Piauí, a qual ficou ligada à nova Matriz de Nossa Senhora da Vitória. 

Por Carta Régia de 30-6-1712, o já existente povoado da Mocha, foi elevado à categoria de vila, conservando o nome. Somente em 29-7-1758, tendo sido criada a Capitania de São José do Piauhy, por Carta-Régia daquela data, a Vila passa a ter o nome de Oeiras, em homenagem ao Ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras.  

Até então, o Piauí era o seu sertão (os seus sertões) e Oeiras, a Capital, que permaneceu por muito tempo, até o advento de Saraiva, que a transferiu para Teresina, à margem do rio Parnaíba.

É consenso entre os historiadores que “os Borges Leal” são oriundos do casamento de João Borges Marinho (ou Marim) de Brito e Anna de Souza Brito, e este casal teve 5 filhos:

 1º) Antônio Borges Marinho (ou Marim) de Brito, casado com Maria da Conceição Borges Leal. Era uma pessoa muito religiosa, pois que descendente da família tradicional, nobre, portuguesa. Por isto, logo que chegou ao Piauhy, em 13 de maio de 1.732, tratou logo de mandar construir uma igreja. Ele aportou à localidade da barra do rio Riachão com o Guaribas, chamada de “Boqueirão” e depois Bocaina, trazendo em sua comitiva a mulher “Rosa” (depois batizada com o nome de Maria da Conceição Borges Leal, no momento da sagração da Igreja de N. S. da Conceição, pelo jesuíta João Sampaio, no ano de 1754, ao término da construção do templo). Vinha preparado para montar uma fazenda inicial e fundou-a com o nome de “Boqueirão”, na barra do Guaribas com o Riachão. Assim foi que “trouxe com ele cerca de 60 escravos, várias família de agregados, um razoável rebanho de animais, sendo a maioria de vacum e cavalos”. Naquela data marcante, Borges Marinho escolheu um escravo de sua confiança para cumprir a missão de percorrer à montante do cristalino regato que banhava aquelas paragens. Após percorrer o rio até sua nascente, ao regresso, o escravo deu a boa notícia ao seu senhor: A existência de água em abundância e várzeas de terras férteis. Naquele instante, o sertanista desbravador bateu com a coronha de seu bacamarte naquele chão sagrado e bradou:
- Cheguei à terra prometida, aqui hei de ficar até a morte”.

Segundo anotações de Libório e algumas deduções minhas, o patriarca, pai de Antônio Borges Marinho obteve a concessão de sesmarias –  depois se chamariam datas – que foram dividas em várias fazendas (“Arrodeador”, “Guaribas”, “Bocaina”,  “Sussuapara” e “Curralinho”, foram distribuiídas as seus parentes, como se notará nesta história.

Enumeremos, então, os filhos do patriarca João Borges Marinho (ou Marim) de Brito e  sua mulher Anna de Souza Brito:

1º filho – Antônio Borges Marinho (ou Marim) de Brito, casado com Maria da Conceição Borges Leal, nome já a acima restrado;

2º filho - Antônia Borges Marinho de Brito, que seguiu para Ipueiras, no Ceará (ou teria descido para o lugar Ipueiras, hoje bairro de Picos?); 

3º filho - Albino Borges Marinho de Brito, que fixou residência nos Inhamuns, no Ceará, e depois emigra para Piracuruca-PI; 

4º filho - Francisco Borges Marinho de Brito, indo para o norte, ficando no lugar onde hoje está erguida a cidade Buriti dos Lopes-PI;  e, por último seu quinto filho;

5º filho - Gonçalo Félix Borges Leal de Brito, o mais jovem, mais tarde casando-se com Ana Maria de Sousa: - Este ficou no lugar “Retiro”, depois “Retiro do Curralinho”, onde hoje é a cidade Picos. 

A saudade dos filhos bateu no militar altamente graduado, Cel. João Borges Marinho (ou Marim) de Brito. Ele chega a Oeiras, em fins de 1760, seis anos depois da sagração da capela de N.S. da Vitória. Era tenente-coronel de arma de cavalaria do Exército Português já aposentado. Veio encontrar-se com seus filhos, depois de ter conseguido, junto ao Rei, as sesmarias para a família, que iam de Oeiras a Patrocínio (Pio IX), ocupando uma área que chegava a ter 300 quilômetros, na medida daquele tempo: 50 léguas Tudo pertencia à família Borges Marinho. Da Bahia, passando por Oeiras, ele e sua comitiva (mulher e o filho Gonçalo) vieram a cavalo até o sítio que conseguira para seus filhos e descendentes. 
Já no meado do séc. XVIII, um dos filhos de Francisco Borges Leal Marinho, de nome Félix Borges Leal, neto do patriarca, chegou à região de Picos, fundando ali a fazenda “Curralinho”, que depois se tornaria a mais importante da região.

Depois vieram outros “Borges Leal”, que se juntaram aos 11 filhos de Felix Borges Leal e foram povoando o núcleo que hoje compreende a Região de Picos. Os descendentes de Felix Borges Leal (Simão Borges Leal e Sebastião Borges Leal) casaram-se com pessoas da mesma família, exceto Dª. Maria Borges Leal, que se casou com Leonardo de Moura Fé, recém-chegado à região, e tiveram 8 filhos.

Segundo Firmino Libório Leal, já citando Fonseca Neto, “nos anos seguintes a 1754, a povoação de Bocaina sob a jurisdição eclesiásica e civil de Oeiras é a que mais prosperará no vale do Guaribas, sendo a mesma principal referência da vida social da sub-região. Mas uma outra fazenda de gado do dito vale cresce muito nos anos que se avizinham aos meados do sec. XIX: é a fazenda “Curralinho”, que em 1851 se torna cabeça de freguesia e em 1855, em município com a designação de Picos”.

O tempo passa. E sobrevieram as mortes do Coronel João Marinho e esposa, de Antônio Borges Marinho (ou Marim de Brito) e esposa, e de Gonçalo e sua esposa Antônia Maria de Sousa.  

Consta que, antes de morrer, Antônio Borges Marinho de Brito passou a direção de suas fazendas e posses ao filho mais velho, Raymundo de Sousa Brito. 

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...